Games de outras épocas – Parte 18

jogo super mario bros 3 1

Super Mario Bros 3 – 1988

A maior e mais excitante aventura do Mario Bros! Nunca uma propaganda foi tão feliz em resumir em apenas uma frase o impacto que um jogo teria na história dos games. Seja na aventura, história, trilha sonora, jogabilidade ou na ambientação, Super Mario Bros 3 foi a revolução final da geração 8 bits e marcou os corações de muitos jogadores do começo dos anos 90, inclusive deste que vos escreve, feliz proprietário de um NES original em que esse jogo vinha junto.

E ao se jogar esse clássico, fica difícil escolher qual foi o fator de sucesso para este que é o jogo individual (sem ser disponibilizado com o console) mais vendido de todos os tempos. Trilha sonora inesquecível, enredo cativante, cenários divertidos e personagens carismáticos (até os vilões são engraçados e envolventes), colaboram para que o jogador passe por sentimentos variados, desde diversão pura até o medo e tensão que as últimas e difíceis fases deste trazem consigo.

Ouçam a trilha sonora e chorem de nostalgia!

O enredo é simples: enquanto o reino dos cogumelos estava em paz devido à interferência dos irmãos bigodudos, as coisas não iam nada bem no mundo dos cogumelos, onde Bowser enviou seus sete filhos para aprontarem o que quiserem. Lá eles roubam os cetros mágicos dos reis de sete países e os transformam em animais. Enquanto Mario e Luigi estão ocupados em normalizar tudo neste mundo, Bowser completa seu plano de sequestrar a princesa Peach novamente.

E nestes sete mundos, a diversão come solta. Peixes assassinos, tartarugas gigantes, irmãos martelo, blocos de areia, plantas carnívoras acrobatas e até o sol se tornam inimigos mortais de nosso querido herói. Além dos inimigos, os cenários de cada mundo são belos e desafiadores. Destaque para a terra dos gigantes, em que você é o único pequeno ali, e para a terra do céu, com sua trilha sonora conduzida por um reggae engraçado.

Um pouco do mundo dos gigantes

As Power-ups são outro destaque à parte. Rabo e cauda de guaxinim que o permitem voar, roupa de sapo para nadar melhor, bota para pular sobre os inimigos sem sofrer dano algum, roupa de irmão martelo e a de Tanooki, que o permitia se transformar em uma estátua são apenas alguns dos itens que tornavam esse jogo ainda mais incrível e cheio de opções.

O mapa do jogo era fantástico, com atividades que ocorriam entre as fases, como os irmãos martelo camperando enquanto você jogava, as roletas em que você podia montar as figuras dos itens e ganhar vidas e ainda um jogo de memória em que se podia ganhar itens conforme acertasse onde estavam os seus pares. E ainda existia a possibilidade de até pular as telas mais complicadas por alguns caminhos alternativos que existiam no mapa. E a Warp Zone que aparecia ao utilizar a flauta, e era possível até pular alguns mundos inteiros.

Super-Mario-3-super-mario-bros-3-5612964-1280-1024

E se a dificuldade já era marcante durante todo o jogo, ao se chegar no último mundo, a temida terra das sombras, a dificuldade aumentava ainda mais, em que se era obrigado a enfrentar navios de guerra lotado de inimigos e canhões e depois ainda um mundo cheio de fases complicadas, até chegar a fortaleza final do Bowser e resgatar a princesa Peach. Destaque ainda para o modo arcade, em que era possível jogar Mario contra o Luigi, e passar horas desafiando o amigo.

Um clássico indiscutível e que revolucionou a indústria dos games em todos os sentidos, e levou os jogos de aventura para outro patamar. Para quem realmente é fã de games, um deleite em 2D. E mesmo que você tenha iniciado nesta nova geração, aqui há uma prova de que não são gráficos que determinam a qualidade de um jogo. Atemporal, obrigatório e inesquecível!

mario-bros-3

Games de outras épocas – Parte 17

Cadillac

Cadillac And Dinosaurs [1992]

Quem viveu sua infância no final dos anos 90, sabe que em todo fliperama de respeito teria de existir um bom arcade de beat’em-up. Ali, os controles eram esmurrados freneticamente e a tela ficava cheia de inimigos prestes a levar um belo soco no queixo.

Um dos arcades que mais comeu fichas dessa geração foi o memorável Cadillac And Dinosaurs, um dos maiores sucessos da Capcom na época. Baseado no conto Xenozoic Tales, tem como enredo uma catástrofe ambiental passada no ano de 2513, que além de causar um colapso na sociedade, provocou o ressurgimento dos dinossauros, que eram dóceis.

cadillacs and dinoss android hvga

O ambiente é uma Nova Iorque tomada por uma gangue chamada Black Marketeers, com capangas armados até os dentes que caçavam os dinossauros para fins ilegais. É possível cair na porrada com espadas samurais, escopetas, sub-metralhadoras, bazucas e até um Cadillac, na clássica terceira fase do jogo. Além da cidade, passamos por pântanos e florestas tropicas, com a pancadaria sempre presente.

O jogo não tinha uma dificuldade impossível, porém era um desafio enorme terminar com uma só ficha, algo que eu mesmo nunca consegui. O sucesso foi tão grande, que gerou até desenho animado que passou no show da Xuxa nos anos 1990. Existiu uma continuação chamada “Cadillacs and Dinosaurs: The second cataclysm” para o Sega CD, mas que era um lixo comparado a essa obra-prima do arcade. Se existiria um jogo que compraria se fosse disponibilizado na PSN, com certeza seria esse.

gfs_15063_1_6_mid

Games de Outras Épocas – Parte 16

International Superstar Soccer [1994 no Japão/1995 no resto do mundo]

O mundo dos 16-bits já havia experimentado uma mudança significativa com a chegada do FIFA International Soccer. Mas a coisa atingiu outro nível com International Superstar Soccer, game que fez muita gente recuperar a fé no Super Nintendo, inicialmente. Denominado Perfect Eleven no Japão, o game da Konami trouxe uma jogabilidade que era o que de mais próximo do real se podia chegar à época – lembrem que estávamos em um momento de máquinas bem limitadas em comparação à realidade atual.

A versão inicial trazia 26 seleções e oferecia modos de competição em formato de copa e pontos corridos. Assim nasceu uma das mais lendárias seleções brasileiras da história, com sua escalação inesquecível: Da Silva, Ferreira, Cícero, Paco e Vicento; Roca, Beranco, Santos e Pardilla; Gomez e Allejo. Logo, o jogo se tornou um dos preferidos em locadoras e revendedoras mundo afora, especialmente nesses lados do mapa. Todos se rendiam ao desafio e passava horas, dias com o joystick nas mãos.

Uma das novidades foi o modo Scenario, onde o jogador entrava no meio de uma partida tendo que reverter uma situação desfavorável no placar, com direito a desvantagens numéricas e afins. Outro fator incomum era o condicionamento físico dos jogadores, que influenciava diretamente em seus desempenhos. Isso fazia com que fosse necessária a intervenção na escalação e no esquema tático de acordo com as dificuldades que surgiam. A possibilidade de jogadas mais trabalhadas também aparecia com força total, inaugurando uma nova era.

Até pegar o jeito era complicado. International Superstar Soccer acabou alavancando a série Winning Eleven e o projeto sucessor, Pro Evolution Soccer, tocado até hoje pela Konami com grande sucesso. Mas quem é das antigas até hoje guarda com carinho figuras como Capitale, Sieke, Fuerte, Koppers, Galfano e Murilo. Mas o grande herói criado pelo game acabou sendo mesmo Allejo, uma espécie de ídolo dos admiradores da alternatividade futebolesca. E que muitos gostariam que realmente tivesse existido.


O homem, o mito, a lenda

>Games de Outras Épocas – Parte 15

>


Brawl Brothers [1993]

Na febre dos beat’em-ups iniciada pela dobradinha Final Fight/Streets Of Rage nos 16-bits, Brawl Brothers, do Super Nintendo, é um dos que merece destaque. Segundo game da série Rushing Beat (Rival Turf nos Estados Unidos), era uma versão bem melhorada do início da franquia. A grande novidade foi que, ao invés de dois personagens, a opção de escolha subiu para cinco. Além de Hack e Slash, do primeiro jogo, Lord J, Kazan e Wendy também estavam à disposição, permitindo combinações ótimas para se jogar em dupla.

Uma característica única de Brawl Brothers é a possibilidade de se jogar a versão japonesa, Rushing Beat Run, através de um código de acesso. Ou seja, você comprava um jogo e ganhava outro, com detalhes e fases diferentes – além de algumas mudanças de nomes. Apesar de não apresentar grandes novidades no gênero, é uma ótima opção, especialmente para chamar um camarada, colocar a cerveja para gelar e sair distribuindo uns tabefes na bandidagem, no melhor estilo Steven Seagal de ser. Uma atitude saudável e recomendada.

>Games de Outras Épocas – Parte 14

>


Sonic the Hedgehog [1991]

Assim como a Nintendo possui Mario, a Sega tem Sonic. O porco-espinho mais famoso do mundo surgia há exatos 20 anos, justamente na tentativa de criar um rival para o bigodudo encanador. Com o passar do tempo, acabaram se tornando aliados em vários jogos. Da mesma forma, a marca se expandia, saindo dos games e virando série animada, quadrinhos e os mais variados produtos. Mas o foco de hoje vai para o primeiro jogo da série, lançado em 23 de junho de 1991.

Sonic vive em ilha com seus amigos animais. De repente, surge um cientista maligno, chamado Doctor Ivo Robotnik – Dr. Eggman, na versão japonesa. Ele deseja obter as poderosas Chaos Emeralds, para dominar o mundo e transformar os animais em robôs a seu comando. Sonic resolve agir e precisa passar por várias “zonas” antes de encontrá-lo. A velocidade frenética de ação, aliada a belos cenários e uma trilha sonora simples, porém marcante, eram grandes trunfos.


O jogo foi aclamado por crítica e público, vendendo 15 milhões de cópias apenas em sua versão 16-bits, para o Genesis/Mega Drive. Foi o primeiro momento em que a Sega efetivamente competiu com a Nintendo no mercado norte-americano. Posteriormente foi lançada uma edição 8-bits, para Master System e Game Gear, com algumas fases diferentes do original. Aliás, esse foi o último jogo para o Master a ser lançado nos Estados Unidos. Em outros países, o console ainda teria vida prolongada, como no Brasil, graças à Tec Toy. Item indispensável na coleção dos gamemaníacos!

>Games de Outras Épocas – Parte 13

>


Top Gear 2 [1993]

Na era dourada dos 16-bits, pensar em game de corrida era pensar na série Top Gear, desenvolvida pela Gremlin Interactive. A adrenalina de acelerar e disparar o turbo (limitado, porém necessário), o esforço pelos resultados que eram revertidos em dinheiro para poder equipar o carro, tudo fazia parte da emoção do jogo. Não é por menos que se tornou referência histórica no gênero, arrebatando uma verdadeira legião de fãs. Alguns até hoje se aventuram, seja através do velho console ou nos emuladores.

Mas vamos falar aqui da segunda versão, que trouxe um foco mais realista, com direito a um verdadeiro tour mundial. 64 cidades em 16 países recebiam as provas, com direito a mudanças climáticas que influenciavam diretamente no desempenho da caranga. Falando nos veículos, eles ficaram bem mais difíceis de controlar em relação ao primeiro, sem necessariamente significar um decréscimo no aspecto jogabilidade. Como se tratava de uma aventura longa, o negócio era anotar os passwords para continuar em outra oportunidade – a não ser que o gamemaníaco estivesse muito a fim de surtar de vez.

O câmbio poderia ser manual ou automático e as novas aquisições de peças realmente faziam a diferença na dinâmica do carro. Uma simples comparação é suficiente para notar como a máquina ia melhorando à medida que novos componentes eram adquiridos. A mudança sensível no barulho que era emitido na aceleração já dava uma dica. O piloto também contribuía com suas tiradas histéricas a cada ultrapassagem ou barbeiragem alheia.

Top Gear 2 seria lançado na semana do Natal de 1993, o que rendeu boas vendas. Uma versão para Mega Drive sairia em 1994, atendendo a demanda dos usuários do console da Sega. Posterioremente, ainda teríamos Top Gear 3000, outro grande jogo, além de novas edições para as plataformas posteriores de videogames. Mas confesso ter um carinho especial por essa versão aqui, por tudo que representou em minha infância de gamer. Um grande jogo, diversão garantida! Perfeito para chamar a parceria e fazer os bons e velhos campeonatinhos.

>Games de Outras Épocas – Parte 12

>

Quebrar a tabela. Queimar a rede do aro após a terceira cesta seguida com o mesmo jogador. Enterradas com malabarismos. Tudo isso remete a NBA Jam, jogo que foi verdadeira febre entre os gamemaníacos de outrora. Lançado em 1993 para Arcade, Snes e Mega Drive, trazia os 27 times da Liga Norte-Americana de Basquete Profissional. Mas ao contrário de outros exemplares do gênero, não se jogava com equipes de cinco atletas. As disputas aconteciam em duplas, dando espaço para velocidade e objetividade. Não tinha como administrar muito em trocas de passe, o negócio era partir pra cima.

Um destaque especial ia para o narrador, no melhor estilo amalucado norte-americano. Não foram poucos os basqueteiros de rua mundo afora que passaram a narrar os próprios feitos dali pra frente com expressões como: “He’s heating up”, “He’s on fire” ou “Boomshakalaka!”. O grande apelo popular fez com que o game faturasse mais de um bilhão de dólares apenas no ano de lançamento. Em 1994 sairiam versões para Sega CD, Game Gear e Game Boy. No mesmo ano sairia um upgrade, chamado NBA Jam Tournament Edition.

Ano passado saiu uma nova versão para os consoles modernos, mas fazemos questão de deixar claro que não presta. Mesmo nunca tendo jogado. Mas se é jogo atual, automaticamente é ruim. Viva a velharia!

>Games de Outras Épocas – Parte 11

>

Bons motivos me fizeram escolher Battletoads, lançado em 1991 para Nintendo 8-bits, para mais esse capítulo da série. Primeiro, porque Rash, Zitz e Pimple uniam seus poderes de sapos lutadores com passagens bem humoradas de maneira muito bem sacada, tornando-se personagens marcantes. Segundo, porque suas estréias no mundo dos videogames é muito, mas muito difícil. Pergunte a qualquer gamemaníaco das antigas sobre os jogos que lhes fizeram quebrar a cabeça, passar dias e noites sem fazer mais nada e ainda assim acabar em frustração. A maioria colocará esse no topo da lista.

A história é bem simples: Pimple e a Princesa Angelica são raptados pela Dark Queen, fazendo que Rash e Zitz saiam distribuindo sopapos com o que vissem pela frente em busca de seus amigos. Algumas fases eram de arrancar os cabelos, como a das Jet-motos aladas, onde raciocínio e agilidade eram testados. Aliás, essa era uma característica interessante. Para destruir alguns obstáculos espalhados pelo caminho, não bastava apenas apelar para a força bruta. Era necessário observar o cenário e utilizar a cabeça para seguir em frente. Algo raro em um tempo onde os games eram tão limitados e simplórios, graças à tecnologia pouco desenvolvida.

O sucesso foi instantâneo. Battletoads foi indicado em 9 categorias do Nintendo Power Awards do ano de seu lançamento. Venceu em 4: Melhores gráficos e sons (o que hoje soaria como piada), Melhor tema e diversão, Melhor game multiplayers e Melhor jogabilidade. O grande sucesso fez com que novas versões fossem lançadas, incluindo jogos para Game Boy, Mega Drive e Super Nintendo, além de um Arcade. Houve até um team-up com os irmãos Double Dragon, que também vale a pena conferir. Mas o que marcou a memória de todos foi realmente esse aqui, especialmente porque a maioria só conseguiu ver o final anos mais tarde, graças ao Youtube. Por que no jogo em si…

>Games de Outras Épocas – Parte 10

>

Nigel Mansell’s F-1 Challenge (1993)

Lá vem o Leão! A inesquecível saudação de Galvão Bueno a Nigel Mansell é inevitável ao lembrar esse game, que foi o primeiro que tive para o meu Super Nintendo. Aliás, foi graças a ele que ganhei o console, após um descuido de meu avô, que, em uma viagem, me trouxe de presente um cartucho para o videogame errado. Aproveitei a situação, é claro (risos). Aquele era o auge da carreira do inconseqüente – para não dizer maluco mesmo – piloto inglês, que um ano antes havia conquistado o título mundial com a Williams sendo um carro infinitamente superior aos outros. Mesmo assim, ele não deixou de levar algumas surras de cinta de Ayrton Senna, como na inesquecível corrida em Mônaco, onde o brasileiro ganhou literalmente no braço e no talento, já que sua McLaren não tinha a mínima condição de se sustentar em uma disputa tão desigual.

De qualquer modo, vamos falar sobre o game, que foi um dos melhores do gênero a ser lançado na gloriosa era dos 16-bits. Trazendo todos os circuitos da temporada oficial, além da opção de treinar na pista particular da equipe, Nigel Mansell’s F-1 Challenge (batizado nos Estados Unidos como Nigel Mansell’s World Championship) reunia doze pilotos, cada um representando uma das equipes que disputava o campeonato à época. A saber:

Nigel Mansell (Williams-Renault)
Ayrton Senna/Gerhard Berger (McLaren-Honda)
Michael Schumacher (Benetton)
Mika Hakkinen (Lotus)
Jean Alesi (Ferrari)
Andrea de Cesaris (Tyrrell)
Aguri Suzuki (Footwork)
Érik Comas (Ligier)
Karl Wendlinger (March)
Pierluigi Martini (Dallara)
Ukyo Katayama (Venturi Larrousse)
Stefano Modena (Jordan)

A título de curiosidade, Senna foi incluído apenas versões que chegaram às lojas especializadas japonesas. Mas teve que ser retirado no lançamento ocidental, devido a problemas legais, pois já possuía um jogo com seu nome, o famigerado Super Mônaco GP II – que logo pode acabar pintando por aqui também. Hoje, essa edição da terra do sol nascente é caçada mundo afora pelos colecionadores inveterados. De qualquer modo, após sua morte em 1994, versões piratas com o brasileiro no lugar de Mansell foram vendidas no “mercado paralelo” dos camelódromos. Era só não entrar nos boxes durante a corrida que o cartucho não travava – ô, beleza =).

Ainda havia a opção de conhecer os circuitos com dicas de Mansell durante o trajeto, uma boa alternativa antes de encarar o desafio pra valer. Também era possível dar uma de mecânico e mexer na configuração do carro antes de cada etapa. Uma boa idéia, mas não lá muito recomendável, visto que qualquer mínimo erro estratégico e a máquina se tornava incontrolável, especialmente quando se tentava usar pneus lisos na chuva ou vice-versa. O que era um ponto positivo, pois conseguia dar uma sensação próxima á realidade, algo muito difícil para os games naquela época. Até hoje gosto de dar umas jogadas de vez em quando, especialmente pelo valor sentimental. Mas também porque é um jogaço, que garante a diversão dos apaixonados pela velocidade!

>Games de Outras Épocas – Parte 9

>

Tivesse eu que escolher apenas um jogo e levar para uma ilha deserta para passar o resto da vida, com certeza seria esse! O problema seria levar a enorme máquina do Arcade (risos). Mas valeria o sacrifício, pois Teenage Mutant Ninja Turtles é, simplesmente, um dos games mais divertidos de todos os tempos. Lançado em 1989, é um verdadeiro clássico do estilo Beat’em up – em que você sozinho ou com mais amigo(s) sai pelas ruas distribuindo porrada nos inimigos. Embalado pelo sucesso televisivo da série animada, no ar desde 1987, o jogo causou furor entre os gamemaníacos, que gastavam a mesada em fichas.



Inicialmente a Konami e seus distribuidores ofereceram dois tipos de máquinas aos fliperamas. Uma com dois controles, possibilitando aos jogadores escolher sua tartaruga preferida. A outra trazia quatro controles, cada um correspondente a um guerreiro (pela ordem: Leonardo, Michelangelo, Donatello e Raphael). A qualidade gráfica e das vozes digitalizadas surpreendia para a época, dando um clima muito parecido com o do desenho. A missão era fácil, resgatar April e o Mestre Splinter das mãos do Destruidor e impedir que ele destruísse a Terra. No caminho, os soldadinhos coloridos com suas armas e monstros chefes, como os sempre presentes Bebop e Rocksteady, além de Krang. A pizza, refeição preferida das tartarugas, aparecia para salvar a barra de energia.

Um ano mais tarde, o jogo seria lançado para o NES (o popular Nintendinho 8-bits). Naturalmente, os gráficos e sons eram bem mais modestos. Em compensação, novos estágios foram adicionados, como a primeira parte da terceira fase e toda uma missão exclusiva na sexta. Além disso, várias passagens já conhecidas foram prolongadas, aumentando o desafio. Outro fato a se destacar é que esse foi o primeiro game doméstico da história a contar com patrocinador. A Pizza Hut aparece com várias inserções, além de adicionar cupons promocionais ao manual de instruções para quem comprava o cartucho.

Ainda sairiam versões para computadores domésticos e recentes adaptações para o Xbox Live Arcade. O game original para Arcade ainda viria como opção escondida em Teenage Mutant Ninja Turtles 2: Battle Nexus, jogo que possui versões em Xbox, PlayStation 2 e GameCube. Para a turma da velha guarda, permanece a lembrança das tardes esperando desocupar um controle nas máquinas para poder dar aquela jogada sem a qual o dia não podia terminar. Às vezes saía até briga com aqueles moleques chatos e cheiradores de cola que só apareciam para encher o saco. As verdadeiras pragas espalhadas por todos os fliperamas do Brasil. Mas hoje a gente lembra dando risada!

>Games de Outras Épocas – Parte 8

>

Seria pra lá de óbvio trazer Street Fighter ou Mortal Kombat para falarmos de jogos de luta mano a mano. Lógico que, cedo ou tarde, essas séries consagradas aparecerão por aqui. Portanto, entre tantas outras opções de qualidade, escolhi Samurai Shodown (Samurai Spirits no Japão), por trazer algumas diferenças da grande maioria, que apenas copiou características das mais famosas do gênero. Produzido em 1993 pela SNK, inicialmente para Arcade e Neo Geo, o game logo ganhou versões para vários consoles domésticos – a saber: Super Nintendo, Mega Drive/Genesis, Game Gear/Master System, 3DO, Game Boy, Sega-CD e Neo Geo CD, além de readaptações recentes em coletâneas para Playstation, XBOX e derivados.

A história do jogo se passa no século XVIII, mais precisamente no ano de 1788. Ao contrário dos outros games do gênero, os personagens possuem armas de médio ou longo alcance, o que quase impossibilita uma seqüência maior de golpes – os chamados combos. Aqui, a agilidade e esperteza no raciocínio podem ser fatores bem mais decisivos em uma troca de golpes. Aliás, em alguns momentos dos rounds, os adversários podem acabar cruzando espadas e medir forças. Aí é ver quem aperta mais rápido e forte os botões pra desequilibrar o outro. Outra inovação é o fato de dois deles contarem com a ajuda de animais, que também participavam de seus movimentos de ataque.

O herói principal é Haohmaru, uma espécie de Ryu daqueles tempos. Até mesmo as roupas guardam semelhanças com a do protagonista de Street Fighter. Nakoruru, Galford D. Welle (que é a cara do Guile), Hanzo Hattori e Ukyo Tachibana são outros que figuravam entre os mais populares junto aos viciados da época. O grande vilão era Amakusa, personagem andrógino (pra não dizer que era uma biba extravagante) ressuscitado pelo demônio Ambrosia após um pacto, que implica na destruição do mundo como pagamento. Um fato curioso das adaptações para 16-bits é que a versão do Mega Drive não contava com Earthquake, literalmente porque ele era tão maior que os outros que acabava ocupando muito espaço na memória.

Tela de seleção de personagens no Mega Drive, sem Earthquake

A recepção popular foi maior até do que os fabricantes esperavam em meio à verdadeira febre de games de luta. Tanto que alguns elementos nele contidos acabaram se tornando referência para todas as produções posteriores da SNK. O principal é o zoom, que já havia sido usado em Art Of Fighting (outro baita jogo!), mas foi aperfeiçoado em Samurai Shodown. O jogo foi premiado em votações de melhores do ano promovidas por algumas das revistas mais conceituadas da época, como a japonesa Gamest e a norte-americana Electronic Gaming Monthly.

Samurai Shodown teve cinco versões no formato 2D, além de um Anthology. Ainda rolou uma versão em terceira dimensão, mas que não obteve o mesmo sucesso. Para mim, ficará sempre na memória a maneira como as lutas eram encerradas no Super Nintendo. A tela congelava por algo em torno de meio segundo, se ouvia o juiz da luta falando Ippon enquanto o adversário derrotado soltava um último grito. Memórias que ficam de tempos que matar alguém com um golpe de espada não passavam de meras representações no nosso cotidiano.

>Games de Outras Épocas – Parte 7

>

A princípio pode parecer um jogo extremamente chato e bobo. Até porque a idéia não é lá das mais emocionantes mesmo, sendo mais voltado para o fator educação. Um disparate para aqueles que ligam seus videogames atrás de ação, tiroteio, obstáculos e afins. Porém, à medida que vai se descobrindo como utilizá-lo, Mario Paint se transforma em uma atração bem interessante. Lançado em 1992 (um ano mais tarde licenciado oficialmente no mercado nacional via Playtronic, representante brasileira da Nintendo), o game vinha acompanhado de um mouse e mousepad, novidade para os consoles domésticos, como o SNES.

Quem já tinha um computador e sabia mexer no famigerado e (pré-) histórico Paintbrush, já podia ter uma boa idéia do que veria de saída. Mas havia mais. Recursos como o Music Composer e alguns mini-games de passatempo, logo se tornaram febre. Aliás, o mecanismo de se fazer música até hoje é freqüentemente utilizado por muitos. Não são raros os exemplos de gamers exibindo seus trabalhos na net, como se pode conferir no Youtube. Alguns são realmente brilhantes, como você verá nos exemplos que postarei logo abaixo. E pode até parecer relativamente fácil quando se vê o resultado, mas é necessário um bom tempo para arrumar cada detalhe.

Hoje, Mario Paint é considerado um clássico dos 16-bits, assim como quase tudo que envolve o carismático encanador bigodudo e gorducho. E, sem dúvida, o personagem contribuiu muito para esse sucesso, pois seria bem mais difícil lançar essa nova proposta no mercado sem um protagonista de impacto para divulgar a idéia. Atualmente, há até um software na rede que resgata o compositor de músicas, o Mario Paint Composer, disponível aqui.

Mas vamos ao que interessa. Confiram duas maravilhas extremamente bem feitas através do game. Destaque especial para o primeiro vídeo, surpreendente.