Resenha: Testament – Brotherhood Of The Snake [2016]

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Poucas bandas envelheceram com tanta qualidade quanto o Testament. O grupo comandado por Chuck Billy e Eric Peterson soube adaptar seu Thrash Metal aos novos tempos, oferecendo um disco bom atrás do outro. Mesmo assim, houve certa apreensão ao ler as primeiras entrevistas sobre o 11º trabalho de inéditas. O vocalista admitia que o processo não tinha sido dos mais fáceis, tanto pelo fato de seu parceiro ter se isolado na hora de compor como pelo grupo não ter saído da estrada desde o lançamento de Dark Roots Of Earth, que saiu em 2012. Sendo assim, todas as dez faixas que entraram no tracklist final foram assinadas por Peterson – duas delas, em parceria com Alex Skolnick. A tendência de isolamento do músico já havia se mostrado no play anterior e se fortaleceu no atual. Mesmo assim, não dava para julgar baseado na opinião de alguém com um envolvimento emocional tão forte com a obra.

O fato é que The Brotherhood Of The Snake mantém o nível altíssimo, com pancadas certeiras, como a faixa-título, que mistura a pegada dos trabalhos recentes com uma melodia tipicamente oitentista. E sem soar datada, o que é mais importante. “The Pale King” promove algumas variações e vocais narrados, enquanto “Stronghold” mete o pé no acelerador sem menor constrangimento. O tempero inglês nas guitarras de “Seven Seals” se destaca. Uma canção que poderia estar nos primeiros álbuns do grupo. A cadência de “Born In A Rut” prepara terreno para “Centuries Of Suffering”, a mais curta do play, que tem tudo para promover uma correria durante os shows, com mais uma performance impecável de Chuck Billy, alternando registros e mostrando ser dono de uma garganta privilegiada. Para arrematar, ainda há Gene Hoglan encaixando blast beats – algo que aparece bem menos neste disco, em comparação ao anterior.

A seguir, “Black Jack”, pessoalmente, a preferida do tracklist, trazendo Skolnick e Peterson alternando fraseados com maestria e uma pegada percussiva fulminante. O Heavy mais tradicional volta à tona em “Neptune’s Spear”, com um twin guitar attack no solo que deixaria Glenn Tipton e K.K. Downing (Judas Priest) orgulhosos. Chuck discorre sobre seu trabalho paralelo na letra de “Canna-Business” – ele vende vaporizadores para consumidores legais de cânhamo nos Estados Unidos. Encerrando, “The Number Game” reúne todas aquelas características inerentes ao Thrash californiano. Em termos de sonoridade, Brotherhood Of The Snake se mostra menos aventureiro, em comparação a seus antecessores diretos. Mesmo assim, a qualidade segue alta, mantendo o Testament como uma das bandas mais relevantes de sua época nos tempos atuais. Talvez a tensão tenha rendido bons frutos a curto prazo. Mas que fique por isso mesmo.

Nota 9

Chuck Billy (vocais)
Eric Peterson (guitarra)
Alex Skolnick (guitarra)
Steve DiGiorgio (baixo)
Gene Hoglan (bateria)

01. Brotherhood Of The Snake
02. The Pale King
03. Stronghold
04. Seven Seals
05. Born In A Rut
06. Centuries Of Suffering
07. Black Jack
08. Neptune’s Spear
09. Canna-Business
10. The Number Game

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Esse post foi publicado em * Resenha e marcado por João Renato Alves. Guardar link permanente.