Anthrax: 30 anos de Among The Living

anthrax among

(lançado em 22 de março de 2017)

Todas as bandas do Big Four possuem seus trabalhos referenciais, aqueles que se tornaram o momento mais iluminado na carreira. Porém, nem Master Of Puppets, Rust In Peace ou Reign In Blood se tornaram tão representativos de uma discografia como Among The Living em relação à do Anthrax. Não há como começar a falar da história fonográfica do quinteto sem citar este disco. Terceiro full-length de sua carreira, mostrou o que a maioria dos fãs passou a definir como seu som clássico, embora Scott Ian e companhia sempre tenham tentado colocar algo diferente a cada álbum, inclusive neste em comparação a seus antecessores. Porém, assim o povo quis e até hoje se trata daquilo que conhecemos como a cara do grupo. A repercussão comercial, com vendas, clipes na MTV e turnês também ajudou a formar o mito em torno do play.

A banda colaborou, matando a pau com sua mistura de musicalidade, humor e uma inteligência acima da média. Afinal de contas, quem poderia citar Stephen King (a faixa-título e “A Skeleton In The Closet”, inspiradas em The Stand e Apt Pupil, respectivamente), John Belushi (o trator sonoro “Efilnikufesin”) e Judge Dredd (a instigante “I Am The Law”) na mesma obra, fazendo tudo ter algum sentido? Ainda há espaço para os hinos “Caught In A Mosh” e “Indians”, dois dos maiores clássicos da trupe. O impacto de Among The Living foi tão forte que, apesar de ter lançado outros ótimos discos nas três décadas seguintes, o Anthrax passou a ser medido através dele. Uma benção e uma maldição ao mesmo tempo, como acontece nas carreiras de outros artistas. De qualquer modo, um momento para a história do Heavy Metal.

Joey Belladonna (vocais)
Scott Ian (guitarra)
Dan Spitz (guitarra)
Frank Bello (baixo)
Charlie Benante (bateria)

01. Among the Living
02. Caught in a Mosh
03. I Am the Law
04. Efilnikufesin (N.F.L.)
05. A Skeleton in the Closet
06. Indians
07. One World
08. A.D.I./Horror of It All
09. Imitation of Life

anthrax among

Iron Maiden: 35 anos de The Number Of The Beast

Iron Maiden – The Number Of The Beast
Lançado em 22 de março de 1982

Para se fazer um clássico atemporal do heavy metal, não se exige apenas qualidade musical. Como disse Bruce Dickinson, ao ser questionado sobre The Number Of The Beast, foi necessário que um raro alinhamento de planetas ocorresse para que este disco chegasse a público desta forma.

O terceiro disco do Iron Maiden é, para muitos, um recomeço da banda britânica, pois trata-se do primeiro com o vocalista Bruce Dickinson, ex-Samson, no lugar de Paul Di’Anno. Dickinson ocupou o posto de um cantor cada vez mais desleixado e problemático, muito devido aos problemas que teve com as drogas.

A chegada de Bruce Dickinson se fazia necessária a uma banda que prezava pelo profissionalismo. O Iron Maiden jamais estouraria sem um cantor competente como Dickinson, por mais que eu goste do trabalho desempenhado pelo grupo com Paul Di’Anno. Steve Harris, líder da banda e obstinado a ter consagração e reconhecimento mundial, sabia disto.

Com a troca de vocalistas, o estilo do Iron Maiden também mudou. O grupo passou a apostar em uma sonoridade um pouco mais melódica, ainda que pesada e, por vezes, visceral. Fruto, também, de maior colaboração do guitarrista Adrian Smith, que chegou para gravar o álbum anterior, Killers (1981), mas não participou do processo de composição. Em The Number Of The Beast, era como se Sex Pistols, Deep Purple e Thin Lizzy se cruzassem e gerassem um produto único.

Houve, ainda, um avanço temático nas letras da banda. A polêmica faixa que dá nome ao disco foi baseada no filme “A Profecia II” e na obra “Tam o’Shanter”, por exemplo. Outras canções também foram inspiradas em livros, longa-metragens ou até na história de antigas civilizações.

De olho na tímida “invasão” que o NWOBHM promovia nos Estados Unidos, o Iron Maiden também quis despontar na América. The Number Of The Beast era o disco ideal para isto, bem como aquela formação era perfeita para aquele momento. O grupo tratou de marcar mais de 100 datas por todo o país, após excursionar pela Europa, onde já havia reconhecimento.

Foi justamente nos Estados Unidos que o Iron Maiden se viu diante de sua primeira polêmica: a banda foi acusada de ser satanista graças a The Number Of The Beast, especialmente pela faixa título e pela capa do álbum. O grupo sofreu uma espécie de perseguição por parte de setores mais conservadores da sociedade, em especial grupos religiosos.

Ativistas queimaram e quebraram discos do Iron Maiden em público, protestaram na entrada de casas de shows onde o grupo iria se apresentar e, por vezes, até carregaram uma cruz de 7,5 metros enquanto pediam boicote aos britânicos. Além disso, houve uma mobilização para que fossem colocados selos nas capas dos álbuns, alertando sobre o “conteúdo subversivo” – uma espécie de pré-PRMC.

Não se sabe, até o momento, se tudo isto foi premeditado por Steve Harris e seus companheiros ou se toda a reação foi uma surpresa para os envolvidos. Fato é que a polêmica fez com que a popularidade do Iron Maiden engrenasse de forma curiosa, pois, aparentemente, muitos adolescentes estavam em busca da mensagem inicialmente controversa que o grupo apresentava.

No fim das contas, a “propaganda negativa” foi revertida com um bom trabalho feito pelo Iron Maiden, que conquistou fãs pelos Estados Unidos. The Number Of The Beast chegou à 33ª posição das paradas da Billboard, nos Estados Unidos, além de conquistar o topo dos charts do Reino Unido e lugares expressivos em rankings de outros países. Hoje, o disco acumula mais de 14 milhões de cópias vendidas.

O Iron Maiden evoluiu e permitiu-se evoluir em The Number Of The Beast. Reconheceu que poderia atingir um novo patamar com mudanças pontuais em seu trabalho. Graças a este disco, a banda conseguiu um lugar ao sol e estabilidade o bastante para lançar trabalhos clássicos no futuro, como os impressionantes Piece Of Mind (1983) e Powerslave (1984).

Bruce Dickinson (vocal)
Steve Harris (baixo)
Dave Murray (guitarra)
Adrian Smith (guitarra)
Clive Burr (bateria)

01. Invaders
02. Children Of The Damned
03. The Prisoner
04. 22 Acacia Avenue
05. The Number of the Beast
06. Run To The Hills
07. Gangland
08. Hallowed Be Thy Name

Megadeth: 15 anos de Rude Awakening

Megadeth – Rude Awakening
Lançado em 19 de março de 2002

O Megadeth passou por uma crise no fim dos anos 1990, sua década de glória. Após a saída do baterista Nick Menza em 1998 e o terrível “Risk” ser lançado no ano seguinte, foi a vez do guitarrista Marty Friedman pular fora perto da virada do milênio. Os cargos foram ocupados por Jimmy DeGrasso e Al Pitrelli, respectivamente e quase que imediatamente.

Como se não bastasse, o grupo se desvinculou da Capitol Records, que desde 1986 mantinha-os no cast. Mesmo assim, Dave Mustaine e sua turma não tiveram muitas dificuldades em se reerguerem. Logo assinaram com a Sanctuary Records e lançaram “The World Needs A Hero”, primeiro (e último) full-length com Al Pitrelli, em 2001.

Para celebrar o novo momento, o Megadeth optou por fazer um registro ao vivo, em CD e DVD – o primeiro de sua carreira. O trabalho, intitulado “Rude Awakening”, seria gravado na terra dos hermanos e já tinha data marcada, mas por conta dos ataques do dia 11 de setembro de 2001, a apresentação por lá foi cancelada e o registro se deu nos Estados Unidos mesmo.

Dois shows foram captados, no Rialto Theater em Tucson e no Web Theater em Phoenix, ambas cidades do estado do Arizona, em novembro de 2001. O lançamento, por sua vez, se deu em 19 de março de 2002.

Não dá para discordar que o Megadeth demorou muito para produzir um registro ao vivo. E quando o fez, não foi com sua melhor formação. Jimmy DeGrasso é um grande baterista e Al Pitrelli é muito competente, mas a pegada já era outra.

Ainda assim, “Rude Awakening” cumpre bem o seu papel enquanto registro ao vivo. Os substitutos de Nick Menza e Marty Friedman são muito técnicos e se entrosaram bem com Dave Mustaine e David Ellefson. Fizeram um bom trabalho em faixas de todas as fases do grupo, mesmo sem a veia levemente jazz de seus antecessores. Há até um “quê” menos metal e mais orientado ao hard rock em algumas faixas – que eu, particularmente, gosto.

Abrangente, o repertório contemplou clássicos de todas as eras do Megadeth até então. Com exceção do “Risk”, os álbuns da já extensa discografia da banda foram contemplados no set. Vale destacar que apesar de “Prince Of Darkness” (do “Risk”) ser a abertura original dos shows, o registro desta faixa não apareceu na versão final.

Apesar do bom momento nos palcos, o Megadeth acabou no ano em que “Rude Awakening” foi lançado. Dave Mustaine sofreu uma grave lesão no nervo de seu braço esquerdo. Ele se recuperou e reformou o grupo, dois anos depois, com uma formação completamente nova, após lançar “The System Has Failed” – que seria um disco solo.

Depois, Dave Mustaine explicou que também deu fim ao Megadeth naquele período porque o clima interno era péssimo. David Ellefson e os demais instrumentistas queriam tomar o controle do projeto que era dele.

Dave Mustaine (vocal, guitarra)
Al Pitrelli (guitarra)
David Ellefson (baixo)
Jimmy DeGrasso (bateria)

Disco 1:

01. Dread And The Fugitive Mind
02. Kill The King
03. Wake Up Dead
04. In My Darkest Hour
05. Angry Again
06. She-Wolf
07. Reckoning Day
08. Devil’s Island
09. Train Of Consequences
10. A Tout Le Monde
11. Burning Bridges
12. Hangar 18
13. Return To Hangar
14. Hook In Mouth

Disco 2:

01. Almost Honest
02. 1000 Times Goodbye
03. Mechanix
04. Tornado Of Souls
05. Ashes In Your Mouth
06. Sweating Bullets
07. Trust
08. Symphony Of Destruction
09. Peace Sells
10. Holy Wars… The Punishment Due

Ozzy Osbourne: 30 anos de Tribute

ozzy tribute

(lançado em 19 de março de 1987)

Lançado quando a morte de Randy Rhoads completava cinco anos, Tribute é um verdadeiro louvor à genialidade desse músico, que tão cedo partiu. Em uma época onde o mundo era dominado pelos alucinantes malabarismos de Eddie Van Halen, o guitarrista despontava como alguém que poderia bater de frente com o rei. Sua técnica e musicalidade enlouqueciam a todos, graças aos memoráveis Blizzard of Ozz e Diary of a Madman, trabalhos que não apenas deram uma nova carreira, como literalmente salvaram a vida de Ozzy Osbourne. De repente, aquele garoto que tocava no Quiet Riot e dava aula para crianças na escola de música da sua mãe se tornava um ídolo e deixava seu nome para sempre na galeria dos maiores guitarristas.

A maior parte das músicas foi retirada de um show em Cleveland, Ohio, realizado no dia 11 de maio de 1981. As exceções são o solo de Rhoads, registrado em Montreal no dia 28 de junho do mesmo ano, além de “Goodbye to Romance” e “No Bone Movies”, gravadas em 2 de setembro de 1980, em Southampton, Inglaterra, ainda com a formação original da banda, tendo Bob Daisley no baixo e Lee Kerslake na bateria. Se há algo negativo, o fato de conter apenas duas músicas do segundo álbum de estúdio, enquanto Blizzard é executado na íntegra. Completam o setlist três hinos do Black Sabbath. E sim, é fato que há overdubs de montão, especialmente nos vocais, tanto pelas desafinações quanto pelo jeito amalucado de Ozzy, que não para em frente ao microfone nem nos dias atuais. Porém, isso não tira o brilho do trabalho, assim como acontece com tantos outros clássicos do live.

Por mais que toda a banda esteja em momento iluminado – Tommy Aldridge é, sem dúvida, um dos melhores bateristas de todos os tempos – o destaque inevitável vai para o homenageado. Executando riffs e solos com maestria, Randy mostra o quanto a estúpida tragédia que interrompeu sua vida deixou uma lacuna irreparável. E quando ouvimos o outtake de “Dee” em estúdio, não tem como não sentir aquele nó na garganta. Coisa de gênio! A homenageada da música, Delores, mãe do guitarrista, publicou um texto no encarte, assim como Ozzy, que nunca mais se recuperou do ocorrido. Tribute – ou Randy Rhoads Tribute, como também ficou conhecido – chegou ao número 6 do Top 200 da Billboard. É peça indispensável em qualquer coleção que celebre as obras do homenageado e do Madman.

Ozzy Osbourne (vocais)
Randy Rhoads (guitarra)
Rudy Sarzo (baixo)
Tommy Aldridge (bateria)
Don Airey (teclados)

Bob Daisley (baixo em 12 & 13)
Lee Kerslake (bateria em 12 & 13)

01. I Don’t Know
02. Crazy Train
03. Believer
04. Mr. Crowley
05. Flying High Again
06. Revelation (Mother Earth)
07. Steal Away (The Night)/Drum Solo
08. Suicide Solution/Guitar Solo
09. Iron Man
10. Children of the Grave
11. Paranoid
12. Goodbye to Romance
13. No Bone Movies
14. Dee (Studio Outtakes)

ozzy tribute

Aerosmith: 20 anos de Nine Lives

nine lives

(lançado em 18 de março de 1997)

A trilogia Permanent Vacation/Pump/Get A Grip fez com que o Aerosmith experimentasse algo raro no mundo da música: um segundo auge. Porém, a glória sempre vem acompanhada de uma estrada tortuosa. Após anos com a Geffen, a banda retornou à Columbia Records. Para marcar o reencontro, escolheram trabalhar com o produtor Glen Ballard, um dos grandes nomes do momento, então consagrado por seu trabalho em Jagged Little Pill, de Alanis Morissette. Os resultados das sessões em Miami desagradaram a gravadora. Paralelamente, o grupo rompia relações com Tim Collins, manager que os ajudou no recomeço, mas que tomava atitudes extremamente controladoras e suspeitas, nas palavras dos próprios. Como vingança, o empresário divulgou à imprensa que os músicos seguiam se drogando e a história da reabilitação coletiva havia sido apenas uma fachada. As palavras criaram vários problemas ao quinteto, inclusive dentro de suas famílias.

Como desgraça pouca é bobagem, o baterista Joey Kramer entrou em depressão profunda após a perda de seu pai. Steve Ferrone (Tom Petty, Eric Clapton, Slash) foi chamado para completar as sessões e dar tempo para seu colega de instrumento se recuperar. Passada a tempestade, era hora de se recompor. Kevin Shirley se juntou ao grupo para retrabalhar o material. Uma decisão mais segura e de acordo com o que o Aerosmith representa, dando a tranquilidade necessária para o momento. O título não poderia ser mais apropriado: Nine Lives – enquanto aqui dizemos que os gatos possuem sete vidas, em outros lugares fala-se que são nove. Mas, para não parecer que tudo ia ser tranquilo, veio mais uma polêmica quando a capa foi divulgada. A comunidade hindu protestou contra o uso de uma imagem adulterada de Krishna. Após um pedido de desculpas oficial, uma nova imagem foi usada. Aliás, nas duas versões, o encarte é um destaque à parte, com seu efeito de looping criado através das ilustrações.

Musicalmente, o disco não se arriscava muito, apostando na fórmula de seus antecessores, especialmente Get A Grip. Rocks básicos e baladas melosas se alternam no tracklist, com destaque para a faixa-título, “Something’s Gotta Give” e “Crash” no primeiro campo, além de “Kiss Your Past Good-bye” no segundo. As músicas promovidas como singles foram “Falling In Love (Is Hard On The Knees)”, “Hole In My Soul” – que chegou a ser trilha sonora de novela no Brasil, ajudando o trabalho a ganhar disco de ouro –, “Full Circle” e “Pink”, vencedora de um Grammy em 1998, na categoria Best Rock Performance By A Duo Or Group With Vocal. Apesar de todos os contratempos e de não manter a constância em termos de qualidade, Nine Lives se mostrou um trabalho vencedor, vendendo mais de dois milhões de cópias só nos Estados Unidos e chegando ao número 1 no The Billboard 200. O sofrimento se pagou com sobras, embora não sem deixar cicatrizes visíveis até os dias atuais.

Steven Tyler (vocais, teclados, gaita)
Joe Perry (guitarra)
Brad Whitford (guitarra)
Tom Hamilton (baixo)
Joey Kramer (bateria)

01. Nine Lives
02. Falling In Love (Is Hard On The Knees)
03. Hole In My Soul
04. Taste Of India
05. Full Circle
06. Something’s Gotta Give
07. Ain’t That A Bitch
08. The Farm
09. Crash
10. Kiss Your Past Good-bye
11. Pink
12. Attitude Adjustment
13. Fallen Angels

nine lives

A capa polêmica

Asia: 35 anos de Asia, o álbum

asia

(lançado em 18 de março de 1982)

A história do Asia passa diretamente pelas várias tentativas de se formar um supergrupo centralizado no baixista e vocalista John Wetton. Entre vários nomes especulados e tentados, a formação oficial foi sacramentada em 1981, com Steve Howe e Geoff Downes chegando do Yes – o último também havia feito um então recente sucesso com o The Buggles – e Carl Palmer aportando do ELP. Alguns fãs mais conservadores dos nomeados não aceitaram com facilidade a proposta da nova banda, que se afastava do Rock Progressivo e buscava o sucesso do então efervescente AOR. Inclusive, o cantor original seria Robert Fleischman, de fulgaz passagem pelo Journey e posterior colaboração com Vinnie Vincent no Invasion. Porém, o próprio sugeriu que Wetton interpretasse as músicas, ao reconhecer a competência necessária para o trabalho.

Impulsionado pelas três primeiras faixas do tracklist, que foram lançadas como single, Asia ficou nove semanas em primeiro lugar no Top 200 da Billboard. Também encabeçou a lista de mais vendidos, publicada ao final do ano. Estima-se que mais de dez milhões de cópias tenham sido comercializadas em todo o mundo. “Wildest Dreams” – que também recebeu um videoclipe – e “Here Comes The Feeling” também obtiveram ótima repercussão entre os fãs. Apesar da resistência da crítica em reconhecer a qualidade da obra, a banda ganhou um Grammy na categoria Best New Artist e lotou todos os shows da turnê de divulgação do trabalho. O impacto foi tão grande que o quarteto jamais chegou sequer perto de repetir o impacto, embora tenha lançado outros álbuns significativos em sua história.

John Wetton (baixo, vocais)
Steve Howe (guitarra)
Geoff Downes (teclados)
Carl Palmer (bateria)

01. Heat Of The Moment
02. Only Time Will Tell
03. Sole Survivor
04. One Step Closer
05. Time Again
06. Wildest Dreams
07. Without You
08. Cutting It Fine
09. Here Comes The Feeling

asia

Thin Lizzy: 45 anos de Shades Of A Blue Orphanage

lizzy shades

(lançado em 10 de março de 1972)

Mesmo com a pouca repercussão do trabalho de estreia, o Thin Lizzy seguiu prestigiado junto à gravadora, que bancou um segundo álbum. À época, o trio formado por Phil Lynott, Eric Bell e Brian Downey havia deixado a Irlanda e se estabelecido em Londres. O título Shades Of A Blue Orphanage é uma homenagem às bandas anteriores dos membros: Shades Of Blue e Orphanage. A sonoridade ainda não era a que consagraria o grupo em um futuro próximo. Influências de música celta se juntavam a um Rock and Roll de raiz, com Lynott se valendo de humor e experiências pessoais para criar verdadeiros enredos sobre suas aventuras juvenis em Dublin.

Dá para destacar do tracklist a canção “Sarah”, dedicada à avó do frontman, que o criou junto à mãe. “Buffalo Gal” e “Brought Down” também possuem valor. Anos mais tarde, outra música com o mesmo nome homenagearia uma das filhas de Phil. O desempenho comercial do disco não foi dos mais empolgantes. O jogo começaria a virar ainda no mesmo ano, quando o Thin Lizzy gravou uma versão para a folclórica “Whiskey In The Jar”, que se consagraria como se primeiro grande sucesso. Ao mesmo tempo, o sucesso de grupos como o Deep Purple incentivaria uma série de mudanças – até mesmo de formação – que criariam a banda que o mundo reconhece até os dias atuais.

Phil Lynott (vocais, baixo)
Eric Bell (guitarra)
Brian Downey (bateria)

01. The Rise And Dear Demise Of The Funky Nomadic Tribes
02. Buffalo Gal
03. I Don’t Want To Forget How To Jive
04. Sarah
05. Brought Down
06. Baby Face
07. Chatting Today
08. Call The Police
09. Shades Of A Blue Orphanage

lizzy shades

Deep Purple: 45 anos de Machine Head

purple machine

(lançado em 10 de março de 1972)

As coisas aconteciam muito mais rápido no mundo da música em décadas passadas. O fato é que, em cinco anos, o Deep Purple passou de um grupo não mais que mediano, com um repertório eclético, para uma das forças do Hard Rock. A grande mudança aconteceu em In Rock (1970), com Fireball (1971) consolidando o status. Mas foi em Machine Head que o quinteto ofereceu sua obra prima, o trabalho que seria referência para o resto da carreira. As gravações aconteceram na Suíça. Porém, não rolaram como planejadas. Um incêndio durante show de Frank Zappa, após um espectador acender um sinalizador, destruiu o Montreux Casino. De última hora, Claude Nobs, empresário local, conseguiu o teatro Pavilion. Ao menos o incidente serviu para que surgisse a inspiração para o que se tornaria a música mais conhecida da história dos ingleses.

Machine Head é uma genuína coletânea. Da pisada no acelerador com “Highway Star” em diante, é impossível fugir de alguma faixa. As sete da edição original merecem destaque. Mas nenhuma se tornou tão icônica quanto “Smoke On The Water”. Baseada no fato anteriormente relatado, ganhou público até mesmo fora do Rock, graças ao riff de guitarra mais tocado por aprendizes, irritando o mundo inteiro, além de sua melodia e refrão indefectíveis. Além das duas anteriores, “Never Before” também foi lançada como single. Seu b-side, a melancólica “When A Blind Man Cries”, foi deixada de fora do tracklist equivocadamente, como os próprios músicos reconheceriam posteriormente. O erro foi corrigido nos relançamentos.

O balanço de “Maybe I’m A Leo”, a pegada certeira de “Pictures Of Home” e o lado virtuoso de “Lazy” não podem ser desconsiderados. O álbum é encerrado por “Space Truckin’”, que se tornaria ainda mais emblemática nos shows, onde seus quatro minutos de duração originais se estenderiam em quase meia-hora, às vezes. Machine Head liderou o chart britânico, permanecendo no Top 40 por 20 semanas. Nos Estados Unidos a melhor posição foi um sétimo lugar. Porém, a permanência no Top 200 da Billboard se estendeu a 118 semanas. Preferências de fãs por esse ou aquele disco à parte, não dá para negar que se trata do que de mais importante o Deep Purple lançou em toda sua carreira, projetando os envolvidos a glórias até então inimagináveis.

Ian Gillan (vocais)
Ritchie Blackmore (guitarra)
Roger Glover (baixo)
Jon Lord (teclados)
Ian Paice (bateria)

01. Highway Star
02. Maybe I’m A Leo
03. Pictures Of Home
04. Never Before
05. Smoke On The Water
06. Lazy
07. Space Truckin’

purple machine

Cabeçote: Em SP, Ace Frehley faz show recomendado especialmente para fãs

Ace Frehley @ Tom Brasil, São Paulo (SP), 05/03/2017

O jornalismo sempre busca a isenção, mas há situações na vida em que se torna difícil separar razão e emoção. E como praticar jornalismo consiste em contar histórias reais, por vezes, também é difícil dissociar olhares crítico e de admirador.

O segmento musical do jornalismo, felizmente, permite que o emocional se sobressaia em algumas ocasiões. Digo isto porque a resenha a seguir, sobre o show que Ace Frehley fez no Tom Brasil, em São Paulo, no último domingo (5), pode não fazer sentido para quem não admirava o músico ou sua ex-banda, o Kiss, previamente.

A única apresentação de Ace Frehley no Brasil em sua curta turnê sul-americana teve um caráter emocional peculiar, em meu ver, pois Ace é notável por ter sido alguém que poderia ter oferecido (ainda) mais à música. Seus anos de hiato poderiam ter sido complementados com bons discos e turnês. Contudo, o errático guitarrista e ocasional vocalista se rendeu aos seus vícios (ou foi rendido por eles) em diversas ocasiões, o que lhe custou o posto de integrante do Kiss nas décadas de 1980 e 2000.

Mas vê-lo se apresentando ao vivo, no alto de seus 65 anos – e pela primeira vez em carreira solo no Brasil -, faz compensar o comportamento errático de outrora. Ace parece estar disposto a compensar o tempo perdido. E o show feito em São Paulo, para um cheio, mas não lotado Tom Brasil, demonstrou isto, mesmo com alguns erros técnicos a serem destacados.

A performance começou com poucos minutos de atraso, após as caixas de som rodarem a tape de “Fractured Mirror”, faixa que encerra o disco solo de Ace Frehley lançado em 1978. A abertura ficou a cargo de “Rip It Out”, do mesmo álbum, diferente dos shows anteriores, que o show se abria com “Parasite”. Afiada, a banda apresentou suas credenciais: além de Ace nos vocais e guitarra, a apresentação contou com o veterano Richie Scarlet (guitarra e vocais) e os competentes Chris Wyse (baixo e vocais) e Scot Coogan (bateria). Todos tocaram essa música muito bem.

Na sequência, Ace e sua trupe apresentaram “Toys”, do disco autoral mais recente (“Space Invader”, de 2014), e “Parasite”, clássico do Kiss composto por Frehley. O cover da banda mascarada ficou notavelmente lento, apesar de ter sido bem tocado. “Snowblind”, a seguir, sofreu com o mesmo problema, mas a plateia reagiu bem mesmo assim.

“Love Gun”, com Scot Coogan mandando muito bem nos vocais, e “Rocket Ride” levantaram a galera, enquanto a autobiográfica “Rock Soldiers” chamou a atenção por sua boa execução instrumental. Na sequência, Chris Wyse fez um solo de baixo que valeu pela dedicação – ele tocou trechos de “N.I.B.” (Black Sabbath) e “God Of Thunder” (Kiss) para animar o público -, mas era dispensável neste show.

Wyse assumiu os vocais na pesada “Strange Ways”, que embolou um pouco no instrumental, mas nada que comprometesse. Afinal, trata-se de uma baita música que praticamente nunca foi tocada ao vivo pelo Kiss. Em seguida, Ace apareceu com sua guitarra repleta de dispositivos de luz para “New York Groove”, original do Hello e regravada em seu disco solo de 1978. Um dos poucos momentos de maior interação promovido por Frehley, que deixou o público cantar o refrão antes do solo final.

“2 Young 2 Die”, com o empolgado Richie Scarlet nos vocais, foi dedicada à memória de Eric Carr, falecido ex-baterista do Kiss que era próximo a Ace Frehley. O Spaceman ainda duelou em solos de guitarra com Scarlet antes de seu grande momento, em “Shock Me”, uma das mais aguardadas pelo público. Na sequência, Ace fez seu tradicional solo com a guitarra disparando fumaça pelo captador. Se falta primor técnico, sobra impacto histórico – bastou que ele mostrasse o instrumento “em chamas” para que a plateia delirasse.

Para encerrar o show regulamentar, outro clássico: “Cold Gin”, também com bastante interação com o público – Ace deixou de cantar os versos para permitir que as vozes dos presentes ecoassem. O bis contou com uma boa versão de “Detroit Rock City” com Scot Coogan nos vocais e a arrasa-quarteirão “Deuce”, de volta para onde tudo começou, pois foi a primeira música que Frehley tocou com o Kiss.

Ace, até hoje, não está acostumado com a figura de frontman. Pouco interage com o público e, por vezes, se confunde ao cantar e direciona sua voz para longe do microfone, ou “capa” notas e acordes na guitarra. Richie Scarlet também erra nas seis cordas pelo excesso de empolgação. Scot Coogan toca corretamente, mas desacelerou em músicas importantes. Chris Wyse, tecnicamente, não parece ter cometido nenhum erro.

Entretanto, ninguém parece ter se importado com essas pequenas falhas, justamente pela importância emocional que esta apresentação teve para boa parte dos presentes. Eu, particularmente, não liguei – e curti muito o show. Ace e seus asseclas soaram como banda e escolheram o repertório com maestria.

Por tudo isto, foi um show para fãs que reconhecem Ace por seu legado. Quem esteve lá para ouvir o eterno Spaceman de peito aberto, sem ligar para possíveis erros de execução, saiu bastante satisfeito da casa de shows. Foi o meu caso.

Ace Frehley (vocal e guitarra)
Richie Scarlet (guitarra e vocal)
Chris Wyse (baixo e vocal)
Scot Coogan (bateria e vocal)

01. Rip It Out
02. Toys
03. Parasite
04. Snowblind
05. Love Gun
06. Rocket Ride
07. Rock Soldiers
08. Solo de baixo + Strange Ways
09. New York Groove
10. 2 Young 2 Die + solos de guitarra
11. Shock Me + solo de guitarra
12. Cold Gin

Bis:
13. Detroit Rock City
14. Deuce

Igor Miranda é jornalista e “fundador afastado” do site Van do Halen. Atualmente, é redator-chefe do site Cifras. Assina a coluna Cabeçote semanalmente.

Black Label Society: 15 anos de 1919 Eternal

1919 eternal

(lançado em 5 de março de 2002)

O retorno de Zakk Wylde à banda de Ozzy Osbourne empolgou os fãs. Porém, o resultado não foi dos melhores. Down To Earth se mostrou um álbum fraco, sem inspiração. Curiosamente, o guitarrista não colaborou nas composições que entraram no tracklist. Depois, se descobriu que algumas músicas foram oferecidas, porém recusadas, justamente por lembrar demais o Black Label Society. Quatro foram usadas em 1919 Eternal: “Bleed For Me”, “Demise Of Sanity”, “Life, Birth, Blood Doom” e “Bridge To Cross”, cuja versão original era guiada pelo piano, ao contrário da que entrou no play. Ainda havia mais uma, chamada “I’ll Find The Way”, que ficou de fora. Ao menos as duas primeiras poderiam ter feito a diferença no disco do Madman.

A sonoridade não foge muita da de seus antecessores, embora a inspiração esteja um degrau abaixo. Vale ressaltar que o título do disco é uma homenagem ao pai de Zakk, nascido no ano em questão. Outra curiosidade é que essa seria uma das últimas gravações do baixista Robert Trujillo antes de sua entrada no Metallica. Mike Inez (Alice In Chains, Ozzy Osbourne), a quem ele havia substituído, reassumiu o posto para a turnê de divulgação. A capa é uma alusão à propaganda nazista usada para atrair holandeses à Schutzstaffel, que servia como tropa de defesa dos soldados alemães. É justamente a semelhança com o símbolo desta organização que gerou o choque cultural que faz, até hoje, o KISS mudar o formato do seu símbolo em terras germânicas.

Zakk Wylde (guitarra, vocais)
Robert Trujillo (baixo)
Craig Nunenmacher (bateria)
Christian Werr (bateria em 1, 3 e 4)

01. Bleed For Me
02. Lords Of Destruction
03. Demise Of Sanity
04. Life, Birth, Blood, Doom
05. Bridge To Cross
06. Battering Ram
07. Speedball
08. Graveyard Disciples
09. Genocide Junkies
10. Lost Heaven
11. Refuse To Bow Down
12. Mass Murder Machine
13. Berserkers
14. America The Beautiful

1919 eternal

Blind Guardian: 15 anos de A Night At The Opera

guardian opera

(lançado em 4 de março de 2002)

O estouro de Nightfall In Middle-Earth colocou o Blind Guardian definitivamente no panteão das grandes bandas do Heavy Metal na virada do século. Ao mesmo tempo, aumentou a expectativa sobre cada trabalho dos alemães, que vinham em uma constante mudança sonora. A Night At The Opera, homônimo ao álbum do Queen e ao filme dos Irmãos Marx, é praticamente uma ruptura com o Power Metal da primeira década de atividades. Os flertes com o Progressivo e o Clássico se tornaram um relacionamento sério, com o cada vez maior uso de corais e orquestrações, além de arranjos grandiosos. O resultado final divide fãs até hoje, embora muitos dos críticos já tenham se acostumado com a evolução – ou, ao menos, se conformado com o fato de que o passado não volta.

Não mudou o fato de que as composições seguem trazendo as mais variadas referências históricas e literárias. A épica “And Then There Was Silence” foi lançada como single, o que por si só foi curioso, já que se trata da faixa mais longa de toda a carreira do grupo, ultrapassando os 14 minutos de duração. “Battlefield” também obteve destaque ao ser incluída na trilha do game Robot Unicorn Attack, do Adult Swim. A Night At The Opera passa longe de ser memorável, embora conte com diversas qualidades. Acabou sendo o último trabalho com o baterista Thomas “Thomen” Stauch, que se retirou por não concordar com a direção musical que a banda adotou. A turnê rendeu o DVD Imaginations Through The Looking Glass.

Hansi Kürsch (vocais)
André Olbrich (guitarra)
Marcus Siepen (guitarra)
Thomas Stauch (bateria)

Músicos convidados

Oliver Holzwarth (baixo)
Mathias Wiesner (teclados)

01. Precious Jerusalem
02. Battlefield
03. Under The Ice
04. Sadly Sings Destiny
05. The Maiden And The Minstrel Knight
06. Wait For An Answer
07. The Soulforged
08. Age Of False Innocence
09. Punishment Divine
10. And Then There Was Silence

guardian opera

Quiet Riot: 40 anos do álbum de estreia

quiet riot

(lançado em 2 de março de 1977)

O Quiet Riot que surgiu nos anos 1970 é uma banda quase que totalmente diferente da que se consagrou com o álbum Metal Health, em 1983. Não apenas pela formação, que só contava com o vocalista Kevin DuBrow de remanescente. A sonoridade também não era a mesma, a despeito de uma ou outra influência. Ao invés das raízes do que viria a ser conhecido como Hard Rock oitentista, um Glam Rock típico daqueles tempos. Chega a ser estranho, para quem acompanhou a carreira do guitarrista Randy Rhoads com Ozzy Osbourne, vê-lo atuando de forma tão simplória. Conspiracionistas diriam que ele foi o Robert Johnson de sua época – se não entendeu, procure a história do dito bluesman.

Além de dez faixas próprias, o álbum de estreia do grupo traz covers para “Tin Soldier”, do Small Faces e “Glad All Over”, do Dave Clark Five. A música “Back To The Coast” era uma nova versão para “West Coast Tryouts”, que Randy compôs ainda na adolescência, junto de seu irmão Kelle Rhoads. O lançamento original aconteceu exclusivamente no Japão, já que não houve interesse norte-americano, o que frustrou muito os envolvidos. Apesar de o talento dos músicos ser inegável, não dá para dizer que se trata de um trabalho indispensável, exceto pelo valor histórico. O Quiet Riot ainda lançaria outro disco antes de cessar atividades temporariamente e voltar reinventado, rumo ao estrelato.

Kevin DuBrow (vocais)
Randy Rhoads (guitarra)
Kelly Garni (baixo)
Drew Forsyth (bateria)

01. It’s Not So Funny
02. Mama’s Little Angels
03. Tin Soldier
04. Ravers
05. Back To The Coast
06. Glad All Over
07. Get Your Kicks
08. Look In Any Window
09. Just How You Want It
10. Riot Reunion
11. Fit To Be Tied
12. Demolition Derby

quiet riot