Rolling Stones: 50 anos de Between The Buttons

rolling buttons

(lançado em 20 de janeiro de 1967)

É sempre um problema resenhar algum disco dos Beatles e dos Rolling Stones lançados na época em questão. Como todos devem saber, as versões inglesas eram diferentes das norte-americanas. Porém, em critério estabelecido desde o começo do site, vamos sempre optar pela terra natal das bandas. Então, falemos de Between The Buttons em sua edição britânica, onde foi o quinto full-length (sétimo atravessando o continente) e omitiu os clássicos “Ruby Tuesday” e “Let’s Spend The Night Together”. As canções foram lançadas em um single no formato de duplo lado A, já que seria difícil relegar alguma a um b-side. As músicas atingiram o número 1 nos Estados Unidos e 2 na Grã-Bretanha. Estiveram presentes no disco yankee, que omitiu “Back Street Girl” – para desagrado de Mick Jagger, que a tinha como preferida do play – e “Please Go Home”.

Em termos de sonoridade, o grupo colocava um pezinho no lado mais psicodélico do Rock, mostrando grande evolução em apenas três anos de estúdio. Brian Jones mostrava toda sua versatilidade, experimentando diferentes instrumentos e arranjos fora do convencional. Vale citar, ainda, “Connection”, com Keith Richards dividindo vozes com Mick e a balada “She Smiled Sweetly”, justificando o título que lhe foi empregado. Between The Buttons foi segundo colocado no Billboard 200 e terceiro na Inglaterra. O primeiro grande auge estava consolidado. O problema é que, com ele, viriam os primeiros grandes problemas aos olhos populares, devido ao uso de entorpecentes e as questões legais em que o cenário implicaria. Reflexo ou não, a coisa ficaria ainda mais “doida” no disco seguinte.

Mick Jagger (vocais, percussão)
Keith Richards (guitarra, vocais)
Brian Jones (guitarra, piano, percussão, saxofone)
Bill Wyman (baixo)
Charlie Watts (bateria)

Participações

Ian Stewart (piano)
Jack Nitzche (piano, órgão)
Nick DeCaro (acordeão)

01. Yesterday’s Papers
02. My Obsession
03. Back Street Girl
04. Connection
05. She SMiled Sweetly
06. Cool, Calm & Collected
07. All Sold Out
08. Please Go Home
09. Who’s Been Sleeping Here
10. Complicated
11. Miss Amanda Jones
12. Something Happened To Me Yesterday

rolling buttons

Reviews Rápidos

Alguns materiais que recebemos nas últimas semanas.

exodus giraffe

Exodus – Bonded By Blood [1985], Pleasures Of The Flash [1987] e Fabulous Disaster [1989]

(relançamento nacional Hellion Records)

Desnecessário lembrar que o Exodus é uma das formações mais importantes da história do Thrash Metal. Porém, sempre importante exaltar o trabalho superior que a banda ofereceu. Seus três primeiros álbuns são essenciais para quem deseja entender o estilo, especialmente o debut, Bonded By Blood, e o terceiro, Fabulous Disaster – com o saudoso Paul Baloff e Steve “Zetro” Souza nos vocais, respectivamente. Em Pleasures Of The Flesh, o nível cai um pouco, embora ainda apresente alguns momentos memoráveis. Todos os discos foram acrescidos de faixas-bônus ao vivo, duas no debut e quatro em cada um dos seguintes. Os encartes foram retrabalhados e contam com imagens imperdíveis, especialmente o de Bonded…, um verdadeiro deleite para os saudosistas. Valem cada centavo investido, especialmente por conta da verdadeira máquina de riffs, aqui conduzida por Gary Holt e Rick Hunolt.

Notas 9/7/10

exodus giraffe

Stormwitch – Walpurgis Night [1984]

(relançamento nacional Hellion Records)

Apesar de não ser muito conhecida fora do meio underground metálico, esta banda alemã possui credenciais de sobra, tendo servido de influência para toda uma geração posterior. Sua primeira existência aconteceu entre 1979 e 1994, retornando em 2002 e permanecendo na ativa até os dias atuais. Walpurgis Night é o primeiro full-length da carreira do quinteto. A gravação foi feita completamente no formato ao vivo, com todos tocando ao mesmo tempo, sem retoques posteriores. Além das nove faixas originais, a reedição oferece outras quatro ao vivo – incluindo a inédita “Light The Pyre”. Oportunidade para conferir sons como “Priest Of Evil”, “Werewolves On The Hunt” e “Warlord”. Destaque para o encarte, com textos muito bem trabalhados e fotos da época. Indicado a quem curte o lado mais ingênuo do Heavy oitentista e não se importa com clichês.

Nota 6,5

exodus giraffe

Giraffe Tongue Orchestra – Broken Lines [2016]

(lançamento nacional Hellion Records)

A esta altura, muitos já estão familiarizados com este projeto, que reúne William DuVall (Alice In Chains), Brent Hinds (Mastodon) e Ben Weinman (Dillinger Escape Plan) em sua linha de frente. Como era de esperar, considerando o background dos envolvidos, há Heavy, Hard, Prog, Pop, até mesmo influências extremas nesse grande caldeirão. Portanto, ele pode não ser lá muito fácil para ouvidos não acostumados. Porém, o mais legal é que tudo faz sentido quando escutado. Destaques para a abertura, com “Adapt Or Die”, o clima caótico de “No-One Is Innocent” e as quebradas em “Back To The Light”, com participação de Juliette Lewis. Imperdível para quem curte os trabalhos dos protagonistas. Você pode até não gostar de tudo, mas vai achar algo de seu agrado em vários momentos do tracklist.

Nota 8

Resenha: Grave Digger – Healed By Metal [2017]

digger healed

Um mérito que não se pode tirar do Grave Digger é a capacidade de soar extremamente linear a cada novo lançamento. A banda dificilmente fará um álbum ruim. O problema é que, quando não oferece algo especial, também não consegue escapar do marasmo, da acomodação em uma fórmula simples e direta. A grande novidade de Healed By Metal é o tecladista Marcus Kniep, substituindo o longevo H.P. Katzenburg. De resto, temos o Power Metal oitentista com toques épicos que transformou os comandados de Chris Boltendahl em referência no cenário. Os músicos são do ramo e o guitarrista Axel Ritt oferece sua melhor performance desde que passou a fazer parte do lineup. Portanto, quem é fã de carteirinha não precisa ter medo ao conferir.

A faixa-título traz uma saudável influência do Rock de arena, com seu refrão simples e melodia daquelas que a gente decora na primeira escutada. Outros destaques vão para o truezismo caricato, porém eficiente de “When The Night Falls”, a apoteótica “Call For War” e os belos riffs e solos de “Kill Ritual”. Em vários momentos temos a sensação de déjà-vu. De qualquer modo, sabemos ser isso que boa parte dos ouvintes querem ao escutar um disco de uma banda do gênero. Ao menos ninguém pode negar que o Grave Digger tem personalidade, ao contrário de outros colegas de cena. Healed By Metal não é o que de melhor os alemães fizeram, assim como está longe de ser o pior. Recomendado para os fanáticos.

Nota 6,5

Chris Boltendahl (vocais)
Axel Ritt (guitarra)
Jens Becker (baixo)
Stefan Arnold (bateria)
Marcus Kniep (teclados)

01. Healed By Metal
02. When Night Falls
03. Lawbreaker
04. Forever Free
05. Call For War
06. Ten Commandments Of Metal
07. The Hangman’s Eye
08. Kill Ritual
09. Hallelujah
10. Laughing With The Dead

digger healed

Blaze: 15 anos de Tenth Dimension

blaze tenth

(lançado em 15 de janeiro de 2002)

Blaze Bayley estava condenado desde o início de sua carreira solo, fosse como fosse. O álbum Silicon Messiah, apesar de excelente, foi quase que completamente ignorado por parte do público, que o culpou pelo fracasso do Iron Maiden na segunda metade dos anos 1990, mesmo Steve Harris sendo o dono da empreitada e os tempos não sendo nada favorável para o estilo praticado pela banda. Mesmo assim, sua qualidade foi reconhecida o suficiente para ganhar o direito a uma continuação. A ideia do dono da banda – e sim, nos primeiros discos existia Blaze, a banda – era criar algo conceitual. Tenth Dimension acabou o sendo, porém, apenas em partes. Algumas ideias seriam aplicadas posteriormente em trabalhos do vocalista, como o mais recente (à época em que esse texto foi escrito), Infinite Entanglement.

A sonoridade é Heavy Metal na melhor tradição britânica. Sons como “Kill And Destroy”, a faixa-título e “Speed Of Light” passaram a figurar entre as preferidas dos fãs e aparecem até hoje nos setlists de shows. Outros destaques vão para “Leap Of Faith” e “Meant To Be”. Nos bastidores os choques de ideias entre Blaze e os músicos já começavam. Tanto que, após a turnê, que resultou no álbum ao vivo As Live As It Gets, o baixista Rob Naylor e o baterista Jeff Singer acabariam deixando o grupo. Era o começo de uma crise que acabaria implodindo o trabalho na sequência. Mesmo assim, vale exaltar os registros deixados pelo quinteto. Se não fizeram sucesso, entregaram música muito acima da média.

Blaze Bayley (vocais)
Steve Wray (guitarra)
John Slater (guitarra)
Rob Naylor (baixo)
Jeff Singer (bateria)

01. Forgotten Future
02. Kill and Destroy
03. End Dream
04. The Tenth Dimension
05. Nothing Will Stop Me
06. Leap of Faith
07. The Truth Revealed
08. Meant to Be
09. Land of the Blind
10. Stealing Time
11. Speed of Light
12. Stranger to the Light

blaze tenth

Resenha: Confectors – Vol. 01 EP [2017]

confectors

A ideia do Confectors é prestar uma homenagem à cena do Triângulo Mineiro e bandas que já não existem mais. Para tal, membros do Seu Juvenal, Uganga e John No Arms, entre outras formações de respeito, registraram um EP de quatro faixas. Com a seleção de envolvidos, não dava para esperar outra coisa, senão, um trabalho de qualidade. O clima é de descontração, porém, sem amadorismo.

O grande destaque vai para “Deus É Neguinha”, do D.O.T., que conta com uma letra ainda atual e relevante. O resultado é um documento que serve para os saudosistas relembrarem e quem não é familiarizado com os homenageados se interessarem pelas versões originais. Aliás, fica aqui a recomendação para todos que ainda não conhecem as bandas originais – embora seja um trabalho quase arqueológico encontrar algo deles na net. Mais detalhes no Facebook e o download/streaming no site oficial do projeto.

Guilherme Diamantino (DCV, proprietário do selo Sapólio Rádio): Vocal
Manu (Uganga, Angel Butcher): Vocal
Renato BT (John No Arms): Vocal
Edson Zacca (Seu Juvenal, Galanga): Guitarra e vocal
Maurício Romeu (Pedal Maniacs, ex- Uganga): Guitarra
Alexandre Tito (Seu Juvenal, Angel Butcher): Baixo
Renato Zaca (Seu Juvenal, Galanga): Bateria

01. Juventude É Na Cabeça (Sapólio Rádio)
02. Deus É Neguinha (D.O.T.)
03. Dia Do Salvador (A.I.P.)
04. School Is One A Hell (Kretinus)

confectors

Resenha: Sepultura – Machine Messiah [2017]

sepultura messiah

O Sepultura é mais uma daquelas bandas que, faça o que fizer, será escorraçada por fãs “das antigas” na base do “não ouvi e não gostei”. Porém, há de se convir que o grupo lançou discos que, se não chegam ao nível de seus grandes clássicos, são extremamente consistentes – especialmente os dois mais recentes, Kairos e The Mediator Between Head And Hands Must Be The Heart. Em sua nova empreitada, o quarteto resolveu trabalhar com o produtor sueco Jens Bogren, um dos nomes mais conceituados na geração metálica das últimas décadas. Ao ouvirmos as primeiras amostras, ficou claro que a ideia foi experimentar. Só não se tinha noção do quanto até ouvir a obra completa. O resultado pode ser conferido em Machine Messiah, cuja temática lírica reflete sobre o atual comando das máquinas sobre o ser humano.

A faixa-título abre o play com guitarras e vocais limpos na introdução, evidenciando um lado melódico e melancólico poucas vezes explorado anteriormente. Momento de grande competência, que irá assustar os conservadores ainda mais que o normal. A situação volta ao habitual em “I Am The Enemy”, com seus dois minutos e meio de pura agressividade. O trabalho percussivo de “Phantom Self”, aliado a um arranjo de cordas que remete a temas do Oriente Médio, ajudam a tornar a música mais interessante do que sua estrutura básica sugere. “Alethea” se destaca pelos ritmos quebrados e a performance de Derrick Green, em uma daquelas criações que só um entrosamento acima da média permite. Já a instrumental “Iceberg Dances” traz a anteriormente noticiada busca por influências na música nordestina. Pela propaganda alardeada, esperava mais. Momento interessante, mas nada de muito destaque.

Mais longa do tracklist, ultrapassando seis minutos, “Sworn Oath” imprime dramaticidade, sendo o que de mais próximo o Sepultura chegou de uma trilha de cinema em sua carreira, com a força dos arranjos oequestrados. “Resistant Parasites” é mais direta, com Eloy Casagrande impondo sua pegada com maestria. Algo mais familiar surge em “Silent Violence”, que poderia ter entrado em outro dos plays recentes. Andreas Kisser se vale de dobras de guitarras que ficaram muito interessantes. Da mesma forma, “Vandals Nest” convida o ouvinte a bater cabeça e acompanhar o riff com sua air guitar. Novamente, Derrick se vale de vocais limpos, que se encaixaram perfeitamente. Para encerrar, “Cyber God” serve como fechamento de um ciclo, se valendo de algumas características usadas lá no início do álbum.

O Sepultura correu risco calculado em Machine Messiah e soube explorar o que Jens Bogren tinha a oferecer. Deve ser exaltado pela coragem de buscar diferentes influências, algo que uma carreira sólida permite. É difícil imaginar boa parte do conteúdo aqui presente sendo executado ao vivo – embora confesse ter ficado curioso por saber como seria sua execução na íntegra em um evento especial, ao lado de uma orquestra. Porém, vale citar que, a essa altura, com um catálogo tão forte, a banda pode experimentar sem pensar muito nessa situação. Pessoalmente, o considero um pouco abaixo de seus dois antecessores diretos. Porém, ainda assim, um trabalho que merece várias ouvidas atentas, para que possa ser compreendido e absorvido de maneira mais exata.

Nota 8

Derrick Green (vocais)
Andreas Kisser (guitarra)
Paulo Júnior (baixo)
Eloy Casagrande (bateria)

01. Machine Messiah
02. I Am The Enemy
03. Phantom Self
04. Alethea
05. Iceberg Dances
06. Sworn Oath
07. Resistant Parasites
08. Silent Violence
09. Vandals Nest
10. Cyber God

sepultura messiah

Deep Purple: 30 anos de The House Of Blue Light

purple house

(lançado em 12 de janeiro de 1987)

Após o exitoso retorno com Perfect Strangers, o Deep Purple estava experimentando um momento de grande popularidade. A turnê promovendo o disco foi uma das mais bem-sucedidas de 1985. Nos Estados Unidos, apenas Bruce Springsteen faturou mais em vendas de ingressos. Porém, nem toda a repercussão foi capaz de fazer com que os mesmos problemas de uma década antes deixassem de aparecer. Aliás, talvez eles tenham sido mais um combustível nessa eterna fogueira que cerca a banda, especialmente quando os gênios de Ian Gillan e Ritchie Blackmore se chocam. Como era esperado, a tensão se refletiu no álbum seguinte, um passo em falso em comparação ao antecessor, embora não de todo desprezível. Como o próprio vocalista já citou, The House Of Blue Light não foi o esforço de uma banda, mas cinco músicos indo cada qual para um lado diferente.

De cara, fica óbvia a tentativa de soar mais moderno e comercial. “Call Of The Wild”, um dos singles, soa como o Genesis em sua fase mais acessível – que acontecia justamente à época. O outro foi para a faixa de abertura, “Bad Attitude”, que remete ao que Blackmore vinha fazendo com o Rainbow poucos anos antes. Dá para destacar o groove de “Black & White”. Vale citar que, na versão original em CD, várias músicas eram mais longas que nas edições LP e K-7. The House Of Blue Light chegou ao 34º posto do Top 200 da Billboard. Apesar de uma largada aceitável, despencou rapidamente, sequer se credenciando a ganhar disco de ouro. Após a turnê, que rendeu o ao vivo Nobody’s Perfect, Ian Gillan foi convidado a se retirar, devido aos já citados atritos. Era o começo do fundo do poço, tanto musicalmente como em termos de relacionamentos. Sim, dava para piorar o que já era horrível.

Ian Gillan (vocais)
Ritchie Blackmore (guitarra)
Roger Glover (baixo)
Jon Lord (teclados)
Ian Paice (bateria)

01. Bad Attitude
02. The Unwritten Law
03. Call Of The Wild
04. Mad Dog
05. Black & White
06. Hard Lovin’ Woman
07. The Spanish Archer
08. Strangeways
09. Mitzi Dupree
10. Dead Or Alive

purple house

The Ramones: 40 anos de Leave Home

ramones leave

(lançado em 10 de janeiro de 1977)

Com apenas um disco, o Ramones escreveu seu nome na história do Rock, gostem os detratores ou não. Sim, a banda nunca fez o mesmo sucesso de alguns dos seus pares. Não é algo longe da verdade dizer que eles acabaram angariando maior respeito do público em geral após seu fim – ainda mais depois que toda a formação original se reuniu do outro lado da vida. Porém, se tornou reconhecida de forma irrevogável junto a todas as gerações posteriores. Não foram poucos que viveram suas primeiras experiências em algum instrumento guiados pelo minimalismo do quarteto. Mesmo com maior liberdade e orçamento, o quarteto decidiu não fugir da fórmula em seu segundo álbum. Quem foi atrás de Leave Home esperando ouvir algum tipo de evolução sonora, quebrou a cara. Porém, a diversão e a capacidade de fazer mais com menos estavam intactas. Em 31 minutos, Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy se reafirmaram e prosseguiram a saga de resgatar o que havia de mais básico e eficiente no estilo.

O tracklist teve mudanças graças à exclusão de “Carbona Not Glue”, para evitar problemas com direitos sobre a marca de removedor de manchas. Na Inglaterra, ela foi substituída por “Babysitter”, enquanto “Sheena Is A Punk Rocker” assumiu o lugar no tracklist americano – ela voltaria a aparecer no disco seguinte, Rocket To Russia. Os grandes sucessos ficaram por conta de “Gimme Gimme Shock Treatment”, “Oh Oh I Love Her So”, “Suzy Is a Headbanger”, “Commando”, “You’re Gonna Kill That Girl” e “Pinhead”, que eternizou o coro “Gabba, Gabba, Hey!”, que virou um eterno clichê, como várias coisas divertidas do mundo roqueiro. O cover da vez foi para “California Sun”, de Joe Jones. Apesar de um discreto número 148 na parada da Billboard, Leave Home manteve a roda ramônica girando e mostrando que não há substituto para um riff bem encaixado e uma melodia chiclete.

Joey Ramone (vocais)
Johnny Ramone (guitarra)
Dee Dee Ramone (baixo)
Tommy Ramone (bateria)

01. Glad To See You Go
02. Gimme Gimme Shock Treatment
03. I Remember You
04. Oh, Oh, I Love Her So
05. Carbona Not Glue
06. Suzy Is A Headbanger
07. Pinhead
08. Now I Wanna Be A Good Boy
09. Swallow My Pride
10. What’s Your Game
11. California Sun
12. Commando
13. You’re Gonna Kill That Girl
14. You Should Never Have Opened That Door

ramones leave

Reviews rápidos

Alguns materiais que nos enviaram recentemente.

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Voiceless – Time Is Now [2016]

Segundo disco desta banda que oferece uma pegada moderna e bom trabalho instrumental, com variações e nenhum medo de percorrer o caminho mais acessível e o mais extremo do Metal, com direito a incursões eletrônicas. Composições imaginativas, como “A New Life”, “Chasing Time” – que poderia muito bem entrar em um disco do Crematory ou Amorphis – e “Crowns No More” evidenciam que há capacidade nos envolvidos, com melodias e climas envolventes. Boas variações entre guturais e limpos, porém, os vocalistas derrapam feio na pronúncia do inglês, algo infelizmente ainda comum no cenário nacional. Uma pena, pois faria uma diferença positiva e tanto no resultado final. Mais detalhes no Facebook oficial do grupo.

Nota 6

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Pop Javali – Live In Amsterdam [2016]

Enquanto prepara seu novo álbum de inéditas, o Pop Javali disponibiliza um ao vivo registrado durante show em Amsterdam, Holanda, na turnê europeia realizada no final de 2015. A gravação está um pouco abafada, mas consegue mostrar a capacidade do Hard Rock do trio, com ótimos arranjos de vozes e instrumental coeso. Um aperitivo para quem já está familiarizado enquanto o novo disco de inéditas não vem. Vale destacar as músicas “Road To Nowhere”, que abre o show e “Wrath Of The Soul”, com sua pegada mais metálica. Facebook da banda.

Nota 6,5

reviews rápidos

Roth Brock Project – Roth Brock Project [2016]

John Roth (Winger, Starship) e Terry Brock (Kansas, Strangeways) são figuras carimbadas no mundo do Hard/Melodic Rock. Portanto, havia certa expectativa para o que fariam em parceria. A sonoridade é bem voltada às guitarras e oferece bons momentos, como em “Young Gun”, “What’s It To Ya”, “We Are” e “Reason To Believe”, que encerra o tracklist. Não é o que há de mais incrível e falta originalidade em vários momentos. Mas a execução é brilhante – Terry continua cantando muito – e quem é fã dos trabalhos de ambos, terá um exemplar divertido em mãos.

Nota 7,5

reviews rápidos

Serious Black – Mirrorworld [2016]

Após o primeiro disco, o Serious Black perdeu seus dois músicos mais conhecidos – o guitarrista Roland Grapow (Masterplan, Helloween) e o baterista Thomen Stauch (Blind Guardian, Savage Circus). Quem curte aquele Power Metal que foi tão popular por esses lados em anos recentes não terá do que reclamar. Músicas como “As Long As I’m Alive” e a faixa-título vão cair facilmente no gosto. Só não espere nada que você nunca tenha ouvido, é clichê até o talo. O que certamente impedirá uma maior projeção do grupo nos tempos atuais.

Nota 6,5

Queen: 40 anos de A Day At The Races

day races

(lançado em 10 de dezembro de 1976)

A insistência – que beirou às raias da teimosia – premiou o Queen com o estouro mundial de A Night At The Opera, que se tornou um álbum referencial da história do Rock. Um novo mundo se abriu, com direito a turnês grandiosas e status de superstars. A confiança em alta fez com que o quarteto dispensasse os préstimos de um produtor para o trabalho seguinte, assumindo a tarefa por completo. Mais uma vez, o título do disco tomou emprestado o nome de uma obra dos irmãos Marx, assim como a capa fez um contraponto à do lançamento anterior. Por conta disso, alguns ouvintes mais exigentes enxergam A Day At The Races como mera continuação de seu antecessor, se valendo da velha máxima de que “em time que está ganhando não se mexe”. Porém, não dá para deixar de notar que se trata de um momento com vida própria, explorando as características de um dos conjuntos mais criativos de todos os tempos e gerando novos hits, para alegria de quem bancava o esquema.

Os grandes clássicos do disco são a roqueira “Tie Your Mother Down” – cujo esqueleto Brian May havia criado no longínquo ano de 1968 – e a épica balada “Somebody To Love”, explorando mais uma vez a capacidade de criar arranjos vocais dos envolvidos, com saudável influência Gospel. Em um espectro menor, a singela “Good-Old Fashioned Lover Boy” obteve repercussão. Os brilhos solo de Freddie em “You Take My Breath Away”, Brian em “Long Away” e Roger em “Drowse” também se sobressaem. O discreto John Deacon oferece o lado mais Pop da banda em “You And I”. O encerramento traz uma homenagem aos fãs japoneses, com dois refrães de “Teo Torriatte (Let Us Cling Together)” cantados no idioma nipônico, celebrando o público que havia recebido o Queen de braços abertos pouco antes. A Day At The Races chegou ao topo da parada britânica, além do quinto lugar nos Estados Unidos, onde ultrapassou um milhão de cópias vendidas.

Freddie Mercury (vocais, piano)
Brian May (guitarra, vocais)
John Deacon (baixo)
Roger Taylor (bateria, vocais)

01. Tie Your Mother Down
02. You Take My Breath Away
03. Long Away
04. The Millionaire Waltz
05. You And I
06. Somebody To Love
07. White Man
08. Good-Old Fashioned Lover Boy
09. Drowse
10. Teo Torriatte (Let Us Cling Together)

day races

Rolling Stones: 50 anos de Got Live If You Want It!

got live

(lançado em 10 de dezembro de 1966)

Contra a própria vontade, os Rolling Stones acabaram se tornando uma sensação juvenil nos primórdios da carreira. Os gritos histéricos que abrem este álbum atestam o impacto dos “rivais de mentirinha” dos Beatles – todo mundo sabe que o respeito e amizade imperava. A essa altura, para desespero de Keith Richards, a banda era vista como uma força do Rock and Roll. E foi assim que apresentou o seu primeiro registro oficial ao vivo. Got Live If You Want It! teve sua maior porção gravada nos dias 1 e 7 de outubro de 1966, em Newcastle Upon Tyne e Bristol. Alguns enxertos de outros momentos foram incluídos no tracklist final, incluindo a performance de “Fortune Teller”, captada três anos antes, quando o grupo vivia seus momentos embrionários.

O tracklist apresenta os primeiros hits e covers. Oportunidade de ouvir sons como “Under My Thumb”, “Get Off My Cloud” e “(I Can’t Get No) Satisfaction” com arranjos mais próximos dos originais, sem o estilo big band dos tempos atuais – que também é maravilhoso, ressalte-se. Ainda há de se destacar a interpretação emocionada de Mick Jagger para “I’ve Been Loving You Too Long”, de Otis Redding e Jerry Butler. Mas o grande barato acaba sendo escutar hinos que ficaram pelo caminho, como as indefectíveis “19th Nervous Breakdown”, “Time Is On My Side” e “Have You Seen Your Mother, Baby, Standing In The Shadows?”. Doze faixas em pouco mais de meia hora. Suficiente para mostrar o que o futuro reservava.

Mick Jagger (vocais)
Keith Richards (guitarra)
Brian Jones (guitarra)
Bill Wyman (baixo)
Charlie Watts (bateria)
Ian Stewart (teclados)

01. Under My Thumb
02. Get Off My Cloud
03. Lady Jane
04. Not Fade Away
05. I’ve Been Loving You Too Long
06. Fortune Teller
07. The Last Time
08. 19th Nervous Breakdown
09. Time Is On My Side
10. I’m Alright
11. Have You Seen Your Mother, Baby, Standing In The Shadows?
12. (I Can’t Get No) Satisfaction

got live

The Who: 50 anos de A Quick One

quick one

(lançado em 9 de dezembro de 1966)

Após um primeiro álbum com influências de R&B, chegava a hora do The Who desenvolver sua identidade. A primeira parte da experiência consistia em fazer com que todos os membros da banda compusessem material. Como resultado, temos aqui o disco mais democrático da carreira do quarteto, antes que Pete Townshend tomasse conta com sua mente brilhante. A Quick One se chamou Happy Jack nos Estados Unidos, onde o single de mesmo nome foi incluído no tracklist final. O grande destaque vai para a faixa-título (ampliada), um épico de nove minutos, dividido em seis etapas. Narrando uma história de infidelidade e reconciliação, ela antecipa o que seria ampliado e melhor trabalhado nas futuras óperas roqueiras Tommy e Quadrophenia, além de mostrar que o grupo estava pronto para se colocar na vanguarda do estilo.

Outro momento de destaque está em “Boris The Spider”. Escrita pelo baixista Pete Townshend, após uma bebedeira com Bill Wyman, dos Rolling Stones, foi a primeira música ligada ao Rock a contar com um vocal gutural, protagonizado por seu escritor. Há até quem a classifique como um proto-Death Metal, dada a sua estrutura. O único cover registrado foi “Heat Wave”, parceria de Lamont Dozier com os irmãos Brian e Eddie Holland. Ela não aparece na versão americana, sendo substituída pela já citada “Happy Jack”. Em “Cobwebs And Strange”, a curiosidade fica por conta do fato de os músicos terem inserido vários instrumentos de sopro, tocado pelos próprios. A Quick One chegou ao quarto lugar da parada britânica. Ainda mostrava um The Who em evolução, mas as perspectivas iam se desenhando empolgantes.

Roger Daltrey (vocais)
Pete Townshend (guitarra)
John Entwistle (baixo)
Keith Moon (bateria)

01. Run Run Run
02. Boris The Spider
03. I Need You
04. Whiskey Man
05. Heat Wave
06. Cobwebs And Strange
07. Don’t Look Away
08. See My Way
09. So Sad About Us
10. A Quick One, While He’s Away

quick one