The Who: 50 anos de A Quick One

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(lançado em 9 de dezembro de 1966)

Após um primeiro álbum com influências de R&B, chegava a hora do The Who desenvolver sua identidade. A primeira parte da experiência consistia em fazer com que todos os membros da banda compusessem material. Como resultado, temos aqui o disco mais democrático da carreira do quarteto, antes que Pete Townshend tomasse conta com sua mente brilhante. A Quick One se chamou Happy Jack nos Estados Unidos, onde o single de mesmo nome foi incluído no tracklist final. O grande destaque vai para a faixa-título (ampliada), um épico de nove minutos, dividido em seis etapas. Narrando uma história de infidelidade e reconciliação, ela antecipa o que seria ampliado e melhor trabalhado nas futuras óperas roqueiras Tommy e Quadrophenia, além de mostrar que o grupo estava pronto para se colocar na vanguarda do estilo.

Outro momento de destaque está em “Boris The Spider”. Escrita pelo baixista Pete Townshend, após uma bebedeira com Bill Wyman, dos Rolling Stones, foi a primeira música ligada ao Rock a contar com um vocal gutural, protagonizado por seu escritor. Há até quem a classifique como um proto-Death Metal, dada a sua estrutura. O único cover registrado foi “Heat Wave”, parceria de Lamont Dozier com os irmãos Brian e Eddie Holland. Ela não aparece na versão americana, sendo substituída pela já citada “Happy Jack”. Em “Cobwebs And Strange”, a curiosidade fica por conta do fato de os músicos terem inserido vários instrumentos de sopro, tocado pelos próprios. A Quick One chegou ao quarto lugar da parada britânica. Ainda mostrava um The Who em evolução, mas as perspectivas iam se desenhando empolgantes.

Roger Daltrey (vocais)
Pete Townshend (guitarra)
John Entwistle (baixo)
Keith Moon (bateria)

01. Run Run Run
02. Boris The Spider
03. I Need You
04. Whiskey Man
05. Heat Wave
06. Cobwebs And Strange
07. Don’t Look Away
08. See My Way
09. So Sad About Us
10. A Quick One, While He’s Away

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The Who fará turnê tocando Tommy na íntegra

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O The Who anunciou para abril uma série de shows tocando a ópera-Rock Tommy na íntegra. Será a primeira vez que Roger Daltrey e Pete Townshend executam toda a obra em sua sequência original desde 1989 – quando o baixista John Entwistle ainda estava vivo. Por enquanto, apenas datas no Reino Unido estão confirmadas. Um novo segmento de vídeo foi filmado especialmente para esta excursão.

Para Roger Daltrey, Rock está em um beco sem saída

Roger Daltrey

Em entrevista ao The Times, o vocalista do The Who, Roger Daltrey, se mostrou decepcionado com a situação atual do Rock. “Fico triste em ver que o estilo chegou a um beco sem saída. Atualmente, só os rappers dizem coisas realmente relevantes. A música Pop se tornou insignificante. Você vê os artistas e não lembra de mais nada”.

“Tocar ao vivo não significa nada para mim”, confessa Pete Townshend

Pete Townshend

Ao contrário do que a maioria dos músicos faz questão de externar, o guitarrista Pete Townshend (The Who) revelou ao The Guardian não sentir nada de especial em se apresentar ao vivo. Nem mesmo no recente Desert Trip Festival, que reuniu sua banda, Paul McCartney, Rolling Stones, Bob Dylan, Roger Waters e Neil Young. “Não significa nada para mim. Estaria mentindo se dissesse ser algo incrível. Apenas fui pago e toquei. Não gosto de fazer shows, embora reconheça ser bom nisso”.

“Trocaria o Genesis pelo The Who, com certeza”

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Em um webchat com fãs no The Guardian, Phil Collins foi questionado o que teria feito em caso de um convite do The Who após a morte de Keith Moon, no final dos anos 1970. “Com certeza trocaria. Deixaria o Genesis e iria até eles. Porém, hoje a banda tem Zak Starkey, que é fantástico. Ele tem a personalidade nos moldes de Moon”. Collins voltará à estrada ano que vem, em uma turnê que leva o nome de sua vindoura biografia, Not Dead Yet.

The Who relança My Generation em edição super deluxe

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O The Who confirmou para 18 de novembro o lançamento de um box-set celebrando seu álbum de estreia, My Generation. O pacote inclui cinco CDs, com as versões mono e stereo originais, além de gravações inéditas, demos, mixagens alternativas e remasterizações. Acompanha os discos um livro de 80 páginas, com textos escritos por Pete Townshend e fotos inéditas da época, além de memorabilia avulsa. Versões condensadas, em vinil triplo e duplo, serão lançadas em fevereiro do ano que vem.

The Who volta a ser headliner do Isle Of Wight Festival

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O The Who confirmou que será uma das atrações principais do Isle Of Wight Festival. Será a quarta apresentação no evento, repetindo 1969, 1970 (que rendeu um lendário registro ao vivo em áudio e vídeo) e 2004. Os outros headliners são Queen + Adam Lambert, Stereophonics e Faithless. O festival acontece entre 9 e 12 de julho, em Newport, Inglaterra.

The Who: 35 anos de Face Dances

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(lançado em 16 de março de 1981)

Pouco tempo após o falecimento de Keith Moon, o The Who deixou claro que não interromperia atividades. De acordo com Pete Townshend, além de ser uma maneira de homenagear o companheiro, seria injusto a banda simplesmente parar quando ainda sentia ter algo a dizer. Logo em seguida, Kenney Jones, de fama com o The Faces, foi recrutado para o posto e turnês foram realizadas, com boa resposta de público e, infelizmente, uma tragédia no dia 3 de dezembro de 1979, quando 11 fãs morreram pisoteados em Cincinnati, Estados Unidos. Após os músicos terem participado do lançamento da trilha de McVicar, que foi um álbum solo de Roger Daltrey, começaram a trabalhar no primeiro disco da nova fase. Ele também marcava a estreia nas novas gravadoras, Warner nos Estados Unidos e Polydor na Inglaterra.

Apesar de não contar com a aura de boa parte de seus antecessores, Face Dances consagrou um hit em “You Better, You Bet”, faixa de abertura. Foi dela um dos primeiros videoclipes a ser mostrado na MTV, o que contribuiu com sua popularidade, seguindo até hoje nos setlists dos shows. Aliás, foi a única que sobreviveu após as primeiras excursões. Também se destacam a pegada de “Cache Cache” e o arranjo quebrado de “Daily Records”. Pete Townshend divide os vocais em “How Can You Do It Alone?”, com seu toque de Liverpool, enquanto John Entwistle toma o microfone de assalto em “The Quiet One”, mostrando que sempre foi o cara mais atento ao lado pesado da música da banda.

Apesar das críticas de alguns fãs – especialmente em relação ao estilo mais conservador de Kenney Jones, em comparação a Keith Moon – Face Dances foi um sucesso comercial, chegando ao segundo lugar no Reino Unido e quarto no chart norte-americano, além do número um no Canadá. A turnê também teve boa recepção pública. Mas, dentro do grupo, os ânimos estavam arrefecidos, especialmente de parte de Pete Townshend, que enfrentava dependência em heroína e tinha intenção de transformar o The Who em um grupo de estúdio. Roger Daltrey e John Entwistle discordavam da ideia, gerando mais um dos vários rachas da tortuosa história da banda no campo pessoal.

Roger Daltrey (vocais)
Peter Townshend (guitarra, vocais)
John Entwistle (baixo, vocais)
Kenney Jones (bateria)

Convidado especial

John Bundrick (teclados, sintetizadores)

01. You Better, You Bet
02. Don’t Let Go The Coat
03. Cache Cache
04. The Quiet One
05. Did You Steal My Money?
06. How Can You Do It Alone?
07. Daily Records
08. You
09. Another Tricky Day

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Roger Daltrey regrava hit solo de Pete Townshend

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A nova versão para “Let My Love Open The Door”, lançada pelo guitarrista do The Who em 1980, pode ser conferida aqui. A renda será totalmente revertida para o Teen Cancer America, que auxilia jovens a combater o câncer.

The Who: 50 anos de My Generation

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(lançado em 3 de dezembro de 1965)

O The Who já não era uma banda desconhecida na Inglaterra quando lançou seu primeiro full-lenght. O quarteto já possuía singles de sucesso, como “I Can’t Explain” e “Anyway, Anyhow, Anywhere”, além de ser atração constante nos principais clubes de Londres, como o Marquee e aparições no cinema e televisão. Mas, antes mesmo de registrar seu primeiro álbum completo, o grupo precisou superar uma dificuldade que perdurou por toda a carreira: a convivência. Exceção a John Entwistle e Keith Moon, ninguém era amigo de verdade. Em uma turnê pela Escandinávia, a coisa desandou, com Roger Daltrey agredindo o baterista e jogando suas drogas pela privada. O vocalista foi demitido temporariamente, sendo readmitido com a condição que, a partir de então, as coisas fossem resolvidas de forma democrática.

Arestas aparadas, o grupo entrou em estúdio para gravar My Generation, que teria como carro chefe a faixa-título, lançada dois meses antes. Ela se tornaria o hino de toda uma geração, sendo facilmente adaptada a cada nova era. Muito do que viriam a ser os subgêneros do Rock estão contidos em seu arranjo e execução. Outro clássico presente na obra é “The Kids Are Alright”. Além das composições próprias, o tracklist ainda trazia clássicos do R&B, especialidade da banda em suas apresentações. Dessa leva, destaques para “I Don’t Mind” e “Please, Please, Please”, ambas originais de James Brown. Bo Didley também é reverenciado em “I’m A Man”.

Apesar da boa repercussão, com um quinto lugar na parada britânica, os integrantes do The Who sempre deixaram claro que o álbum não ficou tão bom como poderia. Alegam pressa no processo de gravação, além da falta de maturidade natural para quem está encarando a responsabilidade pela primeira vez. Mesmo assim, os fãs deram a My Generation seu lugar merecido na história. Não são poucas as publicações que o coloca entre os discos mais importantes de todos os tempos. Nos Estados Unidos, o trabalho só seria lançado no ano seguinte, com o nome The Who Sings My Generation. A capa foi mudada, assim como o tracklist, procedimento recorrente à época. Com o tempo – e vários relançamentos – a coisa foi padronizada.

Roger Daltrey (vocais)
Pete Townshend (guitarra)
John Entwistle (baixo)
Keith Moon)

01. Out In The Streets
02. I Don’t Mind
03. The Good’s Gone
04. La-La-La-Lies
05. Much Too Much
06. My Generation
07. The Kids Are Alright
08. Please, Please, Please
09. It’s Not True
10. I’m A Man
11. A Legal Matter
12. The Ox

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E a nova opinião de Keith Richards sobre bandas é…

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Após Led Zeppelin, Grateful Dead, Metallica e Black Sabbath, Keith Richards falou ao NME sobre o The Who. “Sempre achei Roger Daltrey exibido, não cola comigo. Mas Keith Moon conseguia tocar como ninguém. Só não se dava bem quando fazia jams com outras pessoas, mas não há nada de errado com isso, acontece”.

The Who: 40 anos de The Who By Numbers

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(lançado em 3 de outubro de 1975)

Na realidade atual da música, parece estranho uma banda se achar muito velha para o Rock aos trinta anos. Mas Pete Townshend teve essa sensação justamente ao ultrapassar a marca das três décadas. O guitarrista chegou a sofrer um bloqueio criativo e colocou a continuação do The Who em cheque. A essa altura, o quarteto já havia finalizado a turnê da ópera Quadrophenia e trabalhava na versão cinematográfica de Tommy, sua outra aventura no formato. A saída para o músico foi focar em sua própria vida e usá-la como fonte de inspiração. Assim, teve início a saga que gerou o trabalho mais introspectivo do grupo.

The Who By Numbers carrega em suas letras e melodias o medo de se perder a relevância com a chegada da idade, a frustração com o vazio existencial e a decepção ao conhecer a indústria do entretenimento em seu lado mais sujo. Musicalmente, não trazia os hits pegajosos de outrora, embora “Squeeze Box” tenha alcançado resultados satisfatórios nas paradas de single inglesa e americana. Mas tinha no conjunto da obra seu ponto forte. Foram três meses de gravação. O que pode ser considerado muito rápido para os padrões da época, foi o maior tempo que a banda havia passado em estúdio até então.

A capa foi desenhada pelo baixista John Entwistle, retratando com humor e precisão o que o nome queria dizer. Segundo o próprio, enquanto a ilustração frontal de Quadrophenia custou 16 mil libras, ele precisou apenas de 32 mangos para essa. The Who By Numbers chegou ao 7º lugar no Reino Unido e 8º nos Estados Unidos. Pouco lembrado fora do círculo de fanáticos, o trabalho serviu para quebrar a autodesconfiança de Townshend e manter a banda em voga – mesmo que o próprio tenha declarado em entrevistas que não o considera grande coisa.

Roger Daltrey (vocais)
Pete Townshend (guitarra, vocais)
John Entwistle (baixo)
Keith Moon (bateria)

01. Slip Kid
02. However Much I Booze
03. Squeeze Box
04. Dreaming From The Waist
05. Imagine A Man
06. Success Story
07. They Are All In Love
08. Blue, Red And Grey
09. How Many Friends
10. In A Hand Or A Face

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