Memórias do Futebol: Os dez anos do penta – parte 1

Foi preciso malandragem. E uma vista grossa do juiz. Mas seja como for, arrancamos para o penta com uma virada sobre os turcos.

Graças a uma ajuda do árbitro Kim Young-Joo, o Brasil estreou com vitória na Copa do Mundo. O jogo com a Turquia estava empatado em um gol até os 41 minutos do segundo tempo, quando o coreano marcou um pênalti inexistente em cima de Luizão. Rivaldo cobrou e garantiu a vitória de virada por 2 a 1. Mas a partida foi dificílima para seleção brasileira. A arma, que o técnico Felipão preparou para os adversários, foi usada contra ele pelo menos nos primeiros 45 minutos. A seleção brasileira não soube se desvencilhar da forte marcação dos turcos. O treinador Senol Gunes montou a sua equipe dentro de esquema tático com cinco jogadores de defesa, encostando nos atacantes do Brasil.

Aos sete minutos, a primeira tentativa do Brasil. Ronaldinho Gaúcho tentou encobrir o goleiro Rustu Recber, que saiu jogando errado. Aliás, Ronaldinho Gaúcho, juntamente com Rivaldo e Ronaldo, procurava se movimentar na frente. Mas o bloqueio turco dificultava a criação de jogadas. A solução era arriscar chutes de longa distância. Foi assim com Rivaldo, aos oito, e Juninho, aos 29 minutos. A Turquia assustou com uma bola que desviou em Gilberto Silva e raspou o travessão de Marcos. Os turcos pediram pênalti de Edmílson em Ozalan, aos 34 minutos, mas o árbitro coreano Young Joo Kim.

As melhores chances de gol da seleção brasileira saíram no fim do primeiro tempo. Aos 39, Ronaldo cruzou da esquerda e Rivaldo, livre de marcação, cabeceou. Recber fez grande defesa. Aos 45 minutos, Ronaldinho Gaúcho ficou na frente do goleiro, mas não conseguir abrir o placar. A Turquia tentava tirar proveito da falha da defesa brasileira. E ela aconteceu, aos 46 minutos. Ninguém marcou o atacante Hasan Sas, que recebeu lançamento de Bastruk, e chutou forte sem chances para Marcos. Mas no segundo tempo, Ronaldo resolveu jogar dez minutos. Azar da Turquia. Aos três minutos, ele perdeu um gol, mas no lance seguinte, não teve jeito. Aos quatro minutos, Rivaldo cruzou da esquerda e Ronaldo se esticou todo para desviar de pé direito, empatando a partida.

Gol anulado

Cinco minutos depois, Ronaldo fez outra linda jogada, mas Recber defendeu no canto esquerdo. Rivaldo chegou a marcar o segundo gol de cabeça, aos 17 minutos, mas o assistente marcou impedimento e anulou a jogada.

Insatisfeito com o desempenho da equipe, Felipão mexeu no time. Primeiro, aos 22 minutos, para dar maior velocidade ao time, Denílson entrou no lugar de Ronaldinho Gaúcho. Em seguida, Vampeta reforçou a marcação, ocupando a vaga de Juninho Paulista. E Luizão entrou no lugar do cansado Ronaldo. As alterações não surtiram o efeito desejado. Mas o árbitro coreano Kim Young-Joo resolveu ajudar o Brasil. Ozalan puxou a camisa de Luizão fora da área e o jogador brasileiro caiu dentro. O árbitro errou e marcou pênalti. Rivaldo cobrou e virou o jogo para o Brasil. Aos 48 minutos, Unsal ainda foi expulso, depois de chutar a bola em Rivaldo.

Fonte: DiarioWeb

Brasil 2×1 Turquia
3 de junho de 2002

Brasil: Marcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Juninho Paulista (Vampeta), Ronaldinho Gaúcho (Denílson) e Roberto Carlos; Ronaldo (Luizão) e Rivaldo. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Turquia: Rustu Recber; Ozat, Akyel, Korkmaz (Mansiz), Ozalan e Unsal; Tugay, Emre e Bastruk (Davala); Sukur e Hasan Sas. Técnico: Senol Gunes.

Gols: Sas aos 47 minutos do primeiro tempo; Ronaldo aos 4 e Rivaldo (pênalti) aos 42 minutos do segundo tempo
Cartões amarelos: Akyel, Unsal, Onzalan (T); Denilson (B)
Expulsões: Ozalan e Unsal (T)
Arbitragem: Kim Young-Joo (Coreia do Sul) auxiliado por Visva Krishnan (Cingapura) e Vladimir Fernandez (El Salvador)
Local: Estádio Munsu, em Ulsan, Coreia do Sul

Esse post foi publicado em Memórias do Futebol e marcado por João Renato Alves. Guardar link permanente.