Recomendação da semana: Lizzy Borden – The Murderess Metal Road Show [1986]

lizzy

Sabe Heavy Metal? Mas Heavy Metal MESMO! Aquele que começa a música e você automaticamente sai bangeando e tocando air guitar. Aqui você vai encontrá-lo elevado à enésima potência. Não é por menos que o Lizzy Borden (nome inspirado em Lizzie Borden, uma mulher norte-americana que matou o pai e a madrasta a machadadas em 1892 e, mesmo assim, conseguiu ser inocentada no julgamento) é um dos grupos mais idolatrados da cena oitentista na terra do Obama. É bem verdade que com o passar dos anos eles foram se aproximando cada vez mais do Hard Rock – o que não impediu que continuassem lançando excelentes discos. Mas nesse registro ao vivo, a influência de bandas como Iron Maiden dos primeiros trabalhos, Judas Priest e afins é latente, além da abordagem de temas de horror no melhor estilo Alice Cooper.

The Murderess Metal Road Show registra a primeira turnê do grupo, logo após o lançamento do clássico debut, Love You To Pieces. O álbum, que também foi lançado em formato de home vídeo, marca a estréia do lendário – e já falecido – guitarrista Alex Nelson, em substituição a Tony Matuzak. Aqui temos um grupo cuspindo fogo, despejando todo seu peso e climas macabros em uma audiência enlouquecida. Clima perfeito para porradas na orelha como “Council For The Cauldron”, “No Time To Lose” ou “Godiva”, passando pelas climáticas “Rod Of Iron” e “Love You To Pieces”. Rola até um cover para “Live And Let Die”, de Paul McCartney. Sim, alguém teve essa ideia antes! E a casa pega fogo no final, com a dobradinha de hinos formada por “American Metal” e “Give’Em The Axe”.

Após a parte ao vivo, ainda há espaço para dois sons inéditos. Valem como bônus. Não recomendado para pessoas com tendência a torcicolos e/ou problemas crônicos na região da coluna. Os danos podem ser irreversíveis. É Heavy Metal em sua mais pura essência! Vale baixar e também procurar pela versão em DVD, que em algumas cidades pode ser achada até mesmo nas liquidações de estoque, pois saiu em versão nacional. Nela, podemos ver cenas como Lizzy decapitando uma moça de lingerie, bebendo seu sangue e simulando sexo com sua cabeça; além da banda inteira enchendo o Papai Noel de porrada em pleno palco. Coisa fina.

Lizzy Borden (vocais)
Alex Nelson (guitarra)
Gene Allen (guitarra)
Michael Davis (baixo)
Joey Scott (bateria)

01. Council For The Cauldron
02. Flesheater
03. Warfare
04. No Time To Lose
05. Rod Of Iron
06. Save Me
07. Godiva
08. Psychopath
09. Love You To Pieces
10. Live And Let Die
11. Kiss Of Death
12. Red Rum
13. American Metal
14. Give ‘Em The Axe
15. Finale
16. Dead Serious
17. (Wake Up) Time To Die

lizzy

Recomendação da semana: Vários – Power Of Metal [1993]

power

Conseguir um público, por mais cativo que fosse, era um desafio e tanto nos 1990s para as bandas da cena underground do Heavy. Sabendo disso, quatro delas se juntaram em uma turnê que ficou conhecida como Power of Metal. As atrações principais eram dois grupos da sempre gloriosa Alemanha, a terra de Franz Beckenbauer. O Gamma Ray, ainda com Ralf Scheepers nos vocais, divulgava seu terceiro álbum, Insanity & Genius. Já o Rage, passava por um grande momento, lançando o fantástico The Missing Link. Completavam o line-up o Helicon e o fantástico Conception que, diretamente, seria responsável por muita coisa boa que rolaria na cena nos anos subsequentes.

Mas quem abre os trabalhos é mesmo Kai Hansen e sua trupe. Talvez muitos não saibam, mas Ralph Scheepers chegou a ser cogitado para assumir o microfone do Helloween antes de Michael Kiske. Pois aqui, finalmente, ele registrava sua parceria com o irmão germânico do Ferrugem. E faz sua parte corretamente, embora, para meu gosto, o Gamma Ray tenha encontrado a voz perfeita em seu fundador, posteriormente. Claro que, tecnicamente, Ralph é muito mais qualificado. Mas certas coisas funcionam em determinada maneira porque tem que ser assim e pronto. Esse é o caso. De qualquer modo, para quem ficou curioso com o que Scheepers poderia ter feito com as abóboras selvagens, há um medley que dá uma ideia.

O Helicon só toca duas músicas, mas já dá para ver que a coisa não era para rolar mesmo. Genérico, como vários que surgiram à época. O bicho pega de verdade é no CD 2. Para começar, o Rage em uma de suas melhores fases. Peavey e seus comparsas não deixam pedra sobre pedra. É uma pancada atrás da outra, sem tempo para descanso. E ouvir hinos metálicos como “Don’t Fear the Winter”, “Refuge”, “Firestorm” e “Solitary Man” é sempre um prazer. Fechando, o Conception, que não foi tão bem assimilado em sua época. Mas Roy Khan e Tore Otsby já mostravam o que aprontariam na cena futuramente. As quatro faixas executadas pertencem ao álbum Parallel Minds e já mostram o poder de fogo dos caras.

Todos os números aqui presentes foram registrados na cidade alemã de Hamburgo, no dia 25 de setembro de 1993. Também houve uma versão em vídeo, além do Rage ter usado todo seu set no lançamento próprio, The Video Link. Um ótimo resumo de todas as dificuldades pelas quais passavam as bandas da cena europeia naquele momento, precisando de uma grande união para triunfar. Vale a conferida!

CD 1

Gamma Ray
01. Tribute to the Past
02. No Return
03. Space Eater
04. Changes
05. Insanity & Genius
06. Late Before the Storm
07. Heal Me
08. I Want Out/Future World
09. Future Madhouse
10. Heading for Tomorrow
Helicon
11. Black and White
12. Women

CD 2

Rage
01. Shame On You
02. Don’t Fear the Winter
03. Certain Days
04. Suicide
05. Refuge
06. Baby I’m Your Nightmare
07. Down By the Law
08. Nevermore
09. Firestorm
10. Solitary Man
11. Enough is Enough
12. Invisible Horizons
Conception
13. Roll the Fire
14. And I Close My Eyes
15. The Promiser
16. Parallel Minds

Recomendação da semana: Soilwork – Figure Number Five [2003]

soilwork

Após lançar sua obra definitiva – o espetacular Natural Born Chaos – era hora de o Soilwork surpreender. Sem contar com a valiosa ajuda de Devin Townsend, ocupado com seus próprios afazeres, os próprios músicos decidiram assumir os trabalhos de produção, contando com a ajuda do amigo Fredrik Nordström (Dream Evil). O resultado causa polêmica até hoje, especialmente junto aos fãs mais antigos, que taxaram a banda de ‘vendida’. Um exagero, já que várias faixas conservam a pegada característica. Mas há de se concordar que Figure Number Five é, sim, o álbum mais acessível do grupo, sendo um bom começo para quem não está familiarizado com a sonoridade dos suecos.

Independente de opiniões radicais baseadas em pré-conceitos, o fato é que o single “Rejection Role” alcançou grande repercussão na cena, com sua ótima e grudenta melodia, além de um videoclipe muito bem bolado (Sílvio Santos vem aí!), trazendo a participação do In Flames. Na verdade temos aí um caso raro de produções gêmeas no gênero, já que o Soilwork retribuiria no vídeo de “Trigger”, filmado no mesmo dia e locações. Outra que pode assustar é “Departure Plane”, com passagens mais puxadas para um lado modernoso. Mesmo assim, só vai incomodar quem se importa mais com rótulos que com a música, já que é uma bela faixa.

Mas a porrada segue comendo solta em petardos como “Overload” e “The Mindmaker”, oferecendo as tradicionais variações de Björn Strid entre o vocal gutural e o limpo. A faixa-título é outra agressão sonora, perfeita para a platéia se espancar nos shows. Outro destaque que precisa ser mencionado é o baterista Henry Ranta, colocando um groove certeiro em pancadas como “Brickwalker” e “Downfall 24”. A despeito de polêmicas, Figure Number Five teve um belo desempenho comercial, entrando nas paradas europeias e afirmando cada vez mais o nome do Soilwork como uma das forças de sua geração. Consequência direta do talento ímpar dos envolvidos, que surpreendem a cada disco, agregando novos elementos sem descaracterizar sua identidade.

Björn “Speed” Strid (vocais)
Peter Wichers (guitarra)
Ola Frenning (guitarra)
Ola Flink (baixo)
Sven Karlsson (teclados)
Henry Ranta (bateria)

01. Rejection Role
02. Overload
03. Figure Number Five
04. Strangler
05. Light The Torch
06. Departure Plane
07. Cranking The Sirens
08. Brickwalker
09. The Mindmaker
10. Distortion Sleep
11. Downfall 24

soilwork

Recomendação da semana: Vintage Trouble – The Bomb Shelter Sessions [2011]

vt

Apesar de estarmos cada vez mais aberto a novas tendências sonoras, não dá para negar que o simples e bem feito ainda produz efeito considerável quando acerta o alvo. É o caso do Vintage Trouble, banda norte-americana que evoca o melhor do Rock, Blues e Soul Music dos anos 1950 e 60 sem soar como mera copia do que já foi produzido. A história do quarteto começa em Los Angeles, Califórnia, no ano de 2010, quando o vocalista Ty Taylor e o guitarrista Nalle Colt resolveram chamar dois amigos para trabalhar em material próprio, aproveitando o estúdio caseiro que haviam construído. O baixista Rick Barrio Dill e o baterista Richard Danielson completaram a formação, que segue intocável até hoje, algo cada vez mais raro.

Com apenas duas semanas de preparação, a banda caiu na estrada, chamando atenção de executivos e empresários com seu estilo totalmente vintage, não apenas no lado artístico, mas também no visual. Então, começaram a trabalhar com Doc McGhee, conhecido por ter ajudado a difundir no mundo talentos como Bon Jovi, Skid Row e Mötley Crüe, além de ter parceria, atualmente, com o KISS. Mostrando que a rapidez era uma constante, precisaram de apenas três dias para registrar o álbum de estreia. The Bomb Shelter Sessions foi produzido pelos próprios músicos, em colaboração com Peter McCabe. Ao invés de começarem a promoção nos Estados Unidos, foram para a Europa. Era uma estratégia promocional, visando retornar para casa com algum cartaz.

Três singles foram lançados. O primeiro para “Blues Hand Me Down”, faixa de abertura do tracklist e belo cartão de visitas. Não dá para fugir do lugar comum que acontece com quem ouve o grupo pela primeira vez: Ty é um fenômeno. Cantor de primeira linha, uma mistura de Mick Jagger, James Brown e tudo que há entre esses extremos. O tempo ainda se encarregaria de mostrar que era um showman de primeira. Outra usada no formato promocional foi a linda balada “Nobody Told Me”, que se tornou um hit. Com total justiça, já que se trata de uma das mais bonitas lançadas nos últimos tempos, graças à suavidade da melodia, extremamente grudenta. Encerrando as aproveitadas na divulgação, a agitada “Nancy Lee”, que poderia facilmente ter sido tocada em algum cabaré esfumaçado décadas atrás.

Outras também ganharam videoclipes, como as maravilhosas “Gracefully” (de arrepiar, especialmente com a produção visual) e “Not Alright By Me”, além de “Jezzebella”, Rock and Roll de altíssimo nível. Ou seja, rigorosamente metade do play ganhou as telas – mais as de aplicativos que as de televisão, é claro. Aliás, mesmo sendo um cara das antigas, Doc soube trabalhar muito bem a imagem do Vintage Trouble na nova realidade do mercado musical, os aproximando das mídias do tempo atual, com o maior número de ações possível, algo que não acontece com seus outros contratados. Prova de que é possível espalhar uma arte ligada ao passado com a tecnologia cada vez mais desenvolvida.

The Bomb Shelter Sessions obteve grande repercussão, criando uma legião de fãs para o Vintage Trouble. Esses seguidores passaram a se denominar Troublemakers. Turnes abrindo para Brian May e Bon Jovi ajudaram a espalhar a boa nova. O sucesso chegou até mesmo ao Brasil, com a banda se apresentando no Palco Sunset do Rock In Rio 2013, em uma dos melhores shows do evento, embora criminosamente desprestigiado pelo público. Desde então, o sucesso só cresce, com o quarteto sendo apontado como um dos líderes da nova geração. O disco já foi relançado outras duas vezes, sempre acrescentando novas faixas. Em 2015, saiu 1 Hopeful Rd., segundo full-lenght, tão bom quanto esse. Que venha muito mais.

Ty Taylor (vocais)
Nalle Colt (guitarra)
Rick Barrio Dill (baixo)
Richard Danielson (bateria)

01. Blues Hand Me Down
02. Still And Always Will
03. Nancy Lee
04. Gracefully
05. You Better Believe It
06. Not Alright By Me
07. Nobody Told Me
08. Jezzebella
09. Total Strangers
10. Run Outta You

vt

Recomendação da semana: The Company Of Snakes – Here They Go AGain Live [2001]

company

Whitesnake é David Coverdale e vice-versa, já diria o poeta da grande área, Mário Jardel Filho. Mas como o nosso amigo, nas últimas décadas, decidiu dar prioridade ao repertório da fase mais recente, muitos admiradores dos álbuns mais antigos sentiam a falta de curtir esses sons ao vivo. Para preencher essa lacuna, os ex-guitarristas do grupo, Bernie Marsden e Micky Moody, decidiram criar o The Snakes, posteriormente rebatizado como The Company Of Snakes. Inicialmente, o vocalista era ninguém menos que Jorn Lande, literalmente o ‘Cover Dele’. Ou seja, era só fechar os olhos e sentir-se no início da década de 1980. Só faltou arrumarem um Cozy Powell/Ian Paice Júnior, pois até o tecladista era Don Airey que depois entraria para o Deep Purple substituindo… Jon Lord, que também tocou na primeira fase do Whitesnake.

Here They Go Again foi gravado durante a apresentação da banda no Wacken Open Air do ano 2000, quando o evento ainda não era a megaprodução dos dias atuais. O vocalista no show era o lendário Gary Barden (MSG, Gary Moore), que acabou saindo logo na sequência. Sendo assim, o sueco Stefan Berggren, seu substituto, regravou as vozes em estúdio. Mas você só saberá isso porque estamos falando, já que soa imperceptível na mixagem de áudio. De qualquer modo, o cantor cumpre bem o seu papel, com um timbre muito agradável. Interessante é o fato de ele ser conhecido na cena Hard Rock europeia por seu trabalho no Snakes In Paradise. Fica parecendo até que é um pré-requisito ter sido um cobra (risos).

O setlist é basicamente de clássicos do Whitesnake que ficaram esquecidos no tempo por Coverdale. Oportunidade excelente de relembrar hinos como “Ready An’ Willing”, “Ain’t Gonna Cry No More”, “Lovehunter” e “Wine, Women An’ Song”. Também há espaço para uma homenagem à fase posterior, com a execução de “Is This Love?”. Uma grata surpresa é “Since You’ve Been Gone”, clássico de Russ Ballard, imortalizado pelo Rainbow. Durante o show, a canção foi dedicada a Cozy Powell, falecido três anos antes. Ainda sobra espaço para algumas raridades, como “Silver On Her Person”, da Marsden Moody Band e “Kinda Wish You Would”, que entraria no álbum seguinte do The Company em sua versão de estúdio.

Aliás, o trabalho a seguir, Burst The Bubble, seria o último do grupo. Bernie, Micky e Neil Murray formariam o M3, com Tony Martin nos vocais. Mais recentemente, sem Bernie, a dupla lançou o bom Snakecharmer, que a essa altura está preparando seu segundo disco de estúdio. Here They Go Again Live é uma excelente pedida para quem quiser lembrar a fase menos glamourosa do Whitesnake, com sua pegada mais voltada para o Blues. Um show descontraído, para se escutar sem a necessidade de ficar fazendo comparações com o passado a todo o momento. Ah sim, e alguém avisa o tio do microfone que o certo é Váquen, não Uéquen!

Stefan Berggren (vocais)
Bernie Mardsen (guitarra)
Micky Moody (guitarra)
Neil Murray (baixo)
Don Airey (teclados)
John Lingwood (bateria)

CD 1

01. Come On
02. Walking In The Shadow Of The Blues
03. Trouble
04. Kinda Wish You Would
05. Rough An’ Ready
06. Don’t Break My Heart Again
07. Moody’s Blues
08. Slow An’ Easy
09. Sweet Talker
10. Ready An’ Willing

CD 2

01. Would I Lie To You?
02. Ain’t Gonna Cry No More
03. Silver On Her Person
04. Lovehunter
05. Is This Love?
06. Since You’ve Been Gone
07. Here I Go Again
08. Wine, Women An’ Song
09. Fool For Your Loving

company

Recomendação da semana: Sabbath Crosses – Tributo Argentino a Black Sabbath [2005]

sabbath

Tributos ao Black Sabbath são frequentes. E com todos os méritos, diga-se de passagem. Afinal de contas, a banda definitivamente mudou o mundo, trilhando novos caminhos não apenas para a música como para todo o comportamento de futuras gerações. Uma peculiaridade desse exemplar organizado por bandas argentinas é a diversidade. O tracklist não se limita às fases Ozzy/Dio, como é de costume. As eras posteriores comparecem com ao menos uma música cada. Aliás, confesso que não lembro outra compilação desse tipo que reúna faixas de todos os vocalistas que tiveram álbuns lançados oficialmente ao lado de Tony Iommi.

Entre os destaques, o Magika com uma correta versão de “Anno Mundi” e o sempre eficiente Adrián Barilari, interpretando “Heaven and Hell” em espanhol. Pode soar estranho no começo, mas depois que acostuma, passa a ser bem agradável. Aliás, o cidadão aparece mais uma vez no tributo, dessa vez com sua banda principal, o Rata Blanca, na melhor de todas as faixas. Com participação de Glenn Hughes, o grupo ataca com a magnífica “No Stranger To Love”, fazendo com que os corações partidos sangrem até a morte. O momento excêntrico da empreitada fica por conta do Natas e uma versão para o hino “Paranoid” com toques psicodélicos em sua estrutura.

Assim como qualquer trabalho desse tipo, demora um pouco para assimilar algumas propostas concebidas. Mesmo assim, é uma boa pedida para quem quer dar uma refrescada nas idéias sobre aqueles velhos e imortais clássicos que já ouvimos um zilhão de vezes. Basta não ser radical e ficar exigindo que os grupos ajam como bandas cover. Até porque isso tem de sobra por aí e a maioria é extremamente ruim.

01. War Pigs (Nativo)
02. Heaven and Hell (Barilari)
03. TV Crimes (Plan 4)
04. Anno Mundi (Magika)
05. No Stranger To Love (Rata Blanca & Glenn Hughes)
06. Zero The Hero (Sauron)
07. Children Of The Grave (Horcas & Andres Gimenez)
08. Supernaut (O’Connor)
09. Die Young (Beto Vazquez Infinity)
10. Paranoid (Los Natas)

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Ozzy na Argentina em 2013

Recomendação da semana: La Famiglia Superstar – La Famiglia Superstar [2010]

lafamiglia

Talvez muitos não estejam familiarizados com a carreira de Steve Saluto. Mas esse guitarrista italiano conta com grande prestígio no mundo paralelo dos virtuoses, já tendo lançado sete álbuns solo, além de ter tocado com gente do calibre de Richie Kotzen, Buddy Miles e Darryl Jones, entre outros. Aproveitando-se de sua bela folha corrida, o cidadão decidiu lançar um super projeto, juntando alguns músicos de primeira linha. Assim nasceu o La Famiglia Superstar. E quando falo que é só gente de gabarito, basta dar uma olhada na escalação e sentir o queixo desabar.

Nos vocais, Terry Ilous, do Great White e XYZ. No baixo, o fera Marco Mendoza (Thin Lizzy, Whitesnake, Lynch Mob, entre tantos outros). E na bateria o não menos fantástico Atma Anur (Richie Kotzen, Cacophony, Greg Howe, Hardline). Com um timaço desses, só poderia rolar coisa boa, certo? E não tem decepção, especialmente para quem curte um Hard Rock com bastante groove e pitadas de Blues, feito com a alma. Importante citar que, apesar de só aparecerem músicos exímios aqui, não temos exibições de firulas gratuitas. O principal é a música, como sempre deve (ou deveria) ser.

Destaque para a abertura com “Never Enough”, som com alma zeppeliniana (parece saída da época do Houses of the Holy) e um refrão com tempero Pop que é crime perfeito. Em linha próxima do já citado Kotzen, “Rain” traz uma verdadeira aula de condução de ritmo protagonizada por Mendoza. A balada blueseira “I Come Around” traz toda aquela dramaticidade típica do estilo, com feeling invejável. “Can You Tell Me” poderia se passar facilmente por alguma faixa inédita recém descoberta do Badlands, embora o registro vocal de Terry não seja na mesma linha de Ray Gillen.

Outro momento que com certeza vai chamar atenção – para o bem ou mal – é a versão de “Here I Go Again”. Ao invés de se limitar a seguir o que fizeram David Coverdale e companhia, o grupo deu uma mudada legal na estrutura dela. No começo pode causar estranheza. Mas com o tempo passa a soar bem interessante, especialmente por ser algo diferente com uma canção que já ouvimos tantas vezes. Ah, e o solo de baixo é um verdadeiro golaço de Mendoza. “The Wind” traz como peculiaridade o fato de Terry estar cantando em francês. A ótima instrumental “Visions” encerra o trabalho mostrando toda a capacidade de Saluto nas seis cordas.

Advertência apenas para quem espera um play mais agitado não ir com muita expectativa. Várias faixas são bem “na manha”, com momentos acústicos e introspectivos. Mas nada que diminua o interesse de quem gosta de boa música, independente de rótulos e pré-classificações.

Terry Ilous (vocais)
Steve Saluto (guitarra, teclados)
Marco Mendoza (baixo)
Atma Anur (bateria)

01. Never Enough
02. Rain
03. I Miss You
04. What We Gonna Do
05. I Come Around
06. Closer
07. Can U Tell Me
08. Here I Go Again
09. The Wind
10. Visions

famiglia

Recomendação da semana: I – Between Two Worlds [2006]

i

Em 2003, o Immortal decidiu dar o primeiro ponto final da carreira. Os motivos foram as velhas e surradas diferenças pessoais, que sempre escondem algum podre que ninguém precisa saber no âmbito externo. Passaram-se alguns anos, Abbath e Demonaz, figuras centrais do grupo, juntaram forças novamente com Armagedda, baterista da formação original. O objetivo era criar uma banda que buscasse uma sonoridade mais tradicional, sem se desvincular totalmente das raízes Black. Chamaram o baixista King Ov Hell (Gorgoroth) e o guitarrista Ice Dale (Enslaved). Exceção ao espancador de peles e pratos, todos optaram pelo lado Clark Kent de suas identidades, adotando os nomes verdadeiros (eu disse verdadeiros, não trues). Assim nasceu o I.

Between Two Worlds tem tudo para agradar quem já curtia o trabalho dos envolvidos, mas também atingir um público menos chegado ao lado extremo. A sonoridade não deixa de ser agressiva, mas caminha por um lado mais oitentista do gênero, lembrando algumas coisas do Bathory e Venom, além de inevitáveis referências a nomes como Motörhead e até mesmo Black Sabbath. Sons como “The Storm I Ride”, a pesada “Warriors”, a épica “Mountains” e “Days Of North Winds” são marcantes desde a primeira escutada. Os riffs marcantes e as orquestrações muito bem encaixadas em “Far Beyond The Quiet” oferecem o melhor momento do play, especialmente para quem prefere uma sonoridade um pouco mais elaborada. “Cursed We Are” fecha o tracklist como ouro destaque.

Uma edição digipak limitada ainda trouxe outras três faixas como bônus. A banda fez apenas um show, no Hole In The Sky Festival, na Noruega. No mesmo ano, Abbath e Demonaz anunciaram a retomada de atividades do Immortal (para se separarem recentemente), enquanto os outros envolvidos retornaram a seus trabalhos prioritários. O frontman do grupo chegou a declarar em algumas ocasiões que estava trabalhando em material para o segundo disco, mas, aparentemente, vai ficar só na promessa mesmo. De qualquer modo, Between Two Worlds ficou registrado para a posteridade como um grande trabalho, que merece ser escutado. Recentemente, Abbath resgatou “Warriors” com a banda que leva seu nome.

Olve Eikemo (vocais, guitarra)
Arve Isdal (guitarra)
Tom Cato Visnes (baixo)
Armagedda (bateria)
Harald Naevdal (letras)

01. The Storm I Ride
02. Warriors
03. Between Two Worlds
04. Battalions
05. Mountains
06. Days Of North Winds
07. Far Beyond The Quiet
08. Cursed We Are

i

Recomendação da semana: Humanary Stew: A Tribute to Alice Cooper [1999]

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Se eu tivesse que escolher apenas um tributo para escutar até o fim de minha vida, sem sombra de dúvidas seria esse aqui. Poucas vezes um line-up com tanto talento conseguiu fazer um trabalho tão bom como nessa fantástica homenagem ao grande Vincent Furnier, um dos maiores compositores da história do Rock – ainda não reconhecido dessa forma pelo simples fato de não ter morrido jovem. Aproveitando-se do fato de ser um cara bem relacionado no mundo das guitarras pesadas, Bob Kulick (que toca guitarra-base em dez das onze faixas) chamou amigos e criou uma verdadeira constelação. É mais ou menos como fazer a seleção de todos os tempos, só vai ter craque pra jogar. Como a causa era nobre, todo mundo atendeu o chamado.

Quem abre o espetáculo é a dupla do Def Leppard, Joe Elliott e Phil Collen, com uma ótima versão para “Under My Wheels”. Na seqüência, é a vez de Dave Mustaine homenagear mais uma vez um de seus heróis, soltando a voz em “School’s Out”. Mostrando que não apenas as gerações posteriores apreciam o trabalho de Alice, Roger Daltrey comparece e, junto a Slash, revisita o hino “No More Mr. Nice Guy”. Eis que surge um dos momentos mais brilhantes do disco, quando o saudoso Ronnie James Dio se impõe, com uma interpretação fenomenal para “Welcome To My Nightmare”, dando sua cara à música sem descaracterizá-la. Coisas que só o baixinho com voz de ouro conseguia fazer. O Rock and Roll puro come solto com Vince Neil e sua trupe fazendo bonito em “Cold Ethyl”.

Eis que chega outro momento de qualidade superior, com a fantástica versão de Bruce Dickinson (com Adrian Smith nas seis cordas) para “Black Widow”. Com um clima todo especial, a voz do Iron Maiden se apropria desse clássico com toda a personalidade que lhe é peculiar. O sempre ótimo Dee Snider mostra que possui vestígios do DNA de Cooper em seu sangue ao interpretar “Go To Hell” com a cozinha da era clássica do Quiet Riot e Zakk Wylde na guitarra. Phil Lewis deixa seu registro em “Billion Dollar Babies”, abrindo espaço para Glenn Hughes fazer o trabalho à sua maneira peculiar na baladaça “Only Women Bleed”, contando com Paul Gilbert para auxiliar. Outra faixa que merece todo destaque é “I’m Eighteen”, com Don Dokken em um de seus últimos grandes momentos como cantor. Para fechar a festa, Steve Jones e Duff McKagan protagonizam um dueto sem frescuras para “Elected”.

Sem dúvida, um dos melhores exemplares do gênero, com cada músico se esforçando para dar o seu melhor. Caça-níqueis? Talvez, mas ao menos fizeram isso enquanto nosso amigo Vincent ainda está vivo.

01. Under My Wheels
Joe Elliott (vocais)
Phil Collen (guitarra)
Bob Kulick (guitarra)
Chuck Wright (baixo)
Pat Torpey (bateria)
Clarence Clemons (saxofone)

02. School’s Out
Dave Mustaine (vocais)
Marty Friedman (guitarra)
Bob Kulick (guitarra)
Bob Daisley (baixo)
Eric Singer (bateria)
Paul Taylor (teclados)
David Glen Eisley, Cristy Baeuerle, Stella Stevens e Tom Fletcher (backing vocals)

03. No More Mr. Nice Guy
Roger Daltrey (vocais)
Slash (guitarra)
Bob Kulick (guitarra)
Mike Inez (baixo)
Carmine Appice (bateria)
David Glen Eisley (backing vocals)

04. Welcome To My Nightmare
Ronnie James Dio (vocais)
Steve Lukather (guitarra)
Bob Kulick (guitarra)
Phil Soussan (baixo)
Randy Castillo (bateria)
Paul Taylor (teclados)

05. Cold Ethyl
Vince Neil (vocais)
Mick Mars (guitarra)
Bob Kulick (guitarra)
Billy Sheehan (baixo)
Simon Phillips (bateria)

06. Black Widow
Bruce Dickinson (vocais)
Adrian Smith (guitarra)
Bob Kulick (guitarra)
Tony Franklin (baixo)
Tommy Aldridge (bateria)
David Glen Eisley (backing vocals)

07. Go To Hell
Dee Snider (vocais)
Zakk Wylde (guitarra)
Bob Kulick (guitarra)
Rudy Sarzo (baixo)
Frankie Banalli (bateria)
Paul Taylor (teclados)

08. Billion Dollar Babies
Phil Lewis (vocais)
George Lynch (guitarra)
Bob Kulick (guitarra)
Stu Hamm (baixo)
Vinnie Colaiuta (bateria)
Derek Sherinian (teclados)
David Glen Eisley (backing vocals)

09. Only Women Bleed
Glenn Hughes (vocais)
Paul Gilbert (guitarra)
Bob Kulick (guitarra)
Michael Porcaro (baixo)
Stephen Ferrone (bateria)
Paul Taylor (teclados)
David Glen Eisley (backing vocals)

10. I’m Eighteen
Don Dokken (vocais)
John Norum (guitarra)
Bob Kulick (guitarra)
Tim Bogert (baixo)
Gregg Bissonette (bateria)
David Glen Eisley (backing vocals)

11. Elected
Steve Jones (vocais, guitarra)
Duff McKagan (vocais, baixo)
Billy Duff (guitarra)
Matt Sorum (bateria)

alicecooper

Recomendação da semana: The Brian May Band – Live At The Brixton Academy [1994]

brianmay

Como superar uma tragédia pessoal? Fazer aquilo que mais gosta sempre é uma boa saída. Pensando assim, Brian May não perdeu tempo. Após a morte de Freddie Mercury, resolveu ocupar a cabeça lançando um disco. Assim foi concebido o ótimo Back to the Light, com a participação de vários amigos. Mas não bastava, era preciso sair em turnê. Para isso, a lenda viva reuniu nomes de peso, entre eles Neil Murray e Cozy Powell, a cozinha do Black Sabbath na era Headless Cross/TYR, dispensada por Tony Iommi para a volta do line-up da era Heaven and Hell, que registrou Dehumanizer. Outro escalado foi Spike Edney, o tecladista membro honorário do Queen.

Com um time desses, é claro que não tinha como algo dar errado. Ainda mais apresentando um setlist que mesclava as faixas de seu bom trabalho a hinos históricos que a plateia presente na Brixton Academy, em Londres, no dia 15 de Junho de 1993. sabia de cor e salteado. Não há rigorosamente nenhum ponto fraco, mas não tem como não sentir aquele nó apertando a garganta quando Brian diz: “we’ll do this for Freddie”, antes de “Love of my Life”, que o público acompanha palavra por palavra, como de costume. Ainda no aspecto emoção, “Too Much Love Will Kill You” deixa uma mensagem e tanto aos corações desesperados e, muitas vezes, inconsequentes.

Mas é claro que o mote principal é o Rock pesado dos bons, guiados pelo inconfundível timbre de guitarra da estrela principal do espetáculo. E sons como a faixa-título do disco em divulgação, a agitada “Driven By You”, “Love Token” e “Resurrection” juntam-se aos clássicos para garantir que todos empunharão a air-guitar e mandarão ver enquanto vibram com o que sai das caixas de som/fones de ouvido. Rola até uma versão para “Since You’ve Been Gone”, de Russ Ballard, imortalizada pelo Rainbow – com Cozy na bateria, é claro. E o bicho pega para valer nas sempre indefectíveis “Tie Your Mother Down”, “Headlong” (que não chegou a ser tocada ao vivo pelo Queen) e a saideira com “Hammer to Fall”.

Essa tour passou pelo Brasil, com direito ao show do Rio ser filmado pela saudosa Rede Manchete. Inclusive ele chegou a ser exibido na transição do canal para a Rede TV, quando não havia grade de programação definida e a fitoteca era revirada e usada sem maiores preocupações por quem sobrou lá dentro. Uma pena que não tinha aviso prévio de veiculação, então acabei pegando pela metade e sem chance de gravar para a posteridade. A conclusão que se pode chegar é que, a despeito da química que fez do Queen uma das maiores bandas de todos os tempos, Brian May também possui grande poder de fogo quando consegue juntar outros músicos do mais alto calibre e fazer o serviço à sua maneira.

Brian May (vocais, guitarra)
Neil Murray (baixo)
Cozy Powell (bateria)
Spike Edney (teclados)
Jamie Moses (guitarra)
Cathy Porter (backing vocals)
Shelley Preston (backing vocals)

01. Back To The Light
02. Driven by You
03. Tie Your Mother Down
04. Love Token
05. Headlong
06. Love of My Life
07. ’39/Let Your Heart Rule Your Head
08. Too Much Love Will Kill You
09. Since You’ve Been Gone
10. Now I’m Here
11. Guitar Extravagance
12. Resurrection
13. Last Horizon
14. We Will Rock You
15. Hammer to Fall

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Recomendação da semana: Wander Taffo – Wander Taffo [1989]

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À época do lançamento deste álbum, a reputação do guitarrista Wander Taffo na cena nacional era pra lá de reconhecida, graças a suas participações em bandas como o Made in Brazil e o grupo solo de Rita Lee, além do Rádio Táxi, onde era efetivamente um membro ao invés de um músico contratado. Paralelamente à sua saída desse último, Wander fundou o IGT (Instituto de Guitarra e Tecnologia), projeto pioneiro na América Latina. Mas, logo ia sentir falta da vida nos palcos e estúdios, o que fez com que partisse para um projeto solo.

Para completar o grupo, contou com a ajuda de seu aluno e amigo Eduardo Ardanuy, que recomendou dois camaradas que eram irmãos e futuramente formariam com ele uma das maiores bandas de Hard Rock nacional, o Dr. Sin. Assim, Wander juntou os irmãos Busic e entrou no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, junto com o renomado Liminha, que possui uma extensa lista de sucessos em sua carreira de produtor. Nas composições, colaboraram figuras como Herbert Vianna e Lulu Santos. Mas não se assuste, apesar de o nome do último indicar que a coisa descambou pro Pop, aqui o Rock comanda, guiado pela sempre brilhante guitarra de Taffo.

A abertura com “Meu Punhal” e sua pegada totalmente Hard já mostram como a coisa iria funcionar. Destaque para a participação de Lobão nos vocais, cantando de forma visceral, como o estilo pede. “Luna Caliente” tem um ritmo mais acessível, mas o refrão é algo pra lá de viciante, além das seis cordas tomarem conta desde a introdução. Uma balada tipicamente oitentista surge em “Nossos Erros”, que possui uma letra forte e que fará com que todos se identifiquem e lembrem algum momento doloroso da vida. “Não Esquece de Mim” é um AOR fenomenal, graças a seus teclados e a melodia que gruda na cabeça desde a primeira escutada.

Na sequencia, a única do disco cantada em inglês, a pesada “Nightchild”, que contou com Todd Griffin, do The Graveyard Train, na voz. Embora sua banda não tenha ido muito longe, Todd ficou conhecido após cantar o tema da série That 70’s Show em sua primeira temporada. “Balões de Gás” conta com a melhor performance instrumental de toda a banda, com os irmãos Busic mostrando porque chegariam onde chegaram. Para encerrar, o maior sucesso comercial do álbum, “Pra Dizer Adeus”, faixa que entrou na trilha sonora da novela global O Salvador da Pátria – o povo da minha época há de se lembrar do lendário Sassá Mutema (risos).

O trabalho rendeu a Wander o Prêmio Sharp como revelação do ano – meio estranho para um cara tão experiente, mas enfim, premiações e suas concepções. Com o sucesso, foi decidido que o projeto iria se tornar uma banda mesmo, levando a partir de então, apenas o sobrenome do guitarrista. O tecladista Marcelo Sousa, que já tocava com o trio desde o começo (e mesmo não sendo integrante oficial apareceu na capa desse disco), foi efetivado como membro permanente. Com essa formação, lançaram Rosa Branca, outro ótimo trabalho, mas que já não teve o mesmo impacto. Um retorno da banda Taffo estava sendo planejado em 2008. Mas o inesperado falecimento de Wander mandou tudo por água abaixo. Ao menos temos grandes obras como essa para relembrar esse talento ímpar da história do Rock brazuca.

Wander Taffo (vocais, guitarra)
Andria Busic (baixo)
Ivan Busic (bateria)

01. Meu Punhal
02. Luna Caliente
03. Nossos Erros
04. Não Esquece de Mim
05. Nightchild
06. Balões de Gás
07. Pra Dizer Adeus

wander

Recomendação da semana: Richie Kotzen – Fever Dream [1990]

kotzen

Apesar de ter despontado como mais um guitarrista virtuose, adepto dos bululus e fritações, Richie Kotzen sempre teve ambições maiores para sua carreira. Não lhe bastava ser um grande instrumentista tecnicamente falando, ele queria o reconhecimento como compositor e, também, como cantor. Mas sabia que precisava fazer algumas concessões para atingir seu objetivo. Por isso, gravou seu debut autointitulado exatamente como a Shrapnel Records desejava, apenas com faixas 100% instrumentais, mostrando toda sua capacidade nas seis cordas. Agora era a hora de tomar as rédeas do processo criativo. Foi assim que Fever Dream foi concebido.

A sonoridade tinha muito a ver com o Hard Rock da época, com declarada predileção pela veia mais pesada do gênero. De curta duração (10 faixas em apenas 36 minutos), o disco é um prato cheio para quem curte um som bem elaborado sem deixar de ser acessível. Kotzen já mostrava possuir um talento muito acima da média, soltando a voz e tocando com desenvoltura invejável para um garoto de 20 anos. A cozinha de sua banda de apoio contava com o renomado baterista Atma Anur (Cacophony, Hardline, Greg Howe, La Famiglia Superstar), que se tornaria um grande parceiro de estúdio e palcos dali por diante.

Todas as músicas são muito boas. Mas os destaques vão para a melódica “Fall of a Leader” e a alucinada “Off the Rails”, que lembra muito o Van Halen dos primórdios, não apenas no instrumental, como nos vocais à la David Lee Roth. “Things Remembered Never Die” tem uma pegada blueseira indefectível, com verdadeiro show particular de Richie. A que ficou mais famosa foi “Dream of a New Day”, que fez parte da trilha sonora do filme Bill & Ted’s Bogus Journey, junto com sons de KISS, Winger, Megadeth, Steve Vai e Primus, entre outros. Uma pegada mais próxima do Heavy dita o ritmo em “Wheels Can Fly”. Um belo trabalho, mostrando um talento ainda em processo de amadurecimento. O melhor ainda estava por vir, mas Fever Dream é considerado pelo próprio Richie Kotzen a referência de uma fase de sua carreira.

Richie Kotzen (vocais, guitarra)
Danny Thompson (baixo)
Atma Anur (bateria)

01. She
02. Fall of a Leader
03. Off The Rails
04. Yvonne
05. Things Remembered Never Die
06. Dream of a New Day
07. Money Power
08. Rollercoaster
09. Wheels Can Fly
10. Truth In Lies

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