Cabeçote: Em SP, Ace Frehley faz show recomendado especialmente para fãs

Ace Frehley @ Tom Brasil, São Paulo (SP), 05/03/2017

O jornalismo sempre busca a isenção, mas há situações na vida em que se torna difícil separar razão e emoção. E como praticar jornalismo consiste em contar histórias reais, por vezes, também é difícil dissociar olhares crítico e de admirador.

O segmento musical do jornalismo, felizmente, permite que o emocional se sobressaia em algumas ocasiões. Digo isto porque a resenha a seguir, sobre o show que Ace Frehley fez no Tom Brasil, em São Paulo, no último domingo (5), pode não fazer sentido para quem não admirava o músico ou sua ex-banda, o Kiss, previamente.

A única apresentação de Ace Frehley no Brasil em sua curta turnê sul-americana teve um caráter emocional peculiar, em meu ver, pois Ace é notável por ter sido alguém que poderia ter oferecido (ainda) mais à música. Seus anos de hiato poderiam ter sido complementados com bons discos e turnês. Contudo, o errático guitarrista e ocasional vocalista se rendeu aos seus vícios (ou foi rendido por eles) em diversas ocasiões, o que lhe custou o posto de integrante do Kiss nas décadas de 1980 e 2000.

Mas vê-lo se apresentando ao vivo, no alto de seus 65 anos – e pela primeira vez em carreira solo no Brasil -, faz compensar o comportamento errático de outrora. Ace parece estar disposto a compensar o tempo perdido. E o show feito em São Paulo, para um cheio, mas não lotado Tom Brasil, demonstrou isto, mesmo com alguns erros técnicos a serem destacados.

A performance começou com poucos minutos de atraso, após as caixas de som rodarem a tape de “Fractured Mirror”, faixa que encerra o disco solo de Ace Frehley lançado em 1978. A abertura ficou a cargo de “Rip It Out”, do mesmo álbum, diferente dos shows anteriores, que o show se abria com “Parasite”. Afiada, a banda apresentou suas credenciais: além de Ace nos vocais e guitarra, a apresentação contou com o veterano Richie Scarlet (guitarra e vocais) e os competentes Chris Wyse (baixo e vocais) e Scot Coogan (bateria). Todos tocaram essa música muito bem.

Na sequência, Ace e sua trupe apresentaram “Toys”, do disco autoral mais recente (“Space Invader”, de 2014), e “Parasite”, clássico do Kiss composto por Frehley. O cover da banda mascarada ficou notavelmente lento, apesar de ter sido bem tocado. “Snowblind”, a seguir, sofreu com o mesmo problema, mas a plateia reagiu bem mesmo assim.

“Love Gun”, com Scot Coogan mandando muito bem nos vocais, e “Rocket Ride” levantaram a galera, enquanto a autobiográfica “Rock Soldiers” chamou a atenção por sua boa execução instrumental. Na sequência, Chris Wyse fez um solo de baixo que valeu pela dedicação – ele tocou trechos de “N.I.B.” (Black Sabbath) e “God Of Thunder” (Kiss) para animar o público -, mas era dispensável neste show.

Wyse assumiu os vocais na pesada “Strange Ways”, que embolou um pouco no instrumental, mas nada que comprometesse. Afinal, trata-se de uma baita música que praticamente nunca foi tocada ao vivo pelo Kiss. Em seguida, Ace apareceu com sua guitarra repleta de dispositivos de luz para “New York Groove”, original do Hello e regravada em seu disco solo de 1978. Um dos poucos momentos de maior interação promovido por Frehley, que deixou o público cantar o refrão antes do solo final.

“2 Young 2 Die”, com o empolgado Richie Scarlet nos vocais, foi dedicada à memória de Eric Carr, falecido ex-baterista do Kiss que era próximo a Ace Frehley. O Spaceman ainda duelou em solos de guitarra com Scarlet antes de seu grande momento, em “Shock Me”, uma das mais aguardadas pelo público. Na sequência, Ace fez seu tradicional solo com a guitarra disparando fumaça pelo captador. Se falta primor técnico, sobra impacto histórico – bastou que ele mostrasse o instrumento “em chamas” para que a plateia delirasse.

Para encerrar o show regulamentar, outro clássico: “Cold Gin”, também com bastante interação com o público – Ace deixou de cantar os versos para permitir que as vozes dos presentes ecoassem. O bis contou com uma boa versão de “Detroit Rock City” com Scot Coogan nos vocais e a arrasa-quarteirão “Deuce”, de volta para onde tudo começou, pois foi a primeira música que Frehley tocou com o Kiss.

Ace, até hoje, não está acostumado com a figura de frontman. Pouco interage com o público e, por vezes, se confunde ao cantar e direciona sua voz para longe do microfone, ou “capa” notas e acordes na guitarra. Richie Scarlet também erra nas seis cordas pelo excesso de empolgação. Scot Coogan toca corretamente, mas desacelerou em músicas importantes. Chris Wyse, tecnicamente, não parece ter cometido nenhum erro.

Entretanto, ninguém parece ter se importado com essas pequenas falhas, justamente pela importância emocional que esta apresentação teve para boa parte dos presentes. Eu, particularmente, não liguei – e curti muito o show. Ace e seus asseclas soaram como banda e escolheram o repertório com maestria.

Por tudo isto, foi um show para fãs que reconhecem Ace por seu legado. Quem esteve lá para ouvir o eterno Spaceman de peito aberto, sem ligar para possíveis erros de execução, saiu bastante satisfeito da casa de shows. Foi o meu caso.

Ace Frehley (vocal e guitarra)
Richie Scarlet (guitarra e vocal)
Chris Wyse (baixo e vocal)
Scot Coogan (bateria e vocal)

01. Rip It Out
02. Toys
03. Parasite
04. Snowblind
05. Love Gun
06. Rocket Ride
07. Rock Soldiers
08. Solo de baixo + Strange Ways
09. New York Groove
10. 2 Young 2 Die + solos de guitarra
11. Shock Me + solo de guitarra
12. Cold Gin

Bis:
13. Detroit Rock City
14. Deuce

Igor Miranda é jornalista e “fundador afastado” do site Van do Halen. Atualmente, é redator-chefe do site Cifras. Assina a coluna Cabeçote semanalmente.

Ace Frehley anuncia show “exclusivo para fanáticos” na Argentina

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Ace Frehley confirmou a quarta data na Argentina. Além do show em 28 de fevereiro, em Rosário, junto a 3 e 4 de março em Buenos Aires, o guitarrista fará mais uma apresentação na capital hermana, dia 27 deste mês. De acordo com o anúncio, será um evento “exclusivo para fanáticos”. O que isso significa, não sabemos.

Gene e Ace, o reencontro

gene ace

Enquanto os rumores de uma reunião, aventados ano passado por Eddie Trunk, seguem sendo meros rumores, Gene Simmons foi assistir um show de Ace Frehley na última sexta-feira. O reencontro aconteceu em Beverly Hills, Califórnia. Por hora, tudo segue no campo das especulações. O Spaceman toca em São Paulo dia 5 de março, no Tom Brasil.

Ace Frehley quer reunião com o KISS ainda este ano

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Em entrevista ao Louder Noise, Ace Frehley falou sobre os recentes rumores de que se reuniria com o KISS. “Não ouvi nada de Paul e Gene. Mas, se for para acontecer, espero que seja este ano. 2017 parece o momento certo. Vamos aguardar e ver”. Em março, o guitarrista passa pelo Brasil.

Ace Frehley tem mais um show confirmado na Argentina

Os argentinos realmente são “kisseros”, como cantam nos shows. Com o sucesso de dois shows previamente marcados para Buenos Aires, Ace Frehley fará uma terceira apresentação no país. A data de 28 de fevereiro junta-se a 2 e 3 de março, previamente anunciadas. O concerto acontece no Teatro Vorterix de Rosario. Para o Brasil, por enquanto, apenas uma confirmação: São Paulo, 5 de março, no Tom Brasil.

Ace Frehley anuncia mais um show na América do Sul

A primeira passagem de Ace Frehley pela América do Sul como artista solo teve mais uma data anunciada. Trata-se de um show extra em Buenos Aires. A apresentação acontece em 3 de março, um dia após o primeiro show no Teatro Vorterix. Por hora, o Brasil segue tendo apenas o concerto em São Paulo, no Tom Brasil, dia 5 do mesmo mês.

Ace espera proposta de Gene

Em entrevista ao Talking Metal, Ace Frehley voltou a falar sobre os rumores envolvendo seu retorno ao KISS. A ideia foi aventada por Eddie Trunk, que banca uma reunião para o ano que vem. “Não ouvi nada diretamente deles, embora Gene tenha me enviado uma mensagem recentemente, dizendo que gostaria de ir ver um show meu em janeiro. Talvez ele faça a proposta no dia. Independente do que acontecer, está tudo bem entre nós”.

Sobre volta ao KISS, Ace Frehley não diz que sim nem não, muito pelo contrário

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Em aparição no Trunk Nation, Ace Frehley falou sobre os rumores de que poderia voltar ao KISS no próximo ano. O próprio Eddie Trunk foi o disseminador do rumor em meses recentes. “Não entraram em contato comigo, mas não descarto. Acho que há uma possibilidade, mas a decisão está com Paul e Gene. Acho que poderia ser algo muito bom, se feito de maneira correta. Por hora, estou fazendo meu trabalho. Se acontecer, ótimo. Caso contrário, ficaremos todos bem”.

Definido local do show de Ace Frehley em São Paulo

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De acordo com o jornalista José Norberto Flesch, a apresentação de Ace Frehley em São Paulo acontecerá no dia 5 de março, na casa de espetáculos Tom Brasil. A venda de ingressos começa amanhã. Será a primeira apresentação solo do guitarrista em território nacional. O músico divulga o álbum Origins Vol. 1.

Ace Frehley no Brasil em março

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De acordo com o Destak Jornal, Ace Frehley passará pelo Brasil em março. Será a primeira vez que o guitarrista da formação clássica do KISS vem ao país em carreira solo. Um show em São Paulo acontece no dia 5 de março, em local a confirmar. O Spaceman divulga o álbum de regravações Origins Vol. 1.

Cabeçote: 15 músicas que foram feitas por Russ Ballard (e talvez você não saiba)

Russ Ballard é um dos melhores compositores desconhecidos do rock/pop. O músico é autor de diversos “minor hits” que nunca o colocaram no topo das paradas de sucesso, mas o fizeram chegar perto disto.

Antes de fazer carreira como compositor, Russ Ballard integrou a banda Argent, como vocalista e guitarrista, ao longo do início da década de 70. Ele saiu do grupo em 1974, dois anos antes da formação se desfazer, e investiu em duas frentes: hitmaker e artista solo.

A carreira solo de Russ Ballard não vingou. Ele lançou 10 álbuns desde 1974 – o mais recente é “It’s Good To Be Here”, divulgado no ano passado. São bons registros, quase sempre calcados no AOR/melodic rock, mas nenhum emplacou de verdade.

Ballard se firmou mesmo como compositor. Apesar de nunca ter chegado ao primeiro lugar das paradas da Billboard, ele se tornou figurinha carimbada dos charts entre o fim da década de 1970 e o início dos anos 1980.

Suas músicas foram gravadas por Ace Frehley, Rainbow, Roger Daltrey, Night Ranger e Santana, além de atrações fora do espectro roqueiro, como Frida e Anna (ambas ex-ABBA), Hot Chocolate e Elkie Brooks, entre outros. Há canções registradas por ele que você, caro leitor, provavelmente já ouviu em algum momento.

Veja, abaixo, 15 músicas compostas por Russ Ballard e eternizadas por outros artistas:

“New York Groove” (gravada originalmente pelo Hello, com versão de Ace Frehley):

“Come and Get Your Love” (Roger Daltrey):

“Since You Been Gone” (gravada originalmente por Russ Ballard, com versão do Rainbow):

“Winning” (gravada originalmente por Russ Ballard, com versão de Santana):

“On The Rebound” (gravada originalmente por Russ Ballard, com versão do Uriah Heep):

“God Gave Rock and Roll to You” (gravada originalmente pelo Argent, com versões do Petra e KISS):

“Dream On” (gravada originalmente por Russ Ballard, com versão do King Kobra):

“Liar” (gravada originalmente pelo Argent, com versão do Three Dog Night):

“Into The Night” (gravada originalmente por Russ Ballard sob o título “In The Night”, com versão do Frehley’s Comet):

“I Surrender” (gravada originalmente por Head East, com versão do Rainbow):

“I Will Be There” (Gogmagog):

“I Did It For Love” (Night Ranger):

“Let Me Rock You” (Peter Criss):

“Riding with the Angels” (gravada originalmente pelo Samson, com versão de Bruce Dickinson):

“You Can Do Magic” (America):

Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e “fundador afastado” do site Van do Halen. Atualmente, é redator-chefe do site Cifras. Assina a coluna Cabeçote semanalmente.

Livro detalha carreira de Ace Frehley

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Escrito pelo jornalista Neil Daniels, Space Invader – A Casual Guide To The Music Of Original KISS Guitarist Ace Frehley será lançado no dia 15 de outubro. Além de contar a história do Spaceman, o trabalho conta com linha do tempo, um guia de lançamentos, resenhas e entrevistas de diferentes eras. Apesar do destaque óbvio para os tempos com o KISS, a obra também detalha os tempos de Frehley’s Comet, artista solo e participações em trabalhos de outros artistas.