Whitesnake: 30 anos de Whitesnake, o álbum (popular 1987)

whitesnake 1987

(lançado em 7 de abril de 1987)

Após as apresentações no Rock In Rio, no início de 1985, David Coverdale decidiu que era hora de mudar a formação do Whitesnake de forma radical. Porém, mudou de ideia após ser convencido pelos executivos da gravadora de que a parceria com o guitarrista John Sykes poderia render algo ainda maior à banda. O cantor engoliu o orgulho e manteve o músico, com quem já tinha uma relação de grande inimizade, que só aumentaria a ponto de não se suportarem até os dias atuais. Neil Murray também acabou permanecendo no baixo. Apenas Cozy Powell se retirou, substituindo Carl Palmer no ELP – que passaria a ser sigla para Emerson, Lake & Powell. Aynsley Dunbar (Journey, Frank Zappa) assumiu as baquetas, enquanto Don Airey (Ozzy Osbourne, Rainbow) e Bill Cuomo se revezaram nos teclados. Sob a batuta do empresário John Kalodner, uma espécie de dono do sucesso à época, a ideia era adequar o som ao que o momento pedia, algo cujos primeiros passos já haviam sido dados em Slide It In, trabalho anterior.

Porém, a estrada foi um tanto quanto tortuosa até o resultado final. Durante o processo de composição, Coverdale teve uma séria infecção nas vias nasais, que só foi controlada com uma cirurgia, que o tirou de ação por seis meses. Sykes deu a ideia de os músicos regravarem o material já escrito usando outro vocalista. Aí, a relação entre os dois azedou de vez. Ao ponto de, para finalizar as sessões, o holandês Adrian Vandenberg ter sido chamado. Seria o início de uma relação bem mais amistosa e duradoura, até porque o novo integrante do processo soube respeitar a hierarquia e exercer seu papel de sideman, algo visto como muito pouco para o agora desafeto do frontman. O produtor Keith Olsen também foi convocado para colocar ordem na bagunça. De todo esse imbróglio, acabou saindo o maior sucesso da carreira do Whitesnake: seu álbum homônimo, popularmente conhecido pelo ano em que foi lançado – ou Serpens Albus, no Japão. No fim das contas, até mesmo os tracklists são diferentes, de acordo com cada parte do planeta.

Dois dos grandes hits do trabalho foram ideias reaproveitadas. “Still Of The Night” teve sua origem em uma demo abandonada dos tempos de Deep Purple, enquanto “Is This Love?” havia sido criada com a intenção de que Tina Turner gravasse. Falando em resgate, duas canções presentes no álbum Saints & Sinners (1982) ganharam nova roupagem. “Here I Go Again” e “Crying In The Rain” ganharam destaque muito maior que em suas versões originais. Outras que se destacaram e permanecem nos setlists até hoje são “Give Me All Your Love” e “Bad Boys”. Os videoclipes, com grande apelo de sensualidade, ajudaram no desempenho comercial, em um tempo onde a MTV ditava os caminhos da indústria. Vale citar que todos eles contavam com a banda da turnê, formada por Coverdale, Vandenberg, o guitarrista Vivian Campbell, o baixista Rudy Sarzo e o baterista Tommy Aldridge. Outra figura sempre presente foi a atriz e modelo Tawny Kitaen, que se casaria com o vocalista posteriormente.

Whitesnake, o álbum, vendeu mais de 8 milhões de cópias só nos Estados Unidos, onde chegou ao segundo lugar da parada geral da Billboard, além de um oitavo posto no Reino Unido. O resultado acabou recolocando até mesmo Slide It In no chart yankee. Desde então, Coverdale e quem estiver na formação baseiam seu repertório de palco nos dois trabalhos, ao ponto de muitas pessoas, à época, sequer saberem que a banda possuía vários discos anteriores, quando era um segredo compartilhado entre a Europa e o Japão. Se a nova sonoridade afastou alguns conservadores, a nova leva de admiradores fez com que um possível prejuízo simplesmente inexistisse, pagando a aposta com sobras. Confira mais alguns detalhes sobre 1987 nesta edição do nosso quadro semanal Cabeçote, de autoria do jornalista Igor Miranda.

David Coverdale (vocais)
John Sykes (guitarra)
Neil Murray (baixo)
Aynsley Dunbar (bateria)
Don Airey e Bill Cuomo (teclados)

Versão americana

01. Crying In The Rain ‘87
02. Bad Boys
03. Still Of The Night
04. Here I Go Again ‘87
05. Give Me All Your Love
06. Is This Love?
07. Children Of The Night
08. Straight For The Heart
09. Don’t Turn Away

Versão europeia

01. Still Of The Night
02. Bad Boys
03. Give Me All Your Love
04. Looking For Love
05. Crying In The Rain
06. Is This Love?
07. Straight For The Heart
08. Don’t Turn Away
09. Children of The Night
10. Here I Go Again
11. You’re Gonna Break My Heart Again

whitesnake 1987

A banda da turnê

Def Leppard: 25 anos de Adrenalize

Def Leppard – Adrenalize
Lançado em 31 de março de 1992

Quando se pensava que forças superiores já não tinham dado uma lição no Def Leppard, com a amputação do braço – e sucessiva recuperação – do baterista Rick Allen após um acidente de carro, eis que o grupo foi surpreendido novamente. Infelizmente, dessa vez não houve recuperação.

O guitarrista Steve Clark, que já demonstrava problemas sérios com o alcoolismo, ganhou férias forçadas de seis meses das atividades da banda para tentar se recuperar de vez. No entanto, ele teve uma recaída e foi encontrado morto em 8 de janeiro de 1991, ao sofrer uma overdose acidental de codeína, misturada a Valium, morfina e álcool. Clark tinha 30 anos.

“Adrenalize” já estava sendo composto nesse período. Portanto, pode-se considerar que este foi o último álbum a contar com o toque direto de Steve Clark. Algumas composições creditadas a ele foram mantidas.

Novamente, o Def Leppard se encontrou em meio a um dilema. A decisão foi a de seguir suas atividades com Phil Collen dobrando as guitarras neste disco. Em seguida, Vivian Campbell foi contratado para substituir Steve Clark. Finalmente, “Adrenalize” chegou a público, no dia 31 de março de 1992.

“Adrenalize” é a sequência mais fiel que o bem-sucedido “Hysteria” poderia ter. A essência do hard rock de forte pegada pop praticado pelo Def Leppard foi mantida nas novas composições.

O que há de diferente aqui é a sobriedade autoral. A década de 1980 já havia ficado para trás e, com ela, todos aqueles excessos em produção e em termos de instrumentos digitais. Aqui, o Def Leppard, que co-produziu o disco ao lado de Mike Shipley, seguiu pelo formato “arena rock”, só que com um pé na realidade.

Outro fator atrativo, para mim, é a duração geral do disco: 45 minutos. Enquanto “Hysteria” pode enjoar, por ter mais de uma hora de tracklist, “Adrenalize” é um tiro curto e certeiro.

No geral, a tradicional fórmula do Def Leppard foi bem aproveitada. Há vocais em coro nos refrães e em outros momentos, linhas de guitarra que sabem o momento exato de assumir o protagonismo, cozinha que consegue ser básica e impactante ao mesmo tempo e um repertório composto por hits – concretos ou em potencial. Qualquer faixa de “Adrenalize”, do início ao fim, poderia se tornar um single – com exceção, óbvio, da extensa “White Lightning”.

Evidentemente, “Adrenalize” se tornou um sucesso comercial. O disco atingiu o topo das paradas dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. Estima-se que tenham sido vendidas 10 milhões de cópias em todo om undo.

No geral, “Adrenalize” é um dos álbuns que melhor descrevem o estilo do Def Leppard. Um passo adiante no uso de uma fórmula bem-sucedida.

Joe Elliott (vocal)
Phil Collen (guitarra, violão, backing vocals)
Rick Savage (baixo, violão em 4, backing vocals)
Rick Allen (bateria)

Músicos adicionais:
Phil “Crash” Nicholas (teclados em 6)
Robert John “Mutt” Lange (backing vocals)
John Sykes (backing vocals)
The Sideways Mob (backing vocals)

01. Let’s Get Rocked
02. Heaven Is
03. Make Love Like A Man
04. Tonight
05. White Lightning
06. Stand Up (Kick Love Into Motion)
07. Personal Property
08. Have You Ever Needed Someone So Bad
09. I Wanna Touch U
10. Tear It Down

Scorpions: 35 anos de Blackout

scorpions blackout

(lançado em 29 de março de 1982)

Eventos nada agradáveis aconteceram durante as gravações desse verdadeiro clássico do Rock. O mais complicado, sem dúvida, foi o problema nas cordas vocais de Klaus Meine, que passou por duas delicadas cirurgias, sem garantia completa de retorno ao microfone – o que, felizmente, não se confirmou após sete meses de recuperação intensa. Enquanto o vocalista se recuperava, Don Dokken dava uma força no estúdio para os músicos, gravando as vozes nas demos, que nunca viram a luz do dia e aparentemente foram incineradas. Musicalmente, a banda se afastava cada vez mais do estilo experimental, que se intensificou nos tempos de Uli Jon Roth, buscando algo mais cru e direto, com apelo popular. E a fórmula funcionou.

O primeiro aspecto que marca Blackout é sua capa, um autorretrato do artista austríaco Gottfried Helnwein. Com certeza muitos fãs já reproduziram a cena, seja em um almoço em casa ou em algum jantar refinado. Produzido mais uma vez por Dieter Dierks, Blackout realça o lado mais agressivo e dinâmico do Scorpions, com verdadeiras cacetadas como a faixa-título e o petardo “Dynamite”, presenças obrigatórias no setlist até hoje, assim como o grande hit “No One Like You”, que é uma espécie de modelo que seria aprimorado no álbum seguinte em “Rock You Like A Hurricane” e se tornaria uma marca registrada do quinteto.

Uma música que desperta um carinho especial dos brasileiros que viveram os anos 1980 é “Now!”. Motivo? Ela fazia parte do vinil que divulgava o primeiro Rock In Rio, peça que ainda pode ser encontrada por aí nos sebos da vida. O encerramento com “When The Smoke Is Going Down” se tornou também a trilha com a qual os germânicos fecham as cortinas de seus espetáculos. Em relação às performances individuais, destaque total para Klaus, que nem parecia ter passado pelo drama pessoal que enfrentou. O álbum chegou ao número 10 do Top 200 da Billboard e ganhou disco de ouro nos Estados Unidos menos de dois meses após seu lançamento, atingindo status de platina poucos dias antes de seu segundo aniversário.

Klaus Meine (vocais)
Rudolf Schenker (guitarra)
Matthias Jabs (guitarra)
Francis Buchholz (baixo)
Herman Rarebell (bateria)

01. Blackout
02. Can’t Live Without You
03. No One Like You
04. You Give Me All I Need
05. Now!
06. Dynamite
07. Arizona
08. China White
09. When The Smoke Is Going Down

scorpions blackout

Mr. Big: 25 anos de Mr. Big Live

mr. big

(lançado em 28 de março de 1992)

O álbum Lean Into It levou o Mr. Big a um sucesso que nunca mais seria igualado em sua carreira – não por falta de qualidade dos envolvidos, ressalte-se. A música “To Be With You” chegou a número 1 em 15 países, puxando outros sucessos e fazendo com que a banda tivesse a oportunidade de realizar seus primeiros shows como headliners. Durante parada em San Francisco, no Warfield Theatre, o quarteto resolveu registrar um álbum e home-video. Aliás, vale citar que este é o único ao vivo oficial do grupo a não ter sido gravado no continente asiático. Os outros todos foram capturados no Japão, exceção a Channel V At The Hard Rock Live, na Singapura.

As duas novidades do tracklist ficaram por conta das presenças de “Shy Boy”, do Talas, que revelou Billy Sheehan – também gravada por David Lee Roth quando o baixista esteve em sua banda – e “Baba O’Riley”, clássico do The Who. A versão em vídeo ainda contava com três faixas extras: “Voodoo Kiss”, “Rock And Roll Over” e “Take A Walk”. A execução, como de se esperar quando se trata dos envolvidos, é magistral. Pessoalmente, prefiro a espontaneidade de alguns discos posteriores, além da devoção maior dos fãs nipônicos para com o grupo. Mesmo assim, é um registro de grande importância histórica.

Eric Martin (vocais)
Paul Gilbert (guitarra)
Billy Sheehan (baixo)
Pat Torpey (bateria)

01. Daddy, Brother, Lover, Little Boy
02. Alive And Kickin’
03. Green-Tinted Sixties Mind
04. Just Take My Heart
05. A Little Too Lose
06. Road To Ruin
07. Lucky This Time
08. Addicted To That Rush
09. To Be With You
10. 30 Days In The Hole
11. Shy Boy
12. Baba O’Riley

mr. big

Harem Scarem: 15 anos de Weight Of The World

scarem weight

(lançado em 25 de março de 2002)

À época do lançamento, algumas resenhas apressaram-se em dizer que o Harem Scarem reencontrou suas raízes Hard Rock em Weight Of The World. Conclusão um tanto quanto precipitada. Realmente, o grupo canadense retomou parte da sonoridade de álbuns como Mood Swings. Porém, não abandonou por completo o que havia construído em um passado então recente. O que não dá para negar é que se tratava de um disco bem melhor que os disponibilizados pouco tempo antes. As músicas estavam mais concisas, oferecendo melodias atrativas, refrães marcantes e execução precisa. Harry Hess e Pete Lesperance mostravam que ainda “tinham as manhas” de escrever algo que se torna inesquecível após a primeira escutada.

Difícil escolher algum momento como destaque, mas “Killing Me”, “All I Want Is Everything” e “If You” contentaram os fãs de longa data. Quem buscava o lado dramático não se queixou de “Outside Your Window”, com interpretação certeira de Hess. No campo das baladas, “This Ain’t Over” contava com certo tempero sessentista em seus vocais – aliás, sempre um atributo especial dos lançamentos do quarteto. Durante a turnê de divulgação, o grupo gravou um trabalho ao vivo no festival inglês The Gods Of AOR. Vale citar que em alguns mercados o disco ainda saiu sob o nome Rubber, que o Harem Scarem usou temporariamente durante a virada de século.

Harry Hess (vocais, guitarra)
Pete Lesperance (guitarra)
Barry Donaghy (baixo)
Creighton Doane (bateria)

01. Weight Of The World
02. Killing Me
03. Outside Your Window
04. All I Want Is Everything
05. This Ain’t Over
06. Internude
07. You Ruined Everything
08. Charmed Life
09. If You
10. See Saw
11. Voice Inside

scarem weight

Grave Digger: 15 anos de Tunes Of Wacken Live

digger wacken

(lançado em 25 de março de 2002)

Após a comemoração de seus 20 anos, o Grave Digger sofreu uma baixa com a saída do guitarrista Uwe Lulis. Em seu lugar entrou Manni Schmidt, conhecido pela passagem no Rage. The Grave Digger (2001) foi o primeiro exemplar da nova etapa, mostrando um som bem mais direto em comparação aos contornos épicos dos então recentes lançamentos. O trabalho foi lançado pela Nuclear Blast, marcando o início de uma nova parceria. Porém, o grupo ainda devia um álbum à gravadora anterior, a GUN Records. A solução foi registrar um ao vivo, o primeiro da carreira da banda em áudio e vídeo. O local escolhido foi o Wacken Open Air, na sua edição 2001. À época, o festival alemão já era um evento de renome, embora ainda não apresentasse a estrutura gigantesca de tempos atuais.

Por motivos óbvios, quase todo o material presente em Tunes Of Wacken pertence aos discos do tempo da gravadora que estava sendo deixada. A exceção foi “Heavy Metal Breakdown”, faixa-título do debut – embora ela tenha sido regravada no EP The Dark Of The Sun, de 1997. O show foi uma verdadeira celebração, com a plateia cantando junto o tempo todo, além de mostrar a grande dificuldade da plateia alemã em bater palmas acompanhando o ritmo da música. O quinteto estava entrosado, oferecendo uma performance certeira. Posteriormente, o Grave Digger gravaria outros trabalhos ao vivo mais completos em termos de setlist, especialmente 25 & Live, registrado em São Paulo pouco tempo depois.

Chris Boltendahl (vocais)
Manni Schmidt (guitarra)
Jens Becker (baixo)
Stefan Arnold (bateria)
H.P. Katzenburg (teclados)

01. Intro (The Brave)
02. Scotland United
03. The Dark Of The Sun
04. The Reaper
05. The Round Table (Forever)
06. Excalibur
07. Circle Of Witches
08. The Ballad Of Mary (Queen Of Scots)
09. Lionheart
10. Morgane Le Fay
11. Knights Of The Cross
12. Rebellion (The Clans Are Marching)
13. Heavy Metal Breakdown

digger wacken

Iron Maiden: 15 anos de Rock In Rio

maiden rio

(lançado em 25 de março de 2002)

Após quase ter chafurdado no próprio orgulho, Steve Harris engoliu a vaidade e deu o braço a torcer, chamando Bruce Dickinson de volta. A ação recolocou o Iron Maiden no topo, com a turnê Ed Hunter e o lançamento do ótimo disco Brave New World. Para coroar a reconquista do trono do Heavy Metal, a banda encerrou a turnê de divulgação na América do Sul. Após Chile e Argentina, o a partir de então sexteto foi headliner de uma das noites da terceira edição do Rock In Rio, que retornava após hiato de uma década. O show que os fãs conferiram na Cidade do Rock e o resto do país na televisão foi um verdadeiro ritual de devoção. Canções entoadas como verdadeiros hinos, sincronia de músicos e público, empolgação extrema. Por isso, não dá para negar que o material editado por Kevin Shirley e Steve Harris decepcionou quem tinha a versão crua. Não havia necessidade de tanto overdub, ofuscando a sensacional interação com a plateia.

O setlist é o básico de toda a turnê. A novidade ficou por conta da inclusão de “Run To The Hills”, que havia sido renegada pela banda após a saída de Bruce, com direito a críticas públicas sobre sua qualidade em entrevistas. Parece que a perspectiva mudou de vez, pois ela até foi lançada como single. Fora isso, vale a pena conferir a mistura de clássicos, músicas que então eram novas – algumas nunca mais seriam executadas novamente – e até alguns sons da fase com Blaze Bayley, que ganharam novas interpretações na voz de Dickinson. Rock In Rio não deixa de ser um registro histórico do Iron Maiden, apesar do excesso de maquiagem. Porém, é recomendável ter, também, a versão que foi transmitida ao vivo. Ela oferece uma experiência muito mais prazerosa, inclusive no vídeo, um tanto frenético no DVD oficial. Aliás, adiaram o lançamento no formato para Steve brincar de editor dessa forma? Que coisa…

Bruce Dickinson (vocais)
Steve Harris (baixo)
Adrian Smith (guitarra)
Dave Murray (guitarra)
Janick Gers (guitarra)
Nicko McBrain (bateria)

CD 1

01. Intro (Arthur’s Farewell)
02. The Wicker Man
03. Ghost Of The Navigator
04. Brave New World
05. Wrathchild
06. 2 Minutes To Midnight
07. Blood Brothers
08. Sign Of The Cross
09. The Mercenary
10. The Trooper

CD 2

01. Dream Of Mirrors
02. The Clansman
03. The Evil That Men Do
04. Fear Of The Dark
05. Iron Maiden
06. The Number Of The Beast
07. Hallowed Be Thy Name
08. Sanctuary
09. Run To The Hills

maiden rio

Anthrax: 30 anos de Among The Living

anthrax among

(lançado em 22 de março de 2017)

Todas as bandas do Big Four possuem seus trabalhos referenciais, aqueles que se tornaram o momento mais iluminado na carreira. Porém, nem Master Of Puppets, Rust In Peace ou Reign In Blood se tornaram tão representativos de uma discografia como Among The Living em relação à do Anthrax. Não há como começar a falar da história fonográfica do quinteto sem citar este disco. Terceiro full-length de sua carreira, mostrou o que a maioria dos fãs passou a definir como seu som clássico, embora Scott Ian e companhia sempre tenham tentado colocar algo diferente a cada álbum, inclusive neste em comparação a seus antecessores. Porém, assim o povo quis e até hoje se trata daquilo que conhecemos como a cara do grupo. A repercussão comercial, com vendas, clipes na MTV e turnês também ajudou a formar o mito em torno do play.

A banda colaborou, matando a pau com sua mistura de musicalidade, humor e uma inteligência acima da média. Afinal de contas, quem poderia citar Stephen King (a faixa-título e “A Skeleton In The Closet”, inspiradas em The Stand e Apt Pupil, respectivamente), John Belushi (o trator sonoro “Efilnikufesin”) e Judge Dredd (a instigante “I Am The Law”) na mesma obra, fazendo tudo ter algum sentido? Ainda há espaço para os hinos “Caught In A Mosh” e “Indians”, dois dos maiores clássicos da trupe. O impacto de Among The Living foi tão forte que, apesar de ter lançado outros ótimos discos nas três décadas seguintes, o Anthrax passou a ser medido através dele. Uma benção e uma maldição ao mesmo tempo, como acontece nas carreiras de outros artistas. De qualquer modo, um momento para a história do Heavy Metal.

Joey Belladonna (vocais)
Scott Ian (guitarra)
Dan Spitz (guitarra)
Frank Bello (baixo)
Charlie Benante (bateria)

01. Among the Living
02. Caught in a Mosh
03. I Am the Law
04. Efilnikufesin (N.F.L.)
05. A Skeleton in the Closet
06. Indians
07. One World
08. A.D.I./Horror of It All
09. Imitation of Life

anthrax among

Iron Maiden: 35 anos de The Number Of The Beast

Iron Maiden – The Number Of The Beast
Lançado em 22 de março de 1982

Para se fazer um clássico atemporal do heavy metal, não se exige apenas qualidade musical. Como disse Bruce Dickinson, ao ser questionado sobre The Number Of The Beast, foi necessário que um raro alinhamento de planetas ocorresse para que este disco chegasse a público desta forma.

O terceiro disco do Iron Maiden é, para muitos, um recomeço da banda britânica, pois trata-se do primeiro com o vocalista Bruce Dickinson, ex-Samson, no lugar de Paul Di’Anno. Dickinson ocupou o posto de um cantor cada vez mais desleixado e problemático, muito devido aos problemas que teve com as drogas.

A chegada de Bruce Dickinson se fazia necessária a uma banda que prezava pelo profissionalismo. O Iron Maiden jamais estouraria sem um cantor competente como Dickinson, por mais que eu goste do trabalho desempenhado pelo grupo com Paul Di’Anno. Steve Harris, líder da banda e obstinado a ter consagração e reconhecimento mundial, sabia disto.

Com a troca de vocalistas, o estilo do Iron Maiden também mudou. O grupo passou a apostar em uma sonoridade um pouco mais melódica, ainda que pesada e, por vezes, visceral. Fruto, também, de maior colaboração do guitarrista Adrian Smith, que chegou para gravar o álbum anterior, Killers (1981), mas não participou do processo de composição. Em The Number Of The Beast, era como se Sex Pistols, Deep Purple e Thin Lizzy se cruzassem e gerassem um produto único.

Houve, ainda, um avanço temático nas letras da banda. A polêmica faixa que dá nome ao disco foi baseada no filme “A Profecia II” e na obra “Tam o’Shanter”, por exemplo. Outras canções também foram inspiradas em livros, longa-metragens ou até na história de antigas civilizações.

De olho na tímida “invasão” que o NWOBHM promovia nos Estados Unidos, o Iron Maiden também quis despontar na América. The Number Of The Beast era o disco ideal para isto, bem como aquela formação era perfeita para aquele momento. O grupo tratou de marcar mais de 100 datas por todo o país, após excursionar pela Europa, onde já havia reconhecimento.

Foi justamente nos Estados Unidos que o Iron Maiden se viu diante de sua primeira polêmica: a banda foi acusada de ser satanista graças a The Number Of The Beast, especialmente pela faixa título e pela capa do álbum. O grupo sofreu uma espécie de perseguição por parte de setores mais conservadores da sociedade, em especial grupos religiosos.

Ativistas queimaram e quebraram discos do Iron Maiden em público, protestaram na entrada de casas de shows onde o grupo iria se apresentar e, por vezes, até carregaram uma cruz de 7,5 metros enquanto pediam boicote aos britânicos. Além disso, houve uma mobilização para que fossem colocados selos nas capas dos álbuns, alertando sobre o “conteúdo subversivo” – uma espécie de pré-PRMC.

Não se sabe, até o momento, se tudo isto foi premeditado por Steve Harris e seus companheiros ou se toda a reação foi uma surpresa para os envolvidos. Fato é que a polêmica fez com que a popularidade do Iron Maiden engrenasse de forma curiosa, pois, aparentemente, muitos adolescentes estavam em busca da mensagem inicialmente controversa que o grupo apresentava.

No fim das contas, a “propaganda negativa” foi revertida com um bom trabalho feito pelo Iron Maiden, que conquistou fãs pelos Estados Unidos. The Number Of The Beast chegou à 33ª posição das paradas da Billboard, nos Estados Unidos, além de conquistar o topo dos charts do Reino Unido e lugares expressivos em rankings de outros países. Hoje, o disco acumula mais de 14 milhões de cópias vendidas.

O Iron Maiden evoluiu e permitiu-se evoluir em The Number Of The Beast. Reconheceu que poderia atingir um novo patamar com mudanças pontuais em seu trabalho. Graças a este disco, a banda conseguiu um lugar ao sol e estabilidade o bastante para lançar trabalhos clássicos no futuro, como os impressionantes Piece Of Mind (1983) e Powerslave (1984).

Bruce Dickinson (vocal)
Steve Harris (baixo)
Dave Murray (guitarra)
Adrian Smith (guitarra)
Clive Burr (bateria)

01. Invaders
02. Children Of The Damned
03. The Prisoner
04. 22 Acacia Avenue
05. The Number of the Beast
06. Run To The Hills
07. Gangland
08. Hallowed Be Thy Name

Megadeth: 15 anos de Rude Awakening

Megadeth – Rude Awakening
Lançado em 19 de março de 2002

O Megadeth passou por uma crise no fim dos anos 1990, sua década de glória. Após a saída do baterista Nick Menza em 1998 e o terrível “Risk” ser lançado no ano seguinte, foi a vez do guitarrista Marty Friedman pular fora perto da virada do milênio. Os cargos foram ocupados por Jimmy DeGrasso e Al Pitrelli, respectivamente e quase que imediatamente.

Como se não bastasse, o grupo se desvinculou da Capitol Records, que desde 1986 mantinha-os no cast. Mesmo assim, Dave Mustaine e sua turma não tiveram muitas dificuldades em se reerguerem. Logo assinaram com a Sanctuary Records e lançaram “The World Needs A Hero”, primeiro (e último) full-length com Al Pitrelli, em 2001.

Para celebrar o novo momento, o Megadeth optou por fazer um registro ao vivo, em CD e DVD – o primeiro de sua carreira. O trabalho, intitulado “Rude Awakening”, seria gravado na terra dos hermanos e já tinha data marcada, mas por conta dos ataques do dia 11 de setembro de 2001, a apresentação por lá foi cancelada e o registro se deu nos Estados Unidos mesmo.

Dois shows foram captados, no Rialto Theater em Tucson e no Web Theater em Phoenix, ambas cidades do estado do Arizona, em novembro de 2001. O lançamento, por sua vez, se deu em 19 de março de 2002.

Não dá para discordar que o Megadeth demorou muito para produzir um registro ao vivo. E quando o fez, não foi com sua melhor formação. Jimmy DeGrasso é um grande baterista e Al Pitrelli é muito competente, mas a pegada já era outra.

Ainda assim, “Rude Awakening” cumpre bem o seu papel enquanto registro ao vivo. Os substitutos de Nick Menza e Marty Friedman são muito técnicos e se entrosaram bem com Dave Mustaine e David Ellefson. Fizeram um bom trabalho em faixas de todas as fases do grupo, mesmo sem a veia levemente jazz de seus antecessores. Há até um “quê” menos metal e mais orientado ao hard rock em algumas faixas – que eu, particularmente, gosto.

Abrangente, o repertório contemplou clássicos de todas as eras do Megadeth até então. Com exceção do “Risk”, os álbuns da já extensa discografia da banda foram contemplados no set. Vale destacar que apesar de “Prince Of Darkness” (do “Risk”) ser a abertura original dos shows, o registro desta faixa não apareceu na versão final.

Apesar do bom momento nos palcos, o Megadeth acabou no ano em que “Rude Awakening” foi lançado. Dave Mustaine sofreu uma grave lesão no nervo de seu braço esquerdo. Ele se recuperou e reformou o grupo, dois anos depois, com uma formação completamente nova, após lançar “The System Has Failed” – que seria um disco solo.

Depois, Dave Mustaine explicou que também deu fim ao Megadeth naquele período porque o clima interno era péssimo. David Ellefson e os demais instrumentistas queriam tomar o controle do projeto que era dele.

Dave Mustaine (vocal, guitarra)
Al Pitrelli (guitarra)
David Ellefson (baixo)
Jimmy DeGrasso (bateria)

Disco 1:

01. Dread And The Fugitive Mind
02. Kill The King
03. Wake Up Dead
04. In My Darkest Hour
05. Angry Again
06. She-Wolf
07. Reckoning Day
08. Devil’s Island
09. Train Of Consequences
10. A Tout Le Monde
11. Burning Bridges
12. Hangar 18
13. Return To Hangar
14. Hook In Mouth

Disco 2:

01. Almost Honest
02. 1000 Times Goodbye
03. Mechanix
04. Tornado Of Souls
05. Ashes In Your Mouth
06. Sweating Bullets
07. Trust
08. Symphony Of Destruction
09. Peace Sells
10. Holy Wars… The Punishment Due

Ozzy Osbourne: 30 anos de Tribute

ozzy tribute

(lançado em 19 de março de 1987)

Lançado quando a morte de Randy Rhoads completava cinco anos, Tribute é um verdadeiro louvor à genialidade desse músico, que tão cedo partiu. Em uma época onde o mundo era dominado pelos alucinantes malabarismos de Eddie Van Halen, o guitarrista despontava como alguém que poderia bater de frente com o rei. Sua técnica e musicalidade enlouqueciam a todos, graças aos memoráveis Blizzard of Ozz e Diary of a Madman, trabalhos que não apenas deram uma nova carreira, como literalmente salvaram a vida de Ozzy Osbourne. De repente, aquele garoto que tocava no Quiet Riot e dava aula para crianças na escola de música da sua mãe se tornava um ídolo e deixava seu nome para sempre na galeria dos maiores guitarristas.

A maior parte das músicas foi retirada de um show em Cleveland, Ohio, realizado no dia 11 de maio de 1981. As exceções são o solo de Rhoads, registrado em Montreal no dia 28 de junho do mesmo ano, além de “Goodbye to Romance” e “No Bone Movies”, gravadas em 2 de setembro de 1980, em Southampton, Inglaterra, ainda com a formação original da banda, tendo Bob Daisley no baixo e Lee Kerslake na bateria. Se há algo negativo, o fato de conter apenas duas músicas do segundo álbum de estúdio, enquanto Blizzard é executado na íntegra. Completam o setlist três hinos do Black Sabbath. E sim, é fato que há overdubs de montão, especialmente nos vocais, tanto pelas desafinações quanto pelo jeito amalucado de Ozzy, que não para em frente ao microfone nem nos dias atuais. Porém, isso não tira o brilho do trabalho, assim como acontece com tantos outros clássicos do live.

Por mais que toda a banda esteja em momento iluminado – Tommy Aldridge é, sem dúvida, um dos melhores bateristas de todos os tempos – o destaque inevitável vai para o homenageado. Executando riffs e solos com maestria, Randy mostra o quanto a estúpida tragédia que interrompeu sua vida deixou uma lacuna irreparável. E quando ouvimos o outtake de “Dee” em estúdio, não tem como não sentir aquele nó na garganta. Coisa de gênio! A homenageada da música, Delores, mãe do guitarrista, publicou um texto no encarte, assim como Ozzy, que nunca mais se recuperou do ocorrido. Tribute – ou Randy Rhoads Tribute, como também ficou conhecido – chegou ao número 6 do Top 200 da Billboard. É peça indispensável em qualquer coleção que celebre as obras do homenageado e do Madman.

Ozzy Osbourne (vocais)
Randy Rhoads (guitarra)
Rudy Sarzo (baixo)
Tommy Aldridge (bateria)
Don Airey (teclados)

Bob Daisley (baixo em 12 & 13)
Lee Kerslake (bateria em 12 & 13)

01. I Don’t Know
02. Crazy Train
03. Believer
04. Mr. Crowley
05. Flying High Again
06. Revelation (Mother Earth)
07. Steal Away (The Night)/Drum Solo
08. Suicide Solution/Guitar Solo
09. Iron Man
10. Children of the Grave
11. Paranoid
12. Goodbye to Romance
13. No Bone Movies
14. Dee (Studio Outtakes)

ozzy tribute

Aerosmith: 20 anos de Nine Lives

nine lives

(lançado em 18 de março de 1997)

A trilogia Permanent Vacation/Pump/Get A Grip fez com que o Aerosmith experimentasse algo raro no mundo da música: um segundo auge. Porém, a glória sempre vem acompanhada de uma estrada tortuosa. Após anos com a Geffen, a banda retornou à Columbia Records. Para marcar o reencontro, escolheram trabalhar com o produtor Glen Ballard, um dos grandes nomes do momento, então consagrado por seu trabalho em Jagged Little Pill, de Alanis Morissette. Os resultados das sessões em Miami desagradaram a gravadora. Paralelamente, o grupo rompia relações com Tim Collins, manager que os ajudou no recomeço, mas que tomava atitudes extremamente controladoras e suspeitas, nas palavras dos próprios. Como vingança, o empresário divulgou à imprensa que os músicos seguiam se drogando e a história da reabilitação coletiva havia sido apenas uma fachada. As palavras criaram vários problemas ao quinteto, inclusive dentro de suas famílias.

Como desgraça pouca é bobagem, o baterista Joey Kramer entrou em depressão profunda após a perda de seu pai. Steve Ferrone (Tom Petty, Eric Clapton, Slash) foi chamado para completar as sessões e dar tempo para seu colega de instrumento se recuperar. Passada a tempestade, era hora de se recompor. Kevin Shirley se juntou ao grupo para retrabalhar o material. Uma decisão mais segura e de acordo com o que o Aerosmith representa, dando a tranquilidade necessária para o momento. O título não poderia ser mais apropriado: Nine Lives – enquanto aqui dizemos que os gatos possuem sete vidas, em outros lugares fala-se que são nove. Mas, para não parecer que tudo ia ser tranquilo, veio mais uma polêmica quando a capa foi divulgada. A comunidade hindu protestou contra o uso de uma imagem adulterada de Krishna. Após um pedido de desculpas oficial, uma nova imagem foi usada. Aliás, nas duas versões, o encarte é um destaque à parte, com seu efeito de looping criado através das ilustrações.

Musicalmente, o disco não se arriscava muito, apostando na fórmula de seus antecessores, especialmente Get A Grip. Rocks básicos e baladas melosas se alternam no tracklist, com destaque para a faixa-título, “Something’s Gotta Give” e “Crash” no primeiro campo, além de “Kiss Your Past Good-bye” no segundo. As músicas promovidas como singles foram “Falling In Love (Is Hard On The Knees)”, “Hole In My Soul” – que chegou a ser trilha sonora de novela no Brasil, ajudando o trabalho a ganhar disco de ouro –, “Full Circle” e “Pink”, vencedora de um Grammy em 1998, na categoria Best Rock Performance By A Duo Or Group With Vocal. Apesar de todos os contratempos e de não manter a constância em termos de qualidade, Nine Lives se mostrou um trabalho vencedor, vendendo mais de dois milhões de cópias só nos Estados Unidos e chegando ao número 1 no The Billboard 200. O sofrimento se pagou com sobras, embora não sem deixar cicatrizes visíveis até os dias atuais.

Steven Tyler (vocais, teclados, gaita)
Joe Perry (guitarra)
Brad Whitford (guitarra)
Tom Hamilton (baixo)
Joey Kramer (bateria)

01. Nine Lives
02. Falling In Love (Is Hard On The Knees)
03. Hole In My Soul
04. Taste Of India
05. Full Circle
06. Something’s Gotta Give
07. Ain’t That A Bitch
08. The Farm
09. Crash
10. Kiss Your Past Good-bye
11. Pink
12. Attitude Adjustment
13. Fallen Angels

nine lives

A capa polêmica