Memórias do Futebol: 20 anos da última vitória sobre a França

A França é uma espécie de asa negra do futebol brasileiro. Derrotas nas Copas do mundo de 1986, 1998 e 2006, além da final da Olimpiada de 1984 estão entre aqueles momentos difíceis de engolir. Pois neste domingo, completa-se vinte anos de nossa última vitória contra eles. Aconteceu em um amistoso no Estádio Parque dos Príncipes, em Paris. Eis um resumo, que também engloba a situação pela qual o país passava politicamente à época:

Os brasileiros passaram o dia 26 de agosto de 1992 torcendo. Pela seleção brasileira na vitória por 2 a 0 sobre a França e pelo processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Nas arquibancadas do Estádio Parque dos Príncipes, palco da vitória do time comandado pelo técnico Carlos Alberto Parreira, torcedores pediram a saída do governante.

Em sua edição do dia 27 de agosto, o jornal “A Gazeta Esportiva” relatou que um grupo de aproximadamente 500 brasileiros chegou uma hora antes do início do amistoso para protestar em frente ao estádio localizado em Paris. “O ritmo e as letras variavam, mas o refrão era sempre o mesmo: ‘fora Collor'”, noticiou o periódico.

Durante o jogo contra a França, os torcedores usaram faixas para manifestar o descontentamento com Fernando Collor de Mello nas arquibancadas. Em panos amarelos com letras pretas, os brasileiros estamparam a frase “fora Collor”. “Preto também era a cor das roupas usadas pela quase totalidade dos torcedores brasileiros”, noticiou A Gazeta Esportiva.

Um dia antes da partida, foram registradas manifestações em frente ao apartamento que supostamente pertencia a Paulo César Farias. Tesoureiro na campanha presidencial de Fernando Collor de Mello, ele seria testa de ferro em diversos esquemas de corrupção. Em 1996, o empresário foi encontrado morto ao lado da namorada Suzana Marcolino em um episódio controverso.

Se os brasileiros aproveitaram a ocasião para protestar, os locais ficaram impressionados com a exibição do time canarinho. “O Brasil foi aplaudido de pé pela torcida francesa depois da vitória por 2 a 0 diante de sua seleção, em Paris. O futebol apresentado encantou quem esteve presente ao estádio Parc Des Princes e, antes mesmo do final, todos gritavam olé a cada passe de Careca & Cia”, relatou A Gazeta Esportiva.

Dentro de campo, a seleção brasileira soube explorar os espaços do lado direito da defesa francesa e marcou os gols pelo setor. Aos 42 minutos do primeiro tempo, o lateral Jorginho cruzou para Raí. Capitão do time, o são-paulino cabeceou na trave e viu a bola tocar no corpo do goleiro Martini antes de entrar. Aos seis minutos do segundo tempo, foi a vez do meia Luiz Henrique receber centro de Jorginho e cabecear com precisão.

Curiosamente, os dois autores dos gols no amistoso defenderam clubes franceses na sequência. Negociado pelo São Paulo com o Paris Saint-Germain em 1993, Raí ganhou a Copa da Liga (95 e 98), a Copa da França (93, 95 e 98), o Campeonato Francês (94) e a Recopa Europeia (96). Já Luis Henrique, após defender o Palmeiras, passou a vestir a camisa do Mônaco no mesmo ano de 1992. Na época com 11 meses de trabalho na seleção, Parreira já precisava se defender das criticas por apresentar um futebol defensivo. “Soubemos nos defender sim, mas quando roubávamos a bola partíamos rápido para o contra-ataque. Foi uma boa atuação, pois os jogadores mais uma vez mostraram personalidade, deixando claro que poderão formar uma grande equipe quando tivermos tempo para trabalhar”, afirmou o então técnico.

Em 1993, o Brasil conquistou a classificação para a Copa dos Estados Unidos de forma dramática e, um ano depois, foi tetracampeão. O goleiro Taffarel, os laterais Jorginho e Branco, o zagueiro Ricardo Rocha, o volante Mauro Silva, os meias Raí e Zinho e os atacantes Romário e Bebeto, escalados no amistoso contra a França em 1992, foram convocados por Parreira para o Mundial.

O amistoso em Paris marcou a estreia do técnico Gerard Houllier, sucessor do astro Michel Platini no comando do time francês. Seis anos depois de perder do Brasil no amistoso, a seleção europeia deu o troco e, sob o comando de Aime Jacquet, foi campeã mundial no Stade de France com as presenças do volante e capitão Didier Deschamps, do zagueiro Laurent Blanc e do volante Emmanuel Petit, escalados no encontro de 1992.

Depois da vitória por 2 a 0 sobre os franceses no dia 26 de agosto, o grupo de torcedores brasileiros procurou pelos jornalistas para saber o resultado da votação do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que incriminava Collor. “A notícia do placar de 16 a 5 a favor do relatório foi comemorada com quase a mesma alegria que mereceram os gols de Raí e Luís Henrique”, noticiou A Gazeta Esportiva.

Fernando Collor de Mello, 61 anos, venceu Luiz Inácio Lula da Silva, antecessor de Dilma Roussef, no segundo turno das eleições presidenciais de 1989. Em 1992, diante do processo de impeachment, impulsionado por enormes manifestações populares, ele renunciou ao cargo e o vice Itamar Franco assumiu. Atualmente, o ex-chefe de Estado é senador por Alagoas.

Fonte: IG

França 0-2 Brasil
26 de agosto de 1992

França: Martini, Boli, Roche, Prunier e Petit (Fournier); Blanc (Sauzée), Deschamps e Durand; Cocard (Vahirua), Papin e Ginola. Técnico: Gerard Houllier

Brasil: Taffarel, Jorginho, Ricardo Rocha, Ricardo Gomes e Branco; Mauro Silva, Luis Henrique (Júnior), Valdo (Zinho) e Raí; Careca e Romário (Bebeto). Técnico: Carlos Alberto Parreira

Gols: Raí, aos 42 minutos do primeiro tempo; Luis Henrique, aos 6 minutos do segundo tempo.
Arbitragem: Van der Wijngaert (Bélgica)
Local: Parque dos Príncipes, Paris


Pelo ângulo oposto

Memórias do Futebol: Os dez anos do penta – parte final

A adrenalina não me deixou dormir. Foi um mês de sacrifício, dobrando o sono, conciliando as noites da faculdade, o estágio à tarde e as madrugadas de futebol – que se estendiam até o início da manhã. Mas o resultado final compensou. E como. Nasci em 1983. Não lembro nada da Copa de 86, no México. Recordo um choro infantil irrompido após a eliminação contra a Argentina, em 1990. E uma mistura maluca de emoções após o tetra, quatro anos mais tarde. Ainda anestesiado pela morte de Ayrton Senna, foi duro ouvir o tema da vitória após o pênalti chutado por Roberto Baggio. Foi bonito, mas deixou aquela sensação no ar. Mesmo assim, tenho um grande carinho por aquele Mundial e aquela seleção, criticada, porém vencedora, que é o que me importa enquanto torcedor.

A mesma coisa posso dizer sobre o Brasil de 2002. O massacre público aos comandados de Luiz Felipe Scolari despertou em mim um sentimento de raiva que desde o fim das eliminatórias fez com que decidisse comprar a briga e, se necessário, morrer abraçado em uma derrota. Sabendo que seria difícil, me tomei de um espírito verde-e-amarelo como poucas vezes. E a recompensa definitiva veio no dia 30 de junho de 2002. Quando Oliver Khan não segurou o chute de Rivaldo e Ronaldo completou para a rede alemã, a emoção tomou conta de maneira que eu não esperava. Mas assim foi até o fim do jogo, passando pelo segundo do Fenômeno, que me fez entender o verdadeiro significado de um milagre – sim, eu achei que ele não conseguiria voltar após aquela terrível cena de seu joelho quase saltando para fora do corpo.

Foi a conquista emocionante de quem esteve contra todas as expectativas. De quem apostou todas as fichas no improvável, no azarão. E se deu bem. O Brasil era o primeiro (e até hoje único) pentacampeão mundial de futebol. E misturando todos os ingredientes em um produto tipicamente nacional. E 1998 não foi citado antes, pois não fazia mais sentido naquele momento.

Brasil 2×0 Alemanha
30 de junho de 2002

Brasil: Marcos, Lúcio, Edmilson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Kléberson, Ronaldinho (Juninho) e Roberto Carlos; Rivaldo e Ronaldo (Denilson). Técnico: Luiz Felipe

Alemanha: Kahn, Metzelder, Ramelow e Linke; Frings, Hamman, Jeremies (Asamoah), Schneider e Bode (Ziege); Klose (Bierhoff) e Neuville. Técnico: Rudi Vöeller

Gols: Ronaldo aos 21 e 33 minutos do segundo tempo
Cartões amarelos: Roque Júnior e Klose
Arbitragem: Pierluigi Collina (Itália), auxiliado por Leif Lindenberg (Suécia) e Philip Sharp (Inglaterra)
Local: Estádio Internacional de Yokohama, Japão

Memórias do Futebol: Os dez anos do penta – parte 6

O Brasil está de novo em uma final de Copa do Mundo. Com uma vitória por 1 x 0 sobre a Turquia nesta quarta-feira, a seleção brasileira garantiu vaga na decisão do Mundial de 2002 contra a Alemanha.

Será a sétima final de Copa disputada pelo Brasil e a terceira consecutiva.

O confronto de domingo, em Yokohama, será o primeiro entre o tetracampeão Brasil e a tricampeã Alemanha na história dos Mundiais.

O gol da vitória da seleção brasileira foi marcado por Ronaldo no começo do segundo tempo. O atacante da Inter de Milão, que era dúvida para a partida por causa de uma lesão na coxa esquerda, não se movimentou muito no primeiro tempo, mas armou boas jogadas na etapa final.

Ronaldo assumiu agora a artilharia da Copa, com seis gols. Rivaldo e o alemão Klose têm cinco.

A equipe do técnico Luiz Felipe Scolari contou com o apoio da torcida japonesa, que praticamente lotou e cobriu o estádio de Saitama de verde e amarelo, com exceção de uma mancha vermelha atrás do gol defendido por Marcos no primeiro tempo.

Fonte: UOL

Brasil 1×0 Turquia
26 de junho de 2002

Brasil: Marcos, Lúcio, Edmilson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Kléberson (Belletti), Rivaldo e Roberto Carlos; Edilson (Denilson) e Ronaldo (Luizão). Técnico: Luiz Felipe

Turquia: Rustu, Kormaz, Akyel e Alpay; Davala (Izzet), Tugay, Basturk (Erden), Emre (Mansiz) e Ergun; Hakan Sukur e Hasan Sas. Técnico: Senol Gunes

Arbitragem: Kim Milton Nielsen (Dinamarca), auxiliado por Maciel Wierzbowski (Polônia) e Igor Sramka (Eslovênia).
Gol: Ronaldo aos 4 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Gilberto Silva e Tugay
Local: Saitama, Japão

Memórias do Futebol: Os dez anos do penta – parte 5

Um time do Felipão

Brasil versus Inglaterra pode ser considerado o ponto mais alto da carreira de Luiz Felipe como técnico de futebol. Todas as suas boas qualidades foram utilizadas neste jogo e todas apresentaram o máximo de rendimento. Luiz Felipe demonstrou ser um perspicaz conhecedor da alma de seus jogadores – recuperou dois craques consagrados, Ronaldo e Rivaldo, que pareciam condenados a um prematuro fim de carreira. Ao mesmo tempo, deu tranquilidade a dois jovens, Gilberto e Kléberson, esperou que amadurecessem, até pô-los no caminho certo.

Luiz Felipe ainda demonstrou sua habilidade tática – a Inglaterra não jogou, Marcos não fez uma única defesa importante. O gol de Owen, originado de uma falha individual, foi a única situação de gol do English Team. Mesmo com um jogador a menos o Brasil foi melhor, sabia o que fazer em campo e, o mais importante, sabia o que queria da partida. A seleção brasileira, hoje, tem a personalidade de Luiz Felipe. Uma personalidade de vencedor.

David Coimbra
Jornal Zero Hora, 22/6/2002

Brasil 2×1 Inglaterra
21 de junho de 2002

Brasil: Marcos, Lúcio, Edmilson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Kléberson, Ronaldinho e Roberto Carlos; Rivaldo e Ronaldo (Edilson). Técnico: Luiz Felipe

Inglaterra: Seaman, Mills, Ferdinand, Campbell e Cole (Sheringhan); Butt, Scholes, Sinclair (Dyer) e Beckham; Owen (Vasself) e Heskey. Técnico: Sven-Goran Eriksson

Gols: Owen aos 23 e Rivaldo aos 47 minutos do primeiro tempo; Ronaldinho aos 4 minutos do Segundo tempo.
Arbitragem: Felipe Ramos Rizo (México), auxiliado por Hector Vergara (Canadá) e Mohamed Said (Ilhas Maldivas)
Cartão Amarelo: Scholes e Mills.
Expulsão: Ronaldinho
Local: Estádio Ogasayama, em Shizuoka, Japão

Memórias do Futebol: Os dez anos do penta – parte 4

Era a hora do vamos ver. Não se podia mais errar. E a partida das oitavas-de-final também marcou o início da mudança de esquema que ajudaria a garantir a taça.

O Brasil venceu com dificuldades a Bélgica por 2 a 0 nesta segunda-feira, em Kobe, no Japão, e enfrentará a Inglaterra na sexta-feira, em Shizuoka, pelas quartas-de-final da Copa.

Depois de ser pressionado pelos belgas, no início do segundo tempo, a Seleção Brasileira venceu com gols de Rivaldo e Ronaldo, respectivamente, aos 22 e aos 41 minutos da etapa final.

Com o gol, Ronaldo se igualou na artilharia da Copa ao alemão Klose. Os dois já marcaram cinco vezes. Desde 1978, todos os artilheiros dos Mundiais fizeram seis gols.

O jogo das quartas-de-final de sexta-feira será o confronto entre o melhor ataque desta Copa – o Brasil, com 13 gols – e a melhor defesa – a inglesa, que, como os alemães, só tomou um gol.

Brasil x Bélgica

Esse será o quarto confronto entre brasileiros e ingleses em Copas do Mundo. O Brasil empatou um (0 a 0, em 1958) e ganhou os outros dois (3 a 1, em 62, e 1 a 0, em 70).

A Seleção Brasileira foi campeã em todos os Mundiais que enfrentou a Inglaterra.

Na partida desta segunda-feira, a Seleção Brasileira foi bem marcada pelos belgas, que estavam mais perto do gol do que o Brasil, quando Rivaldo abriu o placar.

A Bélgica jogou fechada, com a marcação avançada no meio-de-campo, e fechou os espaços para a armação de jogadas do Brasil.

Aos 18 minutos do primeiro tempo, Ronaldinho conseguiu furar o bloqueio defensivo belga pela primeira vez. Na entrada da área, ele se livrou do marcador e rolou para Ronaldo na equerda.

Com a perna direita, o atacante tentou colocar no ângulo esquerdo do goleiro De Vlieger, mas chutou para fora.

A Seleção Brasileira melhorou depois do lance. Aos 22 minutos, Ronaldo foi lançado por Juninho, passou pelo defensor e cruzou da esquerda para Rivaldo.

O meia-atacante do Barcelona pegou de primeira, de meia-bicicleta, mas a bola foi por cima.

Minutos depois, foi a vez do atacante da Bélgica Wilmots finalizar um cruzamento com uma meia-bicicleta dentro da área. A bola também foi por cima.

Aos 35 minutos, em mais um cruzamento belga para a área brasileira, Wilmots marcou de cabeça. No entanto, o juiz jamaicano deu falta do atacante no zagueiro Roque Júnior e anulou o gol.

Ronaldo perdeu uma oportunidade para marcar no fim da etapa inicial. Rivaldo foi acionado em outro lançamento longo, nas costas da marcação da Bélgica.

Segundo tempo

No segundo tempo, a Bélgica manteve a marcação adiantada, com jogadores na sobra, dificultando a armação de jogadas do Brasil pelo meio.

Os belgas pressionaram nos primeiros vinte minutos. Aos sete, o capitão Wilmots, o melhor atacante belga, chutou de virada, de fora da área, mas o goleiro Marcos saltou e tocou para escanteio.

Dois minutos depois, Mpenza fo lançado pelo lado direito da área, mas Marcos, de novo, saiu bem e bloqueou o atacante.

Aos 17 minutos, a Bélgica teve sua terceira chance de gol na etapa final. Wilmots, de novo, chutou de dentro da área, mas Marcos voltou a espalmar a bola.

Quando a Bélgica estava mais perto de abrir o placar do que o Brasil, Rivaldo fez 1 a 0, aos 22 minutos, depois de bela jogada individual.

De costas para o gol, na entrada área, ele matou no peito o passe de Ronaldinho, ajeitou, e chutou forte. A bola desviou no defensor belga e tirou o goleiro De Vlieger do lance.

A Bélgica pressionou pelo gol de empate, mas Ronaldo, que até então estava apagado no segundo tempo, completou o placar a quatro minutos do final, depois da boa jogada do substituto Kléberson pela direita.

O atacante recebeu na área e finalizou o contra-ataque com um chute por baixo das pernas do goleiro.

Fonte: BBC Brasil

Brasil 2×0 Bélgica
17 de junho de 2002

Brasil: Marcos; Lucio, Roque Júnior, Edmílson; Roberto Carlos, Cafu, Gilberto Silva, Juninho (Denílson), Rivaldo (Ricardinho); Ronaldo, Ronaldinho (Kléberson). Técnico: Luiz Felipe Scolari

Bélgica: De Vlieger; Van Kerckhoven, Van Buyten, Peeters (Sonck); Verheyen, Simons, Vanderhaeghe, Walem, Goor; Mpenza, Wilmots. Técnico: Robert Waseige

Gols: Rivaldo aos 22 e Ronaldo aos 41 minutos do segundo tempo.
Cartão amarelo: Roberto Carlos (Br); Vanderhaeghe (Be)
Juiz: Peter Prendergast (Jamaica)
Local: Kobe, Japão

Memórias do Futebol: Os dez anos do penta – parte 3

A goleada de 5 a 2 sobre a Costa Rica colocou a seleção como uma das principais candidatas ao título do Mundial. Mesmo com as falhas da defesa e as declarações de Felipão de que o Brasil não é o favorito, jornais do mundo inteiro já apostam na vitória da seleção. Acompanhe algumas publicações.

La Nación (Argentina): Em um torneio em que a cada rodada se perde um candidato ao título, o Brasil deu sinais claros que pode chegar.

Marca (Espanha): Se tem algo que devemos ao Mundial é a recuperação de Ronaldo. O Fenômeno maravilhou o público.

Clarín (Argentina): Brasil é o grande candidato ao título e está cada vez mais forte.

Bild (Alemanha): Brasil goleia com samba, mas tem problemas na defesa.

Gazzetta Dello Sport (Itália): Apresentou garra emocionante, digna do melhor espetáculo futebolístico, com gols, dribles, bola na trave, tudo o que você sempre quis ver numa partida.

Brasil 5×2 Costa Rica
13 de junho de 2002

Brasil: Marcos; Lúcio, Anderson Polga e Edmilson; Cafu, Gilberto Silva, Juninho (Ricardinho), Rivaldo(Kaká) e Júnior; Ronaldo e Edílson (Kléberson). Técnico: Luiz Felipe Scolari

Costa Rica: Erick Lonnis; Gilberto Martinez(Winston Parks), Mauricio Wright e Luis Marin; Harold Wallace(Steven Bryce), Mauricio Solis(Rolando Fonseca), Wilmer Lopez, Carlos Castro e Walter Centeno; Paulo Wanchope e Ronald Gomez. Técnico: Alexandre Guimarães

Gols: Ronaldo aos 9, Ronaldo aos 12, Edmilson aos 37 e Wanchope aos 39 minutos do primeiro tempo. Gómes aos 9, Rivaldo aos 17 e Júnior aos 18 minutos do segundo tempo.
Árbitro: Gamal Ghandour (Egito), auxiliado por Wagih Farag (Egito) e Egon Bereuter (Áustria)
Local: Estádio Mundial de Suwong, Coreia do Sul

Memórias do Futebol: Os dez anos do penta – parte 2

Foi fácil demais. Sem precisar se esforçar muito, a seleção brasileira goleou a fraca China por 4 x 0 neste sábado e praticamente assegurou uma vaga nas oitavas-de-final da Copa do Mundo.

O Brasil, que chegou a seis pontos, garante a classificação para a próxima fase no Grupo C se a Turquia não vencer a Costa Rica no domingo. Se os turcos ganharem, só precisará de um empate contra a Costa Rica na próxima quinta-feira.

Os gols do Brasil foram marcados por Roberto Carlos, de falta, Rivaldo, Ronaldinho (pênalti) e Ronaldo.

A equipe brasileira entrou em campo com uma mudança em relação ao time que estreou na vitória contra a Turquia por 2 x 1 na última segunda-feira — Anderson Polga no lugar de Edmilson.

Os zagueiros brasileiros, entretanto, não foram exigidos na partida, já que a China mostrou dificuldades na troca de passes e pouco finalizou.

A China estava desfalcada dos zagueiros machucados Fan Zhiyi e Sun Jihai, os jogadores mais experientes da equipe, que foram substituídos pelos meias Qi Hong e Du Wei, de 20 anos.

O time chinês, que disputou sua segunda partida em Mundiais contra o Brasil, também tirou o atacante Yang Chen após uma decepcionante atuação na derrota de 2 x 0 para a Costa Rica na terça-feira.

Ao invés de colocar outro atacante, o técnico Bora Milutinovic escalou outro meia, Zhao Junzhe, mudando o esquema com três zagueiros para a formação 4-4-2.

Fonte: UOL

Brasil 4×0 China
8 de junho de 2002

Brasil: Marcos; Lúcio, Anderson Polga e Roque Junior; Cafu, Gilberto Silva, Juninho (Ricardinho, aos 25 do segundo tempo), Rivaldo e Roberto Carlos; Ronaldo (Edilson aos 26 do segundo tempo), Ronaldinho Gaúcho (Denílson, no intervalo). Técnico: Luiz Felipe Scolari

China: Jiang Jin; Du Wei, Li Weifeng, Wu Chengying e Xu Yunlong; Li Xiaopeng, Qi Hong (Shao Jiayi, aos 21 do segundo tempo), Li Tie, Zhao Junzhe e Ma Mingyu (Yang Pu, aos 17 do segundo tempo); Hao Haidong (Qu Bo, aos 30 do segundo tempo). Técnico: Bora Milutinovic

Gols: Roberto Carlos aos 15, Rivaldo aos 32 e Ronaldinho (pênalti) aos 44 minutos do primeiro tempo. Ronaldo aos 9 minutos do segundo tempo.
Arbitragem: Anders Frisk (Suécia), auxiliado por Leif Lindenberg (Suécia) e Bomer Fierro (Equador).
Cartões amarelos: Ronaldinho e Roque Júnior
Local: Jeju, Coreia do Sul

Memórias do Futebol: Os dez anos do penta – parte 1

Foi preciso malandragem. E uma vista grossa do juiz. Mas seja como for, arrancamos para o penta com uma virada sobre os turcos.

Graças a uma ajuda do árbitro Kim Young-Joo, o Brasil estreou com vitória na Copa do Mundo. O jogo com a Turquia estava empatado em um gol até os 41 minutos do segundo tempo, quando o coreano marcou um pênalti inexistente em cima de Luizão. Rivaldo cobrou e garantiu a vitória de virada por 2 a 1. Mas a partida foi dificílima para seleção brasileira. A arma, que o técnico Felipão preparou para os adversários, foi usada contra ele pelo menos nos primeiros 45 minutos. A seleção brasileira não soube se desvencilhar da forte marcação dos turcos. O treinador Senol Gunes montou a sua equipe dentro de esquema tático com cinco jogadores de defesa, encostando nos atacantes do Brasil.

Aos sete minutos, a primeira tentativa do Brasil. Ronaldinho Gaúcho tentou encobrir o goleiro Rustu Recber, que saiu jogando errado. Aliás, Ronaldinho Gaúcho, juntamente com Rivaldo e Ronaldo, procurava se movimentar na frente. Mas o bloqueio turco dificultava a criação de jogadas. A solução era arriscar chutes de longa distância. Foi assim com Rivaldo, aos oito, e Juninho, aos 29 minutos. A Turquia assustou com uma bola que desviou em Gilberto Silva e raspou o travessão de Marcos. Os turcos pediram pênalti de Edmílson em Ozalan, aos 34 minutos, mas o árbitro coreano Young Joo Kim.

As melhores chances de gol da seleção brasileira saíram no fim do primeiro tempo. Aos 39, Ronaldo cruzou da esquerda e Rivaldo, livre de marcação, cabeceou. Recber fez grande defesa. Aos 45 minutos, Ronaldinho Gaúcho ficou na frente do goleiro, mas não conseguir abrir o placar. A Turquia tentava tirar proveito da falha da defesa brasileira. E ela aconteceu, aos 46 minutos. Ninguém marcou o atacante Hasan Sas, que recebeu lançamento de Bastruk, e chutou forte sem chances para Marcos. Mas no segundo tempo, Ronaldo resolveu jogar dez minutos. Azar da Turquia. Aos três minutos, ele perdeu um gol, mas no lance seguinte, não teve jeito. Aos quatro minutos, Rivaldo cruzou da esquerda e Ronaldo se esticou todo para desviar de pé direito, empatando a partida.

Gol anulado

Cinco minutos depois, Ronaldo fez outra linda jogada, mas Recber defendeu no canto esquerdo. Rivaldo chegou a marcar o segundo gol de cabeça, aos 17 minutos, mas o assistente marcou impedimento e anulou a jogada.

Insatisfeito com o desempenho da equipe, Felipão mexeu no time. Primeiro, aos 22 minutos, para dar maior velocidade ao time, Denílson entrou no lugar de Ronaldinho Gaúcho. Em seguida, Vampeta reforçou a marcação, ocupando a vaga de Juninho Paulista. E Luizão entrou no lugar do cansado Ronaldo. As alterações não surtiram o efeito desejado. Mas o árbitro coreano Kim Young-Joo resolveu ajudar o Brasil. Ozalan puxou a camisa de Luizão fora da área e o jogador brasileiro caiu dentro. O árbitro errou e marcou pênalti. Rivaldo cobrou e virou o jogo para o Brasil. Aos 48 minutos, Unsal ainda foi expulso, depois de chutar a bola em Rivaldo.

Fonte: DiarioWeb

Brasil 2×1 Turquia
3 de junho de 2002

Brasil: Marcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Juninho Paulista (Vampeta), Ronaldinho Gaúcho (Denílson) e Roberto Carlos; Ronaldo (Luizão) e Rivaldo. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Turquia: Rustu Recber; Ozat, Akyel, Korkmaz (Mansiz), Ozalan e Unsal; Tugay, Emre e Bastruk (Davala); Sukur e Hasan Sas. Técnico: Senol Gunes.

Gols: Sas aos 47 minutos do primeiro tempo; Ronaldo aos 4 e Rivaldo (pênalti) aos 42 minutos do segundo tempo
Cartões amarelos: Akyel, Unsal, Onzalan (T); Denilson (B)
Expulsões: Ozalan e Unsal (T)
Arbitragem: Kim Young-Joo (Coreia do Sul) auxiliado por Visva Krishnan (Cingapura) e Vladimir Fernandez (El Salvador)
Local: Estádio Munsu, em Ulsan, Coreia do Sul

>Memórias do futebol: A Divisão Panzer

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Eles chegaram totalmente desacreditados. Foram superando um adversário após o outro. E com a velha eficiência, os alemães superaram obstáculos e chegaram à final da Copa do Mundo.

Alemanha vence a Coréia e chega à final da Copa do Mundo-2002

A seleção da Alemanha é a primeira finalista da Copa do Mundo-2002. A equipe garantiu a vaga ao interromper a série de triunfos da Coréia do Sul e vencer a equipe anfitriã por 1 a 0 nesta terça-feira, em jogo disputado em Seul.

Mesmo sem apresentar um futebol brilhante, a Alemanha usou o pragmatismo e a disciplina para chegar à vitória. O time foi muito rígido na marcação e apostou em uma única jogada: as bolas cruzadas na área adversária. Clique aqui para ver como foi o jogo, minuto a minuto.

O principal personagem da partida foi o meia Michael Ballack, que marcou o gol dos alemães. O jogador, considerado o craque do time, levou o segundo cartão amarelo e, apesar de garantir a classificação, não poderá jogar a final.

Agora, os alemães esperam o vencedor do jogo entre Brasil e Turquia, que será disputado nesta quarta-feira em Saitama, no Japão, para saber quem irão enfrentar na final do torneio.

Até hoje, os germânicos já decidiram seis vezes um título mundial de futebol. O time venceu a metade das disputas: em 1954, na Suíça; em 1974, na própria Alemanha; e 1990, na Itália. Se vencer mais uma edição, empata com o Brasil, que é o único tetracampeão.

O resultado do jogo desta terça-feira impediu que os sul-coreanos entrassem para a história como os primeiros asiáticos a disputar uma final. Desde que a Fifa começou a organizar torneios mundiais, em 1930, apenas europeus e sul-americanos chegaram á decisão.

Na partida desta quarta-feira, a Alemanha organizou uma marcação implacável para conter as jogadas de ataque da Coréia do Sul e conseguiu anular a velocidade dos jogadores adversários.

A estratégia deu certo, e o time anfitrião levou pouco perigo ao gol de Oliver Kahn. A Alemanha atacou pouco, usando sempre o jogo aéreo. Em um dos únicos cruzamentos rasteiros da partida, conseguiu chegar ao gol.

Depois disso a Coréia ainda tentou pressionar, mas faltou qualidade no toque de bola. Nos últimos minutos, o técnico Guus Hiddink colou os atacantes Seol e Ahn em campo, mas a medida não surtiu resultado.

Defesa menos vazada

A seleção da Alemanha chega à final da Copa com uma marca surpreendente: o time sofreu apenas um gol nos seis jogos que já disputou neste torneio e detém a marca de defesa menos vazada.

O principal responsável pelo feito é o goleiro Oliver Kahn, considerado por muitos o melhor jogador do mundo na sua posição. Ele é apontado até pelo técnico do time, Rudi Voller, como maior responsável pela boa campanha.

Diabos vermelhos

Mais uma vez a torcida sul-coreana deu um show à parte, lotando o estádio de Seul para a partida.Durante os 90 minutos, os torcedores entoaram seu principal grito de guerra: “De Hai Min Gu”, que significa “Grande República da Coréia do Sul”.

Apesar de assistiram à derrota de seu time, os “diabos vermelhos”, como são conhecidos devido à cor vermelha do uniforme da seleção, aplaudiram muito os jogadores, que ainda terão mais um jogo, na disputa do terceiro lugar.

O resultado acabou tendo ao menos uma vantagem para os sul-coreanos: se tivessem chegado à final, teriam que realizar a última partida no Japão, em Yokohama, mas como vão disputar o terceiro lugar, não precisarão sair de seu país.

Fonte: Folha Online

Coréia do Sul 0-1 Alemanha
25 de junho de 2002

Coréia do Sul: Lee Woon-Jae, Chong Song, Jin Choi (Ming Lee), Bo Hong (Seol) e Tae Kim; Sang Yoo, Chun Lee, Young Lee e Park; Sun Hwang (Jung Ahn) e Cha Doo-Ri Técnico: Guus Hiddink

Alemanha: Oliver Kahn; Frings, Linke, Ramelow, Metzelder; Schneider (Jeremies), Michael Ballack, Hamann, Marco Bode; Miroslav Klose (Bierhoff) e Neuville (Asamoah) Técnico: Rudi Voeller

Gol: Ballack aos 30 minutos do segundo tempo
Cartões Amarelos: Ballack e Neuville (A), Ming Lee (C)
Arbitragem: Urs Meier (Suiça), auxiliado por Frederic Arnault (França) e Evzen Amler (República Checa)
Local: Estádio Copa do Mundo, em Seul, Coréia do Sul

>Memórias do futebol: Men in Black

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A classificação dos coreanos para a semifinal da Copa de 2002 sempre será lembrada pela grande mão da arbitragem em momentos cruciais. Uma mancha difícil de ser evitada, mesmo com a bonita festa do povo asiático e a entrega dos atletas.


Com ajuda do juiz, Coréia do Sul vence nos pênaltis a Espanha

A arbitragem mais uma vez deixou a desejar e ajudou a equipe da Coréia do Sul a superar a Espanha nos pênaltis, neste sábado, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo. Após 120 minutos de futebol, dois gols espanhóis injustamente anulados pelo egípcio Gamal Ghandur e um inevitável empate por 0 x 0, os donos da casa foram mais competentes e se classificaram para enfrentar a Alemanha nas semifinais, às 8h30 da próxima terça-feira.

Já nas oitavas-de-final, contra a Itália, a Coréia contou com a colaboração do equatoriano Byron Moreno, que, entre outros erros, aceitou a indicação do bandeira argentino Jorge Rattalino e assinalou um inexistente e crucial impedimento de Tommasi, que surgiria livre à frente do goleiro adversário. Na seqüência do lance, com a partida já parada, o italiano driblou Woon-Jae Lee e fez o gol. O árbitro sequer o advertiu com o catrão amarelo, talvez para amenizar o erro.

Erros à parte, as duas equipes haviam proporcionado momentos de emoção na fase anterior, ao eliminarem Irlanda e Itália nos pênaltis e na morte súbita, respectivamente. Por isso, a decisão da vaga às semifinais foi decepcionante. Espanhóis e coreanos fizeram um jogo pobre em criatividade e com poucos lances de emoção, o que justificou a falta de gols.

Nos pênaltis, os sul-coreanos tiveram aproveitamento perfeito, com Hwang, Sun Park, Seol, Ahn e Hong. Para a Espanha marcaram Hierro, Baraja, Xavi, enquanto Joaquín perdeu a penalidade, defendida pelo goleiro Woon-Jae Lee, o herói coreano.

Desde o início do primeiro tempo, a possibilidade de o jogo ir para a prorrogação ou até para os pênaltis estava presente. O árbitro egípcio Gamal Ghandur contribuiu decisivamente, ao anular um gol de Baraja, no início do segundo tempo. Na prorrogação, a Fúria teve outro gol anulado, dessa vez de Morientes. Nas duas vezes, os lances foram legais. Irritados, os espanhóis reclamaram muito após o término do tempo extra.

Nos 48 minutos iniciais, os lances emocionantes não existiram e a partida foi muito fria. O clima dentro de campo destoava completamente da festa da torcida coreana nas cadeiras do Gwangju Stadium, que manteve a temperatura alta, desde a estréia da equipe na competição, na vitória por 2 x 0 sobre a Polônia. Os torcedores gritavam e cantavam sem parar, mas os jogadores não se contagiaram.

O início do jogo evidenciava o medo dos dois times em se expor e foi marcado pelo número excessivo de passes errados. Em 19min, Espanha e Coréia cometeram 27 erros nesse fundamento, 15 deles dos visitantes. Em todo o primeiro tempo, foram 52 passes deficientes, 27 dos espanhóis. Sem conseguir dar seqüência à jogadas, o resultado foi o pouco trabalho dos goleiros. Casillas não fez nenhuma defesa e Woon-Jae Lee fez apenas uma intervenção difícil, em chute de De Pedro.

Na etapa inicial, a Fúria dominou a maior parte do tempo, pela maior experiência de seus jogadores. Mas, sem o seu principal jogador, o atacante Raúl, que ficou no banco por causa de uma contusão na virilha e não foi aproveitado, a Espanha não conseguia agredir o adversário e pouco criou. A Fúria finalizou sete vezes, a maioria em cabeçadas após cobranças de faltas e escanteios, enquanto a Coréia do Sul chutou apenas uma vez.

Com a lesão de Raúl, a Fúria adotou uma formação mais cautelosa, com Joaquín compondo o meio-campo e deixando apenas Morientes na frente. Já na Coréia do Sul, o zagueiro Kim Tae-young, com o nariz fraturado, e o meia Kim Nam-Il, com uma entorse no pé esquerdo, recuperaram-se e entraram em campo. Mas, o jogador de meio-campo não resistiu e foi substituído por Eul Lee, aos 32min do primeiro tempo.

Com os mesmos jogadores, a Espanha voltou com uma postura um pouco mais agressiva para o segundo tempo. A prova disso é que em 5min os espanhóis finalizaram três vezes contra o gol de Woon-Jae Lee. Numa delas, a bola entrou, mas o árbitro Gamal Ghandur anulou o gol da Fúria. Foi aos 4min, quando Baraja aproveitou cruzamento de De Pedro. Após alguma hesitação, o juiz apontou uma falta do ataque da Espanha.

O gol anulado, no entanto, não motivou o time de Camacho a pressionar mais. A Coréia do Sul conseguiu conter o ímpeto do adversário e o jogo seguiu morno, disputado a maior parte do tempo no meio-campo, longe das duas áreas. A partir dos 18min, os coreanos começaram a correr mais e complicaram a defesa da Fúria. Aos 21min, Casillas fez sua primeira defesa no jogo, em um belo chute de Sung Park, após a bola rebatida por Puyol.

Os dois treinadores – Camacho e Hiddink -, fizeram mudanças em suas equipes, mas não conseguiram alterar o panorama do jogo, que continuou arrastado. Os 91 passes errados ao final do tempo normal, 50 deles cometidos pela Coréia do Sul, traduziram com perfeição o que foi a partida, que teve 14 finalizações espanholas contra apenas seis dos donos da casa. Foram cometidas 32 faltas, 18 delas dos coreanos.

A prorrogação foi mais animada. Aos 2min, a Espanha fez o seu gol, com uma cabeçada de Morientes, mas a jogada foi novamente anulada. O assistente Michael Ragoonath, de Trinidad e Tobago, marcou de forma errada a saída de bola no cruzamento feito por Joaquín. Ainda houve uma bola na trave chutada por Morientes e os dois goleiros trabalharam um pouco mais. O placar, no entanto, não saiu do zero e a decisão foi para os pênaltis.

Fonte: Veja

Coréia do Sul 0 (5) – 0 (3) Espanha
22 de junho de 2002

Coréia do Sul: Woon-Jae; Tae Young (Hwang Sung Hong), Choi Jin-Cheul, Myung-Bo; Young-Pyo; Nam-Il (Eul Lee), Yoo Sang-Chul (Chun Son Lee), Song Chong-Guk ; Sung Park, Seol Ki-Hyeon e Ahn Jung Hwan. Técnico: Guus Hiddink

Espanha: Casillas; Puyol, Nadal, Hierro e Romero; Helguera (Xavi), Baraja, Valerón (Luis Enrique) e De Pedro (Mendieta); Morientes e Joaquín. Técnico: José Antonio Camacho

Cartões amarelos: Helguera, De Pedro, Morientes (E); Yoo Sang-Chul (C)
Arbitragem: Gamal Ghandur (Egito), auxiliado por Ali Tomusange (Uganda) e Michael Ragoonath (Trinidad e Tobago)
Local: Estádio de Gwangiu, em Gwangiu, Coréia do Sul

>Memórias do futebol: Oli!

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No mesmo dia que despachávamos os ingleses, a Alemanha seguia em frente, muito graças ao seu goleiro. E os Estados Unidos se despediam de maneira digna, lutando até o fim.

Alemanha agradece a Kahn

Com muito sofrimento a Alemanha espantou a zebra americana e chegou às semifinais da Copa. O gol de Ballack no primeiro tempo garantiu a vitória de 1 a 0 sobre os Estados Unidos ontem, em Ulsan. Mas o placar só foi mantido graças à excepcional atuação de Oliver Kahn, considerado o melhor goleiro do mundo na atualidade.

A antes desacreditada equipe alemã, que também tem um dos artilheiros da competição, Klose, com cinco gols, como Rivaldo e Ronaldo, se credencia para buscar seu quarto título mundial – o adversário nas semifinais sairá do confronto desta madrugada entre Coréia do Sul e Espanha.

O técnico Rudi Völler reconheceu que a Alemanha foi dominada pelos Estados Unidos na maior parte da partida e só escapou da eliminação graças ao goleiro:

– Sabíamos que para chegar tão longe na Copa, precisaríamos contar com a classe de Kahn. E ele, mais uma vez, esteve perfeito.

O ex-jogador Franz Beckenbauer, hoje presidente do Bayern de Munique, também se manifestou:

– Temos que agradecer a Kahn. Os Estados Unidos foram claramente melhores e ele nos salvou. Mas não podemos deixar que assuma sempre toda a responsabilidade.

Jornal Zero Hora, 22/6/2002

Alemanha 1-0 Estados Unidos
21 de junho de 2002

Alemanha: Oliver Kahn, Metzelder, Kehl e Linke; Frings, Scheneider (Jeremies), Hamman, Ballack e Ziege; Klose (Bierhoff) e Neuville (Bode). Técnico: Rudi Völler

Estados Unidos: Friedel, Pope, Mastroeni (Stewart) e Berhalter; Sanneh, Donovan, Reyna, O’Brien e Hejduk (Cobi Jones); Lewis e McBride (Mathis). Técnico: Bruce Arena

Gol: Ballack aos 38 minutos do primeiro tempo
Cartões amarelos: Lewis, Pope, Reyna, Mastroeni e Berhalter (E); Kehl e Neuville (A)
Arbitragem: Hugh Dallas (Escócia), auxiliado por Phillip Sharp (Inglaterra) e Ali Al Traifi (Arábia Saudita)
Local: Estádio Munsu, em Ulsan, Coréia do Sul

Ih, rapaz…

>Memórias do futebol: Adrenalina em estado puro

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Enquanto um anfitrião se despedia – o Japão era eliminado pela Turquia – o outro protagonizava um momento memorável. Em uma partida polêmica e cheia de emoção, a Coréia do Sul despachou os italianos para casa, mostrando que era uma força a ser considerada em uma Copa do Mundo cheia de zebras.

Dia de heróis e vilões

Se fosse um spaguetti western, seria um tremendo filme. Coréia do Sul x Itália teve duelos, heróis e vilões, suspense. Quem eram mesmo os heróis? No início, parecia que o mocinho era o italiano Vieri, com uma barba por fazer à la Giulianno Gemma e o bandido era o invocado coreano Ahn. Quatro minutos jogados e Ahn desperdiça um pênalti. Quer coisa mais cruel do que perder um pênalti, frustrando um estádio e uma nação inteira? Só bandidões podem fazer uma coisa dessas. Sem desperdiçar sorrisos, o herói Vieri vai para a área e recoloca o bem na dianteira.

O filme ganha cenas de ação, ataques e defesas, tiroteios em ambas as áreas, emoção pura. Hora de novos personagens serem apresentados na fita. Totti está mais para Brad Pitt, parece que errou de filme. Mas com olhares graves e uma atuação convincente, ele deixa claro que o coadjuvante é Vieri, não ele. Totti e Vieri, os mocinhos estão com tudo. Vem o segundo tempo e os bandidos vermelhos pressionam os mocinhos azuis. Já não está tão claro quem representa o bem e o mal. O bandidinho coreano Seol empata quase no final. O herói Vieri perde o gol imperdível e frustra uma nação inteira. Um herói não faz uma maldade dessas, errou um alvo fácil à queima-roupa.

Vamos para o golden goal, nome metido a besta da morte súbita, expressão que melhor traduz o que acontecerá logo a seguir. Totti, ex-representante do bem, cai na área e é expulso por simulação. Herói que é herói não refuga no duelo final. Caminho livre para Ahn, aquele do início do filme, vingar todas as injustiças. Um gol mortal, um gol súbito, que abreviou o sofrimento italiano. Coréia 2×1 Itália não é um filme, mas foi o melhor jogo da Copa de 2002.

Placar especial Copa 2002

Coréia do Sul 2-1 Itália
18 de junho de 2002

Coréia do Sul: Lee Woon-jae, Choi Jin-cheul, Kim Tae-young (Hwang Sung Hong) e Hong Myung-bo (Cha Do Ril); Kim Nam-il (Chun Soo Lee), Yoo Sang-chul, Lee Young-pyo, Park Ji-sung e Song Chong-gug; Ahn Jung-hwan e Seol Ki-hyeon. Técnico: Guus Hiddink

Itália: Buffon, Panucci, Maldini e Juliano; Zambrotta (Di Livio), Zanetti, Totti, Tommasi e Coco; Vieri e Del Piero (Gattuso). Técnico: Giovanni Trapattoni

Gols: Vieri aos 18 minutos do primeiro tempo; Seol aos 43 minutos do segundo tempo; Ahn, aos 10 minutos do segundo tempo da prorrogação
Cartões amarelos: Coco, Tommasi e Zanetti (I); Kim, Song e Lee Soo (C)
Expulsão: Totti (I)
Arbitragem: Byron Moreno (Equador), auxiliado por Jorge Rattalino (Argentina) e Ferenc Szekely (Hungria)
Local: Estádio de Daejeon, em Daejeon, Coréia do Sul