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Red Hot Chili Peppers – Live At Slane Castle

Esse vídeo é muito bem feito, tem uma puta produção, som perfeito, tudo bonitinho. O que mata é a banda. Afinal, o Red Hot Chili Peppers é mais chato do que quando chove na praia. Antigamente, quando o conjunto tinha um lado mais rockeiro, apesar das infindáveis referências Funk, ainda dava para aguentá-lo. Mas hoje em dia o negócio é de doer, um popzinho indigesto e choroso que dá no saco legal.

Peguemos algumas das faixas aqui presentes e que foram hits em algum momento da carreira da banda: “Scar Tissue”, “Otherside”, “Californication”, “Under The Bridge” e que tais. Putz, é uma mais insuportável que a outra, dose pra leão. Só que parece que o povo gosta do treco, uma vez que a quantidade de gente presente a este show na Irlanda é qualquer coisa de inacreditável. Trata-se de uma verdadeira multidão, que não se furta de ovacionar o quarteto a cada música executada.

Portanto, é de se esperar que por aqui haja também um bom número de apreciadores. Se você é um desses fãs, provavelmente irá se deliciar com o vídeo, que de fato conta com uma produção primorosa, como já se disse (apesar da absoluta ausência de extras). Agora, o que esses caras fizeram com “Havana Affair”, do Ramones, é qualquer coisa de inacreditável. Já tinham feito a mesma merda no tributo à banda e aqui repetem o delito numa versão ao vivo tão picareta quanto. É o que eu sempre digo: crime hediondo? Pena de morte!

Ricardo Franzin
Rock Brigade número 211, fevereiro de 2004

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Van Halen - 1991 - For Unlawful Carnal Knowledge(Capa)

Van Halen – For Unlawful Carnal Knowledge

Há uma mensagem no título do novo álbum do Van Halen que não tem nada a ver com sexo. O que ele realmente mostra é como veteranos popstars reagem desesperadamente para agir como convidados do Wayne’s World. “For Unlawful Carnal Knowledge, dude”. É claro, o Heavy Metal nunca foi lugar para sutilezas e o Van Halen, em particular, faz isso de forma significante. O guitarrista Eddie Van Halen tem um daqueles amplificadores estilo Spinal Tap, que vai até o volume onze.

O vocalista original, David Lee Roth, era o palhaço de spandex provocador que a banda precisava. Ele foi substituído por Sammy Hagar, um cantor melhor, mas um frontman muito mais comum. Saiu um som denso e sobrou uma personalidade distinta. Como resultado, For Unlawful Carnal Knowledge é cheio de malabarismos guitarrísticos e vocais gritados, mas acaba quase esquecendo o Rock. A simplicidade teria sido uma melhor escolha. Basta ver que não é necessário mais que um segundo para reconhecer “Jump”, ainda o maior hit da história do grupo.

John Milward
Revista Rolling Stone número 611, 22 de agosto de 1991

1992 American Music Awards

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Queen – The Miracle

Circula por aí uma cruel piada dando conta que The Miracle é a volta do Queen ao Rock. Tire isso de sua cabeça. A banda não usava tantos sintetizadores e baterias eletrônicas desde Hot Space. Basicamente, o disco serve para mostrar o amor de Freddie Mercury pelos vocais dramáticos e operísticos. E é verdade que ele nunca soou melhor. Brian May também está inspirado – quando consegue ser ouvido. Mas seu papel é limitado a rápidos solos, embora brilhantes.

Se você está entre os fãs que espera a bombástica volta aos melhores momentos, esqueça e vá ouvir seu A Night At The Opera ou News Of The World. Mas não perca a esperança por completo. Ao menos The Miracle oferece alguns relances da perdida majestade do Queen.

Kim Nelly
Rolling Stone número 560, 7 de setembro de 1989

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Pink Floyd – Delicate Sound Of Thunder

Esse LP duplo registra o enorme sucesso da turnê mundial do Pink Floyd entre 1987 e 88. Embora seja inevitável, lançar um disco ao vivo parece um pouco estranho, já que os shows da banda se tornaram tão empolgantes quanto visitar o dentista. O show é uma coisa, mas esse álbum é o equivalente a um programa de turnê com som.

A banda parece se desdobrar para reproduzir versões de seus clássicos com a falta de Roger Waters. Mesmo canções emocionais como “Shine On Your Crazy Diamond” e “Run Like Hell” são executadas por um grupo de músicos que parece alheio a emoções. Nenhum dos solos de David Gilmour acende o fogo.

Não há menção ao local onde as faixas foram gravadas, embora não faça diferença. Nessa turnê os shows foram provavelmente iguais. O Pink Floyd celebra e fatura usando seu passado, tocando os hits para garotos que gostariam de ter vivido a época de Ummagumma.

Delicate Sound Of Thunder viajou com a missão especial franco-soviética, se tornando o primeiro disco de Rock a entrar em órbita. Faz sentido, já que é um álbum para ir pro espaço.

Michael Azerrad
Rolling Stone número 544, 26 de janeiro de 1989

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Jimmy Page – Outrider

O momento não poderia ser mais apropriado. O sacerdote do Heavy Metal, pontífice dos riffs e, possivelmente, o artista mais sampleado depois de James Brown, Jimmy Page retorna com seu debut solo – sem contar a mediana trilha sonora de Desejo de Matar II. A volta acontece justamente quando o revival do Led Zeppelin está em alta. Não havia oportunidade melhor para retomar a supremacia, ao mesmo tempo que se mostra a filhotes como Kingdom Come e The Cult como se faz de verdade.

Pena que timing não é tudo. Sendo dolorosamente honesto, Outrider é um lamaçal, uma amálgama da rifferama que se tornou marca registrada de Page. As letras são banais, o instrumental é engolido por harmonias vocais, tentativas de soar futurista ou até mesmo voltas frustradas ao passado. O álbum reitera o talento conhecido em vários momentos. Mas são apenas ecos do passado, sem transcender nem recriar.

David Fricke
Rolling Stone número 533, 25 de agosto de 1988

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Scorpions – Unbreakable

Pra quem tem em sua coleção e valoriza clássicos como Blackout (1982) e Love At First Sting (1984) ou mesmo para a turminha que já teve seus momentos românticos com as baladinhas “Still Loving You” e “Wind Of Change”, dá uma tremenda dor no coração ouvir este Unbreakable, que, ironicamente, dá vontade de quebrar! Com exceção do inconfundível timbre de Klaus Meine, os fãs vão encontrar pouco do velho Scorpions nesta bolachinha. Aqui Klaus, Rudolf Schenker, Matthias Jabs, Pawel Maciwoda e James Kottak, que tiveram a colaboração do tecladista Koen van Baal, mantém a tendência apresentada no bizarro Eye II Eye, ou seja, continuam agregando distorções e efeitos muito distantes do que os fãs da banda esperam ouvir em um álbum do Scorpions.

Não que adequar sua música a uma nova época seja uma coisa ruim, mas precisa-se fazer a coisa muito bem feitinha para simplesmente não prostituir seu estilo, perdendo a essência original. Quer dois exemplos claros disso? Compare o início de carreira de Ozzy Osbourne e Alice Cooper com seus últimos trabalhos… muita coisa mudou, mas a característica principal está lá, guitarristas vêm e vão, anos passam e eles continuam lançando álbuns de qualidade. Mais ironia em questão: a única música realmente legal do CDé a última, chamada “Remember The Good Times”, uma adaptação de “Happy Days Are Here Again”, de Milton Ager e Jack Yellen. Trata-se de um Rock n’ Roll bem na linha clássica do Scorpions – a única, por sinal. Será que eles estão assumindo que so bons tempos foram outros? Bem, não sei, mas o fato é que esta música salvou o CD de levar uma nota ainda menor, pois Unbreakable é um álbum totalmente fim de carreira… Passe longe!

Nota 3

Rodrigo Marques
Revista Valhalla, número 24, setembro de 2004

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Queen – A Kind Of Magic

Apoiado na performance consagradora de Freddie Mercury durante o Live Aid, o Queen vem lotando estádios na Europa. Os reis do mal gosto no Rock poderiam estar controlando o mundo neste momento. Mas será surpreendente se A Kind Of Magic levá-los a esta situação. O disco é uma verdadeira falência em termos de criatividade. Não há momentos marcantes como “Crazy Little Thing Called Love” ou “Another One Bites The Dust”, nem a ambição de “Bohemian Rhapsody”. Tudo soa plástico, vazio.

Brian May despeja clichés vistuosísticos, enquanto Roger Taylor e John Deacon são engolidos por efeitos eletrônicos. As letras indulgentes parecem mais preguiçosas, ao invés de arrogantes. A banda pode ter colocado pompa de volta no Rock, mas seus membros jamais conseguirão ter uma aposentadoria com dignidade.

Mark Coleman
Revista Rolling Stone número 484, 9 de outubro de 1986

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Alice In Chains - Facelift (1990)

Alice In Chains – Facelift

Alice In Chains soa como um Slade sanitizado; não desce o pau de vez, mas também não se assume como Metal farofa. O baixo pesado e os vocais à Ozzy com testosterona sempre te deixam na esperança que uma megacastanhada se avizinha. Engano: nada em Facelift (que significa “operação plástica na cara”) vai além de um Hard Rock feito por caras que gostam de coisas mais pesadas. Se você também gosta, esqueça o Alice e compre um disco do Mudhoney.

Álvaro Pereira Jr.
Revista Bizz número 80, março de 1992

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Paul McCartney – Pipes Of Peace

Paul McCartney é Paul McCartney. Sendo assim, não há gafes de um mero novato ou de alguém como Christopher Cross. Parece até que ele tenta não ser excepcional de propósito. Isso fica claro quando lembramos da modéstia de seus primeiros álbuns solo. Ou em sua heroica e determinada submissão ao adotar uma identidade de grupo com o Wings.

Em meio aos arranjos elaborados e a produção de alto nível de Pipes Of Peace (providenciados por George Martin, como no anterior, Tug Of War), há um homem humilde, que demonstra afeto, até mesmo fascinação, pelas pessoas comuns. Chega a ser difícil de não gostar, no fim das contas. Mas na maior parte do tempo, a música é abaixo da crítica. Confundindo leveza e simplicidade, Pipes Of Peace traz, de longe, um McCartney medíocre.

Parke Puterbaugh
Rolling Stone número 413, 19 de janeiro de 1984

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Mötley Crüe – Shout At The Devil

Como a maioria das bandas estilosas de bad-boys, o Mötley Crüe parece muito mais malvado do que realmente soa. Com camadas de couro e maquiagem cuidadosamente aplicada, seu visual sugere toda a violência de anti-heróis adolescentes. Mas a música que serve como trilha para esta imagem é surpreendentemente comportada. É alta, com certeza, mas não vai muito além disso em termos de perigo. O Mötley Crüe é uma versão destilada de Black Sabbath, KISS e outros gigantes de arenas. Nos faz pensar que foram desenvolvidos pelo departamento de marketing da MTV.

“Shout At The Devil” traz um riff no estilo do Aerosmith para animar uma letra antissatânica. “Bastard” é uma música de briga com um arranjo estilo Judas Priest. “Too Young To Fall In Love” traz a batida disco que o KISS usou para tentar ressuscitar a carreira. E “God Bless The Children Of The Beast” é uma instrumental sem direção, extrapolada pela guitarra roubada de “Hotel California”.

Resumindo, originalidade não é o forte do grupo. Mas quem podia esperar isso? O problema de bandas como o Mötley Crüe é oferecer emoção barata a jovens aborrecidos. Embora “Ten Seconds To Love” ofereça distração sexual suficiente para o menino de treze anos até a próxima Penthouse chegar às bandas, a promessa de sexo, brutalidade e Rock and Roll decepciona em, no mínimo, dois destes pontos.

J.D. Considine
Rolling Stone número 415, 16 de fevereiro de 1984

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Roger Waters – Amused To Death

O terceiro disco solo do ex-baixista e vocalista do Pink Floyd é definido pelo próprio como uma espécie de Ópera Rock, inspirado num enorme “zapping” (mudanças rápidas de canal) numa TV. Só que nesse dia a programação estava fraca. São músicas difíceis, tipo “cabeça”, que remetes aos temas incidentais dos filmes.

É claro que se salvam dois aspectos básicos: a gravação, com suas infinitas colagens sonoras, é de uma qualidade irrepreensível; e a participação inspiradíssima de Jeff Beck, com solos cortantes que são o único resquício de emoção musical ao longo de todo o play. Muito pouco, enfim, para quem já fez, entre outras coisas, The Dark Side Of The Moon.

Antônio Carlos Monteiro
Rock Brigade número 78, janeiro de 1993

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Journey – Frontiers

É difícil dizer o que o Journey pretende em Frontiers. Vários dos integrantes do grupo reclamaram na imprensa sobre o fato de o sucesso tê-los prendido em uma fórmula. Parecia que o próximo trabalho seguiria uma linha menos comercial. Mas, ao contrário, a banda lançou seu trabalho mais conservador até aqui. Interessados no aspecto musical terão pouco a aproveitar, exceto aprender como os caras mais espertos da turma se aventuram pelo Heavy Metal.

Há momentos interessantes, como a harmonia em “Chain Reaction” e a guitarra em “Edge Of The Blade”. De modo geral, o Foreigner faz um trabalho melhor, explorando os limites do estilo, como em Head Games. A música mais energética, “Back Talk”, é baseada em “Everybody Wants Some”, do Van Halen. Da mesma forma, a melhor balada, “Faithfully”, soa como algo de Bob Seger ao invés do Journey.

J.D. Considine
Rolling Stone número 392, 14 de abril de 1983