Resenha: Black Sabbath em Porto Alegre (28/11/2016)

black sabbath

Texto e fotos: Daiane Costa e Day Montenegro

Na última segunda-feira, dia 28 de novembro, o Black Sabbath realizou o primeiro show no Brasil da turnê de encerramento das atividades. Desembarcando da Argentina, as lendas do heavy metal Ozzy Osbourne, o baixista Geezer Butler e o guitarrista Tony Iommi tocaram ao lado do baterista Tommy Clufetos (36 anos) – músico da banda de Ozzy que está com o Sabbath desde 2012 (substituindo Bill Ward). A turnê The End passou por Porto Alegre em clima de despedida – após mais de 40 anos de história, marcando a noite do público notavelmente mais maduro, com um rápido show de aproximadamente 1h30 de duração. Já os responsáveis por animar a galera durante o pôr do sol na capital dos gaúchos foram as bandas de abertura: Krisiun e Rival Sons.

krisiun

Pontualmente, a noite de apresentações no estacionamento da FIERGS iniciou às 19h30min com a banda de death metal Krisiun – do Rio Grande do Sul. O trio representou um orgulho imenso para os admiradores que já se concentravam cedo no local para prestigiar Alex Camargo (baixo/vocal), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria). O repertório incluiu músicas do mais recente registro fonográfico, “Forged In Fury” (2015).

Às 20h, Rival Sons surgiu com seus integrantes cheios de estilo no visual, talvez nos fazendo reviver outras épocas do rock mais clássico com uma pegada setentista. O grupo norte-americano de Long Beach, Califórnia, foi formado em 2009. Os caras atingiram uma popularidade incrível e foram convidados para acompanhar as datas da turnê de despedida The End do Sabbath não somente na América Latina, mas também por toda a Europa e América do Norte.

rival sons

Rival Sons subiu ao palco com a já conhecida trilha The Good, The Bad and The Ugly, de Ennio Morricone. Podemos dizer que desde o lançamento de seu álbum de estreia, “Before The Fire”, Rival Sons ressuscitou o rock’n’roll carregado de groove e fuzz que havia sido deixado de lado nos anos 70. O som dançante, infelizmente, não agradou a todos os 18 mil presentes – cerca de ⅓ da capacidade de lotação. Muitos esperavam impacientes (e ranzinzas) a despedida das lendas do Black Sabbath. Mesmo assim, os vocais rasgados de Jay Buchanan – cuja técnica é impecável, não atrapalhou a noite de Heavy Metal e sim transpirou blues e soul que embalaram a noite dos fãs que se concentravam em torno do palco e cantavam os refrões marcantes da banda mais recente. O curto set list contemplou as conhecidas “Electric Man”, “Keep On Swinging” e “Pressure and Time”, entre outras canções.

Às 21h30min, o Black Sabbath subiu ao palco com a música homônima, levando os porto-alegrenses extasiados ao delírio, naquela última oportunidade de assistir ao grupo. Até o repertório foi contemplado os quatro primeiros álbuns. Black Sabbath celebrou seu passado sombrio e escolheu começar pelo princípio de sua própria história, com performance e letra que leva a uma alusão do final iminente para a chegada do diabo. O sorriso de Ozzy (às vezes malévolo) também esboçava traços de realização! E não demorou muito para que o madman de 67 anos encharcasse a cabeça com água como de costume, conduzindo toda a energia aos headbangers e mostrando todo o fôlego que ainda leva aos palcos.

black sabbath

A banda se vestia e se portava como se estivesse nos anos 1970. Ozzy pouco saiu do lugar, atento às letras das músicas que rolavam na telinha, mas interagiu bastante com o público, entonando por muitas vezes sua discreta frase “God bless you!”. Podemos destacar também o incrível solo de quase 10 minutos do baterista, e toda a nostalgia em torno dos solos de guitarra de Tony Iommi, na melhor idade dos caras. O set list teve ainda Fairies Wear Boots, After Forever, Into the Void, Snowblind, War Pigs, Behind the Wall of Sleep, N.I.B., Rat Salad, Iron Man, Dirty Women e Children of the Grave, com Paranoid no bis.

A turnê que teve início em janeiro deste ano nos EUA encerra no dia 4 de fevereiro de 2017, em Birmingham (Inglaterra) – cidade onde a banda se formou. A despedida tem a maior produção já feita pelo grupo – e até o momento já soma mais de 80 shows pelo mundo. Nesta sexta-feira, os mestres se apresentam ainda no Rio de Janeiro (RJ) e depois seguem para São Paulo (SP).

Set list Black Sabbath:
Black Sabbath
Faires Wear Boots
After Forever
Into The Void
Snowblind
War Pigs
Behind the Wall of Sleep
N.I.B
Rat Salad ( solo de guitarra e bateria)
Iron Man
Dirty Women
Children Of The Grave
Paranoid

Set list Rival Sons:
The Good, the Bad and the Ugly (Ennio Morricone)
Electric Man
Secret
Pressure and Time
Hollow Bones Pt. 1
Torture
Fade Out
Baby Boy
Open My Eyes
Keep On Swinging

Edguy: 15 anos de Mandrake

edguy mandrake

(lançado em 27 de novembro de 2001)

A dobradinha Vain Glory Opera e Theater Of Salvation colocou o Edguy em posição de destaque no cenário do Power Metal europeu. A popularidade só aumentou graças ao surgimento do Avantasia, de Tobias Sammet, que mantinha uma pegada próxima, mas se sobressaiu ao reunir diferentes vocalistas, especialmente tirando Michael Kiske da caverna onde se escondia há anos. Ao mesmo tempo, a banda pegou uma fase em que o gênero começava a demonstrar sinais de saturação, com várias atrações que apenas reciclavam o que veio nos primórdios. A partir de Mandrake, o grupo começou a investir numa aproximação de outras vertentes, incluindo o Hard Rock, que praticamente se apropriaria da sonoridade com o passar da discografia. O resultado foi dos mais agradáveis.

Do início ao fim, o tracklist transcorre sem atropelos ou pontos baixos. A abertura traz “Tears Of A Mandrake”, que se tornou uma das preferidas dos fãs. O passado, então recente, ainda é representado por canções como “Golden Dawn”, “Fallen Angels” e “Save Us Now”. O single foi “Painting On The Wall”, embora a escolhida para o videoclipe tenha sido “All The Clowns”. Ainda há espaço para a longa “The Pharaoh” e a balada “Wash Away The Poison”. A repercussão foi tão positiva que o Edguy realizou sua primeira turnê como headliner e acabou despertando atenção da Nuclear Blast, podendo atingir um público maior a partir de seu lançamento seguinte, Hellfire Club. Antes, se despediu da AFM Records com o ao vivo Burning Down The Opera.

Tobias Sammet (vocais, teclados)
Jens Ludwig (guitarra)
Dirk Sauer (guitarra)
Tobias Exxel (baixo)
Felix Bohnke (bateria)

01. Tears Of A Mandrake
02. Golden Dawn
03. Jerusalem
04. All The Clowns
05. Nailed To The Wheel
06. The Pharaoh
07. Wash Away The Poison
08. Fallen Angels
09. Painting On The Wall
10. Save Us Now

edguy mandrake

Resenha: Testament – Brotherhood Of The Snake [2016]

testament brotherhood

Poucas bandas envelheceram com tanta qualidade quanto o Testament. O grupo comandado por Chuck Billy e Eric Peterson soube adaptar seu Thrash Metal aos novos tempos, oferecendo um disco bom atrás do outro. Mesmo assim, houve certa apreensão ao ler as primeiras entrevistas sobre o 11º trabalho de inéditas. O vocalista admitia que o processo não tinha sido dos mais fáceis, tanto pelo fato de seu parceiro ter se isolado na hora de compor como pelo grupo não ter saído da estrada desde o lançamento de Dark Roots Of Earth, que saiu em 2012. Sendo assim, todas as dez faixas que entraram no tracklist final foram assinadas por Peterson – duas delas, em parceria com Alex Skolnick. A tendência de isolamento do músico já havia se mostrado no play anterior e se fortaleceu no atual. Mesmo assim, não dava para julgar baseado na opinião de alguém com um envolvimento emocional tão forte com a obra.

O fato é que The Brotherhood Of The Snake mantém o nível altíssimo, com pancadas certeiras, como a faixa-título, que mistura a pegada dos trabalhos recentes com uma melodia tipicamente oitentista. E sem soar datada, o que é mais importante. “The Pale King” promove algumas variações e vocais narrados, enquanto “Stronghold” mete o pé no acelerador sem menor constrangimento. O tempero inglês nas guitarras de “Seven Seals” se destaca. Uma canção que poderia estar nos primeiros álbuns do grupo. A cadência de “Born In A Rut” prepara terreno para “Centuries Of Suffering”, a mais curta do play, que tem tudo para promover uma correria durante os shows, com mais uma performance impecável de Chuck Billy, alternando registros e mostrando ser dono de uma garganta privilegiada. Para arrematar, ainda há Gene Hoglan encaixando blast beats – algo que aparece bem menos neste disco, em comparação ao anterior.

A seguir, “Black Jack”, pessoalmente, a preferida do tracklist, trazendo Skolnick e Peterson alternando fraseados com maestria e uma pegada percussiva fulminante. O Heavy mais tradicional volta à tona em “Neptune’s Spear”, com um twin guitar attack no solo que deixaria Glenn Tipton e K.K. Downing (Judas Priest) orgulhosos. Chuck discorre sobre seu trabalho paralelo na letra de “Canna-Business” – ele vende vaporizadores para consumidores legais de cânhamo nos Estados Unidos. Encerrando, “The Number Game” reúne todas aquelas características inerentes ao Thrash californiano. Em termos de sonoridade, Brotherhood Of The Snake se mostra menos aventureiro, em comparação a seus antecessores diretos. Mesmo assim, a qualidade segue alta, mantendo o Testament como uma das bandas mais relevantes de sua época nos tempos atuais. Talvez a tensão tenha rendido bons frutos a curto prazo. Mas que fique por isso mesmo.

Nota 9

Chuck Billy (vocais)
Eric Peterson (guitarra)
Alex Skolnick (guitarra)
Steve DiGiorgio (baixo)
Gene Hoglan (bateria)

01. Brotherhood Of The Snake
02. The Pale King
03. Stronghold
04. Seven Seals
05. Born In A Rut
06. Centuries Of Suffering
07. Black Jack
08. Neptune’s Spear
09. Canna-Business
10. The Number Game

testament brotherhood

Resenha: Alter Bridge – The Last Hero [2016]

last hero

Há vários pontos positivos a se destacar em The Last Hero, novo álbum do Alter Bridge. O principal é que a banda procurou não se repetir em termos de sonoridade, o que sempre é bem-vindo. Algumas opiniões dão conta de uma guinada mais comercial nos arranjos, porém, fica difícil fazer a comparação a partir do momento que o grupo nunca foi realmente underground. Talvez, seja possível detectar alguns momentos positivistas, embora isso tenha muito mais a ver com a parte rítmica do que a lírica. O maior exemplo está justamente em faixas como “Show Me A Leader” e “My Champion” (cujo riff lembra muito alguns feitos pelo AC/DC, especialmente nos anos 1990), duas das primeiras liberadas para o público. Porém, nada que vá causar grandes surpresas ou estranhamentos.

Vale destacar, ainda, as melódicas “The Writing On The Wall”, “Cradle To The Grave” e “You Will Be Remembered”. Quem curte o lado mais Heavy, não pode deixar de conferir “Crowns On A Wire”, com riffs da escola Iommica e pegada atual em propulsão. Como o tracklist conta com 13 faixas e ultrapassa uma hora, é inevitável que surjam alguns momentos enfadonhos, como “The Other Side” ou “This Side Of Fate”, que se prolongam além do necessário. De resto, Myles Kennedy e Mark Tremonti continuam formando uma dupla afiada, dividindo claramente as funções entre a guitarra base e solo. O tempo dirá se The Last Hero foi um divisor de águas na carreira do Alter Bridge. Por hora, dá para afirmar que a banda segue sendo uma das mais relevantes da recente geração. Mas podia dar uma editada nas ideias de vez em quando.

Nota 7

Myles Kennedy (vocais, guitarra)
Mark Tremonti (guitarra)
Brian Marshall (baixo)
Scott Phillips (bateria)

01. Show Me A Leader
02. The Writing On The Wall
03. The Other Side
04. My Champion
05. Poison In Your Veins
06. Cradle To The Grave
07. Losing Patience
08. This Side Of Fate
09. You Will Be Remembered
10. Crows On A Wire
11. Twilight
12. Island Of Fools
13. The Last Hero

last hero

AC/DC: 35 anos de For Those About To Rock

for those

(lançado em 23 de novembro de 1981)

O AC/DC alcançou o topo do mundo com Highway To Hell e Back In Black. Entre os dois discos superou uma tragédia que resultou em troca do vocalista. Independente da preferência pessoal entre um ou outro disco e cantor, o fato é que os australianos por adoção não poderiam ter se dado melhor. Obviamente, a parceria com o produtor John “Mutt” Lange não seria interrompida a essa altura dos acontecimentos, embora os irmãos Young já não o aguentassem mais – era um perfeccionista trabalhando com uma das bandas mais espontâneas da história do Rock. Talvez por esse desgaste, For Those About To Rock não se saiu tão bem quanto os antecessores. A fórmula do sucesso ainda está ali e o disco alcançaria o inédito primeiro lugar da parada norte-americana, feito só repetido com Black Ice, quase vinte anos depois. Porém, basta uma simples escutada para se dar conta que ele não encara uma comparação com a dobradinha previamente citada.

O grande sucesso foi a faixa-título, uma referência às palavras finais dos gladiadores romanos ao imperador: Ave Imperator, morituri te salutant. A segunda parte da sentença, traduzida para o inglês, fica “For those about to die, we salute you”. Foi o segundo single lançado, sendo “Let’s Get It Up” o primeiro. As outras canções dividem os fãs. Mesmo sem filmar videoclipes, o AC/DC vendeu mais de 7 milhões de cópias em todo o mundo – 4 só nos Estados Unidos. A turnê foi a última com o baterista Phil Rudd até a metade dos anos 1990. Ele chegou a gravar o álbum seguinte, Flick Of The Switch, mas foi substituído por Simon Wright antes do início da excursão. Outra mudança é que, finalmente, Angus e Malcolm conseguiriam se livrar de Mutt Lange, assumindo controle total das ações. O que não foi exatamente uma coisa boa, como o tempo se encarregaria de mostrar.

Brian Johnson (vocais)
Angus Young (guitarra)
Malcolm Young (guitarra)
Cliff Williams (baixo)
Phil Rudd (bateria)

01. For Those About To Rock (We Salute You)
02. Put The Finger On You
03. Let’s Get It Up
04. Inject The Venom
05. Snowballed
06. Evil Walks
07. C.O.D.
08. Breaking The Rules
09. Night Of The Long Knives
10. Spellbound

for those

Journey: 20 anos de Trial By Fire

trial fire

(lançado em 22 de novembro de 1996)

Após o fim da turnê do álbum Raised On Radio (1986), Steve Perry decidiu seguir outros caminhos, se separando de Neal Schon e Jonathan Cain. Vale lembrar que, à época, o Journey era composto apenas pelo trio, com músicos contratados nas funções de baixista e baterista. A dupla formou o supergrupo Bad English, que alcançou grande sucesso com seu álbum de estreia, feito não repetido com o posterior. O guitarrista também participou do Hardline, com sua temática mais pesada no campo do Hard Rock. A primeira tentativa de reunião aconteceu em 1993, com o vocalista Kevin Chalfant, que cantava no The Storm com Ross Valory, Steve Smith e Gregg Rolie. A formação se apresentou em um show tributo ao empresário Herbie Herbert, realizado em San Francisco. Material para um disco novo começou a ser escrito. Porém, tudo mudou quando Steve Perry decidiu que gostaria de se juntar aos velhos companheiros.

Trial By Fire foi o primeiro trabalho com o lineup que registrou os maiores sucessos do Journey, Escape (1981) e Frontiers (1983). A produção ficou a cargo de Kevin Shirley, primeira vez do Caveman na função com uma banda de ponta – anteriormente, havia sido engenheiro de som. O grande sucesso foi a balada “When You Love A Woman”, que chegou ao 12º lugar do Top 100 da Billboard, além de ser indicada ao Grammy na categoria Best Pop Performance. Outros três singles chegaram ao Top 40 na parada Mainstream Rock: “Message Of Love” (18º), “Can’t Tame The Lion” (33º) e “If He Should Break Your Heart” (38º). Vale citar, ainda, a melódica “Forever In Blue”, o groove de “Castles Burning” – mais longa do play, batendo na casa dos seis minutos – e a bela “Easy To Fall”. Aliás, se músicas mais lentas não fazem seu estilo, ou estiver no fundo do poço por conta da dor-de-cotovelo, passe longe.

Mesmo em uma época difícil para o tipo de Rock que o Journey fazia, Trial By Fire ultrapassou um milhão de cópias vendidas nos Estados Unidos, ganhando disco de ouro. Uma curiosidade para os fãs brasileiros fica por conta da participação do percussionista Paulinho da Costa, conhecido por trabalhos com Eric Clapton, Bob Dylan e Rod Stewart, entre outros. Planos para uma turnê foram abortados após Steve Perry sofrer um sério acidente enquanto passava férias no Hawaii. Seria necessária uma cirurgia de substituição do quadril, que o cantor protelou enquanto pôde. Neal Schon e Jonathan Cain cansaram de esperar e recrutaram Steve Augeri (Tyketto, Tall Stories) para o posto de frontman. Steve Smith decidiu abandonar a banda, por não sentir interesse na banda sem seu vocalista. Ele retornaria em anos recentes. Já Perry, os fãs esperam até hoje, em uma sina que parece destinada a ser inglória.

Steve Perry (vocais)
Neal Schon (guitarra)
Ross Valory (baixo)
Jonathan Cain (teclados)
Steve Smith (bateria)

01. Message Of Love
02. One More
03. When You Love A Woman
04. If He Should Break Your Heart
05. Forever In Blue
06. Castle Burning
07. Don’t Be Down On Me Baby
08. Still She Cries
09. Colors Of The Spirit
10. When I Think Of You
11. Easy To Fall
12. Can’t Tame The Lion
13. It’s Just The Rain
14. Trial By Fire

trial fire

Resenha: Sodom – Decision Day [2016]

decision day

Os anos passam e o Sodom segue fiel à sua proposta Thrash Metal. Do trio de ferro germânico, completado por Destruction e Kreator, os comandados de Tom Angelripper foram os que menos se distanciaram da proposta inicial. A temática de Decision Day é baseada no Dia D, quando em junho de 1944, as tropas das Forças Aliadas Ocidentais desembarcaram na Normandia para libertar a Europa Continental dos domínios da Alemanha Nazista. Nada de tão diferente do que foi abordado em outros álbuns, desde quando o frontman decidiu que estava velho demais para cantar sobre demônios embaixo da cama. O que podemos perceber de melhora em seu 15º full-length de inéditas está na ilustração de capa, uma das melhores de toda a discografia da banda, criação do conceituado Joe Petagno (Motörhead, Led Zeppelin, Pink Floyd, Nazareth, The Sweet).

Sem desvirtuar do que lhe tornou conhecida, a banda se permite momentos como o interlúdio acústico de “Rolling Thunder” e algumas passagens mais melódicas que o habitual – tendo como parâmetro melodias do gênero que praticam, é claro, não enveredaram para o Power Metal. Mas o bicho pega para valer na maior parte do tempo. Destaque para a sequência de pancadas “Caligula”, “Who Is God?” e “Strange Lost World” – onde Markus “Makka” Freiwald, membro mais recente, estraçalha seu kit percussivo – além de “Belligerence”, com referências próximas ao Black Metal. Não é o melhor disco do Sodom, mas cumpre seu papel com méritos inquestionáveis. Não à toa, chegou ao sétimo lugar da parada alemã, melhor desempenho do grupo em charts até hoje.

Nota 8

Tom Angelripper (vocais, baixo)
Bernd “Bernemann” Kost (guitarra)
Markus “Makka” Freiwald (bateria)

01. In Retribution
02. Rolling Thunder
03. Decision Day
04. Caligula
05. Who Is God?
06. Strange Lost World
07. Vaginal Born Evil
08. Belligerence
09. Blood Lions
10. Sacred Warpath
11. Refused To Die

decision day

Resenha: Bon Jovi – This House Is Not For Sale [2016]

this house

Algo que me espanta até hoje é a esperança que alguns (poucos, é verdade) fãs do Bon Jovi nutrem de que, um dia, a banda voltará a fazer um disco como Slippery When Wet ou New Jersey. É uma fé cega e absurda, sem qualquer fundamento. É como quem vai responsabilizar a saída de Richie Sambora pela sonoridade totalmente Pop de This House Is Not For Sale, como se os discos recentes com o guitarrista já não fossem tão melosos e chorosos quanto esse. Mesmo assim, o grupo liderado por Jon possui torcedores, daqueles que mesmo se o time estiver caindo para a quarta divisão, estarão na arquibancada, apoiando independente das circunstâncias. A esses, resta assimilar a realidade como ela é e seguir em frente. Tendo isso em mente, podemos afirmar que o novo álbum se mostra bem mais focado e coeso que o anterior. E não dá para deixar de pensar que a efetivação de Phil X e a ação de dar maior destaque a Hugh McDonald tenha contribuído para isso.

Não que o play seja um clássico, algo inquestionável. Muito pelo contrário, é sonolento em alguns momentos. Porém, se mostra bem direcionado, com músicas que vão agradar quem já aceitou a ideia de que o Bon Jovi não é uma banda de Hard Rock – aliás, qual o motivo de alguns ainda incluírem o grupo neste segmento? Há bons momentos no tracklist, como a faixa-título, cuja melodia gruda na cabeça desde a primeira escutada, a agitada “Born Again Tomorrow” ou “The Devil’s On This Temple”, que faz o novo titular das seis cordas se sobressair. Entre as baladas, o destaque vai para “Scars On This Guitar”, emotiva na medida certa, com a melhor interpretação do dono da bola em todo o disco. Os torcedores continuarão empunhando a bandeira e entoando as canções como verdadeiros gritos de guerra. E isso basta, tanto para os fãs quanto para Jon. Tanto que This House Is Not For Sale emplacou o primeiro lugar no Top 200 da Billboard.

Nota 5

Jon Bon Jovi (vocais, guitarra)
David Bryan (teclados)
Tico Torres (bateria)
Phil X (guitarra)
Hugh McDonald (baixo)

01. This House Is Not For Sale
02. Living With The Ghost
03. Knockout
04. Labor Of Love
05. Born Again Tomorrow
06. Roller Coaster
07. New Year’s Day
08. The Devil’s On This Temple
09. Scars On This Guitar
10. God Bless This Mess
11. Reunion
12. Come On Up To Our House

this house

Resenha: Metallica – Hardwired… To Self-Destruct [2016]

hardwired

Ter se tornado uma das maiores bandas de todos os tempos faz o Metallica ver seus discos se transformarem em vítimas de reações extremas. Há os que amarão incondicionalmente e justificarão qualquer estranhamento com a audácia do grupo. Ao mesmo tempo, há aqueles que detestarão tudo que vier do quarteto antes mesmo de ouvir. Por conta disso, é necessário se despir de pré-conceitos ao dar o play em Hardwired… To Self-Destruct – o que quase nenhum fã fará, tenho certeza. Também é importante nos atentarmos ao fato de o álbum ter suas composições centradas na dupla James Hetfield e Lars Ulrich. Robert Trujillo colabora em apenas uma faixa, enquanto Kirk Hammett foi escanteado, apesar de ter ideias. Foi a primeira vez que isto aconteceu desde Kill ‘Em All. O próprio guitarrista não se furtou de expressar descontentamento com a situação em recentes entrevistas.

A faixa-título abre o tracklist com andamento acelerado e palhetadas certeiras, daquelas que consagraram o frontman. Agressiva, curta e direta ao ponto em sua forma sonora e lírica, tem tudo para agradar a maioria. A pegada Heavy segue na linha de frente em “Atlas, Rise!”, onde o sempre criticado Lars Ulrich mostra que, apesar de não possuir a mesma técnica de seus companheiros de geração, consegue conduzir e alternar o ritmo com criatividade. Em “Now That We’re Dead”, há espaço para uma analogia interessante. O início lembra “Tears Are Falling”, do KISS. Quando a canção se desenvolve, acaba parecendo muito com algo que Dave Mustaine teria feito com o Megadeth nos álbuns da metade dos anos 1990, especialmente Youthanasia e Cryptic Writings. Talvez, se tivesse dado uma enxugada na duração, soasse até melhor. Mesmo assim, um momento agradável.

A seguir, é a vez de “Moth Into Flame”, a segunda apresentada ao público – considerando que “Lords Of Summer” só sai nas edições especiais. Um belo Hard/Heavy, com guitarras sincronizadas e bem encaixadas, letra e melodias marcantes, com aquela impressão digital difícil de explicar, característica das bandas que fazem a diferença. Não dá para desassociar “Dream No More” de “Sad But True”. Desde a primeira escutada, fica muito evidente a inspiração – ou a falta dela, no caso. Já “Halo On Fire” é uma semi-balada com sonoridade vintage, lembrando até algumas bandas mais recentes que buscam sonoridade setentista. Não à toa, o próprio Metallica já declarou gostar de algumas delas. “Confusion” abre o segundo CD mostrando a capacidade do grupo em misturar peso e melodias cativantes. Há certo acento dark em sua estrutura que se sobressai, assim como a interpretação de James.

Em “ManUNkind”, segue o namoro com o “vintage moderno”. A aura setentista se choca com propostas atualizadas e o Black Sabbath ficará orgulhoso com a levada. Aliás, ela é a citada como única em que Trujillo colaborou na criação. O clima sorumbático de “Sweet Revenge” remete aos discos mais recentes. Novamente, Hetfield se impõe. “Am I Savage?” acaba se tornando um momento menor, embora os timbres de cordas estejam excelentes, na linha Load/Reload. Mas a canção não empolga, sendo o momento mais fraco do play. A tão falada homenagem a Lemmy, “Murder One” não é algo que se poderia esperar do Motörhead em termos sonoros. Mas a letra é muito legal, fazendo várias analogias com a história do grupo, o que a faz valer a pena. Fechando os trabalhos, “Spit Out The Bone”, que vem sendo muito comentada por sua levada thrasheira anos 1980. Momento ímpar, agradando conservadores e saudosos de uma época que não viveram.

Como dito no primeiro parágrafo, tudo que o Metallica oferece gera reações extremas e passionais, seja para o bem ou mal. E muitas vezes não deveria, como aqui, por exemplo. Hardwired… To Self-Destruct não é o que de melhor a banda já fez. Porém, tampouco é desprezível, resultando em um bom disco, com algumas faixas memoráveis e de acordo com o que o grupo sempre fez, no sentido de se manter em reformulação constante. O melhor desde o Black Album? Questão um tanto quanto subjetiva e difícil de responder. Mas, sem dúvidas, o mais focado. Algumas editadas ou variações mais contundentes e teria ficado ainda mais agradável. O fato é que mudar, buscar novas sonoridades e não viver se repetindo é o que faz a coisa toda seguir interessante para quem participa do processo. Seja no Metallica ou qualquer outra banda com mais de 30 anos de carreira.

Nota 8

James Hetfield (vocais, guitarra)
Kirk Hammett (guitarra)
Robert Trujillo (baixo)
Lars Ulrich (bateria)

CD 1

01. Hardwired
02. Atlas, Rise!
03. Now That We’re Dead
04. Moth Into Flame
05. Dream No More
06. Halo On Fire

CD 2

01. Confusion
02. ManUNkind
03. Here Comes Revenge
04. Am I Savage?
05. Murder One
06. Spit Out The Bone

hardwired

KISS: 35 anos de (Music From) The Elder

elder

(lançado em 16 de novembro de 1981)

A sonoridade Pop dos álbuns Dynasty e Unmasked não apenas fizeram com que o KISS perdesse parte dos fãs de seus primeiros anos, como também não conseguiu reverter a opinião da mídia especializada. Para os jornalistas da época, a banda não passava de um bando de palhaços maquiados, que faziam um Rock derivativo e genérico. Embora o tempo tenha se encarregado de mostrar o contrário, alguns mantém essa ideia até hoje, o que explica a injusta demora no reconhecimento por parte do Rock And Roll Hall Of Fame, que conta com vários dos “entendidos” de outrora. Em 1981, a banda decidiu que era hora de tentar agradar os críticos, o que os próprios consideram o maior erro da carreira. Para isso, abandonaram o projeto de fazer um disco voltado para o Heavy – que seria concluído no ano seguinte – e decidiram apostar no Progressivo, em uma obra conceitual. No comando da produção, Bob Ezrin, com quem haviam feito o fenomenal Destroyer, cinco anos antes. Lou Reed também comparece, dando uma força nas composições.

Contando a história de um menino escolhido para lutar contra as forças do mal, (Music From) The Elder causou estranhamento nos fãs. O que é compreensível. Hoje é considerado cult, afinal, o tempo passou e ficou mais fácil assimilá-lo. Porém, imagine o choque para quem estava acostumado com o que a banda oferecia até então e se depara com um épico totalmente oposto ao que ela representava. O pior de tudo é que a história fica totalmente sem pé nem cabeça quando o ouvinte tenta encaixá-la em algum contexto. Algumas ideias ainda obtiveram resultados efetivos, como “I”, “The Oath” e “A World Without Heroes”, que ganhou videoclipe com direito a Gene Simmons chorando no final. Aliás, importante ressaltar que o KISS deu uma grande repaginada no visual, com direito a cabelos cortados e roupas menos extravagantes. Ainda dá para destacar as belas interpretações de Paul Stanley nas baladas “Just A Boy” e “Odyssey”, composição do músico e ator Tony Powers, que só a gravaria um ano mais tarde.

Esse é o tracklist da versão posterior. Na descrição, ali embaixo, mantivemos o original, que é o homenageado (e fica bem melhor distribuído).

Mesmo com todo o esforço, (Music From) The Elder só serviu para cavar ainda mais fundo no poço em que o KISS havia se metido àquela altura. O álbum chegou a um discreto 75º lugar na parada da Billboard. Durante muito tempo, foi o único lançamento do grupo a não ganhar disco de ouro. A turnê, que prometia um espetáculo teatral (tão ou mais confuso que a obra), acabou sendo cancelada. Algumas ações promocionais chegaram a ser feitas, incluindo playbacks onde Ace Frehley, já com um pé fora, sequer fez questão de aparecer. Percebendo a encrenca em que haviam se metido, Paul Stanley e Gene Simmons resolveram resgatar o projeto anteriormente abortado de colocar a banda de cabeça em uma sonoridade mais pesada. Apesar de pouco animadores, os resultados foram bem melhores que os obtidos aqui – além de restabelecer a credibilidade junto aos adeptos.

Paul Stanley (vocais, guitarra)
Gene Simmons (vocais, baixo)
Ace Frehley (guitarra, vocais)
Eric Carr (bateria)

01. The Oath
02. Fanfare
03. Just A Boy
04. Dark Light
05. Only You
06. Under The Rose
07. A World Without Heroes
08. Mr. Blackwell
09. Escape From The Island
10. Odyssey
11. I

elder

Thin Lizzy: 35 anos de Renegade

renegade

(lançado em 15 de novembro de 1981)

No início de 1981, Phil Lynott era um homem de dois projetos – além de consumo desenfreado de narcóticos, o que custaria um preço caríssimo em poucos anos. Além de preparar o novo álbum do Thin Lizzy, estava envolvido em seu segundo disco solo, que contaria com participações dos membros da banda e colegas do passado. O grupo lançou o single “Trouble Boys” para testar o mercado. A música seria carro-chefe do próximo trabalho. Porém, fracassou de forma retumbante, chegando ao número 53 da parada britânica, pior desempenho de uma canção do conjunto desde 1975. A repercussão foi tão ruim que optaram por deixá-la de fora do play. Uma novidade na formação foi a efetivação do tecladista Darren Wharton. Mesmo assim, ele não apareceu nas fotos promocionais, algo com que o próprio confessou ter ficado decepcionado.

Com produção de Chris Tsangarides, que começava a fazer seu nome na cena, Renegade não obteve grande repercussão, alcançando um discreto 36º lugar no Reino Unido, além do constrangedor 157º posto nos Estados Unidos. Algumas músicas conseguiram destaque, como “Angel Of Death”, misturando peso com teclados climáticos e a marcante “Hollywood (Down On Your Luck)”, única a ser usada no formato promocional, se tornando um hit menor. É possível destacar, ainda, sons como “The Pressure Will Blow” e “Leave This Town”. Pouco para uma expectativa de reação que só viria no álbum seguinte, o metálico e derradeiro Thunder And Lightning, com John Sykes assumindo o posto de Snowy White. No fim das contas, ele seria apenas o gol do Oscar na história do Thin Lizzy.

Phil Lynott (vocais, baixo)
Scott Gorham (guitarra)
Snowy White (guitarra)
Brian Downey (bateria)
Darren Wharton (teclados)

01. Angel Of Death
02. Renegade
03. The Pressure Will Blow
04. Leave This Town
05. Hollywood (Down On Your Luck)
06. No One Told Him
07. Fats
08. Mexican Blood
09. It’s Getting Dangerous

renegade

Resenha: Pretty Maids – Kingmaker [2016]

kingmaker

É difícil o Pretty Maids fazer um álbum realmente ruim. Lógico que alguns trabalhos ficam abaixo de outros. Porém, ruim mesmo, sem qualquer qualidade, acredito nunca ter acontecido em sua história que ultrapassa três décadas. A mistura de Heavy Metal, Hard Rock e AOR dos dinamarqueses é eficiente sempre que exigida. Há discos que são realmente melhores, como Future World, Spooked ou Pandemonium, assim como escorregadas, especialmente em Planet Panic. Kingmaker não chega ao ponto de indiscutível, mas possui valor inegável no que se propõe. As gravações ocorreram em meio a mais uma mudança na formação, após a saída do tecladista Morten Sandager. Kim Olesen (Anubis Gate) assumiu a função para o registro, com Chris Laney se tornando membro efetivo logo após o lançamento.

A abertura, com “When God Took A Day Off” traz a típica combinação que caracterizou o grupo, com Ronnie Atkins mostrando que ainda possui a capacidade que muitos colegas de geração perderam na interpretação. Vale ainda citar a pesada faixa-título, “King Of The Right Here And Now” e “Civilized Monsters”. O lado mais melódico se manifesta em “Face The World”, a grudenta “Bull’s Eye” e na balada “Last Beauty On Earth” – área em que a banda sempre se deu bem, escrevendo temas memoráveis. Muitos trabalhos mais badalados farão com que Kingmaker seja esquecido nas prateleiras. Porém, mais uma vez, o Pretty Maids se mostra digno de todos os elogios. Quem já conhece, não irá se decepcionar.

Nota 8,5

Ronnie Atkins (vocais)
Ken Hammer (guitarra)
Rene Shades (baixo)
Allan Tschicaja (bateria)

Convidado especial

Kim Olesen (teclados)

01. When God Took A Day Off
02. Kingmaker
03. Face The World
04. Humanize Me
05. Last Beauty On Earth
06. Bull’s Eye
07. King Of The Right Here And Now
08. Heavens Little Devil
09. Civilized Monsters
10. Sickening
11. Was That What You Wanted

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