Recomendação da semana: Hanoi Rocks – Two Steps From The Move

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Hanoi Rocks – Two Steps From The Move [1984]

Na segunda metade dos anos 80, vimos uma infestação das bandas oriundas da efervescente Sunset Boulevard com seu hard rock sacana e visual andrógino. Para quem só conhece as bandas dessa fase, mal sabe que uma das maiores influências para todas estas viria da gélida Finlândia, e que acabou por se tornar referência até os dias atuais, em que músicos como Joey Jordison e Dave Grohl os reverenciam.

O Hanoi Rocks, apesar de não estar no mesmo patamar de muitas bandas que influenciou, possui trabalhos memoráveis e que mereciam melhor sorte do que obtiveram. E o maior exemplo de seu talento ocorreu em seu quinto lançamento, o mais que recomendado Two Steps From The Move.

Canções de fácil assimilação e com grande apelo pop compõe esse excelente registro, em que no mesmo caldeirão eles jogam o rock clássico de caras como Little Richard e Chuck Berry e misturam com um pitada de glam e punk rock, gerando um som forte e de personalidade e que ao mesmo tempo é capaz de cativar o ouvinte, mesmo que tenha preferência por outros estilos dentro do rock.

A abertura com o energético cover de “Up Around The Bend”, originalmente gravada pelo Creedence, ganhou uma pitada festeira irresistível, sendo capaz de levantar até defunto. Clima festeiro que se repete em faixas como “I Can’t Get” e “Boiler (Me Boiler ‘N Me)”, em que é impossível não bater o pé acompanhando o ritmo envolvente. “Boulevard Of Broken Dreams” é outra grande canção e dessa vez com uma letra mais séria, uma canção anti-drogas e que provavelmente foi composta pela realidade que eles viveram à época, com excessos que mais à frente vitimaram a vida do baterista Razzle, que morreu em um acidente automobilístico em que Vince Neil era o motorista e estava bêbado, se chocando contra outro carro.

“Don’t You Ever Leave Me” que originalmente foi lançada no disco de estreia do grupo, aqui ganhou uma versão digna de aplauso e que mostra a influência de Ezrin na gravação deste, transformando-a em uma balada de respeito. Mas “Million Miles Away” é a música deste disco. A emoção que a mesma transmite é algo fenomenal, desde seus solos guitarras cheios de feeling, no sax bem encaixado de Monroe e em suas linhas vocais muito bem executadas. Um baita musicão!

Um registro digno de respeito e que afirma a posição de uma das maiores influências de todo o movimento glam que assolou o mundo no final dos anos 80. Essencial para qualquer um que se diga fã de rock ‘n roll bem feito e original.

Michael Monroe (vocais e saxofone)
Andy McCoy (guitarra)
Nasty Suicide (guitarra)
Sam Yaffa (baixo)
Razzle (bateria)

1. Up Around the Bend
2. High School
3. I Can’t Get It
4. Underwater World
5. Don’t You Ever Leave Me
6. Million Miles Away
7. Boulevard of Broken Dreams
8. Boiler
9. Futurama
10. Cutting Corners

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Recomendação da semana: Iced Earth – The Dark Saga

Iced Earth - The Dark Saga [1996]

Iced Earth – The Dark Saga [1996]

Fazer um álbum conceitual nem sempre é uma das tarefas mais simples que existem. Pode ser ainda mais ingrata quando se conta uma história já conhecida. Foi com esse desafio que o Iced Earth lançou o excelente e pesado The Dark Saga em 1996. O disco conta a história de Spawn, o personagem criado por Todd McFarlane, gênio que revolucionou os quadrinhos do Homem Aranha em 1990.

Pela primeira vez em sua história até aquele momento, o Iced Earth tinha um vocalista gravando um segundo disco, o grande Matthew Barlow, pois os dois vocalistas anteriores não se estabeleceram no posto. E além disso, aqui ele se tornou a “voz” do grupo pelos fãs. Sua facilidade em imprimir peso e emoção na medida correta chega a ser impressionante.

Mas não só Barlow dá um show à parte, como todo o grupo, que soa pesado e convincente em todas as passagens apresentadas. As composições de Jon Schaffer são sublimes. Aproveitando a complexidade do personagem Spawn, ele explora todos os sentimentos que o ser humano passa em sua vida e as consequências de suas decisões, das quais muitas vezes não é possível escapar.

E a abertura com a canção “Dark Saga” é uma grande prévia do que viria a seguir em todo o registro. Uma banda que desce o braço com gosto, vocalista em performance sublime e um refrão explosivo que convida para quebrar o pescoço sem dó e piedade. Essa mesma fórmula é seguida a risca nas explosivas “Violate”, “Depths Of Hell” e “Vengeance Is Mine”, em que o peso não é economizado em momento algum. A satisfação dos headbangers é garantida.

Nos momentos em que a história exigia mais emoção e que envolviam tanto o amor como a tentativa frustrada de redenção de Spawn, a banda caprichou. Dois momentos de feeling apurado são apresentados: “I Died For You” e “A Question Of Heaven” são duas baladas metálicas em que Barlow mostra que além de agressividade, é necessário emoção para contar uma história tão complexa.

The Dark Saga é uma aula de como fazer um registro marcante. Foi com este disco que o Iced Earth se consagrou como uma das bandas de Heavy Metal mais criativas que apareceram nos anos 1990 – algo que apenas se consolidou durante sua carreira, mesmo com diversas mudanças no line-up. Que Jon Schaffer e sua trupe nos continue a brindar com seu talento por muito mais tempo!

Matthew Barlow (vocais)
Jon Schaffer (guitarra base)
Randall Shawver (guitarra solo)
Dave Abell (baixo)
Mark Prator (bateria)

01. Dark Saga
02. I Died for You
03. Violate
04. The Hunter
05. The Last Laugh
06. Depths of Hell
07. Vengeance Is Mine
08. Scarred
09. Slave to the Dark
10. A Question of Heaven

Iced Earth - The Dark Saga line-up 1996

Recomendação da semana: Mr. Big – Hey Man

Mr. Big - Hey Man [1996]

Mr. Big – Hey Man [1996]

O Mr. Big obteve grande sucesso com os álbuns Lean Into It e Bump Ahead, já nos anos 1990. Mas o público interessado no som do quarteto já começava a passar por uma peneira. A indústria do Rock havia mudado seus rumos ao decorrer da década. A conjuntura era outra. Sob essa perspectiva, o supergrupo trabalhou em seu quarto disco de estúdio.

Lançado no início de 1996, Hey Man mostrou que, ao contrário de muitas bandas de Hard Rock, havia público para o Mr. Big sem mudanças sonoras drásticas. Mas do outro lado do mundo. O disco conquistou o primeiro lugar das paradas japonesas e houve uma turnê de divulgação de sucesso pelo Japão e países como Tailândia e Coréia do Sul.

Musicalmente falando, Hey Man representa um forte amadurecimento do quarteto que, apesar das crises internas que já borbulhavam, funcionava com brilhantismo. Nesse álbum, o conjunto conseguiu construir composições repletas de identidade, sem se adequar à uma vertente musical em específico. É possível notar flertes com o Pop, o Hard Rock, o Heavy Metal, o Funk e por aí vai.

Falar da competência dos músicos envolvidos é chover no molhado. Todos exalam criatividade e habilidade em seus devidos instrumentos. Eric Martin está em seu auge vocal e sua performance conquista qualquer um. A dupla de shredders, Paul Gilbert e Billy Sheehan, é um caso raro de fritadores que nunca conseguem ser maçantes. E o baterista Pat Torpey se mostrou realmente endiabrado, tendo registrado, aqui, sua melhor performance em discos de estúdio até hoje ao meu ver.

Infelizmente, o play foi o último com a formação original até o recente What If…, que marca a reunião dos caras. O guitarrista Paul Gilbert pediu as contas por motivos até hoje não expostos amplamente ao público. Mas segundo o próprio, foram baseados no atrito entre Martin e Sheehan, que também acabou com a banda em 2002. Para substituí-lo, Richie Kotzen foi convidado e ficou até o suposto fim do grupo.

Não espere uma nova “To Be With You”. Apesar de ter músicas com propensão comercial, a abordagem é outra. Hey Man definitivamente não tem fillers e deve ser desfrutado da cabeça aos pés. Destaques para o single “Take Cover” (incluído na trilha sonora do desenho Mega Man), para a incrível “If That’s What It Takes”, para a divertida “Jane Doe” e para a balada “Goin’ Where The Wind Blows”.

Eric Martin (vocal, teclados)
Paul Gilbert (guitarra, violão)
Billy Sheehan (baixo, violão, craviola)
Pat Torpey (bateria, percussão)

01. Trapped In Toyland
02. Take Cover
03. Jane Doe
04. Goin’ Where The Wind Blows
05. The Chain
06. Where Do I Fit In?
07. If That’s What It Takes
08. Out Of The Underground
09. Dancin’ Right Into The Flame
10. Mama D.
11. Fool Us Today

Mr. Big 1996 Hey Man

Recomendação da semana: George Lynch – Sacred Groove

George Lynch - Sacred Groove [1993]

George Lynch – Sacred Groove [1993]

Após anos de sucesso, o Dokken se separou, principalmente em decorrência das diferenças musicais e pessoais entre o guitarrista George Lynch e o vocalista Don Dokken. Juntamente do baterista Mick Brown, George formou o Lynch Mob. Mas o grupo não viveu por muito tempo. Apenas o suficiente para registrar dois álbuns e se separar graças às baixas vendas destes.

Após tirar merecidas férias de quase um ano com sua família, George Lynch voltou para o mercado musical investindo em sua carreira como artista solo. O primeiro fruto da nova empreitada foi Sacred Groove, lançado em 1993. O disco envolve uma perspectiva mais liberal que qualquer outra banda que o guitarrista tenha se envolvido.

A intenção era dar destaque ao guitarrista, tanto que quatro das dez faixas são instrumentais. Quando se diz que Sacred Groove é mais liberal, tem a ver com as influências. Do começo ao fim, Lynch passeia por vários estilos, como o Hard Rock, o Heavy Metal, o Blues e até a música latina. E tudo isso de forma linear, pois George é um dos poucos guitarristas que construíram um estilo tão peculiar a ponto de se identificar que é o próprio tocando, logo nos primeiros segundos de uma canção. Suas técnicas de tapping e slide, bem como seu estilo de construir fraseados na guitarra, são únicos.

Lynch contou com um time de feras para a gravação do álbum. A maior parte do instrumental ficou a cargo do baterista Denny Fongheiser (Heart) e do baixista Jeff Pilson, antigo colega de George no Dokken. Há participações especiais de vários músicos, com destaque ao até então promissor gaitista Little John Chrisley.

A grande surpresa fica por conta dos vocalistas convidados para as faixas não-instrumentais. Lynch convocou os irmãos Matthew e Gunnar Nelson, o incrível Ray Gillen (falecido ainda no ano do lançamento deste registro), o veterano Glenn Hughes e o pouco conhecido, mas competente Mandy Lion.

Pouco mais de um ano após o lançamento de Sacred Groove, o Dokken voltou às atividades e com a formação clássica, que envolve o próprio guitarrista. A reunião não durou muito, rendendo ainda mais discos para sua carreira solo – algo positivo, tendo em vista a qualidade deste álbum em especial e as capengadas em discos da banda, como Shadowlife. Recomendado para fãs de Rock no geral, incluindo as faixas instrumentais, pois George Lynch pode conversar pela guitarra. Acredite se quiser.

Vocalistas listados abaixo
George Lynch (guitarra, sitar, violão)
Jeff Pilson (baixo, piano)
Chris Solberg (baixo)
Tommy Hendricks (baixo)
Denny Fongheiser (bateria)
Chris Furman (mellotron)
Byron Geither (órgão)
Little John Chrisley (gaita)
Sam Fear (flauta)
Pattie Brooks (backing vocals)
Tony Menjivar (congos e bongos)

01. Memory Jack
02. Love Power From The Mama Head
03. Flesh And Blood (Ray Gillen)
04. We Don’t Own The World (Matthew & Gunnar Nelson)
05. I Will Remember
06. The Beast Part 1 (Mandy Lion)
07. The Beast Part 2 (Mandy Lion)
08. Not Necessary Evil (Glenn Hughes)
09. Cry Of The Brave (Glenn Hughes)
10. Tierra Del Fuego

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Recomendação da semana: Flesh & Blood – Blues For Daze

Flesh & Blood – Blues For Daze [1997]

Flesh & Blood – Blues For Daze [1997]

Sempre é interessante observar alguns músicos talentosos aderirem a projetos paralelos. Muitas vezes, esses projetos revelam suas influências ou simplesmente saem da costumeira zona de conforto. E quando esse tipo de projeto é bem executado, se torna interessante observar que o talento não estabelece barreiras para alguns.

Um exemplo é esse projeto encabeçado por Al Pitrelli e Mark Mangold, que envolveu feras como Danny Vaughn e Chuck Bonfante, chamado Flesh & Blood. Com nomes que normalmente trabalhavam com Hard Rock, a proposta apresentada nesse projeto é mergulhar fundo no Blues Rock e outras influências, como a música negra norte-americana de raiz.

Blues for Daze é o único disco do projeto. Se o objetivo era homenagear as influências, isso foi alcançado com extrema maestria. Em muitos momentos, é possível observar que banda enfia o pé no Blues com gosto. A maior surpresa fica por conta de Vaughn, que está irreconhecível e com interpretações carregadas de feeling, como os cantores clássicos do estilo fazem sem se esforçar.

Toda a banda faz bem sua lição de casa. Al Pitrelli demonstra que além de ser um baita guitarrista, possui um feeling que deixaria Eric Clapton de queixo caído. Mark Mangold parece um pianista de cabaré, com inserções sacanas durante todo o registro. E a cozinha com Chuck Bonfante e Mitch Destefano segura bem as pontas, com um groove que os fazem parecer dois negões que saíram de um boteco de beira de estrada.

“Feel The Power” abre o disco com um groove que causaria felicidade aos ouvidos de Glenn Hughes. A banda coloca uma dose de Funk na veia e já causa espanto logo de cara, apesar de enganar quem acha que este será o caminho seguido. “Shake Ya Tail Feathers” presta uma digna homenagem ao Deep Purple, com seu Hammond carregado e um refrão que pede para ser cantado com os pulmões cheios. “Riverside” é um Blues clássico de primeira categoria.

Nos momentos intimistas, Danny Vaughn rouba a atenção para si. “Jenny Doesnt Live Here Anymore” é de arrancar lágrimas e suspiros. O ressentimento prevalece na maneira em que ele canta esta pequena pérola, sempre presente nos shows de sua carreira solo. Em “Bed Of Roses” temos outra aula de interpretação, que dessa vez é totalmente inspirada nas baladas feitas pelos Stones em início de carreira.

Um registro feito na medida para agradar a gregos e troianos, prestar as devidas homenagens a quem pavimentou o caminho para o nosso amado estilo musical e, acima de tudo, mostrar que é possível ousar e fazer algo com qualidade incontestável.

Danny Vaughn (vocal, gaita)
Al Pitrelli (guitarra)
Mark Mangold (teclados, backing vocals)
Mitch Destefano (baixo)
Chuck Bonfante (bateria)

01. Feel the Power
02. Shake Ya Tail Feather
03. Bed of Roses
04. Boogie Chile
05. Riverside
06. Jenny Doesnt Live Here Anymore
07. I Know Where You Been
08. Voodoo Moon
09. Blues for Daze (Mr. Blue)
10. Man Enough
11. Sweet Sister Rose
12. Judgement Day

Recomendação da semana: Danger Danger – The Return Of The Great Gildersleeves

Danger Danger - The Return Of The Great Gildersleeves [2000]

Danger Danger – The Return Of The Great Gildersleeves [2000]

Existe vida no Danger Danger sem Ted Poley! The Return Of The Great Gildersleeves, quinto álbum da banda em ordem cronológica (se Cockroach fosse lançado em sua época original, apenas com Poley nos vocais, seria o sexto), é especial para mim. Foi o responsável por me apresentar quem é o grupo.

Curioso, pois a grande maioria conheceu e ainda conhece pelos primeiros trabalhos – que são os mais conhecidos. Mas isso não tira a glória dos outros lançamentos. Ainda mais se for considerado que esse e todos os álbuns com Paul Laine nos vocais foram lançados de forma completamente independente, em tempos onde o Hard Rock tinha poucos representantes ao redor do mundo.

The Return Of The Great Gildersleeves é um desenvolvimento do que foi apresentado em seu antecessor, o também ótimo Four The Hard Way. Ou seja, Hard Rock com roupagem modernizada sem perder a essência dos anos 1980, repleto de ganchos melódicos, bons riffs de guitarra e vocais poderosos. Laine, aliás, é um cantor muito técnico.

Mas, agora, a banda apresenta maior consistência em sua proposta. Principalmente porque das onze faixas desse disco, apenas duas foram extraídas de Cockroach, disco gravado com Ted Poley ainda em 1993 mas engavetado por questões judiciais. Ou seja, o procedimento foi diferente de Four The Hard Way, que conta com quatro canções reaproveitadas em sua tracklist.

Em The Return Of The Great Gildersleeves, a sonoridade também está mais resolvida e linear, pois no antecessor, tínhamos pulos drásticos entre o Rock moderno e o Hard Rock farofeiro. Aqui, há a perfeita união entre os dois gêneros e uma tímida, mas decisiva influência do AOR, devido à maior presença de teclados e maior ênfase melódica nas composições.

Apesar de tantos músicos competentes estarem envolvidos, sem dúvidas o destaque é Paul Laine. O canadense deu nova roupagem ao Danger Danger. Algo semelhante ao que Sammy Hagar fez com o Van Halen. Ambos os casos são contestados pelos puristas, mas foram inegavelmente necessárias em seus contextos.

No caso do Danger Danger, não dava mais pra falar sobre “estar com uma ereção” e fazer baladas altamente açucaradas como eles próprios faziam uma década antes. E vale ressaltar: Laine é um vocalista incrível. Trata-se de um dos vocalistas mais subestimados do gênero, pois tem um controle fantástico de seu vocal, grande alcance, voz firme, bom timbre e bastante feeling.

Mas os elogios não ficam apenas para Paul Laine. Toda a banda está impecável. A dupla Bruno Ravel (baixo) e Steve West (bateria) não falha, formando uma das mais entrosadas cozinhas do estilo. Além disso, mandam bem no quesito autoral, pois assinam a grande maioria das composições. Os convidados Tony “Rey” Bruno (guitarra) e Lance Quinn (teclados) também apresentam um trabalho consistente. Andy Timmons participou das faixas 2 e 11, as mesmas presentes no Cockroach – até porque já estava gravado – e demonstrou, como sempre, ser um instrumentista diferenciado.

Cabem destaques especiais para as pauladas “Six Million Dollar Man” e “Grind”, para as baladas “My Secret” e “She’s Gone” e para as roqueiras “Dead Drunk And Wasted” e “Cherry Cherry”. Para ser enfático, repito a mesma frase que começa o texto: existe vida no Danger Danger sem Ted Poley!

Paul Laine (vocal, teclados, guitarra adicional)
Bruno Ravel (baixo, teclados, guitarra adicional)
Steve West (bateria, percussão)

Músicos adicionais:
Tony “Rey” Bruno (guitarra, teclados)
Andy Timmons (guitarra)
Lance Quinn (teclados)

01. Grind
02. When She’s Good She’s Good (When She’s Bad She’s Better)
03. Six Million Dollar Man
04. She’s Gone
05. Dead Drunk And Wasted
06. Dead Dog
07. I Do
08. My Secret
09. Cherry Cherry
10. Get In The Ring
11. Walk It Like Ya Talk It

Danger Danger 2000 The Return Of The Great Gildersleeves Paul Laine

Recomendação da semana: Bonham – The Disregard Of Timekeeping

Bonham - The Disregard Of Timekeeping [1989]

Bonham – The Disregard Of Timekeeping [1989]

É péssimo quando nomes pesam. Nomes lendários. Nomes influentes. Para compreender, vale a simples reflexão: imagine-se exercendo a mesma profissão que seu pai ou sua mãe exerceu. Em alguns casos isso dá certo, mas na maioria dos casos, querem que você viva à sombra de seu progenitor.

Essa breve introdução serve para abrir os olhos de qualquer um que se interesse pelo som do Bonham. Não vale a pena fazer conexões tão fechadas entre Jason e John Bonham, respectivamente filho e pai. Apesar dos dois serem músicos – no caso, bateristas – e da mesma família, não dá pra esperar um novo Led ou um novo John do Bonham e de Jason, respectivamente. São pessoas diferentes em épocas distintas e com outras aprendizagens.

Esclarecido o “porém”, dá pra começar a falar do Bonham. O grupo foi formado no início de 1989 por jovens músicos da Inglaterra, terra não muito prolífica na década de 1980 quando o assunto é Hard Rock. A formação se consolidou com o próprio Jason na bateria, Daniel MacMaster no vocal, Ian Hatton na guitarra e John Smithson no baixo. O nome pesou tanto que, no mesmo ano, os caras conseguiram um contrato com a WTG Records e o competente Bob Ezrin para a produção, lançando o debut nas prateleiras de várias partes do globo.

The Disregard Of Timekeeping é muito bom, mas logo de cara ressalto que é um trabalho confuso. Várias influências se juntaram, passando principalmente pela formação musical setentista de Jason (que tecnicamente lembra seu pai nas baquetas em vários momentos), atravessando as perspectivas farofeiras de Daniel e as loucuras já conhecidas de Bob, co-autor de três faixas e responsável pela orquestração presente em algumas outras. Em alguns momentos soa como um Zeppelin farofeiro, robusto e obviamente sem a mesma genialidade. O trajeto abordado, aliás, não foi nada linear.

Os atributos comerciais predominaram nas composições, apesar de não haver um verdadeiro hit em potencial. Refrões fáceis e pegajosos são aliados a backing vocals potentes. A confusão vem quando se analisa o instrumental, muito bem tocado e complexo em vários momentos, com inúmeras passagens musicalmente “quebradas” – para leigos, fora do padrão costumeiro de construção melódica.

Essa música merecia ter se tornado um single

Isso não tira a qualidade do registro, muito bom e bem feito. Talvez os momentos confusos se justifiquem por se tratar de uma banda estreante com um produtor levemente megalomaníaco em uma gravadora major logo de cara. The Disregard Of Timekeeping traz músicos competentes com um vocalista de voz poderosa tocando um Hard Rock forte e sem fórmulas, algo raro nessa época. Um disco apaixonante justamente por ser intrigante.

Mesmo com o êxito comercial do lançamento, com os singles nas paradas norte-americanas e o álbum em si nas posições de número 38 e 65 nos Estados Unidos e Canadá, respectivamente, o conjunto gravou um sucessor apenas três anos depois. A banda acabou logo depois porque Jason preferiu se concentrar em seus trabalhos como músico de estúdio (ficou um pouco traumatizado com os dois anos de turnê de divulgação deste disco). Além disso, os próprios integrantes tiveram as clássicas diferenças criativas. Felizmente, deixaram ótimos trabalhos que merecem ser conferidos. Como este.

Daniel MacMaster (vocal)
Ian Hatton (guitarra)
John Smithson (baixo, teclados, violino)
Jason Bonham (bateria, percussão)

Músicos adicionais:
Bob Ezrin (orquestração)
Trevor Rabin (baixo)
Jimmy Zavala (gaita)
Bill Millay (teclados, sintetizadores)

01. The Disregard Of Timekeeping
02. Wait For You
03. Bringing Me Down
04. Guilty
05. Holding On Forever
06. Dreams
07. Don’t Walk Away
08. Playing To Win
09. Cross Me And See
10. Just Another Day
11. Room For Us All

Bonham - The Disregard Of Timekeeping - Front

Entenda as pernas flutuantes na capa

Recomendação da semana: The Darkness – One Way Ticket To Hell… And Back

The Darkness - One Way Ticket To Hell... And Back [2005]

The Darkness – One Way Ticket To Hell… And Back [2005]

O sucesso que o The Darkness atingiu com seu primeiro disco, Permission To Land, foi espantoso. Qualquer fã de Hard Rock tirou o chapéu pra façanha que os caras conquistaram ao colocá-lo no primeiro lugar das paradas britânicas, além de ótima repercussão por toda a Europa e América. O single “I Believe In A Thing Called Love” elevou o nome do conjunto a ponto de ficarem conhecidos até mesmo no Brasil, quando a canção foi parar na trilha sonora de novela global – associada a um personagem com traços de homossexualidade, mas isso não vem ao caso.

O quarteto surgiu para suprir uma falta de novos rockstars. E, por conta disso, a ansiedade aumentava quando se pensava que poderiam produzir novos petardos. Mas após quase dois anos na estrada incessantemente, o grupo demonstrou um sinal de fraqueza com a saída do baixista Frankie Poullain, aparentemente por diferenças musicais – no fim do texto, o real motivo de sua saída (que foi o mesmo que findou a banda anos depois) virá à tona.

The Darkness 2005

Da esquerda pra direita: Richie Edwards, Justin Hawkins, Dan Hawkins, Ed Graham

O segundo álbum da banda começou a ser feito ainda com Poullain, que co-escreveu quatro canções do mesmo. O guitarrista Dan Hawkins gravou grande parte das linhas de baixo até que o novo baixista foi anunciado para terminar as gravações: o técnico de guitarra de Dan, Richie Edwards.

One Way Ticket To Hell… And Back foi finalmente lançado em novembro de 2005, cinco meses após o previsto. Para aqueles que aguardavam um novo Permission To Land, foi uma grande decepção. A banda voltou muito bem, mas com um pouco mais de seriedade e outras influências mais pulsantes além de toda a farofada costumeira.

Claro que a irreverência não foi deixada de lado. Os clipes, muito bem elaborados, são a maior prova disso. Trata-se, todavia, de um disco mais complexo em certos pontos. O grande fio condutor é o Hard Rock direto e reto com influências diretas de bandas como AC/DC e Slade, mas há nuances mais elaboradas no conjunto da obra, com direito a inserções discretas de gaita de foles, sítar, flauta, piano, sintetizadores e outros instrumentos pouco usuais no Rock.

Como o frontman Justin Hawkins definiu: “o The Darkness é o elo perdido entre um AC/DC gay e um Queen heterossexual”. E essa citação se enquadra muito mais em One Way Ticket To Hell… And Back.

Creio que seja um pouco por influência do produtor Roy Thomas Baker, famoso principalmente por produzir grandes clássicos do Queen. One Way Ticket To Hell… And Back não é um disco descartável, que o ouvinte dedica apenas uma hora de sua vida a ele. A maioria, com certeza, vai repetir esses 35 minutos por várias vezes, pois são atraentes e bem estruturados, mas precisam de maior atenção.

Justin Hawkins adotou uma verdadeira postura de líder por aqui. Seus vocais, menos exagerados dessa vez, são destacados nas composições e na produção. Além disso, ele executa a grande maioria dos solos de guitarra, que estão incríveis – basta conferir os de “Is It Just Me?” e “Hazel Eyes”. Seu irmão Dan faz um bom trabalho tanto na guitarra rítmica quanto no baixo, complementado por Richie Edwards. Ed Graham faz o básico.

No ano seguinte ao lançamento do álbum, o The Darkness encerrou suas atividades por desavenças entre Justin, sua esposa-empresária e os outros integrantes. Enquanto estes montaram o incrível Stone Gods, aquele embarcou no mediano Hot Leg após sessões de desintoxicação. A banda voltou às atividades em 2011, tendo lançado Hot Cakes no ano seguinte.

Entre os destaques do disco, estão a abertura “One Way Ticket”, que fala sobre cocaína; a arrasa-quarteirão “Is It Just Me?” e seu clipe genial; a balada “Hazel Eyes” e English Country Garden, exaltando a influência do Queen como nunca. Pode não ser tão descompromissado quanto seu antecessor, mas One Way Ticket To Hell… And Back tem muita qualidade.

Justin Hawkins (vocal, guitarra, piano, órgão, sintetizador, sítar, mini-Moog)
Dan Hawkins (guitarra, baixo, carrilhão de orquestra, pandeireta, triângulo, percussão)
Richie Edwards (baixo)
Ed Graham (bateria)

01. One Way Ticket
02. Knockers
03. Is It Just Me?
04. Dinner Lady Arms
05. Seemed Like A Good Idea At The Time
06. Hazel Eyes
07. Bald
08. Girlfriend
09. English Country Garden
10. Blind Man

The Darkness 2005 Richie Edwards

Recomendação da semana: Slash – Slash

Slash - Slash [2010]

Slash – Slash [2010]

Slash parecia ter receio de começar uma carreira solo. Ou pode ser que realmente se trate de uma uma questão de gosto. O próprio já afirmou que é um “músico de banda”, que por muito tempo não se sentia confortável de comandar um projeto solo. Mas o guitarrista perdeu o medo e lançou seu primeiro álbum solo, autointitulado, no íncio de 2010.

Pode ser um golpe de marketing ou apenas uma opção para fazer um disco realmente variado e distinto, mas Slash teve uma ótima ideia ao convidar músicos de diferentes gêneros musicais para participar do registro. Nenhuma faixa teve o mesmo cantor da outra – com exceção de “Back From Cali” e “Starlight”, cantadas pelo frontman do Alter Bridge e agora o vocalista de sua carreira solo, Myles Kennedy.

“Ghost” abre o registro com Ian Astbury (The Cult) e o ex-companheiro de Guns N’ Roses, Izzy Stradlin. O grande entrosamento entre os guitarristas nos remete aos bons tempos de Appetite For Destruction. O tempo passa, mas a parceria entre esses dois permanece repleta de química. “Crucify The Dead” conta com Ozzy Osbourne e uma letra ácida que o cantor afirma ter composto como resposta a Axl Rose caso fosse Slash.

“Beautiful Dangerous”, que traz Fergie (Black Eyed Peas) nos vocais, dá sequência ao disco. Trata-se de um bom hit single, que atingiu públicos diferentes e trouxe uma pitada de contemporaneidade ao trabalho. “Back From Cali”, com o já citado Myles Kennedy é um dos destaques. E, ironicamente, por pouco não ficou de fora, pois foi colocada de última hora na tracklist, de acordo com entrevistas.

“Promise”, com Chris Cornell (Soundgarden, Audioslave) é mediana, apesar de bem composta e bem tocada. Mas a seguinte, “By The Sword”, com Andrew Stockdale (Wolfmother), é um Rock n’ Roll digníssimo, com influências bluesy e um dos melhores solos de Slash que já ouvi até hoje. Não à toa, se tornou o primeiro single. “Gotten”, cantada por Adam Levine (Maroon 5), desacelera as coisas. Uma boa balada – a preferida do guitarrista, segundo o próprio.

“Dr. Alibi”, paulada de respeito cantada por Lemmy Kilmister (Motörhead), dispensa comentários. O ambiente pesado continua com o ótimo instrumental “Watch This”, uma jam com Slash, Duff McKagan (Guns N’ Roses) e Dave Grohl (Foo Fighters, Nirvana), que aqui assume a bateria. A leve e agradável “I Hold On”, com Kid Rock, e a péssima Nothing To Say, com M. Shadows (Avenged Sevenfold) dão sequência de forma oscilante.

A ótima balada “Starlight”, segunda a ter Myles Kennedy nos vocais, salva o ouvinte do marasmo, ainda mais porque a próxima, “Saint Is A Sinner Too”, com Rocco DeLuca, é a pior do disco de longe. O fechamento fica por conta de Iggy Pop, com a pedrada “We’re All Gonna Die” – e o título não reflete uma verdade incontestável?

O marketing dos vários vocalistas deu certo pois o álbum teve grande repercussão e uma grande turnê seguiu o seu lançamento. Nessa tour, a parceria entre Slash e Kennedy se estreitou e a carreira solo do guitarrista agora tem o vocalista como integrante fixo, além de Todd Kerns (baixo), Brent Fitz (bateria) e Frank Sidoris (guitarra rítmica).

No mais, o trabalho de estreia da carreira solo de Slash não é linear – e nem teve a intenção de ser. O flerte com diversos gêneros, respeitando a personalidade dos vários convidados, compôs um álbum versátil. A identidade do guitarrista da cartola é inegável. Por mais que seja contestado pelos mais afoitos pela falta de técnica, é difícil reproduzir perfeitamente algum solo desse cara – quem dirá criar. No mais, o disco pode não ser bem compreendido nas primeira audições, mas considero que só tenha dois pontos baixos: “Nothing To Say” e “Saint Is A Sinner Too”.

Vocalistas indicados abaixo
Slash – guitarra, violão
Chris Chaney – baixo (exceto faixas 8 e 9)
Josh Freese – bateria (exceto faixas 8, 9 e 12), percussão em 13
Lenny Castro – percussão

Músicos adicionais:
Izzy Stradlin – guitarra em 1
Duff McKagan – baixo em 9
Dave Grohl – bateria em 9
Taylor Hawkins – backing vocals em 2
Kevin Churko – backing vocals em 2
Joe Sandt – harpa em 5
Deron Johnson – órgão em 7
Anton Patzner – violino e viola em 7
Steve Ferrone – bateria em 12

01. Ghost (com Ian Astbury)
02. Crucify The Dead (com Ozzy Osbourne)
03. Beautiful Dangerous (com Fergie)
04. Back From Cali (com Myles Kennedy)
05. Promise (com Chris Cornell)
06. By The Sword (com Andrew Stockdale)
07. Gotten (com Adam Levine)
08. Doctor Alibi (com Lemmy Kilmister)
09. Watch This
10. I Hold On (com Kid Rock)
11. Nothing To Say (com M. Shadows)
12. Starlight (com Myles Kennedy)
13. Saint Is A Sinner Too (com Rocco DeLuca)
14. We’re All Gonna Die (com Iggy Pop)

Slash 2012

Recomendação da semana: Manic Eden – Manic Eden

Você que acompanha a Van deve estar estranhando, neste dia e hora, uma recomendação nossa ao invés de uma achinchalhada de outros veículos. Explicamos: o quadro “Recomendação da semana” foi transferido para as quartas-feiras, 22:00h. O “Incinerador”, que ocupava este horário, passa a ser um quadro esporádico e não mais fixo. Pode aparecer a qualquer momento.

Manic Eden - Manic Eden [1994]

Manic Eden – Manic Eden [1994]

O Whitesnake foi findado em 1991 pois seu líder, David Coverdale, anunciou que se retiraria do meio musical – pela primeira vez, pois essa história se repetiria por duas vezes no futuro. Nem um pouco a fim de parar, três integrantes remanescentes – o guitarrista Adrian Vandenberg, o baixista Rudy Sarzo e o baterista Tommy Aldridrge – uniram forças para uma nova banda, nomeada Manic Eden.

Inicialmente, os vocais seriam assumidos por James Christian, frontman do House Of Lords que estava trabalhando com Aldridge no momento. Mas pouco antes da banda se firmar, desentendimentos aconteceram e Christian largou o posto para Ron Young, ex-vocalista do Little Caesar. Assinaram o contrato com o selo japonês Victor Entertainment, afiliada à RCA, e o álbum, homônimo, saiu em março de 1994.

O primeiro e único disco do Manic Eden segue uma linha bem diferente que o Whitesnake que esse trio participou (o mesmo de Slip Of The Tongue). O Hair Metal farofa deu lugar a um som grooveado e blueseiro. A proposta do conjunto, aliás, é uma salada mista: há a mistura do swing, do Blues, do Hard Rock clássico e de pitadas do oitentista – este talvez pelos refrões grudentos e nada mais.

As composições, muito inspiradas, mostram que Adrian Vandenberg se sai melhor com uma leve distorção, uma palhetada livre e uma Stratocaster estalada, digna dos grandes nomes do Blues. A cozinha de Tommy Aldridge e Rudy Sarzo é competente e atribui tudo o que as músicas precisam, sem pecar pelo excesso. A voz de Ron Young dá a última pitada, com rouquidão e identidade própria.

A repercussão do disco foi tímida e, até onde se sabe, a banda mal chegou a entrar numa turnê de divulgação. David Coverdale, recém-saído de um projeto com Jimmy Page, o Coverdale/Page, dcidiu retomar as atividades do Whitesnake.

A reunião envolveu apenas Vandenberg e Sarzo, deixando o genial Aldridge de fora, que ficou de mãos abanando juntamente de Young. Apesar do pouco sucesso, o único registro do Manic Eden é, com certeza, uma verdadeira joia rara do estilo.

Ron Young – vocal
Adrian Vandenberg – guitarra, teclados
Rudy Sarzo – baixo
Tommy Aldridge – bateria, percussão

Músicos adicionais:
CeCe White – backing vocals
Sara Taylor – backing vocals
Chris Trujillo – percussão

01. Can You Feel It
02. Gimme A Shot
03. Fire In My Soul
04. Do Angels Die
05. Pushing Me
06. Dark Shade Of Grey
07. Keep It Coming
08. When The Hammer Comes Down
09. Ride The Storm
10. Can’t Hold It

Manic Eden 1994

Recomendação da semana: OFF! – First Four EPs [2010]

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OFF! – First Four EPs [2010]

Não há coisa melhor do que se deparar com um grupo que soa como um suspiro de qualidade em tempos de bandas plásticas e sem garra. E parece que o OFF! veio justamente para causar esse sentimento, mostrando que o hardcore atual ainda pode ser bem representado.

Nada inesperado, visto que o ainda recente projeto, formado em 2009, tem como vocalista o lendário Keith Morris, conhecida figura dos apreciadores do estilo. Além do fundador do Black Flag e Circle Jerks, temos Dimitri Coats (Burning Brides) nas guitarras, o baixista Steven Shane McDonald (Redd Kross) e Mario Rubalcaba, homem de vários grupos, empunhando as baquetas. Ou seja, um autêntico supergrupo californiano!

A mais nova empreitada de Morris, a essa altura em seus quase 60 anos, surgiu das cinzas da terceira reunião do Circle Jerks. Havia planos de gravar um novo álbum, mas quando o vocalista percebeu que a ideia não estava indo para frente, desistiu e sem pestanejar reuniu mais três instrumentistas. Resultado: o terceiro hiato da história do Circle Jerks e a formação de outra excelente banda.

Sem perder tempo, os já veteranos gravaram quatro EPs no ano de 2010. First Four EPs, obviamente, se trata dos quatro EPs reunidos num pequeno box set inicialmente disponível apenas em vinil de sete polegadas. Um dos grandes destaques da compilação, antes de tudo, é sua arte assinada por Raymond Pettibon, responsável pela grande maioria das capas do Black Flag. O conteúdo, por sua vez, é um grito de raiva que não passa dos 18 minutos!

São 16 músicas que não prezam pela inovação e muito menos pela duração. É um disco frenético, que te atinge sem aviso prévio e termina tão rápido quanto começou. Hardcore bebendo direto da fonte! Destaques ficam com “Black Thoughts”, “I Don’t Belong”, “Poison City”, “Now I’m Pissed”, “Jeffrey Lee Pierce” e sua pegada mais punk, “Rat Trap”, “Peace in Hermosa” e a inacreditável “Darkness”, verdadeiro sinônimo de porrada, assim como o disco inteiro. Confira e não se arrependa!

Keith Morris – vocais
Dimitri Coats – guitarras
Steven Shane McDonald – baixo
Mario Rubalcaba – bateria

01. Black Thoughts
02. Darkness
03. I Don’t Belong
04. Upside Down
05. Poison City
06. Now I’m Pissed
07. Killing Away
08. Jeffrey Lee Pierce
09. Panic Attack
10. Crawl
11. Blast
12. Rat Trap
13. Fuck People
14. Full of Shit
15. Broken
16. Peace in Hermosa

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Recomendação da semana: Patife Band – Corredor Polonês

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Patife Band – Corredor Polonês [1987]

Não tenho medo de dizer que o Patife Band se trata de um dos grupos mais criativos do Brasil. Oriunda da vasta cena pós-punk paulista da década de 80, a banda foi fundada pelo vocalista Paulo Barnabé, irmão do renomado instrumentista Arrigo Barnabé.

A princípio o projeto se chamaria Paulo Patife Band, com clara referência ao seu fundador, mas a ideia foi abandonada logo que o primeiro EP foi gravado e lançado em 1985. Com esse registro eles chamam atenção da WEA, que os contrata. Assim, vem Corredor Polonês, até o momento o disco solitário na carreira do quarteto, e um ótimo trabalho da música brasileira.

Sim, música brasileira. Paulo Barnabé e seus companheiros não se sentem confortáveis apenas no reduto do rock e adicionam a esse espaço influências variadíssimas. Por isso, é muito comum encontrar durante a audição do álbum elementos do jazz, da Jovem Guarda e da música regional, todos eles jogados em um caldeirão cheirando à experimentação e misturados de forma perfeita. Pra completar, há o desempenho desesperado de Paulo, que além de tudo é um baita compositor.

Com apenas dez faixas e pouco menos de meia hora, essa pepita escondida traz tanto pauladas quase punk (“Pesadelo”, a faixa título e “Tô Tenso”) quanto composições menos furiosas (“Chapeuzinho Vermelho”, “Pregador Maldito”, “Teu Bem” e “Vida de Operário”, cover irreconhecível dos Excomungados) para dar uma respirada. Mas os destaques principais ficam com as músicas onde o experimentalismo toma a frente, como é o caso de “Poema em Linha Reta” (poema homônimo de Fernando Pessoa musicado), “Três por Quatro” e “Maria Louca”, fantástica jam que encerra o disco.

Depois do lançamento de “Corredor Polonês”, eles saíram em turnê e logo depois se desfizeram. Em 2003, no entanto, houve uma reunião com apenas Paulo da formação original. Essa reunião permanece fazendo shows e perpetuando toda a genialidade transbordante das pouquíssimas gravações da Patife Band, que são simplesmente umas das coisas mais originais já feitas em terras brasileiras.

Paulo Barnabé (vocal)
Sindney Giovenazzi (baixo)
André Fonseca (guitarra e backing vocals)
Cidão Trindade (bateria)

01. Corredor Polonês
02. Pesadelo
03. Chapeuzinho Vermelho
04. Tô Tenso
05. Poema em Linha Reta
06. Teu Bem
07. Três por Quatro
08. Pregador Maldito
09. Vida de Operário (Excomungados cover)
10. Maria Louca

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