Resenha: Gojira (São Paulo, 20/09/2015)

gojira

Foto: Edi Fortini (Território da Música)
Texto: Tatiane Cristina Correia

Na reta final da tour de divulgação do disco L’Enfant Sauvage, os franceses do Gojira voltaram ao Brasil para duas apresentações – no Rock in Rio (na abertura do palco Mundo) e, em seguida, no seu primeiro show solo em território brasileiro, em São Paulo. Vale lembrar que a primeira apresentação da banda no país foi em 2013, na abertura do festival Monsters of Rock.

Às 19h, os trabalhos foram abertos pelo Fúria Inc, que estava divulgando seu primeiro CD, Murder Nature. Para uma casa com público razoável (cheio, mas nada comparável à lotação em apresentações como a do Immortal, por exemplo), a banda divulgou em 45 minutos sua música fortemente influenciada por bandas como In Flames, Soilwork e Killswitch Engage, e obteve uma boa repercussão entre os presentes, embora falte um pouco de originalidade no som.

A partir de então, cresceu a expectativa em torno da apresentação do Gojira, principalmente após o aperitivo que foi a apresentação devastadora no Rock in Rio. E às 20h15, inclusive com a casa um pouco mais cheia, Joe (vocal/guitarra) e Mario Duplantier (bateria), Christian Andreu (guitarra) e Jean-Michel Labadie (baixo) mostram a que vieram com Ocean Planet, do disco From Mars to Sirus (2005), acompanhada em uníssono desde seu interlúdio. E alto. Bem alto.

Ao contrário de bandas que procuram ganhar fôlego com seus discursos e longas conversas, o metal extremamente pesado e técnico dos franceses não abriu espaço. E a sensação foi a de um atropelamento por uma jamanta desgovernada ladeira abaixo. The Axe e The Heaviest Matter of the Universe (com direito a um circle pit) foram um belo cartão de visitas aos presentes. Em Backbone, eu quase não ouvia nada, já que o som estava tão alto que às vezes parecia que houve um problema de meio de campo, mas que logo se resolveu.

Após essa demolição, só uma leve pausa para Joe comentar que aquele era o primeiro show regular da banda no Brasil, e eles estavam muito felizes com isso – e essa alegria dos músicos ficou muito clara ao longo de toda a apresentação. E o público também estava igualmente feliz. Em seguida, o segundo disco da banda (The Link) se fez presente com a mescla de Love/Remembrance (aliás, que música!).

Em outra pausa (e da mesma forma que aconteceu no RiR), Joe Duplantier comentou que um novo disco da banda está a caminho (a expectativa é que ele seja lançado no primeiro semestre de 2016) e pediu para que o público continuasse com seu lado de “crianças selvagens” vivo, dando a deixa para L’Enfant Sauvage. O público parecia não acreditar em tamanho peso e intensidade na apresentação – e eu destaco a performance de Mario Duplantier. Se você é baterista, acompanhe esse cara.

The Art of Dying foi acompanhada a plenos pulmões pelos presentes. E admito, fiquei emocionada com o interlúdio e a pancada de Flying Whales, que acredito ser uma das músicas mais conhecidas do Gojira.

A primeira parte da apresentação foi encerrada com muito headbanging e circle pit com Wisdom Comes e com a sensacional Vacuity, igualmente berrada pelos fãs. Na volta para o encore, Joe Duplantier assume a bateria e Mario toca um pouco de guitarra – e cá entre nós, os guturais do baterista colocam muito vocalista de death e Black metal no bolso. Após essa demonstração de extremismo, Oroborus foi ovacionada pelos fãs. O arremate se deu com The Gift of Guilt, que arrancou o último fôlego dos presentes.

Intenso, pesado, dinâmico, devastador. Sem deixar de ser técnico. Definitivamente, o Gojira honrou seu nome (e a referência ao monstro dos filmes) e deixou o público feliz, sem fôlego e sem pescoço. Um dos melhores shows do ano até o momento.

Setlist

Ocean Planet
The Axe
The Heaviest Matter of the Universe
Backbone
Love/Remembrance
L’Enfant Sauvage
The Art of Dying
Solo de bateria
Toxic Garbage Island
Flying Whales
Wisdom Comes
Vacuity
****
Oroborus
The Gift of Guilt

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