Rolling Stones: 50 anos de Between The Buttons

rolling buttons

(lançado em 20 de janeiro de 1967)

É sempre um problema resenhar algum disco dos Beatles e dos Rolling Stones lançados na época em questão. Como todos devem saber, as versões inglesas eram diferentes das norte-americanas. Porém, em critério estabelecido desde o começo do site, vamos sempre optar pela terra natal das bandas. Então, falemos de Between The Buttons em sua edição britânica, onde foi o quinto full-length (sétimo atravessando o continente) e omitiu os clássicos “Ruby Tuesday” e “Let’s Spend The Night Together”. As canções foram lançadas em um single no formato de duplo lado A, já que seria difícil relegar alguma a um b-side. As músicas atingiram o número 1 nos Estados Unidos e 2 na Grã-Bretanha. Estiveram presentes no disco yankee, que omitiu “Back Street Girl” – para desagrado de Mick Jagger, que a tinha como preferida do play – e “Please Go Home”.

Em termos de sonoridade, o grupo colocava um pezinho no lado mais psicodélico do Rock, mostrando grande evolução em apenas três anos de estúdio. Brian Jones mostrava toda sua versatilidade, experimentando diferentes instrumentos e arranjos fora do convencional. Vale citar, ainda, “Connection”, com Keith Richards dividindo vozes com Mick e a balada “She Smiled Sweetly”, justificando o título que lhe foi empregado. Between The Buttons foi segundo colocado no Billboard 200 e terceiro na Inglaterra. O primeiro grande auge estava consolidado. O problema é que, com ele, viriam os primeiros grandes problemas aos olhos populares, devido ao uso de entorpecentes e as questões legais em que o cenário implicaria. Reflexo ou não, a coisa ficaria ainda mais “doida” no disco seguinte.

Mick Jagger (vocais, percussão)
Keith Richards (guitarra, vocais)
Brian Jones (guitarra, piano, percussão, saxofone)
Bill Wyman (baixo)
Charlie Watts (bateria)

Participações

Ian Stewart (piano)
Jack Nitzche (piano, órgão)
Nick DeCaro (acordeão)

01. Yesterday’s Papers
02. My Obsession
03. Back Street Girl
04. Connection
05. She SMiled Sweetly
06. Cool, Calm & Collected
07. All Sold Out
08. Please Go Home
09. Who’s Been Sleeping Here
10. Complicated
11. Miss Amanda Jones
12. Something Happened To Me Yesterday

rolling buttons

Rolling Stones: 50 anos de Got Live If You Want It!

got live

(lançado em 10 de dezembro de 1966)

Contra a própria vontade, os Rolling Stones acabaram se tornando uma sensação juvenil nos primórdios da carreira. Os gritos histéricos que abrem este álbum atestam o impacto dos “rivais de mentirinha” dos Beatles – todo mundo sabe que o respeito e amizade imperava. A essa altura, para desespero de Keith Richards, a banda era vista como uma força do Rock and Roll. E foi assim que apresentou o seu primeiro registro oficial ao vivo. Got Live If You Want It! teve sua maior porção gravada nos dias 1 e 7 de outubro de 1966, em Newcastle Upon Tyne e Bristol. Alguns enxertos de outros momentos foram incluídos no tracklist final, incluindo a performance de “Fortune Teller”, captada três anos antes, quando o grupo vivia seus momentos embrionários.

O tracklist apresenta os primeiros hits e covers. Oportunidade de ouvir sons como “Under My Thumb”, “Get Off My Cloud” e “(I Can’t Get No) Satisfaction” com arranjos mais próximos dos originais, sem o estilo big band dos tempos atuais – que também é maravilhoso, ressalte-se. Ainda há de se destacar a interpretação emocionada de Mick Jagger para “I’ve Been Loving You Too Long”, de Otis Redding e Jerry Butler. Mas o grande barato acaba sendo escutar hinos que ficaram pelo caminho, como as indefectíveis “19th Nervous Breakdown”, “Time Is On My Side” e “Have You Seen Your Mother, Baby, Standing In The Shadows?”. Doze faixas em pouco mais de meia hora. Suficiente para mostrar o que o futuro reservava.

Mick Jagger (vocais)
Keith Richards (guitarra)
Brian Jones (guitarra)
Bill Wyman (baixo)
Charlie Watts (bateria)
Ian Stewart (teclados)

01. Under My Thumb
02. Get Off My Cloud
03. Lady Jane
04. Not Fade Away
05. I’ve Been Loving You Too Long
06. Fortune Teller
07. The Last Time
08. 19th Nervous Breakdown
09. Time Is On My Side
10. I’m Alright
11. Have You Seen Your Mother, Baby, Standing In The Shadows?
12. (I Can’t Get No) Satisfaction

got live

Cabeçote: A história do disco blues de Mick Jagger que jamais foi lançado

“Blue & Lonesome”, disco dos Rolling Stones com releituras de clássicos do blues, reforçou a conexão que a banda tem com o tradicional gênero musical. Entretanto, não foi a primeira experiência de um dos integrantes do grupo com um projeto do tipo.

Em 1992, Mick Jagger trabalhou em um disco de releituras de clássicos do blues. Na época, ele contou com a colaboração do produtor Rick Rubin para tirar o projeto do papel.

A ideia

Mick Jagger pensava em gravar um álbum do tipo desde agosto de 1990, com o fim da turnê que divulgava o álbum “Steel Wheels” (1989). Entretanto, ele já trabalhava, também com Rick Rubin, em um full-length com com músicas autorais, que viria a ser “Wandering Spirit” (1993).

O frontman dos Stones deu uma pausa nas gravações de “Wandering Spirit” e retomou o projeto de blues que havia pensado. Rick Rubin, por sua vez, recomendou a contratação da banda Red Devils (foto abaixo), de Los Angeles, para acompanhar Jagger no projeto.

Antes, era necessário um teste de fogo: em maio de 1992, Mick Jagger foi a um show dos Red Devils e cantou alguns standards do blues, como “Who Do You Love?” (Bo Diddley) e “Blues With A Feeling” (Little Walter). Deu certo: com a química que rolou durante o show, Jagger se empolgou e começou a projetar o novo disco com releituras de canções blues.

Gravações

Em junho de 1992, Mick Jagger, Rick Rubin e os Red Devils começaram a trabalhar, juntos, no estúdio Ocean Way Recording, em Hollywood.

O processo de gravação foi bastante simples: Jagger pegou alguns discos de blues, tocou suas músicas favoritas apenas uma vez e pediu para que os instrumentistas fizessem uma jam a partir do que haviam escutado. A ideia era que tudo soasse espontâneo, sem ensaios.

O resultado foi uma maratona de 13 horas de gravação, regada a muito blues, que renderam mais de 12 músicas. A maior parte das canções foi gravada em takes iniciais. Nada sofisticado, assim como “Blue & Lonesome“, registrado todo ao vivo.

Material engavetado

Apesar de ter agradado, Mick Jagger nunca lançou o material gravado com os Red Devils. E não há, nem mesmo, uma justificativa aparente, visto que o material é de boa qualidade: os Devils tocam muito bem e Jagger interpreta o cancioneiro bluesy de forma legítima.

Curiosamente, Mick Jagger voltou a trabalhar em “Wandering Spirit” logo após a aventura blues. Em termos comerciais, foi a melhor aposta que Jagger poderia ter feito: o disco vendeu bem e chegou ao top 15 das paradas dos Estados Unidos e Reino Unido. Nada nas proporções dos Rolling Stones, mas um bom resultado para quem tem uma tímida discografia solo.

A única canção de tais sessões que chegou à luz do dia no catálogo de Jagger foi a versão para “Checkin’ Up On My Baby” (Sonny Boy Williamson II). A faixa está presente na coletânea “The Very Best Of Mick Jagger” (2007).

Por outro lado, há anos, as gravações têm sido distribuídas por meios não-oficiais, em formato de bootleg. Hoje em dia, evidentemente, a versão completa está presente no YouTube.

Ouça:

Mick Jagger & The Red Devils – Studio Blues Sessions (1992)

Mick Jagger (vocal)
Lester Butler (gaita)
Paul Size (guitarra)
Jonny Ray Bartel (baixo)
Bill Bateman (bateria)

1) Blues With A Feeling (Little Walter)
2) I Got My Eyes On You (Buddy Guy)
3) Still A Fool (Muddy Waters)
4) Checkin’ Up On My Baby (Sonny Boy Williamson II)
5) One Way Out (Sonny Boy Williamson II)
6) Talk To Me Baby (Elmore James)
7) Evil (Howlin’ Wolf)
8) That Ain’t Your Business (Slim Harpo)
9) Shake ‘m On Down (Bukka White)
10) Somebody Loves Me (George White’s Scandals)
11) Dream Girl Blues (J. D. Miller & Slim Harpo)
12) 40 Days, 40 Nights (B. Roth)

Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e “fundador afastado” do site Van do Halen. Atualmente, é redator-chefe do site Cifras. Assina a coluna Cabeçote semanalmente

Resenha: Rolling Stones – Blue & Lonesome [2016]

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Quem leu Vida, biografia de Keith Richards, sabe que apesar de ser uma das bandas que melhor define o estilo, os Rolling Stones não gostavam de serem chamados de Rock and Roll nos primórdios da carreira. O grupo preferia ser colocado junto ao Blues, um estilo de vanguarda, respeitado, que não era visto como uma sensação teen àquela altura dos acontecimentos. O tempo passou, os rótulos deixaram de ter tanta importância, mas o amor pelas raízes nunca deixou de estar presente no grande caldeirão musical que alavancou o conjunto ao status de um dos mais importante da história. Por isso, o quarteto e seus asseclas voltaram a se encontrar com o produtor Don Was para celebrar um passado cada vez mais distante. Foram poucas sessões, com todos tocando ao mesmo tempo, visando manter a sonoridade mais espontânea possível, incluindo alguns pormenores sonoros, como a bateria vazando em outros canais. Essa foi a fórmula de Blue & Lonesome.

Fica difícil analisar friamente o tracklist quando o componente emocional está tão presente. Além disso, é comovente notar que Mick, Keith, Ronnie e Charlie, nas casas dos 60 e 70 anos, ainda mostram tanta paixão pelo que fazem. Eric Clapton também comparece em dois momentos. Primeiro, tocando slide em “Everybody Knows About My Good Thing”. Depois, mostrando sua classe em “I Can’t Quit You, Baby” – que sim, é aquela mesmo. Alguns jornais britânicos criticaram suposto comodismo dos Stones ao optar por um caminho supostamente fácil. Porém, não dá para deixar de destacar que se trata de um tributo legítimo em todas as alçadas possíveis. São os caras que carregaram o nome e fizeram a história evoluir homenageando seus heróis. Se eles não possuem esse direito, quem mais teria? Por conta de sua natureza diferente da de um disco de inéditas, Blue & Lonesome não entrará em nossa lista de melhores do ano, que inclui apenas trabalhos autorais. Mesmo assim, vale ser lembrado como um dos grandes momentos de 2016.

Nota 9,5

Mick Jagger (vocais, harmônica)
Keith Richards (guitarra)
Ronnie Wood (guitarra)
Charlie Watts (bateria)

Darryl Jones (baixo)
Matt Clifford (teclados)
Chuck Leavell (teclados)
Jim Keltner (percussão)

01. Just Your Fool (Original written and recorded in 1960 by Little Walter)
02. Commit A Crime (Original written and recorded in 1966 by Howlin’ Wolf – Chester Burnett)
03. Blue And Lonesome (Original written and recorded in 1959 by Little Walter)
04. All Of Your Love (Original written and recorded in 1967 by Magic Sam – Samuel Maghett)
05. I Gotta Go (Original written and recorded in 1955 by Little Walter)
06. Everybody Knows About My Good Thing (Original recorded in 1971 by Little Johnny Taylor, composed by Miles Grayson & Lermon Horton – participação de Eric Clapton)
07. Ride ‘Em On Down (Original written and recorded in 1955 by Eddie Taylor)
08. Hate To See You Go (Original written and recorded in 1955 by Little Walter)
09. Hoo Doo Blues (Original recorded in 1958 by Lightnin’ Slim, composed by Otis Hicks & Jerry West)
10. Little Rain (Original recorded in 1957 by Jimmy Reed, composed by Ewart.G.Abner Jr. and Jimmy Reed)
11. Just Like I Treat You (Original written by Willie Dixon and recorded by Howlin’ Wolf in December 1961)
12. I Can’t Quit You Baby (Original written by Willie Dixon and recorded by Otis Rush in 1956 – participação de Eric Clapton)

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Rolling Stones lança clipe com participação de Kristen Stewart

“Ride ‘Em On Down”, do álbum Blue & Lonesome.

Baixista gostaria de ser efetivado nos Rolling Stones

rolling stones

Há mais de 20 anos acompanhando os Rolling Stones como músico convidado, o baixista Darryl Jones foi questionado pela BBC se gostaria de, em algum momento, ser considerado membro oficial. Após a saída de Bill Wyman, apenas Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ronnie Wood se mantiveram na linha de frente. “Obviamente, seria maravilhoso para alguém como eu. Atuo como músico de apoio para outros artistas há três décadas. No fundo, todos em minha posição gostariam de ser efetivados. Não estaria sendo honesto caso negasse. Porém, não depende de mim. Procuro fazer o melhor que posso”, declarou.

James Hetfield acha que ainda tem muito a oferecer: “Os Rolling Stones têm 110 anos e estão aí”

James-Hetfield

O tempo cobra o preço para todo mundo. James Hetfield sabe disso e, aos 53 anos, procura se cuidar o máximo possível. “Os Rolling Stones têm 110 anos e ainda estão tocando, o que é incrível. Eles são grandes mentores, que respeito, embora nossa música tenha mais intensidade e exija preparo físico melhor. Procuramos dormir ao fim da noite, em vez de ir ao bar. Levamos uma pessoa para a estrada que prepara exercícios antes dos shows. Comemos coisas saudáveis. É, o estilo de vida mudou, não há dúvidas. Quero viver para ter netos e fazer mais shows”, disse o frontman do Metallica à Star FM, de Berlim, Alemanha.

Novo álbum dos Rolling Stones reaproximou Jagger e Richards

rolling stones

Em entrevista à Rolling Stone, Keith Richards revelou que Blues And Lonesome, novo álbum dos Rolling Stones, o reaproximou de Mick Jagger. “Amo o cara. O que não significa que não possamos ficar putos um com o outro ocasionalmente. Mas é preciso perdoar e esquecer. Diria que em 89% das vezes estamos em acordo. Porém, as pessoas só sabem dos outros 11%, quando a coisa pega fogo”.

Rolling Stones já possui metade de um novo álbum

rolling stones

Lançando Blue And Lonesome, disco de covers, os Rolling Stones já possuem material para um próximo trabalho de inéditas. “Temos metade de um álbum composto. São músicas que ainda precisam ser trabalhadas com mais afinco. Mas ainda deve levar algum tempo para retomarmos o processo”, revelou Mick Jagger ao New York Times.

Quando Keith Richards puxou a faca para Donald Trump

keith richards

(via Collectors Room)

Michael Cohl, tour manager dos Rolling Stones durante a excursão que promoveu o álbum Steel Weels (1989), contou um fato curioso para a revista portuguesa Blitz, e que ficou ainda mais interessante com a eleição de Donald Trump como novo presidente dos Estados Unidos.

O último concerto do braço norte-americano daquela turnê, realizado no Convention Center de Atlantic City no dia 20 de dezembro de 1989, foi patrocinado por Trump. No entanto, havia um acordo entre a banda e o empresário, proibindo-o de se envolver em tudo relativo à produção do evento e até mesmo de assistir ao show. Uma regra que Donald Trump quebrou quando, em determinado momento, convocou uma coletiva de imprensa na sala que era destinada aos Rolling Stones.

As equipes de Trump e dos Stones tentaram resolver o impasse para que Trump abandonasse as instalações, mas não conseguiram. Foi então que Keith Richards interviu. Reza a lenda que o guitarrista puxou uma faca, colocou-a em cima da mesa e soltou: “Ou ele, ou nós”. O ambiente ficou tenso, com bate-bocas de ambos os lados, que só cessaram quando Trump e seus assessores abandonaram a sala, acompanhados por seus seguranças. Segundo quem estava no local, a equipe de Trump já estava preparada para qualquer eventualidade mais violenta, enquanto o chefe de segurança dos Stones reuniu quarenta membros de sua equipe armados com barras de ferro, tacos de beisebol e chaves de fendas para defender Richards e a banda.

No final, cada um seguiu o seu caminho.

Uma curiosidade: após confirmada a sua vitória, Donald Trump discursou neste 09/11 para jornalistas, correligionários e eleitores em Nova York, e ao final de suas palavras saiu do palco ao som da clássica “You Can’t Always Get What You Want”, dos Stones, que anteriormente já haviam se pronunciado afirmando que não tinham liberado o direito de uso de suas canções para Trump.

Novo clipe dos Rolling Stones

“Hate To See You Go”, do álbum Blue & Lonesome.

Rolling Stones tocam “Come Together”, dos Beatles, no Desert Trip

come together

Aconteceu nessa sexta-feira, em Indio, Califórnia, o primeiro dia do Desert Trip Festival. Bob Dylan e Rolling Stones se apresentaram. A curiosidade ficou por conta de Mick Jagger e companhia executando “Come Together”, dos Beatles. A performance pode ser conferida abaixo.