Vinny Appice teoriza sobre o que pode ter lhe deixado de fora da despedida do Black Sabbath

vinny appice

Em entrevista ao jornalista Robert Cavuoto, o baterista Vinny Appice comentou o fato de sequer ter sido considerado para a turnê final do Black Sabbath após a exclusão de Bill Ward. “Nunca fui convidado, embora mantenha contato com Tony e Geezer. Creio que as decisões sejam tomadas em comum acordo. Talvez o problema tenha sido o fato de eu ter feito parte do Heaven And Hell recentemente. Ficaria parecendo que estávamos retomando a banda com Ozzy nos vocais e ele não gostaria disso. Teria sido ótimo, mas assim funcionam os negócios. Adoro tocar com eles, temos uma grande química”.

“Tony Iommi é o rei de todos os riffs demoníacos”

iommi riffs

Em entrevista a M. Shadows, vocalista do Avenged Sevenfold, Ozzy Osbourne falou sobre o fato de o Black Sabbath ter inventado o Heavy Metal. O bate-papo será publicado na nova edição da Metal Hammer. “As pessoas dizem isso, mas acredito que evoluímos a partir do The Kinks, Led Zeppelin e The Who. De qualquer modo, Tony Iommi merece o crédito por ser o rei de todos os riffs demoníacos. Ninguém chega perto dele. Até hoje fico impressionado em como consegue tocar daquela forma, mesmo tendo perdido as pontas de alguns dedos. Ele é incrível, domina qualquer instrumento com facilidade. Você o entrega uma gaita de fole, daqui a pouco ele vem tocando algo”.

Tony Iommi volta a considerar a possibilidade de gravar com o Sabbath

Após a realização do último show, em Birmingham no último sábado, Tony Iommi falou à rádio inglesa Planet Rock sobre o que o futuro reserva. E não descartou que o Black Sabbath volte ao estúdio. “Não conversamos sobre o assunto, mas é possível. Só não posso mais viajar pelo mundo em turnê. É hora de descansar. Mas pretendo seguir compondo”.

Cabeçote: Obrigado por tudo, Black Sabbath

O Black Sabbath chegou ao fim. A última apresentação da turnê de despedida do grupo, “The End”, ocorreu no último sábado (4), na Genting Arena, em Birmingham, Inglaterra.

(Foto: Ross Halfin / divulgação)

A escolha do local foi estratégica: o show derradeiro do grupo ocorreu na mesma cidade onde tudo começou. Foi em Birmingham que o guitarrista Tony Iommi e o baterista Bill Ward deram início ao Black Sabbath, que começou como um projeto de blues rock, chamado de Polka Tulk Blues Band.

Iommi e Ward convocaram o baixista Geezer Butler e o vocalista Ozzy Osbourne para a banda, que mudou de nome para Earth. O grupo quase não foi para frente, pois Tony – logo ele, que foi o único membro constante do Black Sabbath em quase 50 anos – abandonou a formação para integrar o Jethro Tull. Ainda bem que ficou ao lado de Ian Anderson por apenas dois meses.

Em 1969, o Earth se tornou Black Sabbath e gravou seu primeiro disco, autointitulado. Dá para dizer que, antes deste álbum, o heavy metal existia. Grupos como Cream, Steppenwolf, Iron Butterfly e Blue Cheer praticavam uma sonoridade pesada e intensa, como o gênero em questão pede. Mas foi o Sabbath quem estabeleceu as regras para a fundação de um dos estilos musicais mais venerados do mundo.

Em quase 50 anos, foram lançados 19 discos de estúdio, com mais de 70 milhões de cópias vendidas mundialmente – deste montante, 8 milhões somente nos anos 1970, mesmo sem apoio de rádios e críticos especializados. Contudo, mais importante que o sucesso comercial, deve-se reconhecer o legado que o Black Sabbath deixa.

Musicalmente, além de pioneiro em um estilo musical, o Black Sabbath influenciou centenas de bandas que vieram logo após. Todos os grandes nomes do heavy metal têm um quê de Sabbath: de Judas Priest a Metallica, de Iron Maiden a Slipknot, de Sepultura a Queens Of The Stone Age, dos nomes surgidos na década de 1970 aos grupos que nasceram nos últimos anos, seja de qualquer subgênero do metal ou de segmentos mais pesados do rock. É indissociável.

A simplicidade presente em sua música inovadora também é notável na personalidade de seus integrantes. Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward não nasceram em berços de ouro: vieram de famílias de operários e conquistaram seu espaço de forma orgânica, com trabalho, talento e, por que não, um pouco de sorte.

Isto se refletiu em praticamente toda a carreira do Black Sabbath, mesmo com os períodos de excessos, e até mesmo em seu fim. Apesar de ter contado com uma turnê que girou por todo o planeta, o Black Sabbath não teve uma despedida exibicionista.

O grupo poderia ter convidado nomes consagrados para aparições em shows e ter feito uma mega performance de encerramento em Londres, ao invés de Birmingham. Mas a opção pela cidade natal em um “adeus” honesto revela um pouco sobre os envolvidos. Apenas lamento que Bill Ward não tenha participado de algum momento desta turnê. Uma banda que passou por tantas mudanças na formação, infelizmente, acabou com uma rusga ainda pendente.

O Black Sabbath ainda pode voltar para shows esporádicos, em ocasiões especiais ou até mesmo para um disco de inéditas. Mas, infelizmente, a condição de saúde de Tony Iommi, que há anos enfrenta um linfoma, pode não permitir que isto aconteça.

Independente se haverá alguma reunião esporádica para um show isolado ou para um novo álbum, o Black Sabbath da forma que conhecemos chegou ao fim. Resta-nos seguir desfrutando da obra que Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward fizeram juntos, bem como os trabalhos feitos ao lado de Geoff Nicholls, Ronnie James Dio, Tony Martin, Vinny Appice, Ian Gillan, Bev Bevan, Eric Singer, Cozy Powell, Glenn Hughes, Bob Daisley, Ray Gillen, Dave Spitz, Neil Murray, Laurence Cottle, Brad Wilk, Tommy Clufetos, Don Airey e Bobby Rondinelli.

É muito provável que o Black Sabbath ainda seja lembrado daqui a 50 anos. E isto é o maior mérito que um trabalho artístico pode conquistar. Obrigado por tudo, Black Sabbath.

Igor Miranda é jornalista e “fundador afastado” do site Van do Halen. Atualmente, é redator-chefe do site Cifras. Assina a coluna Cabeçote semanalmente.

ADEUS, BLACK SABBATH! Banda encerra carreira com show onde tudo começou

black sabbath

Terminou há pouco, na Genting Arena, em Birmingham, o último show da carreira do Black Sabbath. A banda encerra atividades, após quase cinquenta anos de estrada, na cidade onde tudo começou. O setlist executado na apresentação derradeira foi o seguinte:

Black Sabbath
Fairies Wear Boots
Under the Sun
After Forever
Into the Void
Snowblind
War Pigs
Behind the Wall of Sleep
N.I.B.
Hand of Doom
Jam instrumental (Rat Salad/Supernaut/Sabbath Bloody Sabbath/Megalomania)
Iron Man
Dirty Women
Children of the Grave
Paranoid

Agora, Ozzy Osbourne volta a se dedicar à sua carreira solo, enquanto Tony Iommi deve realizar o que sua saúde, abalada por anos de luta contra um linfoma, permitir. Ainda não se sabe o que Geezer Butler fará. Excluído da despedida, o baterista Bill Ward segue nos Estados Unidos, comandando um programa de rádio e fazendo alguns trabalhos musicais esporádicos.

Black Sabbath começa a acabar hoje

black sabbath

Acontece hoje, na Genting Arena, em Birmingham, o primeiro dos dois últimos shows do Black Sabbath. A banda optou por encerrar a carreira onde tudo começou, quase cinquenta anos atrás. A segunda e derradeira apresentação acontece no próximo sábado. Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler se apresentam sem o baterista Bill Ward, quarto membro original. Tommy Clufetos o substitui.

Veja o Black Sabbath prestando tributo a Geoff Nicholls com “Snowblind”

Durante o show do último domingo, em Londres, o Black Sabbath homenageou o tecladista Geoff Nicholls, membro longevo da banda, falecido um dia antes. Ozzy Osbourne dedicou “Snowblind” ao músico.

Cabeçote: 5 discos solo que foram lançados sob o nome de bandas

É comum que, com o tempo, membros de grandes bandas optem por trabalhar em uma carreira solo. Entretanto, em algumas situações – que praticamente só ocorreram no rock -, álbuns solo foram lançados sob nomes de grupos.

Os motivos são distintos, mas quase sempre convergem para uma razão principal: grana. Utilizar o nome de uma banda, já consagrada, faz com que a divulgação de um trabalho musical seja mais fácil. Consequentemente, obtém-se maior êxito comercial.

A lista abaixo reúne cinco discos que foram concebidos como trabalhos solo, mas foram lançados sob o nome de bandas. E antes que eu me esqueça: “The Final Cut”, do Pink Floyd, está de fora da lista porque, apesar de ter sido composto praticamente como um álbum solo de Roger Waters, sabia-se, desde o início, que o trabalho levaria a alcunha do grupo em questão.

Black Sabbath – “Seventh Star”

O Black Sabbath entrou em um hiato no ano de 1984, após a tentativa de relançar o grupo com o vocalista David Donato, no lugar de Ian Gillan, e a consequente saída do baixista Geezer Butler. Em 1985, o guitarrista Tony Iommi começou a trabalhar em um disco solo.

Ao lado do tecladista Geoff Nicholls, do baterista Eric Singer e do baixista Dave Spitz, Tony Iommi teve a ideia de contar com vários vocalistas, como Rob Halford, Glenn Hughes e Ronnie James Dio. Contudo, o plano não deu certo, já que não era possível conciliar a agenda de todos.

Glenn Hughes foi mantido nos vocais e “Seventh Star” foi gravado. Com o disco já pronto, a Warner Bros recusou-se a lançá-lo como um álbum solo de Tony Iommi, sob a alegação de que seria mais difícil de promovê-lo desta forma. Por fim, a capa indica que o trabalho é de Black Sabbath featuring Tony Iommi.

Megadeth – “The System Has Failed”

O problema que o vocalista e guitarrista Dave Mustaine teve em seu braço, além das desavenças com os músicos do Megadeth, fizeram com que ele encerrasse as atividades do grupo em 2002. O músico se recuperou e começou a trabalhar, em meados de 2004, em um disco solo.

A line-up de “The System Has Failed” conta somente com músicos contratados. Chris Poland, ex-integrante da banda, assumiu a guitarra, enquanto Jimmie Lee Sloas tocou baixo e Vinnie Colaiuta, bateria. Dave Mustaine assina a autoria integral de todas as músicas.

Com o trabalho já gravado, a Sanctuary Records se negou a lançá-lo como um trabalho solo. Com isso, o nome Megadeth foi para a capa do disco. Curioso, visto que a sonoridade é puramente Megadeth.

Stryper – “Reborn”

“Reborn” acabou sendo o disco que sacramentou a reunião do Stryper. Entretanto, seria um trabalho solo do vocalista e guitarrista Michael Sweet – por isso, soa um pouco diferente dos demais álbuns da banda, visto que traz influências do post-grunge e do rock alternativo.

As músicas que estão em “Reborn” foram compostas antes do Stryper voltar a excursionar, em 2003. As demos foram registradas com Derek Kerswill na bateria e Lou Spagnola no baixo.

Após a turnê, Michael Sweet mostrou o material para os demais integrantes, que toparam gravá-lo e lançá-lo sob o nome do grupo – em especial Oz Fox.

Twisted Sister – “Love is for Suckers”

O Twisted Sister definhou de forma muito rápida após o sucesso de “Stay Hungry”. O disco seguinte, “Come Out And Play”, não obteve o mesmo êxito e vários shows da turnê que promoveria o álbum foram cancelados.

Com isso, conflitos vieram à tona e a ideia era que o Twisted Sister desse uma pausa. O vocalista Dee Snider, então, começou a trabalhar em um disco solo, que viria a ser “Love is for Suckers”.

O problema é que a gravadora, Atlantic Records, não quis lançar o disco se não tivesse o nome Twisted Sister. Apesar de contribuições esporádicas de Reb Beach na guitarra e Kip Winger no baixo, o instrumental foi registrado por Eddie Ojeda e Jay Jay French nas guitarras e Mark Mendoza no baixo, além do novato Joe Franco na bateria.

Whitesnake – “Restless Heart”

David Coverdale passou a década de 90 de saco cheio da indústria musical. Ele até tentou uma reunião do Whitesnake em 1994, quatro anos após o fim do grupo, mas desistiu após alguns shows.

Ainda assim, Coverdale não se afastou totalmente da música. Ele passou os anos de 1995 e 1996 gravando um disco solo, que seria o material encontrado em “Restless Heart”.

Dois ex-integrantes do Whitesnake participaram do disco: o guitarrista Adrian Vandenberg e o baterista Denny Carmassi. Os demais – o baixista Guy Pratt no baixo e o tecladista Brett Tuggle – são músicos contratados.

A gravadora, por sua vez, não quis lançar o disco como um trabalho solo de David Coverdale. Por isso, a alcunha “David Coverdale & Whitesnake” acompanha a capa de “Restless Heart”.

Igor Miranda é jornalista e “fundador afastado” do site Van do Halen. Atualmente, é redator-chefe do site Cifras. Assina a coluna Cabeçote semanalmente.

Morre Geoff Nicholls, tecladista do Black Sabbath em boa parte da carreira

geoff nicholls

Geoff Nicholls, músico inglês, faleceu aos 68 anos, de câncer pulmonar. O músico surgiu no Quartz, banda dos primórdios da NWOBHM. Porém, seu trabalho de maior destaque foi tocando teclados – além de eventuais contribuições no baixo e guitarra – no Black Sabbath nos anos 1980 e 1990, além de parte da década passada. Exceção a Tony Iommi, Geoff foi o integrante que passou mais tempo seguido no grupo, embora nem sempre tenha sido considerado membro efetivo. Recentemente, Nicholls vinha tocando no Headless Cross, projeto solo do vocalista Tony Martin.

Músico do Black Sabbath fizeram acordo para não voltar mais

sabbath acordo

O baixista Geezer Butler garantiu ao ExpressandStar.com que o fim do Black Sabbath será definitivo. A banda faz seus últimos shows na próxima semana, em Birmingham, Inglaterra, onde tudo começou. “Não conseguiríamos continuar por muito mais. Sendo assim, a decisão mais pertinente era fazer uma turnê de despedida. Chegamos a um acordo para não fazer mais nada usando o nome do grupo após a excursão. Foi uma progressão natural da vida”.

Os arrependimentos do Black Sabbath

A Kerrang pediu que os membros do Black Sabbath citassem seus grandes arrependimentos nesses quase cinquenta anos de banda.

Ozzy Osbourne: “Você está pedindo que eu fale meu diário! Fiz de mim mesmo um idiota diversas vezes. Não bebo nem fico chapado há quatro anos. No passado, estava sempre sendo um imbecil, caindo de bunda ou fazendo algo maluco”.

Tony Iommi: “A gente acaba pensando em um monte de coisas que não deveria ter feito. Ao mesmo tempo, onde estaria agora se não fosse por elas? Poderia citar o uso de drogas. Mas deve ter havido algum motivo, que nos deu um aprendizado para chegarmos a um novo estágio”.

Geezer Butler: “É difícil dizer, pois acredito em destino e na ideia de que fomos guiados por algo que está além. Poderia me sentir infeliz em como fomos roubados nos anos 1970, mas tudo acontece por um motivo e não há como mudar, então não me arrependo de nada. Passamos por muita coisa juntos e desenvolvemos fortes laços”.

James Hetfield ficou honrado, porém triste ao tocar com Ozzy no R&R Hall Of Fame

metallica ozzy

Em entrevista ao podcast WTF With Marc Maron, James Hetfield comentou as reconciliações que o tempo lhe ofereceu, incluindo antigos membros do Metallica. E citou um exemplo de como não queria que as coisas fossem, quando a banda fez as homenagens ao Black Sabbath no Rock And Roll Hall Of Fame, no ano de 2006. “Enquanto discursávamos, Ozzy estava sentado em uma mesa e o resto da banda em outra. Não queriam tocar, então nós tivemos que fazê-lo. Foi uma honra, mas ao mesmo tempo triste. Preferia que eles estivessem ali. Entendo que às vezes é difícil deixar o passado para trás, mas precisamos nos esforçar”.