Longe dos holofotes, de mãos dadas com o bom gosto

Little Caesar – American Dream [2012]

Algumas bandas definitivamente não se importam se não alcançaram o sucesso que mereciam e seguem oferecendo música de qualidade. É o caso do Little Caesar, que surgiu na explosão do Hard na virada dos 1980s para os 90s com uma proposta que também trazia muita influência de Classic Rock, Blues e Black/Soul Music. O grupo lançou dois ótimos álbuns e acabou se separando. Ensaiaram um retorno em 1998 para voltar de vez quase vinte anos depois com o excelente Redemption, mostrando que o tempo afastado não tirou a alma dos músicos. Agora, American Dream consolida de vez uma das mais felizes reuniões da história recente do estilo.

Ron Young, com sua voz rouca e marcante, continua sendo o fio condutor de um quinteto pra lá de afiado, destacando a dupla Loren Molinare e Joey Brasler, que mandam riffs e solos da mais alta categoria. Todas as faixas são acima da média, mas não dá para deixar de citar a faixa-título, com seu sarcasmo lírico – ao contrário do que o nome poderia indicar, mas muito de acordo com a capa do disco. A abertura com “Holy Roller” faz o ouvinte bater o pé sem parar, enquanto “Only A Memory” é daquelas baladas classudas, tipicamente setentistas, prontas para fazer o coração sangrar. Já “The Girl’s Rock!” vai ainda mais longe no aspecto retrô, remetendo literalmente ás raízes dos 1950s.

Fechando o trabalho, temos a stoneana “Drama Queen” e o Blues Rock pegado de “Dirty Water”, com direito a efeito da agulha raspando no sulco do vinil e som abafado na intro. Dispensados pela gravadora no passado por serem “maços demais para uma época cheia de purpurina” (os caras eram motoqueiros tatuados com cara de mau e se conheceram em um puteiro onde o vocalista era segurança – é sério isso), o Little Caesar segue com aproveitamento extraordinário em termos de lançamentos. É Rock and Roll direto e feito com garra. Perfeito para se ouvir na estrada ou tomando uns gorós no boteco da esquina com os amigos.

Nota 8,5

Ron Young (vocals)
Loren Molinare (guitars)
Joey Brasler (guitars)
Fidel Paniagua (bass)
Tom Morris (drums)

01. Holy Roller
02. American Dream
03. Hard Rock Hell
04. Prisoner Of Love
05. In My Mirror
06. Only A Memory
07. The Girl’s Rock!
08. Is Your Crazy, Getting Lazy?
09. Own Worst Enemy
10. Drama Queen
11. Dirty Water

Mötley Crüe: 25 anos de “Girls, Girls, Girls”

Mötley Crüe – “Girls, Girls, Girls”
Lançado em 15 de maio de 1987

O quarto álbum do Mötley Crüe não é só marcante no aspecto comercial mas também por ser a época mais extrema da banda em relação aos seus vícios. “Girls, Girls, Girls” marca a excentricidade do grupo em seu auge, tendo reflexo não só nas composições, mas em todo o contexto histórico do ano de 1987 na vida dos bad boys de Los Angeles.

O processo de gravação, conturbado pelo estilo de vida dos integrantes, principalmente pelo baixista e principal compositor, Nikki Sixx, foi marcado pela falta de inspiração da banda no que tange ao processo de produção das letras e melodias. Todos notaram um Sixx pouco inspirado e abatido por problemas como vício e depressão, agravados pelo falecimento de sua avó – que o criou, já que foi “abandonado” pela mãe.

Há quem diga que “Girls, Girls, Girls” é o pior álbum do Mötley Crüe. Há quem diga que é o pior da safra oitentista. Eu discordo de ambas as afirmações, mas os próprios membros da banda admitem que alguns fillers foram devidamente inseridos, tendo como exemplo a versão ao vivo de Jailhouse Rock, original de Elvis Presley – que é uma versão excelente, mas só foi colocada porque Sixx já não conseguia compor boas coisas.

O disco é meio extremo, 8 ou 80. Se momentos sem inspiração invadem de vez em quando, o verdadeiro espírito “mötley” aparece em canções dignamente clássicas como Dancing On Glass, Sumthin’ For Nuthin’, Wild Side (a melhor do play e uma das melhores da carreira do Crüe sem dúvidas) Bad Boy Boogie e a faixa que dá nome ao disco. Sem contar a ótima balada You’re All I Need, controversa pela sua lírica, que aborda a história de um homicida sanguinário que assassinou a própria namorada, e pelo seu videoclipe, com cenas fortes.

Pode-se afirmar que “Girls, Girls, Girls” é uma continuação de seu antecessor, “Theatre Of Pain”, onde as melodias passaram a ter uma abordagem mais direcionada para o blues e o rock n’ roll clássico, com riffs e solos bem bluesy, a exemplo de Bad Boy Boogie, All In The Name Of… e Five Years Dead, mas sempre com a pegada farofeira de praxe dos anos 1980. O disco também pode ser entendido como uma transição entre o musicalmente instável “Theatre Of Pain” (1985) e o clássico incontestável “Dr. Feelgood” (1989), pois apresenta elementos de ambos.

A repercussão foi excelente pra um álbum hoje tido como “sem inspiração”. Em três meses de lançamento, já havia vendido 3 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos, emplacando hits como Wild Side, a faixa-título e You’re All I Need, além de estrear na 2ª posição das paradas gerais e ter a frustração de “Whitney”, de Whitney Houston, ter sido lançado duas semanas antes e ficado em 1° lugar por mais 11 semanas consecutivas. Hoje, “Girls, Girls, Girls” já ultrapassou as 4 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.

Para conhecer mais sobre esse período da banda, recomenda-se o livro “The Heroin Diaries”, de Nikki Sixx, pois este aborda o ano de 1987 na vida do músico e da banda. No mais, trata-se de um grande disco, que ainda mantém seu legado 25 anos após seu lançamento.

Vince Neil (vocal)
Mick Mars (guitarra)
Nikki Sixx (baixo)
Tommy Lee (bateria, piano)

01. Wild Side
02. Girls, Girls, Girls
03. Dancing On Glass
04. Bad Boy Boogie
05. Nona
06. Five Years Dead
07. All In The Name Of…
08. Sumthin’ for Nuthin’
09. You’re All I Need
10. Jailhouse Rock (Live)

Um amor apocalipticamente bom

Slash – Apocalyptic Love [2012]

Sempre subestimado, Slash nunca se importa em surpreender cada vez mais. O icônico guitarrista continua na ativa e demonstra uma grande evolução enquanto músico e compositor em “Apocalyptic Love”, disco que considero ser o seu primeiro solo – o anterior, homônimo, apesar de excelente, soa um pouco como uma colcha de retalhos. Para construir este novo disco, Slash contou com o grande vocalista e também compositor Myles Kennedy (Alter Bridge) e o The Conspirators, banda de apoio formada pela competente cozinha de Todd Kerns (baixo) e Brent Fitz (bateria). Finalmente, o guitarrista da cartola produziu um disco homogêneo, algo que não ocorria, ao meu ver, desde o primeiro do Slash’s Snakepit, de 1995.

A abertura com a faixa-título é simples, direta e convincente. Resume muito bem o objetivo do disco, bem como a sua sonoridade. Slash e sua trupe querem fazer Rock n’ Roll e ponto. Seu refrão é o destaque, por ser grudento e poderoso. One Last Thrill segue a mil por hora, com bons riffs e performance avassalada de Slash enquanto solista. O espírito Hard Rocker (não o farofa) é resgatado com êxito nessa canção. Standing In The Sun copia tragicamente o riff de Immigrant Song, do Led Zeppelin, mas o resto da música compensa. Um dos melhores solos do cartola no disco.

Slash e Myles Kennedy – a parceria que deu certo

O single You’re A Lie dá sequência. Já conhecida de todas, a música mantém bem a simplicidade das anteriores. No More Heroes é uma das melhores do disco, seus arranjos melódicos e agradáveis se aliam a uma grande performance de Myles Kennedy e geram uma baita música, sem ser “baladesca” demais. Halo, em seguida, também está entre as melhores. A canção, bastante visceral, consegue ser criativa e tem mais uma execução aplausível do vocalista do Alter Bridge. We Will Roam possui um andamento mais cadenciado, botando o pé no freio com bons arranjos e um grande solo de Slash.

Anastasia é uma das mais diferentes do disco. Sua introdução no violão é seguida por um solo de Slash que presta tributo a Johann Sebastian Bach ao tocar um trecho de Toccata And Fugue In D Minor, em escala diminuta, o que lembra guitarristas neoclássicos. A música inteira segue com esse clima aplicado pela escala diminuta, que é um pouco emblemático e adstringente no primeiro momento, porém se torna cativante quando a audição se acostuma. A balada Not For Me não me soa muito inspirada, assim como a próxima Bad Rain, que é apenas um Rockzinho legal. Hard & Fast retoma a inspiração e segue como seu título sugere. Esta faixa remete muito às pauladas do “Use Your Illusion”, do Guns N’ Roses, e poderia estar no início do play.

A outra balada Far And Away se assemelha muito com Not For Me, ou seja, pouco inspirada. Só tem uma boa performance de Myles. Shots Fired, faixa de encerramento na versão normal, é mais um filler e isso preocupa. Apenas tem um refrão de destaque e um instrumental com alguns bons momentos. Mas as duas faixas de encerramento da versão deluxe, Carolina e Crazy Life, não deixam “Apocalyptic Love” acabar com um sentimento ruim. Carolina tem um talkbox cativante e um clima bem Hard Rock. Crazy Life é guiada por bons riffs de guitarra, uma execução elegante de todo o instrumental e mais um refrão impecavelmente grudento, reforçado muito bem pelas vozes de apoio. Uma pena que não estejam na versão comum do lançamento.

“Apocalyptic Love” tem seus defeitos, principalmente por seus fillers. Isso me decepcionou um pouco, pois nem o anterior auto-intitulado, repleto de participações e pouco homogêneo, não contou com nenhum filler ao meu ver. Mas esse é o preço a se pagar quando se opta por lançar um disco longo, com mais de 11 faixas.

No mais, trata-se do primeiro disco da nova empreitada, então, se tivermos um pouco de paciência, bons frutos podem render no futuro. Para isso, espero que a banda Slash, Myles Kennedy & The Conspirators tenha vida longa. “Apocalyptic Love” mostra que o projeto promete muita coisa boa se continuar existindo. Além do mais, Slash parece ter encontrado sua própria paz com uma banda estável, diferente do Guns N’ Roses, do Slash’s Snakepit e do Velvet Revolver.

Nota 8,5

Myles Kennedy (vocal, guitarra rítmica)
Slash (guitarra solo)
Todd Kerns (baixo)
Brent Fitz (bateria)

01. Apocalyptic Love
02. One Last Thrill
03. Standing in the Sun
04. You’re a Lie
05. No More Heroes
06. Halo
07. We Will Roam
08. Anastasia
09. Not for Me
10. Bad Rain
11. Hard & Fast
12. Far and Away
13. Shots Fired
14. Carolina (Deluxe Edition bonus track)
15. Crazy Life (Deluxe Edition bonus track)

Sem rótulos, com marca registrada

 

Dee Snider – Dee Does Broadway [2012]

É mais que natural que a ideia venha causar estranheza nos mais conservadores – e o mundo está cheio deles, de qualquer modo. Mas Dee Snider nunca foi aquilo que podemos chamar de convencional em suas investidas desde os tempos de Twisted Sister, passando por Widowmaker, Desperado e Van Helsing’s Curse, até chegar a outros ramos do mundo do entretenimento, como a mais recente aparição no reality-show The Celebrity Apprentice. A nova investida acontece neste Dee Does Broadway, que como o nome já evidencia, traz o lendário vocalista dando uma interpretação toda pessoal para clássicos dos espetáculos musicais.

Mas não pense que ao dar o play você ouvirá sons que busquem apenas outros approachs musicais. Ao contrário, pois a estrutura básica das canções escolhidas foi adaptada para o formato convencional de guitarra-baixo-bateria. Obviamente é impossível que tudo se afaste da proposta inicial, tanto que a aparição de outros instrumentos, não tão familiares, ao Rock acabam sendo inevitáveis em várias passagens. Mas o mais interessante acaba sendo a naturalidade com que Dee encaixa sua interpretação às músicas, mostrando toda sua competência.

Todas as faixas são dignas de destaque. Mas impossível não citar a abertura com “Cabaret” ou o dueto com Cindy Lauper em “Big Spender”. O single “Mack The Knife” mostra ter sido uma escolha acertada, enquanto a emocional “Music Of The Night”, de O Fantasma da Ópera, traz uma das melhores performances vocais da carreira de Snider. “The Joint Is Jumpin’” vira um Hard Rock acelerado dos bons, lembrando os melhores momentos do Van Halen, até mesmo no espírito galhofeiro à la David Lee Roth. O pique não cai com “Luck Be A Lady”, que traz participação de Clay Aiken, que se destacou no American Idol de 2003. Outro momento que não pode deixar de ser citado é a lendária “Razzle Dazzle”, de Chicago, mais Rock que nunca.

A produção de Bob Kulick – que também cuida das seis cordas – deixou o som no ponto. A banda de apoio faz o trabalho com extrema competência. Indicado para pessoas que sabem que a cabeça serve para mais que bangear.

Nota 8

Dee Snider (vocals)
Bob Kulick (guitars)
Rudy Sarzo (bass)
Brett Chassen (drums)
Doug Katsaros (orchestral arrangements)

01. Cabaret
02. The Ballad Of Sweeney Todd
03. Big Spender (with Cyndi Lauper)
04. Mack the Knife
05. Whatever Lola Wants (with Bebe Neuwirth)
06. Music Of The Night (with heavy-violinist Mark Wood)
07. The Joint Is Jumpin’ (with Jesse Blaze Snider)
08. Luck Be A Lady (with Clay Aiken)
09. I Get A Kick Out Of You
10. There Is Nothin’ Like A Dame (with Will & Tony Sheldon and Nick Adams)
11. Razzle Dazzle
12. Tonight/Somewhere (with Patti LuPone)

De Glitter só tem o nome

Ao ver o nome Glitter Magic, talvez você tenha pensado em um bando de farofeiros tocando riffs batidos no maior estilo Poison. Mas é aí que mora o perigo. Apesar da influência Hard Rock existir, o grupo, que surgiu em Juiz de Fora (MG) no ano de 2005, surpreende em “Bad For Health” pelos aspectos a serem listados durante esse texto.

O quinteto mineiro é composto por Rhee Charles nos vocais, Luqui Di Falco e Mauri Moore nas guitarras, Glux no baixo e Andy Ravel na bateria. Antes de lançar este registro, o grupo apostou em um CD demo intitulado “Snake’s Blood” (2006) e participou das coletâneas “Bandas Novas: Volume IX” (2007), “Quem Toca Cover Tá Por Fora: Volume I” (2008) e “Hard Rock Mineiro: Volume I” (2009). Há de se destacar, também, que Di Falco já excursionou como músico de turnê de Tony Martin e Geoff Nichols, ambos ex-Black Sabbath, e Danny “Dante” Needham, atual batera do Venom.

O processo de preparação de “Bad For Health” começou no início de 2010, tendo seu lançamento aproximadamente dois anos depois, em abril de 2012. Mas o riff de abertura da faixa-título mostra que a demora valeu a pena. O Glitter Magic não deixa a peteca cair em nenhum momento. Os ganchos melódicos e grudentos do Hair Metal oitentista se aliam perfeitamente à visceralidade do Heavy Metal e ao peso do Thrash Metal em diversos momentos do play, além de algumas nuances lembrarem a atual fase do Metal – sustentada por estilos como o New Metal, o Groove Metal e o Metalcore – com entradas cadenciadas e ideais para o headbanging.

Ao meu ver, a inserção de influências mais pesadas deram uma notável originalidade ao Glitter Magic. A voz de Rhee Charles, apesar de soar um pouco forçada em alguns momentos (talvez o único ponto negativo do álbum), claramente pertence à escola clássica do Hard/Heavy, o que é muito bom. Torna-se inusitado ouví-lo cantar em riffs que, normalmente, seriam vociferados por guturais ou screamo. Além disso, quando menos se espera, um trecho de cunho melódico surge para grudar na mente do ouvinte. Inesperadamente excelente.

Há de se destacar o instrumental, principalmente a cozinha bem elaborada de Glux e Andy Ravel e a performance exuberante dos guitarristas Mauri Moore e Luqui Di Falco. O trabalho de estúdio, assumido pela própria banda e por Jerry Torstensson (Draconian), também é excelente. Até mesmo o encarte, assinado por Marcelo Vasco (Borknagar, Belphegor, Vader), atesta a preocupação que o Glitter Magic teve em apresentar um trabalho profissional. Felizmente, conseguiram.

Os destaques da tracklist são as pesadíssimas Snake Blood e Daring The Dawn, a hard rocker Breathless, a já citada faixa-título e a incrível balada Heal Me. Mas é um disco aplausível do início ao fim. Se a divulgação for feita efetivamente, o Glitter Magic tem tudo para ser um dos principais nomes da atual cena metálica do Brasil.

Nota 8,5

Rhee Charles (vocal)
Mauri Moore (guitarra)
Luqui Di Falco (guitarra, violão)
Glux (baixo)
Andy Ravel (bateria)

Músicos adicionais:
Diogo Dadalti (violoncelo, violino e viola em 3)
Leandro Trombini (guitarra em 3 e 5)
Athos Batista (teclados em 5 e 8)

01. Bad for Health
02. The Dreamer’s Disease
03. Don’t
04. Snake Blood
05. Heal Me
06. Breathless
07. Amnesia
08. Living on Addiction
09. Love Proof
10. Daring the Dawn

Conheça mais do Glitter Magic!
MySpace: www.myspace.com/glittermagic
Soundcloud: www.soundcloud.com/glittermagic
Facebook: www.facebook.com/GlitterMagicBand
Contato: glittermagic@gmail.com

CD disponível para download no link:
http://www.4shared.com/rar/QeIF_WQ9/Glitter_Magic_-_Bad_For_Health.html

The Rolling Stones: 40 anos de “Exile On Main St.”

Rolling Stones – “Exile On Main St.”
Lançado em 12 de maio de 1972
(por Gabriel Ferreira)

Os anos 1970 foram, indiscutivelmente, uma década mágica para o Rock em vários sentidos. De um lado, o Punk Rock começava a ser criado por bandas como New York Dolls e Stooges, e do outro o Rock Progressivo e o Classic Rock estavam cada vez mais se inovando e se reinventando. E os Rolling Stones começaram a década com força total.

“Sticky Fingers”, um dos álbuns mais famosos de todos os tempos, foi a estreia do próprio selo de Mick Jagger e companhia, o Rolling Stones Records. A capa idealizada por Andy Warhol é uma das imagens mais emblemáticas da história. Houve também a entrada de Mick Taylor como substituto do finado Brian Jones, morto em 1969.

Mas apesar de “Sticky Fingers” ser um clássico incontestável, aquele que é considerado por muitos como o ápice da banda só veio a luz do dia em 1972. As gravações de “Exile On Main St.”, o décimo álbum de estúdio dos Stones, remontam seu chamado exílio no sul da França, numa casa na chamada Villa Nelcotte, que seria um completo paraíso se não tivesse sido utilizada pela Gestapo como quartel general durante a Segunda Guerra Mundial.

Há muitas histórias a respeito do que aconteceu no período em que a banda (e mais alguns amigos) permaneceu por lá gravando Exile. Supostamente haviam suásticas pintadas nas entradas de ar da majestosa morada de dezesseis quartos. As sessões aconteceram à noite num porão, e pouco antes da conclusão do trabalho, Keith Richards passou por uma desintoxicação. Não é necessário dizer que as drogas fizeram parte do cotidiano por lá.

Independente disso, o resultado foi magnífico. “Exile On Main St.” traz uma receita tão variada e consistente que fica difícil contestar a admiração que muitos têm por esse disco. E a abertura com Rocks Off mostra o tamanho entrosamento do quinteto. Além do riff simplório e empolgante, os destaques também vão para os instrumentos de sopro e o piano – este, cortesia de Nicky Hopkins.

Rip This Joint tem essência na simplicidade e já começa totalmente direta e frenética. Os vocais de Jagger são coisa de outro mundo aqui e o slide tocado por Taylor dá uma atmosfera totalmente Blues à faixa. Shake Your Hips é um cover de uma canção de Slim Harpo e possui um main riff que lembra vagamente La Grange do grande ZZ Top, que seria lançada um ano depois em “Tres Hombres”.

Tumbling Dice é um clássico instantâneo e tornou-se um número quase obrigatório em diversos shows da banda. A influência do Gospel aparece com força aqui. Sweet Virginia abre o lado B, que prima pelas composições fortemente influenciadas pelo Country, com direito a gaitas e tudo o mais. A belíssima Torn and Frayed também merece nota por ser uma das minhas preferidas.

Happy é um Blues Rock que me lembra Garage Rock de algum modo. Turd On The Run tem a inspiração transbordante de sempre da dupla Jagger/Richards e Ventilator Blues possui um andamento incomum, porém fantástico.

A balada Let It Loose abre alas para as composições finais do disco, começando pela nervosa All Down The Line, com riff novamente simples e espetacular. Stop Breaking Down tem cara de jam e Shine A Light assume a faceta Gospel quase totalmente. Fechando de vez, temos a excepcional Soul Survivor. “Exile On Main St.” é uma obra-prima e ponto.

Mick Jagger (vocal)
Keith Richards (guitarra)
Mick Taylor (guitarra)
Bill Wyman (baixo)
Charlie Watts (bateria)

Músicos adicionais:
Nicky Hopkins – piano
Bobby Keys – saxofone, percussão em 10
Jim Price – trommpete, trombone e órgão em 7
Ian Stewart – piano em 3, 6 e 16
Jimmy Miller – bateria em 10 e 17; percussão em 8, 9, 13 e 15
Bill Plummer – contrabaixo em 2, 11, 13 e 15
Billy Preston – piano e órgão em 17
Al Perkins – pedal steel em 7
Richard Washington – marimba em 8

01. Rocks Off
02. Rip This Joint
03. Shake Your Hips
04. Casino Boogie
05. Tumbling Dice
06. Sweet Virginia
07. Torn and Frayed
08. Sweet Black Angel
09. Loving Cup
10. Happy
11. Turd On The Run
12. Ventilator Blues
13. I Just Want To See His Face
14. Let It Loose
15. All Down The Line
16. Stop Breaking Down
17. Shine A Light
18. Soul Survivor

Jimi Hendrix: 45 anos de “Are You Experienced”

The Jimi Hendrix Experience – “Are You Experienced?”
Lançado em 12 de maio de 1967

Jimi Hendrix é um um nome que, caso você goste de Rock, pelo menos já ouviu falar. E bem. Ninguém se atreve a criticar um dos guitarristas mais influentes da história não apenas do Rock n’ Roll, mas da música num conceito geral. Ousado, extremista e muitíssimo criativo, Hendrix se tornou um deus através da sua impecável porém curta carreira.

O primeiro registro de sua trajetória é “Are You Experienced”, que corresponde também à estreia do grupo formado pelo guitarrista, The Jimi Hendrix Experience. Além do próprio na guitarra e vocal, a banda consistia em Noel Redding no baixo e Mitch Mitchell na bateria. Seu lançamento ocorreu primeiro no Reino Unido, em 12 de maio de 1967 – há exatos 45 anos – e, três meses depois, nos Estados Unidos.

Capa da versão norte-americana de “Are You Experienced”

O álbum foi um choque aos ouvidos humanos. O máximo de complexidade dentro do Rock que os meros terráqueos estavam habituados eram com os mais recentes lançamentos de grupos como Pink Floyd, The Yardbirds e, claro, os Beatles, que flertavam com elementos psicodélicos, mas nada que chegasse ao ponto apresentado por aqui.

Vale ressaltar que esse foi o primeiro debut verdadeiramente aplausível de uma banda de Rock até então, pois nenhuma outra estreia de outro grande grupo caracterizaria seu som sem mudanças tão drásticas – basta comparar “Please Please Me” com “Sgt. Peppers”, ambos dos Beatles, ou o primeirão dos Rolling Stones com “Beggars Banquet”, entre outros exemplos. Após “Are You Experienced”, não havia como não se reinventar, já que Jimi praticamente ensinou todo mundo a ferir as seis cordas de verdade.

Aqui, o trio aliou psicodelia com peso de uma forma incrivelmente original e concisa. A temática do experimentalismo foi bastante empregada mas sem perder o foco, que é um Rock n’ Roll energético, flamejante e cheio de pegada. Guitarras frenéticas, baixo trabalhado, bateria feroz, composições chapadas e vocais mais chapados ainda eram apresentados ao mundo.

A repercussão de tal obra prima, mesmo naqueles tempos, não poderia ser diferente: “Are You Experienced” vendeu feito água. Hoje acumula disco quádruplo de platina nos Estados Unidos e, na época, só ficou atrás de “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, magnum opus do The Beatles, nas paradas inglesas.

Sobram destaques para as pauladas Foxy Lady e Fire, o hino Purple Haze, a diferente Manic Depression, o bluesão Red House e o cover de Hey Joe, canção popular de autoria duvidosa mas registrada por Billy Roberts. Não me sobra outra palavra para concluir esse texto que não seja “clássico” – alcunha que carrega até os dias de hoje e ainda levará por mais 45 mil anos.

Jimi Hendrix (vocal, guitarra, piano em 11)
Noel Redding (baixo)
Mitch Mitchell (bateria)

01. Foxy Lady
02. Manic Depression
03. Red House
04. Can You See Me
05. Love Or Confusion
06. I Don’t Live Today
07. May This Be Love
08. Fire
09. Third Stone From The Sun
10. Remember
11. Are You Experienced?

Iron Maiden: 20 anos de “Fear Of The Dark”

Iron Maiden – “Fear Of The Dark”
Lançado em 11 de maio de 1992
(por Gabriel Ferreira)

Na metade da década de 1980, o Iron Maiden resolveu deixar um pouco de lado seu Heavy Metal essencialmente tradicional e investir em caminhos mais experimentais, como pode ser verificado em “Somewhere In Time” e “Seventh Son Of A Seventh Son”, o último considerado por muitos como o fim dos “tempos de ouro” dos britânicos por conta da saída de Adrian Smith.

Quem o substituiu foi Janick Gers, já conhecido por ter gravado “Tattooed Millionaire”, primeiro disco solo de Bruce Dickinson. Com essa nova formação, gravaram o disco “No Prayer For The Dying”, que tentou resgatar o Maiden característico da primeira metade da década de 1980, mas não agradou a crítica especializada, nem foi um grande sucesso de vendas. No entanto, isso não impediu que a turnê de promoção da obra fosse bem-sucedida e em 1992, enfim, Steve Harris e companhia entravam em estúdio para registrar aquele que até hoje divide opiniões.

Da esquerda pra direita: Nicko McBrain, Janick Gers,
Bruce Dickinson, Steve Harris, Dave Murray

A expectativa dos fãs era grande, visto que o antecessor de 1990 não agradou a todos. E eis que sai “Fear Of The Dark”, o último trabalho produzido pelo companheiro de longa data Martin Birch, o último a ter Dickinson ao microfone (até sua volta em 2000) e o primeiro a não conter um Eddie desenhado por Derek Riggs (a arte ficou por conta de Melvyn Grant). O resultado, como foi dito acima, dividiu opiniões.

Apertando-se o play temos a abertura Be Quick Or Be Dead que dá amostras da crueza que predominou em “No Prayer For The Dying”. Metal simples e direto ao ponto. From Here To Eternity foi o segundo single e dá prosseguimento à saga de Charlotte The Harlot com uma composição somente boa. O hino anti-guerra Afraid To Shoot Strangers, que vem em seguida, soaria melhor se não fosse tão extenso.

Fear Is The Key causou estranhamento entre os fãs mais tradicionalistas, mas no final das contas é outra boa faixa. A climática Childhood’s End tem o baixo de Steve Harris e a bateria técnica de Nicko McBrain como principais destaques. Na sequência, temos Wasting Love, que foi e ainda é renegada por muitos por ser uma balada romântica. Em minha opinião, é uma música injustiçada.

Chains Of Misery aventura-se pelas influências hard rockers, The Apparition tem grandes variações rítmicas e Judas Be My Guide conta com elementos tanto Metal quanto Hard. A próxima, Weekend Warrior, é particularmente uma das que mais gosto do álbum. Bons riffs, violões bem colocados e um refrão explosivo. E então há o encerramento com a faixa-título, hino já carimbado que não falta em sequer nenhum setlist da banda até então e que não precisa de muitos comentários.

Os anos seguintes foram marcados pela conturbada entrada do injustiçado Blaze Bayley, a queda nas vendas, a volta de Dickinson e a atual fase da Donzela. O fato é que “Fear Of The Dark” é mais um belo disco em meio a tantos outros, apesar de seus pontos altos e baixos. Para ouvir sem preconceitos.

Bruce Dickinson (vocal)
Dave Murray (guitarra)
Janick Gers (guitarra)
Steve Harris (baixo)
Nicko McBrain (bateria)

Músico adicional:
Michael Kenney (teclados)

01. Be Quick Or Be Dead
02. From Here To Eternity
03. Afraid To Shoot Strangers
04. Fear Is The Key
05. Childhood’s End
06. Wasting Love
07. The Fugitive
08. Chains Of Misery
09. The Apparition
10. Judas Be My Guide
11. Weekend Warrior
12. Fear Of The Dark

O groove fez a diferença

Adrenaline Mob – Omertá [2012]

Para quem conheceu Mike Portnoy em sua história com o Dream Theater (leia-se todo o mundo), chega a ser surpreendente ver um baterista tão contido. Essa é a primeira impressão que salta aos ouvidos quando nos deparamos com Omertá, debut do supergrupo Adrenaline Mob. Talvez os fãs de música pela técnica não entendam tão bem esse sentimento, mas a sensação de alívio chega às raias do inevitável. Mas não interpretem isso de uma forma ruim. Claro que estamos falando de um dos maiores músicos das últimas décadas, que influenciou toda uma geração e isso ninguém apagará. De qualquer forma, vale destacar que, apesar de ser o grande nome, Portnoy joga para o time, o que é muito importante, até mesmo para um craque.

E aí vale destacar um coringa em sua posição: Russell Allen. Sua versatilidade em trabalhos distintos como o Symphony X, Atomic Soul, Allen/Lande, Star One e agora nessa nova banda, é digna de aplausos. Apostando em uma dose extra de agressividade, o vocalista agrada com uma performance acima de qualquer suspeita. As faixas são pesadas e com uma mistura de groove e riffs cativantes, cortesia de Mike Orlando, que também assume o baixo na gravação. Ainda há a participação especial de Lzzy Hale (Halestorm) no cover de “Come Undone”, do Duran Duran, que ganhou uma nova perspectiva, mostrando que quando a música é boa ultrapassa qualquer barreira de gênero.

Entre as próprias, destaques para a abertura com “Undaunted”, as marcantes “All On The Line” e “Believe Me”, além da arrasa-quarteirão “Down To The Floor”. A balada “Angel Sky” é outro momento muito interessante, com um arranjo que remete às experiências de bandas clássicas dos 1980s e 90s nessa área. A produção, função exercida pelo próprio trio, conseguiu deixar o som limpo e claro sem prejudicar a agressividade. Uma boa largada, que mostra como músicos de renome conseguem se aventurar por outras vertentes do Heavy Metal com destreza, sem comprometer seus legados. Vale a conferida.

Nota 7,5

Russel Allen (vocals)
Mike Orlando (guitars, bass)
Mike Portnoy (drums)

01. Undaunted
02. Psychosane
03. Indifferent
04. All on the Line
05. Hit the Wall
06. Feelin’ Me
07. Come Undone
08. Believe Me
09. Down to the Floor
10. Angel Sky
11. Freight Train

Slippery surpreende como veteranos

Slippery – First Blow [2012]

Desde o lançamento do EP “Follow Your Dreams”, em 2007, o Slippery vem se destacando entre as bandas nacionais. Não à toa, a banda foi responsável pela abertura dos shows de Jimi Jamison, Jeff Scott Soto e L.A. Guns no Brasil.

O trabalho competente e profissional feito por Fabiano Drudi (voz), DragãoKiko Shred (guitarras), Erico Moraes (baixo) e Rod Rodriguez (bateria) tem nível internacional. Mas a banda é de Campinas e dá um tapa na cara de todos os críticos aversos às produções nacionais. O primeiro full-length do grupo, intitulado “First Blow”, chegou para afirmar o Slippery de vez entre os grandes nomes do Hard melódico contemporâneo.

“First Blow” é um verdadeiro resgate aos anos 1980, com bons ganchos melódicos, andamentos instrumentais incríveis, cozinha presente e pouco coadjuvante, refrões grudentos e vocalizações magníficas de Fabiano Drudi, que tem um timbre original – diferente de outros cantores do estilo, que costumam ser bem genéricos. Todos os músicos demonstram segurança e experiência ao longo do álbum.

É notável que a banda procurou soar uniforme em todas as composições do registro, o que é fundamental quando se analisa uma obra completa. Nesse aspecto, deve-se parabenizar a produção de Átila Ardanuy, irmão de Edu Ardanuy (Dr. Sin), que efetivou um trabalho minucioso e tentou – e teve sucesso ao – resgatar timbres oitentistas para os instrumentos.

Os destaques de “First Blow” vão para a grudenta abertura Follow Your Dreams, para a excelente Run For Reaction e para a hardíssima Out Of The Light, além do cover inusitado de Night Of The Demon, do Demon. Talvez a única crítica ao Slippery é justamente se focar demais nos elementos oitentistas, mas creio que essa questão pode ser resolvida com tranquilidade no próximo lançamento, visto que os músicos já comprovaram sua competência aqui. No mais, trata-se de um deleite para os fãs de Hard Rock melódico.

Confira também uma entrevista feita com a Slippery pela Van do Halen clicando AQUI.

Nota 8

Fabiano Drudi (voz)
Dragão (guitarra)
Kiko Shred (guitarra)
Erico Moraes (baixo)
Rod Rodriguez (bateria)

Músicos adicionais:
Marcelo Diniz (teclados em 3 e 5)
Leandro Cipola (teclados em 8, 9, 10 e 11)

01. Follow Your Dreams
02. Slippery
03. Two Young Hearts
04. No Time To Sorrow
05. Another Chance
06. Run For Reaction
07. The First Blow
08. Sons Of Freedom (Wild At Heart)
09. Out Of The Light
10. What I Need
11. Night Of The Demon

Músicas disponíveis em:
www.myspace.com/slipperytheband

O CD está à venda através de pedidos:
E-mail: slippery@slippery.com.br
Telefone: (19) 9112-9977
Vendas para o exterior: http://www.cdbaby.com/cd/slippery
Pedidos para atacado: www.metalsoldiersrecords.webs.com

Mais informações:
www.slippery.com.br
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www.palcomp3.com.br/slippery

Salada agradável

Amaranthe – Amaranthe [2011]

Se houvesse um desafio real a ser feito ao ouvir esse disco é tentar encaixá-lo em algum segmento do Heavy Metal. Praticamente todos os subgêneros aparecem em algum momento, com direito até a algumas incursões por um lado mais Pop. A diferença é que essa “salada” é muito bem feita e espontânea, resultando em um trabalho acima da média. A sincronia entre os três vocalistas – com destaque para Elyze Ryd, figura conhecida pelos fãs do Kamelot – dá um clima todo especial, com Andy Solveström assumindo o lado gutural enquanto Jake E dá conta do registro limpo, ambos com total competência.

Mesmo com toda a dificuldade em definir, digamos que o play promove uma bem sacada mistura de Melodic Death e Power Metal em seu núcleo criativo. A partir daí, várias extensões são realizadas, levando a música do grupo a variados pontos, sempre com êxito. Aliás, importante citar um mérito da banda: o de conseguir colocar todas as suas influências sem precisar criar faixas de dois dias e meio. A mais longa tem quatro minutos e cinquenta segundos, sendo que a maioria fica na casa dos três. Ou seja, não se preocupe com a possibilidade de dormir na metade do caminho.

Os dois singles, “Hunger” e “Amaranthine” são extremamente grudentos sem se tornarem apelativos. Característica que também se encaixa perfeitamente em outros momentos, como na abertura arrasa-quarteirão com “Leave Everything Behind”, o ritmo contagiante de “1.000.000 Lightyears” e a viciante “Automatic”, com seu refrão inesquecível após a primeira escutada. A dobradinha final com “Act Of Desperation” e “Serendipity” fecha em alto estilo. O álbum está disponível no mercado nacional via Hellion Records e merece ser conferido. Que venha mais logo!

Nota 8,5

Elize Ryd (vocals)
Andy Solveström (vocals)
Jake E (vocals)
Olof Mörck (guitars, keyboards)
Johan Andreassen (bass)
Morten Løwe Sørensen (drums)

01. Leave Everything Behind
02. Hunger
03. 1.000.000 Lightyears
04. Automatic
05. My Transition
06. Amaranthine
07. Rain
08. Call Out My Name
09. Enter The Maze
10. Director’s Cut
11. Act Of Desperation
12. Serendipity

Depois de muito tempo, o Trixter surpreende

Trixter – New Audio Machine [2012]

O Trixter ficou conhecido como uma das bandas mais pimposas do Hard Rock. Suas músicas, principalmente do debut auto-intitulado, eram como a materialização da “felicidade” do Hair Metal. Sim, talvez “felicidade” seja o termo que melhor defina o passado do quarteto, pois pelo menos eu enxergo arco-íris ao ouvir músicas como Line Of Fire, Bad Girl e o hit Give It To Me Good.

Mas pode-se dizer que isso é passado. “New Audio Machine” demorou, mas finalmente foi lançado, cinco anos após a reunião da banda. Confesso que nem tive muita vontade de ouvir, mas me surpreendi com o disco. Agora quarentões, os integrantes do Trixter finalmente puderam demonstrar amadurecimento musical ao trazer um disco de Hard Rock com peso e melodia ao mesmo tempo, além de reafirmar o estilo sem cair na mesmice de lançamentos anteriores ou em clichês. Também espanta o fato do disco ter apenas duas baladas, participação mínima de teclados.

O início bluesy/desplugado na faixa de abertura Drag Me Down é sedutor, mas a música se desenvolve num Hard pesado, grudento e cheio de ritmo. Get On It é um Hard Rock com grande enfoque na guitarra e harmonias que conseguem grudar na cabeça e manter o peso, sem descambar pro ié-ié-ié e progressões manjadas. Essas duas primeiras faixas são totalmente diferente da carreira do Trixter, o que anuncia como esse disco será bom. Dirty Love lembra muito o Danger Danger de Paul Laine – Hard sem frescura, sem teclado e com uma voz de personalidade.

Machine é totalmente 80′s, trata-se da música ideal pra uma viagem de motocicleta. A primeira balada do disco, Live For The Day, explicita a semelhança da voz de Peter Loran com o já citado Paul Laine, o que é excelente. A dobradinha Ride e Physical Attraction têm linhas de guitarra fantásticas, cortesia do competente Steve Brown, também compositor principal da banda. Tattoos & Misery, o primeiro single, também é dignamente oitentista, mas passa uma impressão errada por ser o single, pois é uma das faixas mais fracas do disco.

The Coolest Thing, a segunda balada, descamba pro Pop Rock, mas é agradável. Save Your Soul retoma a vibe atrativa de duas faixas atrás, com mais destaques às vozes, tanto de Loran quanto dos backing vocals, ponto muito forte no Trixter. Walk With A Stranger é um Hard meloso em alta velocidade, ao estilo de Forever, famosa outtake do Skid Row. A faixa bônus Find A Memory, também muito grudenta, alia contemporaneidade ao estilo mais grudento que destacou a banda nos 90′s. Talvez esta seja uma das únicas músicas que relembrem o passado que, por sorte, ficou no passado e em poucos momentos de “New Audio Machine”, um disco fantástico e surpreendente.

Nota 9

Peter Loran (vocal, guitarra)
Steve Brown (guitarra, gaita)
P. J. Farley (baixo)
Mark “Gus” Scott (bateria)

Músicos adicionais:
Glen Burtnik (guitarra, baixo, backing vocals e percussão adicionais em 1)
Eric Ragno (teclados em 1, 5 e 9)
Pete Evick (guitarra adicional em 9)

01. Drag Me Down
02. Get On It
03. Dirty Love
04. Machine
05. Live For The Day
06. Ride
07. Physical Attraction
08. Tattoos & Misery
09. The Coolest Thing
10. Save Your Soul
11. Walk With A Stranger
12. Find A Memory (European bonus track)