Running Wild: 15 anos de The Brotherhood

brotherhood

(lançado em 15 de fevereiro de 2002)

Se havia alguma dúvida de que o Running Wild é a banda de Rolf Kasparek, ela se acabou de vez em The Brotherhood. Não bastava apenas ser o único membro original remanescente. Aqui, o músico escreveu todas as músicas, assumiu sozinho as guitarras e posou de forma individual para as fotos promocionais. Ao menos em uma coisa os fãs puderam ficar tranquilos: a sonoridade se manteve a mesma de sempre, com o Heavy tradicional até a medula se fundindo a influências de Power Metal e Hard Rock. É uma espécie de segurança para os conservadores quando a cara de uma banda se limita a um de seus membros, com os outros servindo como mero apoio. Exceto quando ele busca uma nova identidade de tempos em tempos, o que não é o caso aqui.

Conhecedores da discografia não terão do que reclamar em canções como “Welcome To Hell”, “Soulstrippers” ou a épica faixa-título. Como curiosidade, a letra de “The Ghost” é inspirada em Thomas Edward Lawrence. Sim, o popular Lawrence da Arábia, herói militar britânico da Revolta Árabe, entre 1916 e 1918. Fechando o tracklist, é a música mais longa, ultrapassando os dez minutos, embora não inclua mudanças rítmicas sobressalientes. Quem conhece e curte o Running Wild sabe que não vai se decepcionar. Para quem nunca foi adepto, não é aqui que mudará de ideia. A turnê de divulgação de The Brotherhood renderia um álbum ao vivo, simplesmente intitulado Live.

Rolf Kasparek (vocais, guitarra)
Peter Pichl (baixo)
Angelo Sasso (bateria)

01. Welcome To Hell
02. Soulstrippers
03. The Brotherhood
04. Crossfire
05. Siberian Winter
06. Detonator
07. Pirate Song
08. Unation
09. Dr. Horror
10. The Ghost (T.E. Laurence)

brotherhood

Pantera: 25 anos de Vulgar Display Of Power

pantera vulgar

(lançado em 25 de fevereiro de 1992)

Após “trair a farofa”, o Pantera se tornou um dos grandes expoentes da geração que transformaria o Heavy Metal nos anos 1990. Cowboys From Hell foi um sopro de novidade em uma cena que parecia fadada a cair no ostracismo, graças à acomodação dos grupos de décadas anteriores – com raras e honrosas exceções. A revelação se consolidou de vez em Vulgar Display Of Power, álbum referencial de sua época. Tudo que foi apresentado no antecessor aparecia ainda mais encorpado. O quarteto conseguia agradar gregos e troianos, colocando um pé no lado mais agressivo sem perder a base do que é tradicional na proposta. Some a isso a execução de primeira linha, especialmente graças ao brilho de Dimebag Darrell, um dos melhores guitarristas da geração. Aliás, foi a partir das gravações deste disco que ele adotou em definitivo o apelido pelo qual ficaria conhecido até depois da morte.

Quatro músicas foram lançadas como single. “Mouth For War” possui um riff matador, enquanto “This Love” explicita a característica melódica, tendo se tornado exemplar icônico de balada Heavy. A musicalidade superior se aprofundava em “Hollow”, faixa de encerramento. A última lançada no formato promocional foi “Walk”, que se tornou um dos grandes hinos da carreira do grupo, graças a seu ritmo marcado e refrão de fácil assimilação. Pedradas certeiras como “Fucking Hostile”, “A New Level” e “By Demons Be Driven” também se tornariam clássicos. Até hoje, Vulgar Display Of Power vendeu mais de dois milhões de cópias só nos Estados Unidos, onde chegou ao 44º lugar do Top 200 da Billboard. Como curiosidade, o cidadão da capa precisou ser fotografado 30 vezes e recebeu 10 dólares. Por sorte, ele não foi realmente socado em nenhuma das ocasiões.

Phil Anselmo (vocais)
Dimebag Darrell (guitarra)
Rex Brown (baixo)
Vinnie Paul (bateria)

01. Mouth For War
02. A New Level
03. Walk
04. Fucking Hostile
05. This Love
06. Rise
07. No Good (Attack The Radical)
08. Live In A Hole
09. Regular People (Conceit)
10. By Demons Be Driven
11. Hollow

pantera vulgar

Sodom: 20 anos de ‘Til Death Do Us Unite

sodom

(lançado em 24 de fevereiro de 1997)

Após a turnê do álbum Masquerade In Blood (1995), Tom Angelripper se viu sozinho. O guitarrista Strahli e o baterista Atomic Steif deixaram o Sodom apenas com seu criador. As substituições foram feitas com Bernd “Bernemann” Kost e Bobby Schottkowski, respectivamente. Esta acabaria se tornando a formação mais duradoura de toda a carreira da banda – até o momento –, tendo gravado seis discos de estúdio mais um ao vivo. O primeiro foi ‘Til Death Do Us Unite, que ficou marcado por começar a resgatar as raízes Thrash do trio alemão, após flertes com influências de Groove e Death Metal nos antecessores diretos. A repercussão foi positiva junto aos fanáticos, além de uma publicidade extra graças a duas controvérsias.

A primeira polêmica já aconteceu por conta da capa, com as barrigas de um homem obeso e de uma mulher grávida prensando uma caveira. Depois, a música “Fuck The Police” também causou, o leitor já pode imaginar o motivo. Também obtiveram boa recepção a abertura, com “Frozen Screams”, a pegada Hardcore de “Hanging Judge” e o lado mais tradicional de “No Way Out”, além de duas cantadas em alemão, “Gisela” e “Schwerter Zu Pflugscharen”. O fato é que, pelo bem ou pelo mal, o videoclipe da faixa se tornou o mais conhecido de toda a carreira do grupo. Vale citar ainda o cover para “Hazy Shade Of Winter”, de Paul Simon, inspirado na versão da The Bangles. Era o começo da retomada que levaria o Sodom a seu segundo grande momento.

Tom Angelripper (baixo, vocais)
Bernd “Bernemann” Kost (guitarra)
Bobby Schottkowski (bateria)

01. Frozen Screams
02. Fuck The Police
03. Gisela
04. That’s What An Unknown Killer Diarized
05. Hanging Judge
06. No Way Out
07. Polytoximaniac
08. ‘Til Death Do Us Unite
09. Hazy Shade Of Winter
10. Suicidal Justice
11. Wander In The Valley
12. Sow The Seeds Of Discord
13. Master Of Disguise
14. Schwerter Zu Pflugscharen
15. Hey, Hey, Hey Rock ‘N’ Roll Star

sodom

Resenha: Overkill – The Grinding Wheel [2017]

Grinding Wheel

Apesar de não ter alcançado o patamar de alguns colegas de geração, o Overkill raramente decepcionou seus fãs. Comandada por Bobby “Blitz” Ellsworth e D.D. Verni, a banda oferece seu Thrash Metal oitentista, com influências de Heavy tradicional e atitude Rock and Roll. As prévias já indicavam que este seria um trabalho mais diversificado em comparação aos mais recentes. E realmente, podemos identificar linhas melódicas mais marcantes e até um clima de positivismo acentuado, destoando do lado sombrio de seus antecessores diretos. Entre as características mantidas, a sempre presente ideia de músicas com longa duração para os padrões do estilo praticado. Blitz segue com a voz em forma e a usina de riffs, comandada por Dave Linsk e Derek Tailer, ainda produz exemplares memoráveis.

A qualidade já aparece na abertura, com “Mean, Green, Killing Machine”, oitentista sem soar como mera cópia do que foi produzido àquela época. Vale citar, ainda, a levada na metade da canção, remetendo a uma versão aditivada de Deep Purple, Uriah Heep e afins, engatando em um solo frenético. “Goddamn Trouble” vem a seguir e provoca o ouvinte a acompanhar o ritmo acelerado, seja no headbanging ou com as pernas. A correria segue em “Our Finest Hour”, com palhetadas certeiras ditando a levada, que conserva certa influência britânica. A variação em “Shine On” ressalta a pegada da cozinha, enquanto “The Long Road” expõe o lado épico do quinteto em sua introdução, desembocando em mais uma agressão sonora das boas. Com guitarras Hard Rock, “Let’s All Go To Hades” traz Blitz variando seu registro e mostrando um lado mais acessível – tendo o histórico da banda como parâmetro, é claro.

Não haveria título mais apropriada para a sétima faixa do que “Come Heavy”. Riffs no melhor jeito Tony Iommi de ser fazem com que ela seja um tributo (proposital ou não) aos pais do som pesado. Até a levada dos vocais é puro Ozzy. Falando em nomes para músicas, “Red White And Blue” não é nada ufanista. Ao contrário, critica patriotismo cego e subserviência, ao som de um Thrash aniquilador. Mais curta do tracklist, “The Wheel” retoma o lado oitentista, com guitarras que parecem ter saído direto da NWOBHM. A faixa-título encerra o massacre de forma climática, com uma melodia que parece ter saído da cabeça de Steve Harris – até o interlúdio de baixo está presente. O que já vinha sendo feito com extrema competência nos trabalhos mais recentes ganhou contornos épicos. The Grinding Wheel pode ser exaltado como um dos melhores discos de toda a carreira do Overkill, assim como candidato a figurar em listas de final do ano. Agora, a Anitta vai ter mais orgulho ainda de envergar a camiseta.

Nota 10

Bobby “Blitz” Ellsworth (vocais)
Dave Linsk (guitarra)
Derek Tailer (guitarra)
D.D. Verni (baixo)
Ron Lipnicki (bateria)

01. Mean, Green, Killing Machine
02. Goddamn Trouble
03. Our Finest Hour
04. Shine On
05. The Long Road
06. Let’s All Go To Hades
07. Come Heavy
08. Red White And Blue
09. The Wheel
10. The Grinding Wheel

Grinding Wheel

Resenha: Black Star Riders – Heavy Fire [2017]

heavy fire

Apesar de sabermos que o Black Star Riders nunca conseguirá se livrar por completo do rótulo de “a banda que surgiu das cinzas do Thin Lizzy” – até porque a história é essa mesmo –, já dá para considerá-la uma entidade individual. O primeiro álbum, All Hell Breaks Loose (2013), foi uma ótima introdução, enquanto The Killer Instinct (2015) não conseguiu manter o mesmo nível. Portanto, havia alguma expectativa em relação a Heavy Fire. A manutenção do produtor Nick Raskulinecz faz com que o cenário seja menos conturbado, já que no trabalho anterior, Joe Elliott, vocalista do Def Leppard seria o responsável, tendo abandonado o barco, o que deixou certas rusgas no relacionamento. O efeito pode ser sentido no produto final, muito mais centrado e equilibrado.

Musicalmente, o trabalho não se difere tanto dos seus antecessores. É aquele Hard Rock guiado pelo duo de guitarras, com melodias pegajosas sem descambar para o lado mais água-com-açúcar do estilo. Há tentativas de fugir daquilo que se esperaria, como na faixa-título, com riffs que lembram até mesmo Black Sabbath. Primeira música revelada, “When The Night Comes In” oferece agradáveis backing vocals femininos (que também aparecem em outras canções) e aquele infalível toque de Phil Lynott no arranjo. Vale ainda citar a quase metálica “Who Rides The Tiger”, a tipicamente britânica “Testify Or Say Goodbye” e o groove de “True Blue Kid”. Mudando sem perder a essência, o Black Star Riders se recuperou em Heavy Fire. Não será o disco do ano, mas proporciona uma agradável audição.

Nota 8

Ricky Warwick (vocais, guitarra)
Scott Gorham (guitarra)
Damon Johnson (guitarra)
Robbie Crane (baixo)
Jimmy DeGrasso (bateria)

01. Heavy Fire
02. When The Night Comes In
03. Dancing With The Wrong Girl
04. Who Rides The Tiger
05. Cold War Love
06. Testify Or Say Goodbye
07. Thiking About You Could Get Me Killed
08. True Blue Kid
09. Ticket To Rise
10. Letting Go Of Me

heavy fire

Manowar: 30 anos de Fighting The World

manowar fighting

(lançado em 17 de fevereiro de 1987)

Várias mudanças caracterizam o quinto álbum do Manowar. A principal, que desencadeou todas as outras, foi a mudança de gravadora. Insatisfeita com a Virgin, a banda assinou com a Atlantic Records. Em uma major, as possibilidades se tornaram maiores e mais abertas. Sendo assim, Fighting The World conta com uma série de “primeiras vezes” na carreira do grupo. O disco foi gravado e mixado totalmente em equipamento digital. Anteriormente, apenas Turbo, do Judas Priest, tinha se utilizado do mesmo método, em se tratando de Heavy Metal. Também marcou o início da colaboração com o ilustrador Ken Kelly, conhecido por seus trabalhos com Rainbow e KISS. Até por isso, não é nada estranho que o fundo da capa seja uma referência direta a Destroyer, clássico dos mascarados. A parceria se estendeu até os tempos atuais, com o artista assinando todas as artes do quarteto.

A sonoridade é considerada, por fãs ortodoxos, mais comercial em comparação aos plays anteriores. Canções como “Blow Your Speakers” e “Carry On” soam um tanto quanto acessíveis, com a primeira ganhando um videoclipe nos moldes do que a MTV (citada na letra) pedia à época. Mesmo assim, o grupo forjou um genuíno representante do True Metal em “Black Wind, Fire And Steel”, que encerra o tracklist e se tornou a música que fecha os shows até hoje. Outra curiosidade vai para ”Defender”, originalmente gravada em 1982 e nunca antes aproveitada. Assim como “Dark Avenger”, de Battle Hymns, primeiro disco, ela conta com uma narração de Orson Welles. À altura do lançamento deste play, o ator já havia falecido, transformando esse reaproveitamento em homenagem póstuma. Com maior distribuição, Fighting The World apresentou o Manowar a uma fatia maior do mercado. Mas a consagração definitiva viria apenas no trabalho seguinte, a autocoroação como reis.

Eric Adams (vocais)
Ross The Boss (guitarra, teclados)
Joey DeMaio (baixo)
Scott Columbus (bateria)

01. Fighting The World
02. Blow Your Speakers
03. Carry On
04. Violence And Bloodshed
05. Defender
06. Drums Of Doom
07. Holy War
08. Master Of Revenge
09. Black Wind, Fire And Steel

manowar fighting

Edguy: 20 anos de Kingdom Of Madness

edguy kingdom

(lançado em 8 de fevereiro de 1997)

O Edguy foi uma banda incrivelmente precoce. O quarteto original começou a tocar junto em 1992, aos 14 anos de idade. Em 1994, lançaram as primeiras demos, Evil Minded e Children Of Steel. The Savage Poetry, álbum de estreia, foi lançado de forma independente, depois sendo adquirido pela gravadora AFM, que ampliou a divulgação original. Assim, chegamos a Kingdom Of Madness, considerado pela própria banda seu primeiro lançamento profissional, por assim dizer. À época, Tobias Sammet ainda acumulava a função de baixista e o baterista era Dominik Storch, que seria substituído por Felix Bohnke alguns anos mais tarde. As ideias seguiam o caminho do Power Metal tipicamente europeu, que passava por seu momento de maior sucesso, antes de se tornar a vertente mais saturada do gênero.

A banda ainda se mostrava um tanto quanto verde, o que pode ser sentido nos arranjos e na produção, que assinaram em parceria com Erik Grösch. Mas já oferecia alguns bons momentos, como em “Paradise”, faixa de abertura, ou “Wings Of A Dream”, regravada anos mais tarde, nas sessões do disco Mandrake. Baladeiros não terão do que reclamar em “When A Hero Cries”, pontuada por piano e orquestrações. Vale citar ainda que “The Kingdom”, faixa de encerramento, tem mais de 18 minutos e conta com participação de Chris Boltendahl, vocalista do Grave Digger, narrando uma parte textual e dando uma gargalhada maquiavélica. Era o princípio de uma história épica que se tornaria farrista – e muito melhor. O início da real consagração viria no trabalho seguinte, Vain Glory Opera, já bem mais elaborado.

Tobias Sammet (vocais, baixo, teclados)
Jens Ludwig (guitarra)
Dirk Sauer (guitarra)
Dominik Storch (bateria)

01. Paradise
02. Wings Of A Dream
03. Heart Of Twilight
04. Dark Symphony
05. Deadmaker
06. Angel Rebellion
07. When A Hero Cries
08. Steel Church
09. The Kingdom

edguy kingdom

Resenha: Jack Russell’s Great White – He Saw It Comin’ [2017]

jack russell's

É inevitável fazer algum tipo de comparação entre o grupo de Jack Russell e o Great White, que segue firme e forte com Terry Ilous nos vocais. Sendo assim, já de cara lembramos que “a outra versão” da banda saiu cinco anos na frente ao lançar o (bom) álbum Elation. Durante este tempo, o cantor original promoveu um entra-e-sai de músicos em seu conjunto, além das trocas de nomes e pagamentos de vale. Imbróglios judiciais resolvidos, era hora de mostrar o poder de fogo que ainda existia. Seria muito fácil tomar partido do quinteto comandado por Mark Kendall. Afinal de contas, a substituição de frontman foi mais que justificada pelo comportamento errante de Jack. Porém, também é verdade que o dono do microfone foi responsável pela composição de vários dos grandes hits dessa história que segue mão dupla, merecendo uma chance junto aos fãs.

O fato é que He Saw It Comin’ não foge da proposta Hard/Classic Rock que consagrou Russell. Canções como “She Moves Me” misturam com classe as influências setentistas com o toque da década seguinte, quando o protagonista se destacou em uma concorrida cena. “Crazy” é daquelas que David Lee Roth adoraria cantar, enquanto “Love Don’t Live Here” tem cara do que seria um sucesso outrora, sensação que se repete na quase Reggae “Don’t Let Me Go”. Os baladeiros de plantão vão se deleitar em “Anything For You”, da mesma forma que “Spy Vs. Spy” e “Blame It On The Night” vão contentar quem busca algo mais guitarreiro. De forma segura, Jack Russell dá a partida ideal em seu Great White. Aguardemos duas coisas: a resposta da contraparte e que não demore muito para outro dessa formação. Por hora, este jogo está empatado.

Nota 8

Jack Russell (vocais)
Tony Montana (guitarra, teclados)
Robby Lochner (guitarra)
Dan McNay (baixo)
Dicki Fliszar (bateria)

01. Sign Of The Times
02. She Moves Me
03. Crazy
04. Love Don’t Live Here
05. My Addiction
06. Anything For You
07. He Saw It Comin’
08. Don’t Let Me Go
09. Spy Vs Spy
10. Blame It On The Night
11. Godspeed

jack russell's

Resenha: Kreator – Gods Of Violence [2017]

kreator gods

Em Phantom Antichrist, trabalho anterior, o Kreator promoveu uma aproximação do lado tradicional do Heavy Metal, incorporando características mais melódicas. Sem perder sua identidade Thrash, a banda alemã mantém esse caminho em Gods Of Violence. Sons como “Satan Is Real” possuem certo tempero britânico – especialmente em seu lado mais oitentista – em sua composição e se tornam de fácil assimilação sem desvirtuar do que consagrou o grupo comandado por Mille Petrozza. Há até espaço para uso de instrumentos atípicos ao protocolar do grupo, como a gaita de fole tocada por Boris Pfeifer (In Extremo) em “Hails To The Hordes”, ou a harpa de Tekla-Li Wadensten na introdução da faixa-título. E o melhor é que nada soa “alienígena” quando encaixado no contexto proposto.

Vale citar ainda a acelerada “World War Now”, a rifferama de “Totalitarian Terror” e “Lion With Eagle Wings”, que se adequaria a petardos anteriores, como Violent Revolution ou Enemy Of God. Importante destacar que, apesar de alguns ouvintes naturalmente estabelecerem conexões religiosas com as letras, a ideia de Mille Petrozza foi fazer analogias com a situação política do mundo na atualidade. Ou seja, não interpretem de forma literal tudo que ouvem. Gods Of Violence não deve figurar entre os melhores momentos da rica discografia do Kreator – sem o desvalorizar, mas no sentido de haver alguns plays realmente excelentes. Porém, é suficiente para manter a relevância e o interesse na banda. Quem gostou do antecessor vai aprovar esse aqui sem maiores dificuldades.

Nota 8

Mille Petrozza (vocais, guitarra)
Sami Yli-Sirniö (guitarra)
Christian Giesler (baixo)
Ventor (bateria)

01. Apocalypticon
02. World War Now
03. Satan Is Real
04. Totalitarian Terror
05. Gods Of Violence
06. Army Of Storms
07. Hail To The Hordes
08. Lion With Eagle Wings
09. Fallen Brother
10. Side By Side
11. Death Becomes My Light

kreator gods

Humanimal: 15 anos de Humanimal

humanimal

(lançado em 1º de fevereiro de 2002)

O Humanimal pega não apenas o nome do álbum mais bem-sucedido do Talisman emprestado. A própria banda comparece, com exceção do baterista Jamie Borger, substituído por Tomas Broman (Brazen Abbot, Electric Boys, Great King Rat). Outra diferença é que o cabeça das composições é o guitarrista Pontus Norgren, ao invés da dupla Jeff Scott Soto e o saudoso Marcel Jacob. Em termos de sonoridade, temos aquele Hard Rock melódico e cheio de groove que tornou o grupo um dos preferidos de quem acompanhou o underground do gênero nas décadas passadas, especialmente em seu lado europeu. O resultado final é tão interessante quanto o dos melhores momentos do conjunto principal.

A ideia não chegou aos palcos, com exceção de uma aparição de Pontus em um show solo de Jeff tocando “Again 2 B Found”. A performance pode ser conferida no DVD Live At The Gods 2002. Ainda vale destacar a pegada de “Licence 2 Kill”, a abordagem mais moderna de “Find My Way Home” e mais uma aula de feeling em “I”. Mesmo com divulgação quase nula, o Humanimal merece ser conferido pelos fãs de Hard/Melodic Rock, pois se trata de uma empreitada fenomenal. O Talisman foi reativado na sequência, sem a presença do guitarrista, que teve um desentendimento com os cabeças do projeto e foi substituído por Fredrik Akesson, hoje no Opeth. A volta gerou o excelente Cats & Dogs.

Jeff Scott Soto (vocais)
Pontus Norgren (guitarra)
Marcel Jacob (baixo)
Tomas Broman (bateria)

01. R U 4 Real
02. Again 2 B Found
03. License 2 Kill
04. Find My Way Home
05. Feel The Burn
06. Road 2 4giveness
07. I
08. Turn Away
09. Who Do You Think U R
10. Way 2 Deep

humanimal

Resenha: Firewind – Immortals [2017]

firewind immortals

Após quase ter encerrado atividades, o Firewind está de volta com seu primeiro disco em cinco anos. Immortals marca a estreia de Henning Basse nos vocais. Conhecido por passagens no Metalium, Lingua Mortis Orchestra e na banda de Uli Jon Roth, o cantor é uma das melhores vozes do Power Metal mundial desde sua aparição na cena. E ele segue dando conta do recado, com um registro que mistura rispidez e dramaticidade na medida certa. O disco versa sobre as batalhas de Thermopylae e Salamis, ocorridas 480 anos antes de Cristo, na Grécia antiga. A sonoridade se mantém naquele caminho cheio de melodia e pegada tipicamente europeia. A versatilidade do guitarrista Gus G., líder da empreitada, impressiona, especialmente para quem conhece as distintas etapas de sua carreira. Aliás, não à toa, é ele o grande destaque, com riffs e solos muito bem encaixados. Coisa de quem realmente entende do riscado.

Quem está acostumado com os clichês do estilo não terá do que se queixar em sons como “Hands Of Time”, “We Defy”, “Warriors And Saints” ou “Live And Die By The Sword”, que tem intro acústica, sample de trovões, enfim, tudo rezando a cartilha. Mesmo assim, a qualidade supera qualquer concepção prévia e o resultado é extremamente positivo. Há até espaço para uma injeção extra de peso, vide “Ode To Leonidas”, escolhida como primeiro single. Vale ainda citar a balada Hard Rock “Lady Of 1000 Sorrows”, exemplar melhor que os de muitas bandas supostamente mais familiarizadas com algo do tipo. Curiosamente, a faixa-título é um número instrumental de dois minutos, algo no mínimo inesperado – embora inegavelmente competente. Immortals não deve converter novos fieis, mas resgata o Firewind de um momento de crise com dignidade.

Nota 8

Henning Basse (vocais)
Gus G. (guitarra)
Petros Christo (baixo)
Bob Katsionis (teclados)
Johan Nunez (bateria)

01. Hands Of Time
02. We Defy
03. Ode To Leonidas
04. Back On The Throne
05. Live And Die By The Sword
06. Wars Of Ages
07. Lady Of 1000 Sorrows
08. Immortals
09. Warriors And Saints
10. Rise From The Ashes

firewind immortals

Resenha: Gotthard – Silver [2017]

gotthard silver

Apesar de muitos fãs ainda chiarem, o fato é que o Gotthard chega a seu terceiro álbum com Nic Maeder sem nada que justifique o excesso de reclamações direcionadas ao vocalista. Steve Lee sempre fará falta – embora seus discos derradeiros tenham ficado anos luz distantes dos melhores momentos do grupo. Porém, a vida deve continuar, até porque não foi um desejo dos envolvidos que fez com que a parceria fosse interrompida. Seria injusto simplesmente cobrar que desistissem daquilo que acreditavam por conta de uma tragédia do porte da ocorrida em 2010. E comparações à parte, o novo titular do microfone é um bom cantor, com timbre agradável e totalmente adaptado à proposta sonora do grupo. Se a coisa não tem agradado recentemente, a culpa não pode ser atribuída à sua performance.

Em Silver, a fórmula não se distancia do habitual. É o Hard Rock cheio de melodias pegajosas que consagrou os suíços. Canções como a ganchuda “Electrified”, a pesada “Tequila Symphony No.5” e a quase AOR “My, Oh My” se sobressaem. As baladas são muitas e uma pior que a outra. Assim como em seus antecessores diretos, falta aquele algo especial que fez o Gotthard despontar. Porém, ele consegue ser melhor que Bang, lançamento anterior. Que a progressão de volta aos bons tempos continue nos próximos, já que o belo desempenho nas paradas – especialmente na terra natal do conjunto – é garantido. Especialmente porque Nic está pagando injustamente uma conta que deve ser cobrada junto aos outros membros, pois já existia antes de sua chegada.

Nota 5,5

Nic Maeder (vocais)
Leo Leoni (guitarra)
Freddy Scherer (guitarra)
Marc Lynn (baixo)
Hena Habegger (bateria)

01. Silver River
02. Electrified
03. Stay With Me
04. Beautiful
05. Everything Inside
06. Reason For This
07. Not Fooling Anyone
08. Miss Me
09. Tequila Symphony No.5
10. Why
11. Only Love Is Real
12. My, Oh My
13. Blame on Me

gotthard silver