Resenha: Unisonic – Light Of Dawn [2014]

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Vários méritos podem ser atribuídos ao Unisonic. O mais óbvio foi o de reaproximar Michael Kiske com a sonoridade que o consagrou. Não, a banda não fez nenhum Keeper Of The Seven Keys. Ainda assim, há tempos o vocalista não usava uma abordagem tão pesada em canções inéditas. Mesmo assim, a estreia do grupo contava com uma grande variedade sonora. Até por isso, o EP Ignition acabou sendo um tanto quanto enganoso, já que os músicos escolheram as faixas mais agressivas, fazendo com que o público esperasse um trabalho completo naqueles moldes. Já vacinados, não nos entusiasmamos por completo em For My Kingdom, o miniálbum lançado antes do segundo full-lenght.

Light Of Dawn mostra um quinteto mais coeso e objetivo. Kai Hansen, quase um convidado especial no anterior, por ter entrado em cima da hora, se mostra mais integrado. Assim como Kosta Zafiriou, que deixou o Pink Cream 69 para se dedicar integralmente ao grupo, inclusive em sua parte empresarial. Após a intro mezzo clássica, mezzo cibernética “Venite 2.0”, o trabalho começa para valer com “Your Time Has Come”, definitivamente o som mais Power Metal cantado por Kiske desde sua saída do Helloween – com exceção do Avantasia, é claro. A melodia é para fazer saudosista chorar copiosamente. Na sequência, o single “Exceptional”, com sua pegada Hard/Rock And Roll apontando a variedade pela qual o play se caracteriza.

A faixa que dá título ao EP já foi devidamente comentada e exaltada por aqui anteriormente. Exemplar sublime dos bons sons e candidata a figurar em listas de melhores músicas do ano. “Not Gonna Take Anymore” é pomposa, funcionando como uma espécie de versão germânica do Rock de arena americano. Sim, por mais estranho que pareça, é por aí, dá até para bater palmas acompanhando o ritmo. Após um início mais intimista, “Night Of The Long Knives” vira um Hard poderoso, com guitarras carregadas. O Heavy volta a ditar as cartas em “Find Shelter”, destacando a eficiência de Kosta, alternando levadas com total destreza.

A balada “Blood” conta com belíssimo trabalho acústico, além de uma interpretação emocionante de Kiske, que parece ter feito algo muito pessoal na letra. “When The Deed Is Done” chega a lembrar Queensrÿche da fase Empire, enquanto “Throne Of The Dawn” possui a atmosfera mais densa do álbum, além de um refrão para sair cantando junto. Resquícios de Metal oitentista em “Manhunter”, que apresenta clara veia britânica em seus fraseados guitarrísticos. Fechando o tracklist normal, “You And I” e sua atmosfera que transita entre o triste e o esperançoso, sem ficar necessariamente preso a um dos dois.

Em Light Of Dawn, o Unisonic corrigiu alguns equívocos do trabalho anterior e mostrou clara evolução. Michael Kiske se mostra mais confortável ao explorar caminhos que havia deixado para trás – com justificativas para lá de duvidosas à época, diga-se de passagem. Fãs de Hard/Heavy não podem deixar de tê-lo em suas coleções. Sério candidato a aparecer na minha listinha de dezembro. E sim, no momento atual, ele tem razão.

Nota 9

Michael Kiske (vocais)
Kai Hansen (guitarra)
Mandy Meyer (guitarra)
Dennis Ward (baixo, teclados)
Kosta Zafiriou (bateria)

01. Venite 2.0
02. Your Time Has Come
03. Exceptional
04. For The Kingdom
05. Not Gonna Take Anymore
06. Night Of The Long Knives
07. Find Shelter
08. Blood
09. When The Deed Is Done
10. Throne Of The Dawn
11. Manhunter
12. You And I

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