Brian May emite declaração sobre morte de George Michael

may michael

Após sua primeira manifestação nas redes sociais, Brian May postou uma declaração sobre a morte de George Michael, ocorrida no último domingo. “Não tenho palavras. Este ano levou, cruelmente, várias pessoas maravilhosas e jovens. E agora George? Aquele menino gentil? Um talento lindo? Não consigo assimilar. Descanse em paz, George. Cante com Freddie e os anjos”.

Queen: 40 anos de A Day At The Races

day races

(lançado em 10 de dezembro de 1976)

A insistência – que beirou às raias da teimosia – premiou o Queen com o estouro mundial de A Night At The Opera, que se tornou um álbum referencial da história do Rock. Um novo mundo se abriu, com direito a turnês grandiosas e status de superstars. A confiança em alta fez com que o quarteto dispensasse os préstimos de um produtor para o trabalho seguinte, assumindo a tarefa por completo. Mais uma vez, o título do disco tomou emprestado o nome de uma obra dos irmãos Marx, assim como a capa fez um contraponto à do lançamento anterior. Por conta disso, alguns ouvintes mais exigentes enxergam A Day At The Races como mera continuação de seu antecessor, se valendo da velha máxima de que “em time que está ganhando não se mexe”. Porém, não dá para deixar de notar que se trata de um momento com vida própria, explorando as características de um dos conjuntos mais criativos de todos os tempos e gerando novos hits, para alegria de quem bancava o esquema.

Os grandes clássicos do disco são a roqueira “Tie Your Mother Down” – cujo esqueleto Brian May havia criado no longínquo ano de 1968 – e a épica balada “Somebody To Love”, explorando mais uma vez a capacidade de criar arranjos vocais dos envolvidos, com saudável influência Gospel. Em um espectro menor, a singela “Good-Old Fashioned Lover Boy” obteve repercussão. Os brilhos solo de Freddie em “You Take My Breath Away”, Brian em “Long Away” e Roger em “Drowse” também se sobressaem. O discreto John Deacon oferece o lado mais Pop da banda em “You And I”. O encerramento traz uma homenagem aos fãs japoneses, com dois refrães de “Teo Torriatte (Let Us Cling Together)” cantados no idioma nipônico, celebrando o público que havia recebido o Queen de braços abertos pouco antes. A Day At The Races chegou ao topo da parada britânica, além do quinto lugar nos Estados Unidos, onde ultrapassou um milhão de cópias vendidas.

Freddie Mercury (vocais, piano)
Brian May (guitarra, vocais)
John Deacon (baixo)
Roger Taylor (bateria, vocais)

01. Tie Your Mother Down
02. You Take My Breath Away
03. Long Away
04. The Millionaire Waltz
05. You And I
06. Somebody To Love
07. White Man
08. Good-Old Fashioned Lover Boy
09. Drowse
10. Teo Torriatte (Let Us Cling Together)

day races

“Bohemian Rhapsody” vira um drama de curta metragem

A produção é da Corridor Digital.

Detalhes do primeiro DVD/Blu-ray do Queen + Adam Lambert

queen adam

Gravado em 17 de agosto de 2014, no Marine Stadium, em Chiba, Live In Japan sai no dia 20 de dezembro. O show conta com as seguintes faixas:

“Procession”
“Now I’m Here”
“Stone Cold Crazy”
“Another One Bites The Dust”
“Fat Bottomed Girls”
“In The Lap Of The Gods… Revisited”
“Seven Seas Of Rhye”
“Killer Queen”
“I Want It All”
“Teo Torriatte (Let Us Cling Together)”
“Love Of My Life”
“These Are The Days Of Our Lives”
“Under Pressure”
“I Was Born To Love You”
“Radio Ga Ga”
“Crazy Little Thing Called Love”
“Bohemian Rhapsody”
“We Will Rock You”
“We Are The Champions”
“God Save The Queen”

As 10 melhores músicas do Queen escritas por Brian May, segundo a Classic Rock Magazine

brian may

A Classic Rock Magazine selecionou as melhores contribuições do guitarrista Brian May para a gloriosa carreira do Queen. São elas:

1. Now I’m Here (Sheer Heart Attack, 1974)
2. We Will Rock You (News Of The World, 1977)
3. Keep Yourself Alive (Queen, 1973)
4. The Show Must Go On (Innuendo, 1991)
5. 39 (A Night At The Opera, 1975)
6. Fat Bottomed Girls (Jazz, 1978)
7. Hammer To Fall (The Works, 1984)
8. Dead On Time (Jazz, 1978)
9. Brighton Rock (Sheer Heart Attack, 1974)
10. The Prophet’s Song (A Night At The Opera, 1975)

Os comentários (em inglês) podem ser vistos aqui.

Cabeçote: As agonizantes últimas horas de Freddie Mercury

Nenhum relato sobre os últimos anos, dias ou momentos de Freddie Mercury é tão fiel quanto o de Jim Hutton. O cabeleireiro, morto em 2010, se relacionou com o lendário vocalista do Queen de 1985 até o último dia da vida do astro, 24 de novembro de 1991. Ele viu todo o sofrimento do cantor de perto.

O relato está presente no livro “Mercury And Me”, escrito por Jim Hutton e Tim Wapshott e lançado em 1995. Em homenagem a Mercury, cujo falecimento completa 25 anos na próxima quinta-feira (24), segue, abaixo, a tradução, adaptada, da parte do livro que descreve os últimos momentos do cantor.

Momentos derradeiros

Dores severas afligiam Freddie Mercury diariamente em seus momentos derradeiros. Segundo Jim Hutton, a última vez que Freddie Mercury esteve consciente foi em 21 de novembro de 1991, uma quinta-feira, três dias antes da morte dele, quando Hutton o visitou na Garden Lodge, mansão extravagante que Mercury tanto gostava.

Jim Hutton se deitou ao lado de Freddie Mercury. O vocalista disse, suspirando: “pronto, todos saberão”. Na ocasião, Freddie se referia à carta em que anunciava, oficialmente, que estava com Aids. Ela foi enviada à imprensa e divulgada no dia 23 de novembro, um sábado, apenas um dia antes de sua morte.

Já no dia 23, às 22h, Freddie Mercury começou a se contorcer de dor e pediu seus remédios a gritos, que eram quatro pílulas analgésicas. Descrente, Mercury havia abandonado o tratamento com AZT e outros medicamentos algum tempo antes. Jim Hutton dormiu abraçado a Freddie nesta noite.

O último dia

Na madrugada do dia 24, um domingo, Freddie Mercury acordou Jim Hutton e pediu que ele o trouxesse uma fruta. Hutton levou fatias de manga e um copo com suco, para combater a desidratação que Freddie sofria.

Pouco após às 3h, Freddie Mercury acordou Jim Hutton de forma brusca. Seu rosto mostrava desespero. Freddie abria a boca desesperadamente, apontando para a garganta. Hutton não sabia o que fazer.

Cerca de 30 minutos depois, um dos enfermeiros de Freddie Mercury, chamado Joe, chegou ao local. Ele viu que havia um pedaço de manga na garganta de Freddie, que, sem forças, não conseguia nem engolir, nem cuspir. A fruta foi retirada.

Fim da linha

Às 6h, Freddie Mercury pronunciava as suas últimas palavras: “xixi, xixi”. Joe e Jim Hutton levaram Freddie ao banheiro, pois ele não conseguia se locomover. Quando o colocaram de volta na cama, ouviram um barulho de um osso quebrando. Mercury se contorceu de dor e passou a ter convulsões.

O médico Gordon Atkinson chegou ao local e receitou uma injeção de morfina a Freddie Mercury, mas o vocalista era alérgico à substância. Horas depois, Elton John e Dave Clark, amigos de Freddie, o visitaram. O cantor estava com os olhos opacos e mal respondia a estímulos externos.

Sem forças, Freddie Mercury não conseguiu pedir para que o levassem ao banheiro. Então, fez suas necessidades na cama onde estava deitado. Jim Hutton trocou as roupas de Freddie, que, com muito esforço, subiu levemente a sua perna esquerda.

A perna logo perdeu força e, assim, Jim Hutton percebeu que Freddie Mercury estava morto. Jim abraçou Freddie e o cobriu de beijos. O sofrimento havia acabado.

Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e “fundador afastado” do site Van do Halen. Atualmente, é redator-chefe do site Cifras. Assina a coluna Cabeçote semanalmente.

Roger Taylor fala sobre possibilidade de músicas inéditas com Brian May e Adam Lambert

adam lambert

A Planet Rock questionou o baterista Roger Taylor sobre a probabilidade de o Queen transformar a parceria com Adam Lambert em um álbum de inéditas. “É bem possível. Acabamos de voltar do leste europeu, onde fizemos uma turnê fenomenal. É ótimo saber que ainda há demanda do público para nos ver. Adoramos tocar com Adam, ele é um cantor incrível e um cara adorável”.

Muda novamente o ator que fará Freddie Mercury em filme

freddie mercury

O ator Rami Malek, 35 anos, interpretará Freddie Mercury no filme biográfico oficial do cantor. O nome da obra foi definido como Bohemian Rhapsody. A direção ficará a cargo de Bryan Singer, conhecido por seu trabalho em X-Men: Apocalypse. Anteriormente, Sacha Baron Cohen, Ben Whishaw e Dexter Fletcher chegaram a ser confirmados para o papel do frontman do Queen. Porém, todos saíram alegando divergências de pensamento com os responsáveis pela película, incluindo Brian May e Roger Taylor. Malek venceu o Emmy Awards em 2016, por sua atuação na série Mr. Robot.

Queen lança BBC Sessions com direito a show em São Paulo

BBC Sessions

O Queen confirmou o lançamento de On Air: The Complete BBC Sessions para o dia 4 de novembro. O trabalho estará disponível em CD duplo, vinil triplo e box-set com seis discos. Entre os vários shows e entrevistas gravados ou retransmitidos pela rádio está a apresentação realizada em São Paulo no ano de 1981. Registrado pelo Grupo Bandeirantes de Rádio e TV, o show aparece parcialmente na caixa. O tracklist completo reúne:

Disc One

“My Fairy King”
“Keep Yourself Alive”
“Doing All Right”
“Liar”
“See What A Fool I’ve Been”
“Keep Yourself Alive”
“Liar”
“Son and Daughter”
“Ogre Battle”
“Modern Times Rock’n’Roll”
“Great King Rat”
“Son and Daughter”

Disc Two

“Modern Times Rock’n’Roll”
“Nevermore”
“White Queen (As It Began)”
“Now I’m Here”
“Stone Cold Crazy”
“Flick of the Wrist”
“Tenement Funster”
“We Will Rock You”
“We Will Rock You” (Fast)
“Spread Your Wings”
“It’s Late”
“My Melancholy Blues”

Disc Three

Golders Green Hippodrome, London, 13th September 1973
“Procession” (Intro Tape)
“Father to Son”
“Son and Daughter”
Guitar Solo
“Son and Daughter” (Reprise)
“Ogre Battle”
“Liar”
“Jailhouse Rock”

Estádio Do Morumbi, São Paulo, Brazil, 20th March 1981

Intro
“We Will Rock You” (Fast)
“Let Me Entertain You”
“I’m in Love with My Car”
“Alright Alright”
“Dragon Attack”
“Now I’m Here”
“Love of My Life”

Maimmarktgelände, Mannheim, Germany, 21st June 1986

“A Kind Of Magic”
Vocal Improvisation
“Under Pressure”
“Is This the World We Created”
“(You’re So Square) Baby I Don’t Care”
“Hello Mary Lou (Goodbye Heart)”
“Crazy Little Thing Called Love”
“God Save the Queen”

Disc Four: Interviews

Freddie Mercury With Kenny Everett (November 1976)
Queen with Tom Browne (Christmas 1977)
Roger Taylor with Richard Skinner (June 1979)
Roger Taylor with Tommy Vance (December 1980)
Roy Thomas Baker The Record Producers

Disc Five: Interviews

John Deacon, South American tour (March 1981)
Brian May Rock On with John Tobler (June 1982)
Brian May Saturday Live with Richard Skinner and Andy Foster (March 1984)
Freddie Mercury Newsbeat (August 1984)
Brian May Newsbeat (September 1984)
Freddie Mercury Saturday Live (September 1984)
Freddie Mercury with Simon Bates (April 1985)
Brian May The Way It Is with David ‘Kid’ Jensen (July 1986)

Disc Six: Interviews

Roger Taylor My Top Ten with Andy Peebles (May 1986)
Queen for an Hour with Mike Read (May 1989)
Brian May Freddie and Too Much Love Will Kill You with Simon Bates (August 1982)
Brian May Freddie Mercury Tribute Concert with Johnnie Walker (October 1992)

Cabeçote: Os 30 anos do ‘canto do cisne’ do Queen em Wembley

Até hoje, o Queen soa muito atual. Não só com relação aos discos, mas também ao que levaram para os palcos. Ainda é referência para artistas de todos os estilos – inclusive, nomes do pop têm aproveitado mais a influência do quarteto britânico que os próprios grupos de rock. Torna-se curioso perceber, no entanto, que o canto do cisne da banda em turnê aconteceu há 30 anos.

A icônica apresentação do Queen no estádio de Wembley, em Londres, Inglaterra, aconteceu no dia 12 de julho de 1986. Foi a segunda e última apresentação em sequência da banda no local. Cada show reuniu 75 mil pessoas, uma marca impressionante em território europeu se considerar que era uma performance apenas do grupo, sem envolvimento a nenhum festival.

Não foi o show final do Queen, nem a performance derradeira da “Magic Tour”, que foi, de fato, a última turnê da banda. No entanto, a performance em Wembley marcou o imaginário popular, por ter sido lançada em vídeo. Três décadas depois, ainda é uma espécie de show-referência no rock e na música popular em si.

O show, completo:

O contexto

O contexto vivido pelo Queen antes da “Magic Tour” era curioso. Após a icônica apresentação no Live Aid, em 1985, a banda contou com uma nova potencialização de seu trabalho. A performance, assistida por uma multidão in loco e por todo o mundo pela transmissão televisiva, foi excelente. O grupo sabia como dominar o palco. A situação, que já era boa com o hit “I Want To Break Free”, de 1984, ficou ainda melhor após o “efeito Live Aid”.

Sempre de proporções imensas, o Queen parecia, enfim, ter atingido o patamar que almejava desde o início da década de 1970. Nem mesmo os clássicos dos anos anteriores foram capazes de colocar a banda no pedestal que estava. A força era tamanha que o mediano álbum “A Kind Of Magic”, lançado um mês antes do show de Wembley, fez muito sucesso na Europa.

Por outro lado, vale destacar que o Queen era imenso na Europa – e no resto do mundo –, mas cada vez mais ignorado nos Estados Unidos. A banda abriu mão da América e, com isso, a própria cultura local deixou de dar ouvidos ao Queen. O sucesso do grupo era menor do que no restante do globo.

O Queen estava gigante ao ponto de poder escolher os locais para os quais venderia seu trabalho. Obviamente, “A Kind Of Magic” teve distribuição mundial. Mas a “Magic Tour” não. Foi opção própria, da banda, de não tocar nos Estados Unidos, mesmo sendo o principal mercado artístico de todo o mundo.

O show em Wembley

Geralmente, é estranho comentar sobre um show que não se presenciou pessoalmente. Não era nascido quando a apresentação em Wembley aconteceu – e, mesmo se fosse, provavelmente não estaria no imponente estádio no dia 12 de julho. Ainda assim, não gera desconforto falar sobre a performance do Queen nessa data.

A megaestrutura disponibilizada ao Queen, com cinco mil amplificadores, quase 14 km de cabos e um enorme telão de seis por nove metros, foram correspondentes ao tamanho da banda naquele dia. A apresentação de quase duas horas foi, provavelmente, a melhor da história do grupo.

O registro foi capaz de captar o que era o Queen naquele momento. O clima entre os músicos, os talentos individuais se complementando, o repertório bem construído… tudo deu certo naquela noite.

O estilo prima-donna de Freddie Mercury estava ainda mais aflorado. A homossexualidade do cantor não era discutida publicamente – a não ser em tabloides –, mas Mercury se sentia cada vez mais à vontade com quem era. A leveza de saber quem era e a que veio fez com que Freddie estivesse muito confiante em sua última turnê e, especialmente, na apresentação em Wembley.

O restante da banda se manteve estável, ancorada na confiança de sempre, mas com a precisão potencializada. O primor técnico e o entrosamento de Brian May, Roger Taylor e John Deacon são visíveis na gravação da apresentação.

O futuro do Queen

Após fazer história no palco de Wembley, o Queen fez mais 10 shows. O último deles, em 9 de agosto de 1986, no Knebworth Park, na Inglaterra, para 120 mil pessoas. Toda a turnê, aliás, foi constituída de apresentações em grandes arenas e destinadas a milhares e milhares de pessoas. Depois disso, o grupo não voltou mais a se apresentar em um palco.

Não dá para dizer que Freddie Mercury pensava em abandonar as turnês após a “Magic Tour”. Pessoas próximas e relatos do livro “A verdadeira história do Queen”, de Mark Blake, apontam que Mercury começava a se incomodar com a própria idade – afinal, já era um quarentão. Ele dava indícios de que diminuiria o ritmo a partir de então. Não queria se tornar uma caricatura de si próprio.

Diferente do que se afirma, Freddie Mercury não sabia que tinha Aids. Ou sabia e não contou a ninguém, mas nunca disse que planejava mudar tanto os planos de sua carreira, a ponto de não fazer mais turnês. Freddie já apresentava alguns problemas de saúde, mas eram encarados como ocorrências “naturais”, visto que era um verdadeiro boêmio.

Naquele momento, a situação mais complicada era vivenciada por John Deacon. Desde o início da década de 1980, o baixista se sentia desgastado a ponto de considerar deixar o Queen. Pessoas próximas afirmam que ele não conseguia voltar a ser uma pessoa normal após as turnês. Sinal típico de um problema psicológico. O sucesso de “I Want To Break Free” – composição dele – e o “efeito Live Aid” seguraram Deacon na formação, mas se o ritmo da banda continuasse frenético, o músico, fatalmente, sairia.

O que veio depois da “Magic Tour” e do show de Wembley foi uma banda que tentou dar o seu máximo de acordo com as circunstâncias. Relatos apontam que Freddie Mercury foi diagnosticado com Aids em 1987 e, a partir de então, foi tomada a decisão de não fazer mais turnês. Mas a doença era uma bomba-relógio. Freddie sabia que iria morrer logo. Só não sabia, com precisão, quando seria.

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Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e “fundador afastado” do site Van do Halen. Atualmente, é redator-chefe do site Cifras. Assina a coluna Cabeçote semanalmente.

Cabeçote: Saiba quem já acusou ou foi acusado de plágio no rock

A ação judicial que representantes da banda Spirit moveram contra o Led Zeppelin voltou a colocar casos de plágio na música em evidência. No processo em questão, Robert Plant e Jimmy Page foram acusados de copiarem a música “Taurus” na composição de “Stairway To Heaven”.

O resultado absolveu Jimmy Page e Robert Plant. Não é a primeira vez que astros do rock são processados em função disso, mas vale destacar: é raro que casos do tipo cheguem aos tribunais. Geralmente, por indicação da própria corte, ambas as partes são estimuladas a chegarem a um acerto fora do âmbito judicial.

Na lista abaixo, resgato alguns casos de acusações de plágio notáveis dentro do classic/hard rock. No metal, praticamente não há casos do tipo – somente especulações, como o debate sobre a semelhança entre “Enter Sandman” (Metallica) e “Tapping Into The Emotional Void” (Excel).

KISS e Alice Cooper: as semelhanças entre “Dreamin'”, do KISS, e “I’m Eighteen”, de Alice Cooper, foram tão notáveis que executivos ligados a Cooper processaram a banda liderada por Paul Stanley e Gene Simmons, sob a acusação de plágio. Os ouvidos estavam atentos, pois a ação judicial foi movida apenas um mês depois do disco “Psycho Circus”, onde “Dreamin'” está inserido, ter sido lançado. O caso foi resolvido fora dos tribunais e Alice recebeu um valor após acerto entre ambas as partes.

Beatles e Chuck Berry: John Lennon foi acusado de plagiar Chuck Berry, por conta das semelhanças entre “Come Together”, dos Beatles, e “You Can’t Catch Me”, Berry. O curioso é que a acusação não foi feita por Chuck, mas sim pela Big Seven Music Corp, detentora dos direitos da canção. Berry jamais moveu um processo, pois, consciente de que era um dos criadores do rock, sabia que poderia processar qualquer artista dos anos 1950 e 1960 – todos o copiaram, mesmo que sem essa percepção. A situação foi resolvida fora do tribunal e John Lennon concordou em gravar três canções de Morris Levy, proprietário da Big Seven. Duas delas foram lançadas: “Ya Ya” e a já mencionada “You Can’t Catch Me”.

Coldplay e Joe Satriani: “Viva La Vida” é uma das músicas mais famosas do Coldplay. No entanto, as semelhanças entre o hit e “If I Could Fly”, do guitarrista Joe Satriani, foram tantas que o músico decidiu processar a banda inglesa. Ambos resolveram o caso fora dos tribunais, por sugestão da própria corte, e não foi divulgado se Satriani recebeu royalties – provavelmente não.

Vanilla Ice e Queen: o hit “Ice Ice Baby”, de Vanilla Ice, chegou ao topo das paradas de sete países, incluindo Estados Unidos e Reino Unido. Mas a semelhança da linha de baixo da canção com a de “Under Pressure”, de Queen e David Bowie, era gritante. O caso não foi para o tribunal porque Ice decidiu resolver antes, com o pagamento de direitos autorais aos compositores.

Rod Stewart e Jorge Ben: Rod Stewart foi acusado de plágio pelo hit “Do Ya Think I’m Sexy” por Jorge Ben. O brasileiro afirmou que a música se parecia muito com sua música “Taj Mahal”. O caso foi resolvido fora do tribunal e Stewart concordou em doar os lucros com a veiculação da faixa à Unicef. Rod classificou o caso como um “plágio inconsciente”, pois a faixa foi composta após uma visita ao Rio de Janeiro, no Carnaval, em 1978.

George Harrison e Chiffons: em carreira solo, George Harrison lançou “My Sweet Lord”, que chegou ao topo das paradas de 14 países, incluindo o Reino Unido, terra natal do músico. Seis anos depois, após uma ação judicial, a justiça determinou que Harrison copiou a música “He’s So Fine”, do grupo feminino Chiffons, de forma inconsciente. O ex-Beatle, que precisou pagar US$ 587 mil de indenização, afirmou ter se inspirado em “Oh Happy Day”, música cristã de domínio público, para compor o hit.

John Fogerty e Creedence Clearwater Revival: o caso mais bizarro da lista, pois, neste caso, John Fogerty plagiou a ele próprio. O que aconteceu, na verdade, foi um pouco mais complexo do que isso. Depois do fim do Creedence, em 1972, Fogerty desistiu dos direitos de publicação de suas músicas com a banda. Em 1984, ele lançou a música “The Old Man Down The Road” e foi acusado de, nessa canção, ter copiado “Run Through The Jungle”, composta por ele, mas sob os direitos de Saul Zaentz. Fogerty venceu o processo (afinal, ele é o compositor de ambos os trabalhos), mas precisou mudar as letras de outra faixa que lançou posteriormente, “Zanz Kant Danz”, com ataques a Zaentz. O caso também provocou uma discussão na área penal americana, pois ele só existiu porque a lei abria brechas para tal.

Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e “fundador afastado” do site Van do Halen. Atualmente, é redator-chefe do site Cifras. Assina a coluna Cabeçote semanalmente.

Ciência conclui que voz de Freddie Mercury está acima da compreensão humana

Freddie

Uma equipe formada por cientistas da Áustria, República Tcheca e Suécia se reuniu para um estudo sobre as técnicas vocais usadas por Freddie Mercury. Foram utilizadas gravações de arquivos e filmagens da laringe de um artista reproduzindo as linhas. A conclusão da experiência mostrou que o saudoso cantor possuía uma voz descrita como “a força da natureza, com a velocidade de um furacão”.

Não se sabe se propositalmente ou de forma espontânea, mas o frontman do Queen era dono de uma técnica conhecida como subharmônicas. Trata-se de uma forma de usar as cordas vocais, criando uma distorção que soa como um rosnar. Ela é muito utilizada no folclore tuvano, difundido na Mongólia.

Apesar de ser considerado um tenor, concluiu-se que Freddie usava técnicas típicas de um barítono. Suas cordas vocais se moviam mais rápido que as de uma pessoa normal, alcançando um vibrato de 7.04 Hz, acima do comum, que transita entre 5.4 e 6.9. Não há paralelo registrado na história do Rock e da música popular, como um todo. O estudo foi conduzido pelo Doutor Christian Herbst, da Universidade de Viena.