Memórias do Futebol: Os dez anos do penta – parte 4

Era a hora do vamos ver. Não se podia mais errar. E a partida das oitavas-de-final também marcou o início da mudança de esquema que ajudaria a garantir a taça.

O Brasil venceu com dificuldades a Bélgica por 2 a 0 nesta segunda-feira, em Kobe, no Japão, e enfrentará a Inglaterra na sexta-feira, em Shizuoka, pelas quartas-de-final da Copa.

Depois de ser pressionado pelos belgas, no início do segundo tempo, a Seleção Brasileira venceu com gols de Rivaldo e Ronaldo, respectivamente, aos 22 e aos 41 minutos da etapa final.

Com o gol, Ronaldo se igualou na artilharia da Copa ao alemão Klose. Os dois já marcaram cinco vezes. Desde 1978, todos os artilheiros dos Mundiais fizeram seis gols.

O jogo das quartas-de-final de sexta-feira será o confronto entre o melhor ataque desta Copa – o Brasil, com 13 gols – e a melhor defesa – a inglesa, que, como os alemães, só tomou um gol.

Brasil x Bélgica

Esse será o quarto confronto entre brasileiros e ingleses em Copas do Mundo. O Brasil empatou um (0 a 0, em 1958) e ganhou os outros dois (3 a 1, em 62, e 1 a 0, em 70).

A Seleção Brasileira foi campeã em todos os Mundiais que enfrentou a Inglaterra.

Na partida desta segunda-feira, a Seleção Brasileira foi bem marcada pelos belgas, que estavam mais perto do gol do que o Brasil, quando Rivaldo abriu o placar.

A Bélgica jogou fechada, com a marcação avançada no meio-de-campo, e fechou os espaços para a armação de jogadas do Brasil.

Aos 18 minutos do primeiro tempo, Ronaldinho conseguiu furar o bloqueio defensivo belga pela primeira vez. Na entrada da área, ele se livrou do marcador e rolou para Ronaldo na equerda.

Com a perna direita, o atacante tentou colocar no ângulo esquerdo do goleiro De Vlieger, mas chutou para fora.

A Seleção Brasileira melhorou depois do lance. Aos 22 minutos, Ronaldo foi lançado por Juninho, passou pelo defensor e cruzou da esquerda para Rivaldo.

O meia-atacante do Barcelona pegou de primeira, de meia-bicicleta, mas a bola foi por cima.

Minutos depois, foi a vez do atacante da Bélgica Wilmots finalizar um cruzamento com uma meia-bicicleta dentro da área. A bola também foi por cima.

Aos 35 minutos, em mais um cruzamento belga para a área brasileira, Wilmots marcou de cabeça. No entanto, o juiz jamaicano deu falta do atacante no zagueiro Roque Júnior e anulou o gol.

Ronaldo perdeu uma oportunidade para marcar no fim da etapa inicial. Rivaldo foi acionado em outro lançamento longo, nas costas da marcação da Bélgica.

Segundo tempo

No segundo tempo, a Bélgica manteve a marcação adiantada, com jogadores na sobra, dificultando a armação de jogadas do Brasil pelo meio.

Os belgas pressionaram nos primeiros vinte minutos. Aos sete, o capitão Wilmots, o melhor atacante belga, chutou de virada, de fora da área, mas o goleiro Marcos saltou e tocou para escanteio.

Dois minutos depois, Mpenza fo lançado pelo lado direito da área, mas Marcos, de novo, saiu bem e bloqueou o atacante.

Aos 17 minutos, a Bélgica teve sua terceira chance de gol na etapa final. Wilmots, de novo, chutou de dentro da área, mas Marcos voltou a espalmar a bola.

Quando a Bélgica estava mais perto de abrir o placar do que o Brasil, Rivaldo fez 1 a 0, aos 22 minutos, depois de bela jogada individual.

De costas para o gol, na entrada área, ele matou no peito o passe de Ronaldinho, ajeitou, e chutou forte. A bola desviou no defensor belga e tirou o goleiro De Vlieger do lance.

A Bélgica pressionou pelo gol de empate, mas Ronaldo, que até então estava apagado no segundo tempo, completou o placar a quatro minutos do final, depois da boa jogada do substituto Kléberson pela direita.

O atacante recebeu na área e finalizou o contra-ataque com um chute por baixo das pernas do goleiro.

Fonte: BBC Brasil

Brasil 2×0 Bélgica
17 de junho de 2002

Brasil: Marcos; Lucio, Roque Júnior, Edmílson; Roberto Carlos, Cafu, Gilberto Silva, Juninho (Denílson), Rivaldo (Ricardinho); Ronaldo, Ronaldinho (Kléberson). Técnico: Luiz Felipe Scolari

Bélgica: De Vlieger; Van Kerckhoven, Van Buyten, Peeters (Sonck); Verheyen, Simons, Vanderhaeghe, Walem, Goor; Mpenza, Wilmots. Técnico: Robert Waseige

Gols: Rivaldo aos 22 e Ronaldo aos 41 minutos do segundo tempo.
Cartão amarelo: Roberto Carlos (Br); Vanderhaeghe (Be)
Juiz: Peter Prendergast (Jamaica)
Local: Kobe, Japão

Publicado em Memórias do Futebol por João Renato Alves. Marque Link Permanente.