Cabeçote: Entrevista com Tito Falaschi e resenha do disco de sua nova banda, Zaltana

capa136-(1)-alta

Zaltana: “Zaltana” (2014)
Resenha do disco e entrevista exclusiva com Tito Falaschi

O Brasil agora tem um representante de competência comprovada no metal contemporâneo: o Zaltana, grupo formado por Tito Falaschi (bateria, baixo e vocal), Mischa Marmade (vocal), Hilton Torres (guitarra e vocal) e Dann Feltrin (guitarra e vocal). O álbum de estreia, autointitulado, expressa a força e o frescor que a banda pode trazer para o cenário.

Em entrevista exclusiva ao site IgorMiranda.com.br, que agora é reproduzida no texto desta coluna, Tito Falaschi falou sobre a nova empreitada. Para o baterista e baixista, “melodias mais comerciais, com bases pesadas, mais de um vocal, letras que falam do cotidiano e arranjos com influências de grupos não utilizadas por outras bandas podem fazer, no final, um resultado diferenciado”. De fato, isso ocorre. O Zaltana tem uma pitada dos momentos mais pesados de Iced Earth e Dream Theater, nos trabalhos mais recentes deles, além de um pouco de grupos mais contemporâneos, como Mastodon e (apenas o instrumental de) Killswitch Engage, entre outros. A duração das faixas (apenas uma faixa tem mais de 5min30seg) e o tamanho do disco (dez músicas, 45 minutos e meio) me agradam muito.

show

A produção do debut, assinada por ele mesmo, é um elemento de destaque no disco. Nota-se logo de cara, com a entrada da faixa de abertura “2 Can Play This Game”. As guitarras bem timbradas, o baixo coeso e a bateria precisa dão a sustentação para o brilho da voz de Mischa Marmade, ora rasgada, ora melódica. A proposta é mantida em “Skullface”, com um pouco mais de velocidade, versos limpos e demais momentos repletos de distorção.

“Always Left Behind”, mais melódica, tem alguns elementos, especialmente nos versos e solo, que flertam levemente com o gênero que consagrou Tito Falaschi no underground: o metal melódico. “Sempre toquei outros estilos além do power, mas foi no Symbols que as pessoas me conheceram. Acredito que esse estilo esteja um pouco saturado hoje em dia”, afirmou Falaschi. “Quid Pro Quo” retoma o peso elementar observado nas faixas iniciais. O refrão é muito bom. Há algumas partes com uma pegada thrash metal que pode agradar aos adeptos. O riff pesado de “Heartstrings” tem um swing intrínseco e irresistível. Ponte e refrão são afáveis e comerciais na medida certa. Os teclados ao fundo de alguns momentos são estratégicos.

Na sequência, o disco cresce muito, sempre amparado pelo peso. “Sovereign” é uma das melhores faixas do play, sem dúvidas. A ginga do riff dos versos, o refrão explosivo e especialmente o miolo com influência da música brasileira são elementos de destaque. “Terminal Speed” já começa grudenta desde o início, com um bom lick de guitarra. Ponte e refrão são muito bons, assim como o solo.

“Outliars”, grande destaque do álbum, tem um dinamismo rítmico formidável. Ótima faixa, com uma pitada de influência de Iced Earth. Mischa Marmade se destaca muito pela performance. A frenética “Dukkha-Satya” fecha o disco com um trabalho instrumental impecável. Em termos de estilo, não traz nada de novo – apenas reafirma o que já foi apresentado nas outras músicas.

Obviamente, os acertos são maiores do que os detalhes a serem corrigidos. Alguns detalhes podem ser alterados para potencializar ainda mais o Zaltana nos próximos discos. Aqui, senti falta de mais solos de guitarra ao longo do play. A segunda parte do trabalho é melhor do que a primeira, por ser um pouco mais dinâmica e trazer influências um pouco mais distantes do lugar comum. Mas nada que comprometa o produto final.

Tenho a sensação de que a banda não terá muito mercado no Brasil, ainda muito ortodoxo no consumo de música pesada. Tito Falaschi discorda parcialmente de meu ponto de vista. “Acho que aqui tem muito público, mas claro que se a banda aparece fora do Brasil, dá mais credibilidade. Não que eu ache certo, mas é como funciona aqui”, disse. Imagino que ter mais projeção internacional do que nacional, ainda mais nos dias de hoje, seja uma formidável vantagem. Basta trabalhar de forma certa, porque, musicalmente, acho que o Zaltana veio para ficar.

Nota 8,5

Leia a entrevista com Tito Falaschi na íntegra ao final da postagem.

Mischa Marmade (vocal)
Tito Falaschi (bateria, baixo e vocal)
Dann Feltrin (guitarra, vocal)
Hilton Torres (guitarra, vocal)

1. 2 Can Play This Game
2. Skullface
3. Always Left Behind
4. Quid Pro Quo
5. Heartstrings
6. Hungry for Life
7. Sovereign
8. Terminal Speed
9. Outliars
10. Dukkha-Satya

Entrevista com Tito Falaschi

IGOR MIRANDA: No release da banda, li que você acredita que o Zaltana fez algo diferente do que estamos acostumados a ouvir no metal nacional. Queria que você fosse um pouco mais específico e me dissesse o que crê que há de diferente.

TITO FALASCHI: “Acredito que mesclando melodias mais comerciais, com bases pesadas, mais de um vocal, letras falando do cotidiano, de coisas reais de nossas vidas, política e arranjos com influências de bandas não utilizadas por outras podem fazer, no final, um resultado diferenciado”.

Esse trabalho se distancia um pouco da proposta power trazida em outros trabalhos que você já tocou. Claro que há sons mais melódicos, mais progressivos e até alguns momentos de brasilidade, mas vertentes mais pesadas e até modernas são exploradas no Zaltana. A que isso se atribui?

“Sempre toquei outros estilos além do power, mas foi no Symbols que as pessoas me conheceram. Acredito que esse estilo esteja um pouco saturado hoje em dia. As bandas antigas têm seu mercado, mas para bandas novas acho que ficou mais difícil, por isso, quis fazer algo que atinja mais pessoas e outros mercados”.

Pouco se conhecia sobre sua habilidade como baterista. Nesse projeto, você parece disposto a não abandonar as baquetas, apesar de ter também gravado o baixo deste disco. Você acredita que se encaixa melhor como baterista no Zaltana ou há algum outro motivo que justifique a mudança de posto?

“Então, sempre amei tocar batera. Nos ensaios do Mitrium, antiga banda do meu irmão, já ficava ali do lado do batera, e nas pausas eu pedia para tocar (risos). Mas era caro e não tinha condições para comprar uma bateria. Agora pude realizar esse sonho”.

Todos os integrantes são ótimos no que fazem, mas a performance de Mischa Marmade me chamou a atenção. Ela consegue oscilar entre vozes melódicas e rasgadas de forma bem natural – algo difícil de constatar em uma mulher. Como tem sido esse trabalho com ela? Você acredita que a presença de uma cantora, mulher, em uma banda de sonoridade agressiva, traz que tipo de diferencial?

“Acho que a Mischa tem um lance diferente. O fato de ser mulher não é o fator diferencial, mas sim todas as qualidades de um vocal, que é o maior diferencial de uma banda, Não lembro de uma vocalista com esses timbres dela, sem contar que ela manda muito. Outro fator é o inglês. Na maioria das bandas tem muito sotaque e isso atrapalha as bandas daqui, mas ela fala como um gringo, aliás, foram palavras deles (gringos). Ela é fluente na língua e isso diferencia demais. O visual também é muito bom, adoro a voz dela, além de sermos grandes amigos”.

Você acha que o Brasil ainda tem mercado para consumir um bom trabalho como o do Zaltana, ou é necessário observar e investir em outros territórios?

“Acho que aqui tem muito público, mas claro que se a banda aparece fora do Brasil, dá mais credibilidade. Não que eu ache certo, mas é como funciona aqui”.

Uma brecha para concluir essa entrevista: você pensa em algum retorno do Symbols, algum dia? Sei que você está com o Zaltana e tem o trabalho como produtor, mas há alguma conversa para algo, mesmo que um show de reunião como o de 2012?

“Nada é impossível. Mas o baterista mora no Estados Unidos e só seria legal se fosse com todos músicos originais, então é difícil. Mas quem sabe isso acontece no futuro (risos)”.

Zaltana Band

Entrevista ao Collectors Room

PB120132

O jornalista responsável e editor da Van, João Renato Alves, conversou com Ricardo Seelig, do Collecors Room. A entrevista pode ser conferida neste link.

Entrevista com: Ted Poley

Ted Poley

Nessa entrevista, conduzida pela Van, Ted Poley comenta sobre praticamente todos os pontos de sua carreira. Desde os tempos de baterista do Prophet até a atualidade, em que se firma como um dos vocalistas mais carismáticos do Hard Rock.

VAN DO HALEN: Muita gente não sabe, mas na sua primeira banda, o Prophet, você era, essencialmente, o baterista. Como se deu essa mudança da bateria para o microfone?

TED POLEY: Isso foi há mais ou menos 25 anos, talvez você nem fosse vivo ainda! [risadas] (N.E.: Ted acertou, eu tenho 22 anos de idade) Eu era o baterista, mas cantava em algumas músicas. Conheci o Bruno (Ravel) numa noitada e ele me pediu para ser o vocalista nas demos que estava gravando. Eu fiz como se fosse um favor, mas acabei me apaixonando pelo som e decidi sair do Prophet para entrar no Danger Danger como vocalista. Conseguimos um contrato com uma gravadora pouquíssimo tempo depois.

VAN DO HALEN: Você sentiu que o seu potencial seria mais bem aproveitado no Danger Danger?

TED POLEY: Depois da demo, tiramos algumas fotos promocionais e fomos contratados pela gravadora. Simples assim. A gravadora foi esperta o bastante ao apostar suas fichas na gente após ouvir a demo. Fico feliz em poder dizer que nós não a decepcionamos.

Danger Danger 1989

Danger Danger – Ted Poley está acima, no centro

VAN DO HALEN: O Danger Danger foi uma das bandas mais importantes do chamado “hair metal”. Como você se sente tendo feito parte de uma época tão singular?

TED POLEY: É muito bom se lembrado como um ícone de determinado período. Eu amo os fãs e os agradeço por se lembrarem de mim até hoje!

VAN DO HALEN: Você saiu do Danger Danger após a gravação de Cockroach, que é, na minha opinião, o melhor álbum da banda. As mudanças no mercado musical exerceram alguma influência nisso?

TED POLEY: Eu não gosto de falar sobre esses dias sombrios, mas reconheço que Cockroach é um grande CD.

VAN DO HALEN: Cockroach permaneceu engavetado até 2001, quando foi lançado contendo tanto a versão original quanto a versão com Paul Laine, seu substituto, nos vocais. O que você acha daquelas canções na voz de Paul?

TED POLEY: Eu prefiro não opinar, todavia conheci Paul há alguns anos e o achei uma pessoa formidável.

VAN DO HALEN: Você formou o Bone Machine logo após sua saída do Danger Danger. A capa do segundo álbum da banda, Disappearing Inc. (1997), trazia as torres gêmeas do World Trade Center desmoronando. A tragédia se confirmaria anos mais tarde nos atentados de 11 de setembro. Qual foi a sua reação?

TED POLEY: Eu tenho poderes psíquicos (!) e previ a tragédia cinco anos antes de ela acontecer. Quando aconteceu, pensei que estaria encrencado, mas de forma alguma fiquei surpreso. Previ os atentados em um sonho em 1997 e a prova disso é a capa de Disappearing Inc. Obviamente, as prensagens lançadas após o 11 de setembro traziam outra capa.

Bone Machine - Disappearing Inc [1997]

Capa do álbum Disappearing Inc.

VAN DO HALEN: Algo me soou familiar quando joguei Sonic Adventure 2 no Dreamcast pela primeira vez…

TED POLEY: Sim, sou eu cantando! No Japão, ao lado de Jun Senoue e um monte de outros caras talentosíssimos, fiz várias músicas para os games do Sonic. Me diverti bastante e conquistei uma porção de novos fãs graças a este trabalho.

VAN DO HALEN: Você voltou ao Danger Danger em 2004. Como foi unir forças com Bruno e Steve novamente?

TED POLEY: Foi bom.

VAN DO HALEN: Revolve, o primeiro disco de inéditas desde a reunião, foi lançado somente em 2009. O processo foi demorado por conta de outros afazeres ou vocês, a princípio, não pensavam em gravar material novo?

TED POLEY: Não quisemos gravá-lo antes, apenas. Cinco anos se passaram desde a minha volta até o momento que decidimos que era hora de gravar um novo CD. Na minha opinião, Revolve é o nosso melhor trabalho. Fico feliz que ele tenha acontecido.

VAN DO HALEN: Você veio ao Brasil algumas vezes já. Esperava ter tantos fãs por aqui?

TED POLEY: Amei o Brasil e amei os fãs, o povo, a comida… é um lugar belíssimo. Toquei no Brasil algumas vezes e espero tocar muitas outras!

VAN DO HALEN: Você é bem ativo na Internet e isso te deixa bem próximo aos fãs. Você acha que isso, de alguma forma, torna você especial?

TED POLEY: Não. Eu apenas trato os fãs do jeito que eu gostaria de ser tratado pelos meus ídolos. Sou fã de uma porção de bandas e sei como um fã se sente.

VAN DO HALEN: Quando conversamos pela primeira vez, em 2007, eu perguntei quais artistas você estava ouvindo no momento e você respondeu Wig Wam. Repito a pergunta: o que você tem ouvido ultimamente?

TED POLEY: Seventh Wonder, Treat, Circus Maximus e Bob Marley sempre que dá vontade de torrar unzinho.

VAN DO HALEN: O que os fãs podem esperar de você em 2013? Algum projeto em andamento?

TED POLEY: Minha meta é continuar excursionando pelo mundo, conhecendo os fãs que conquistei ao longo da minha carreira. Não sei se voltarei a gravar CDs, mas com certeza continuarei viajando por aí vestindo minhas camisetas divertidas e cantando!

VAN DO HALEN: Obrigado pela conversa, Ted! Agora, só pra encerrar, manda o seu recado para os fãs do Brasil!

TED POLEY: Obrigado a todos vocês por tornarem possível ainda viver o sonho mesmo após tanto tempo. Eu amo vocês e espero ver vocês em breve! Sorriam sempre! Nos vemos por aí! Beijos, beijos, beijos, beijos!

Quem não sorri com eles?

Entrevista com: Arde Rock

arde01

Mais uma vez, do sul do país, emerge uma banda promissora e disposta a manter o Rock and Roll em suas raízes. Batemos um papo com Killermano, guitarrista e vocalista da Arde Rock. Confiram o que ele tem a dizer.

Para começar a conversa, conte-nos um pouco da história da banda. Como o grupo foi formado?

A banda nasceu em dezembro de 2008 com o desejo meu e da Simone de colocar nossa música na estrada literalmente. Começamos a ensaiar logo de cara com uma composição própria afinal este sempre foi o propósito, aliado a isto sempre curti fazer releituras, eis que começamos a revisitar os anos 80 de forma mais hard e “apimentada”.

Tivemos algumas mudanças de integrantes (baixo e bateria), até firmar na formação atual em agosto de 2011, assim pudemos engrenar uma agenda de shows por todo o estado do Rio Grande do Sul. O ano de 2012 foi muito produtivo, tivemos a média de um show por semana, o que para uma banda de rock é uma grande conquista, além do lançamento do CD e de melhoras significativas na estrutura da Arde.

A Arde Rock é: Simone Sattes (voz e percussão), Addler Martin (baixo e backing vocals), Rafael Beatsom (bateria) e Killermano (voz e guitarra). Este time resgata um pouco do que tive quando adolescente com a Cinérea, ou seja, mais que uma banda, uma família mesmo. O Rafael é um exímio baterista, detona como poucos é um cara muito talentoso e além de ser uma pessoa do bem, sem maldades. O Addler traz para a banda toda a “cama” que precisamos para soar ao vivo, afinal de contas não temos outro guitarrista ou até mesmo um teclado, então rearranjamos as coisas para que fique sem “buracos”, ele não só dá conta do recado como coloca toda sua personalidade nas linhas de seu contra-baixo. A Simone sou suspeito em falar, ela realmente tem o dom da música, é afinadíssima e tem um vozeirão como muitos “de fora” já falaram, no caso dos covers, interpreta com maestria desde Tina Turner à AC/DC (de quem ela é fã confessa). E é isto que sempre buscamos enquanto banda, uma identidade, uma irmandade do rock.

Em 2012 vocês lançaram o primeiro CD, Velho Rock. Como se deu o processo de gravação? E quanto à repercussão, tem sido positiva?

O “velho rock” foi gravado em abril/maio de 2012, em nosso estúdio o Casa do tal rock n’ roll de forma totalmente independente e com recursos próprios. Tive diversos obstáculos inclusive precisei cadastrar o selo e aprender tudo (os caminhos), da forma mais trabalhosa, ou seja, sozinho.

Na parte da captação do trabalho tive a satisfação de novamente trabalhar com o Addler (gravamos duas demos com ele em outro estúdio, antes dele fazer parte da Arde). Sou purista em alguns aspectos, então fizemos questão de fazer tudo a moda antiga, nada de plugins ou emuladores, é bateria acústica toda microfonada e guitarra com válvulas fervendo o tempo todo (risos), tudo muito orgânico, como eu acho que deve ser (mais risos). Algumas ideias malucas que tive com microfones, somadas à experiência do Addler (que não é pouca) e o resto é história para o rock.

Eu e o Addler produzimos um sonho que persegui por diversos anos e somente agora consegui realizar, fechamos uma parceria onde aprendemos a lidar um com o outro e com nossas diferenças.

A repercussão tem sido ótima, lançamos o CD em setembro em meio a correria da “tour ardida 2012” e o que mais emociona é você tocar tua música e ver/ouvir seu refrão sendo cantado pelas pessoas junto com a banda, isto não tem preço.

Em janeiro deste ano, foi lançado o clipe para a faixa “Minha Razão”. Fale um pouco sobre a produção.

Novamente abraçamos a causa de forma independente para poder viabilizar o projeto e torna-lo real. Escolhemos a faixa “Minha Razão” por ser a que abre o álbum e por ser a música que estamos trabalhando atualmente. A temática não poderia ser outra senão a estrada, que é nossa maior escola e onde passamos tanto tempo juntos “nos aturando” (risos). E isto é bem verdade, já chegamos a fazer quatro shows na mesma semana e sem roadie (mais risos), então decidimos filmar um pouquinho desta correria.

Um detalhe muito interessante é que a banda se preocupou não apenas com o lado musical, mas em montar uma estrutura própria. No próprio vídeo aparece o veículo personalizado de vocês. Qual a importância dessa estrutura para o trabalho?

Acredito que sobre a organização, é consequência de minhas outras experiências profissionais no ramo de vendas e gestão de pessoas, estas vivências acabaram influenciando diretamente também na Arde Rock. Me preocupo muito com os detalhes, desde a escolha do set list aos arranjos das versões que fazemos para alguns clássicos dos anos 80, os quais revisitamos no show. Na parte de estrutura carregamos sempre conosco todo o equipamento de palco e até um P.A. pequeno, além de alguma coisa de luzes, máquina de fumaça, enfim uma estrutura completa. Estes foram alguns dos motivos pelos quais optamos pela van da Arde, a Arde Móvel, como a galera que nos acompanha apelidou, (risos). Desta forma ficamos totalmente independentes no amplo sentido da palavra, ou seja, estamos produzindo de forma independente todas as etapas de nosso show, o que se torna bem trabalhoso, mas ao mesmo tempo muito gratificante. É tão bom estar na estrada que você acaba estranhando quando não está.

arde02
Datas da banda em 2012

Killermano, quem lhe conhece desde os tempos de Cinérea Lívida sabe que você sempre se preocupou em ter um trabalho autoral, investindo nas composições próprias. Foi uma busca consciente por expressão ou algo que aconteceu (e ainda acontece) naturalmente?

Quando comecei a compor tinha uma abordagem muito mais ácida, escrevia criticas sociais, sobre os problemas sociais, inclusive os que eu vivenciei, como é o caso de “Defasagem Salarial”, “Liberdade de Expressão” e da mais premiada em festivais “Hospital Macabro”, a qual compus depois de minha família ter tentado atendimento para mim pelo SUS e só conseguir internação em um leito de forma particular, alias esta música foi regravada no “velho rock”. Contudo era outra época, (uma época “árdua” que mesmo assim deixa muita saudade), o underground era pujante e os festivais musicais serviam às Bandas e à comunidade, foram vários destes que participei que tiveram caráter beneficente, desta forma resolvemos resgatar um pouquinho disto no lançamento do nosso CD onde abrimos mão da bilheteria em prol de uma entidade assistencial.

Atualmente curto compor sobre motivação, entusiasmo, otimismo, superação, sonhos e as atitudes para realiza-los, tudo muito espontâneo e natural, pois é a maneira que penso, é o que eu vivo, enfim é meu dia a dia. Sempre achei que a música deve ter uma mensagem, contar uma história e isto não mudou, acho que este é o compromisso da música e eu quero difundir coisas positivas sempre.

O cenário musical mudou muito com o passar dos anos e a chegada das novas mídias, redes sociais e tecnologias. Como vocês encaram esta realidade? O que melhorou e o que piorou?

Sou do tempo de gravar demos em fita cassete, sobrepondo instrumentos (pistas), em um aparelho com dois decks. Precisamos nos adaptar a esta nova realidade e usá-la a nosso favor é muito mais fácil atualmente a divulgação, você abrange mais rápido e vai mais longe, porém acredito que perdeu um pouco a magia, no sentido de ser banal o download de arquivos na web. Mesmo assim mantivemos a postura de lançar um material físico, com encarte contendo as letras e fotos, pois afinal de contas é nosso cartão de visitas, mesmo sabendo que teríamos algumas barreiras na distribuição para serem vencidas.

Quais são os planos futuros da banda?

A Arde Rock segue neste ano de 2013 com a divulgação de seu “velho rock” e excursionando pelo estado. Também teremos novidades, quem sabe mais um clipe e também a possibilidade de compra do álbum pela web, que logo estará no ar. Para quem assim como Eu prefere o álbum físico e quiser adquirir o CD da Arde, pode entrar em contato pelo meu email ou no facebook.

O espaço final é de vocês.

Agradecemos o espaço cedido pelos colegas de “van” e gostaria de mais uma vez parabeniza-los pelo excelente trabalho já consolidado que veem desenvolvendo. Vejo o resgate que proporcionam mais ou menos como tínhamos na época dos festivais musicais, ou seja, espaço para as Bandas contemporâneas mostrarem a cara e a que vieram.

Força e sucesso!!! Contem sempre conosco.

Contatos:

Fanpage Arde Rock: http://www.facebook.com/pages/Arde-Rock/199330530097073

Blog Arde Rock: http://arderockbanda.blogspot.com.br/

Youtube Arde Rock: http://www.youtube.com/user/killermano

Email: killermanometal@hotmail.com

Facebook Killermano: http://www.facebook.com/AdrianoPelissariGuilhermano

Soundcloud Killermano: https://soundcloud.com/killermano-arde-rock

arde03

Entrevista com: Jim Gillette

Gillette_Tatts_2

Em um bate-papo descontraído, Jim Gillete abriu o jogo e recordou histórias do início da carreira, do auge de sua principal banda, o Nitro, e da vida fora dos palcos, incluindo sua paixão pelo jiu-jitsu.

Van do Halen: Li que Rob Halford era o seu maior ídolo na adolescência. Você o tomou como “modelo” para desenvolver a sua maneira de cantar?

Jim Gillette: Sim – Rob era fodão… Ele possuía diferentes tonalidades e cantava em diversas alturas. Eu amava isso nele. A maioria dos caras canta com a mesma voz e na mesma altura o tempo todo. Ele modificava a voz de modo a encaixar na música. Ele é o verdadeiro Metal God! Por causa dele eu praticava por horas e horas. Deixei muita gente louca cantando Breaking the Law, Green Manalishi, Electric Eye e Freewheel Burning junto do disco.

Van do Halen: E como se deu o seu desenvolvimento vocal? Você realmente quebrava taças ao vivo?

Jim Gillette: Estudei ópera e quase enveredei por este caminho, mas fui fascinado pelo rock n roll e acabei me rendendo a ele. A primeira taça que quebrei foi por acidente. Aconteceu durante a gravação de meu primeiro álbum, Proud to be Loud. Meu amigo que estava operando a mesa de som estava bebendo uma taça de vinho e ela se estilhaçou quando dei um grito. Ele me chamou na sala de controle para me mostrar. Foi do caralho! Eu não sabia exatamente como havia acontecido, mas sabia que era algo bem legal. Tempos depois, passei a quebrar taças ao vivo. Fui convidado pelo Good Morning America e pelo Myth Busters para fazer isso ao vivo, mas estava de férias e todo mundo que me conhece sabe que uma participação em programa de TV nunca será motivo o bastante para me fazer largar o meu descanso. Ensinei um aluno/amigo chamado Jaime Vendera e ele foi lá, no palco do GMA e fez, ao contrário da cantora de ópera convidada pelo programa, que fracassou! (risadas) O rock chutou o traseiro da ópera naquele dia!

Van do Halen: Hoje em dia, você se vê como um modelo para cantores iniciantes?

Jim Gillette: Ensinei muita gente a cantar. Esta é uma parte bem legal da minha história. Muita gente me escreve ou vem falar comigo pessoalmente sobre o quanto eu os ajudei a desenvolver as suas vozes. Tenho muito orgulho de ter podido ajudar tanta gente.

Van do Halen: Que conselho você daria a quem está começando a cantar?

Jim Gillette: Pratique! Muita gente me chama de louco quando eu digo o quanto pratiquei. Eu costumava cantar de oito a dez horas por dia, todos os dias! Deixei muitos vizinhos loucos! (risadas) Se você quer ser bom em alguma coisa, você precisa praticar.

Van do Halen: Sua primeira banda foi o SLUT. A demo Perversion for a Price é considerada a sua primeira gravação. Conte-me sobre este período.

Jim Gillette: Eu tinha 17, 18 anos. Tive outras bandas antes, mas o melhor ponto de partida é o SLUT. Quando eu tinha 16 anos, fazia shows em boates. Eu não tinha idade para beber, mas estava lá fazendo shows. Me diverti muito naquela época. Mesmo sendo novo, ainda assim eu era o mais velho! Nosso guitarrista tinha 15 anos. O baixista era um grande amigo meu, Matt Silverman, o Ttam. Eu adorava a banda e o direcionamento louco que estávamos tomando. Matt, que era o cara por trás das letras, vivia por dentro do que rolava fora dos EUA. Ele me apresentou Hanoi Rocks, Wrathchild, Exciter etc. Enfim, muita coisa.

Van do Halen: Aí você se mudou para Los Angeles…

Jim Gillette: Sim, pois era lá que tudo acontecia de verdade. Todas as grandes bandas da época vinham de lá. Tenho sorte de elas não terem vindo do Alasca, pois eu certamente teria me mudado para lá se fosse o caso!

Jim Gillette 80s

Jim Gillette nos tempos poodle

Van do Halen: Por que a união de forças com o Tuff não vingou?

Jim Gillette: O tempo que passei no Tuff foi bem divertido. Michael, o baterista, era meu melhor amigo e nós vivemos dias de sonho. No fim das contas, eu só optei por um caminho diferente. Foi uma das melhores épocas da minha vida. Sempre olho para trás com muito orgulho e apreço.

Van do Halen: Você conheceu Michael Angelo Batio numa festa à beira-mar e juntos fundaram o Nitro.

Jim Gillette: Sim. Eu vivia em Venice Beach e ele apareceu numa das muitas festas que rolavam na casa que eu vivia. Ele conhecia minha colega de quarto e ela nos apresentou. Ele não quis apertar a minha mão. Tomei isso como uma agressão, mas depois esclarecemos as coisas. Acabamos nos tornando melhores amigos. Mesmo hoje em dia, nossos laços continuam fortes. É impossível passar por uma experiência como foi com o Nitro e não reter algo duradouro. Foi a época mais intensa, divertida, incrível, fora de série e de partir o coração que eu já vivi em toda a minha vida.

Van do Halen: Pouco tempo depois, Michael tocou em Proud to be Loud, que foi totalmente gravado em uma garagem ou coisa do tipo, certo?

Jim Gillette: Proud to be Loud foi meu álbum solo. Muita gente confunde e acha que é um disco do Nitro. A explicação é a seguinte: eu contratei Mike para tocar no álbum. Eu queria o melhor guitarrista do planeta e, na minha opinião, Mike era o cara. A propósito, eu ainda o considero o melhor guitarrista que existe. Já o vi fazer coisas com a guitarra que fariam qualquer um cagar tijolos. Ele é um verdadeiro gênio da música. Ele é capaz de tocar um dia inteiro, literalmente, todos os dias. Enquanto não estávamos compondo, ele estava lá fritando na guitarra. Criança prodígio. O cara respira música.

Van do Halen: Você sentiu que uma banda como o Nitro era exatamente o que você estava procurando naquele momento?

Jim Gillette: Sem dúvidas. Eu queria levar a música ao extremo e o Nitro fazia exatamente isso. Hoje em dia, soa tão atordoante quanto soava naquela época! (risadas) Fui convidado para cantar em várias bandas, mas recusei todos os convites. Eu podia ter enriquecido entrando em qualquer uma delas, mas fui fiel. O Nitro foi a minha vida por muitos anos.

Van do Halen: O NITRO foi a banda mais extravagante do chamado hair metal, você e Michael, literalmente, eram PROUD TO BE LOUD (orgulhosos de serem “altos”)?

Jim Gillette: Sim, definitivamente! Nós amávamos aquilo tudo!

Van do Halen: Como a maioria das bandas surgidas no final dos anos 80, o Nitro se separou em meados dos anos 90. O que veio em seguida?

Jim Gillette: Arrumei um emprego. Entrei para o ramo imobiliário, comprando e vendendo casas. Eu estava de saco cheio do meio musical. Precisei me afastar para arejar as ideias. Acho que eu só queria mesmo era levar uma vida normal. Era muita loucura, sabe? Todos os shows quase sempre terminavam em confusão. Mulheres nuas por todos os lados, drogas… Que fique claro que eu nunca usei! Mike e eu devíamos ser os únicos caras sóbrios da cena! Eu não permitia drogas no ônibus da banda ou perto de onde eu estivesse. Muita gente fica chocada quando eu digo que não usava nada, mas basta lembrar de O.F.R.: DROGAS SÃO PARA PERDEDORES – NÃO SEJA UM PERDEDOR.

Van do Halen: A sua volta ao microfone foi em The Ultra Violent, do Organ Donor. O som da banda era bem mais pesado que qualquer coisa que você já tenha feito antes e todas as críticas que li a respeito eram meio negativas. O que você acha deste álbum?

Jim Gillette: Organ Donor foi um lance entre amigos. Críticas negativas sempre existirão, sobretudo quando se trata de mim. Muita gente já me disse que é o meu melhor CD! (risadas) Eu faço a música da maneira que eu gostar e tenho sorte de ter sempre ao meu lado amigos que compartilham das minhas ideias. Sou muito grato por ter podido tocar pessoas ao redor do mundo com a minha música. É um sentimento nobre. Meu gosto pessoal envolve metal, glam e também Prince, Darling Cruel, Mariah Carey, Whitney Houston, disco music dos anos 70… (risadas) Eu amo música!

Van do Halen: Em 2003, a gravadora de Stevie Rachelle (Tuff), R.L.S. Records, relançou Proud to be Loud com faixas bônus. Você esteve envolvido no processo?

Jim Gillette: Sim, demasiadamente. Eu detenho os direitos pelo álbum e Stevie me perguntou se o selo podia relançá-lo… Eu aceitei na hora. Uma coisa que eu adoro no Stevie é o seu esforço para manter viva a música que fizemos naquela época.

Van do Halen: Como é a sua relação com Stevie?

Jim Gillette: Stevie e eu sempre fomos amigos. Há um grande respeito entre nós dois. Não o vejo apenas como o cara que me substituiu na minha antiga banda. Nos tornamos amigos assim que ele entrou no Tuff. Acho que ele fez um excelente trabalho à frente da banda e o vejo como um embaixador do hard rock. Também gostaria de acrescentar que ele é um ótimo pai, o que aumenta ainda mais o meu respeito por ele.

Van do Halen: Não é de hoje que o jiu-jitsu assumiu um papel fundamental na sua vida. E você ainda tem o privilégio de treinar com membros da família Gracie, referência mundial do esporte. Como é a sua relação com eles?

Jim Gillette: A família Gracie é uma parte muito importante da minha vida. É por causa desta relação que me sinto tão próximo ao Brasil e tão feliz por estar dando esta entrevista.

jimgillettenew

Jim Gillette nos dias atuais

Van do Halen: Há quanto tempo você treina com eles?

Jim Gillette: James, Rocco e eu treinamos com eles há nove anos. Rocco tinha apenas dois anos quando começou!

Van do Halen: Como foi que essa relação começou?

Jim Gillette: Eu queria introduzir os garotos no universo das artes marciais e o jiu-jitsu dos Gracie é a melhor porta de entrada. Nada se compara. Para mim, o jiu-jitsu dos Gracie está anos-luz à frente de qualquer outra modalidade. Fui abençoado com a oportunidade de conhecer Pedro Valente, que desde então, tornou-se quase um membro da nossa família. Ele é como se fosse um irmão para mim e um tio para James e Rocco. Passamos muito tempo juntos. Fui seu assistente durante anos, ajudando-o em suas aulas particulares. Acredite ou não, essas memórias superam as dos tempos de banda.

Van do Halen: Como você se sente diante do crescimento do MMA pelo mundo?

Jim Gillette: Eu amo a visibilidade que tem obitdo e amo o esporte. Por mim as lutas seriam mais cruas, mas eu entendo as razões pelas quais são estabelecidas tantas regras que facilitam os lutadores. De todo modo, ficou provado que o jiu-jitsu é a única modalidade que você TEM que dominar para se sair bem nos combates. Você consegue imaginar alguém competindo sem saber pelo menos se defender de um golpe de jiu-jitsu? Seria uma piada.

Van do Halen: Hoje em dia, você se considera mais um lutador de jiu-jitsu ou um cantor de rock n’ roll?

Jim Gillette: Me considero um cara capaz de fazer ambas as coisas! É ótimo ter duas paixões assim, mas se eu tivesse que escolher, seria fácil. O jiu-jitsu está em meu corpo e em minha alma. Por mais que cantar tenha sido sempre a minha maior paixão, o jiu-jitsu é o meu modo de vida.

Van do Halen: Pra terminar, diga o que nós do Brasil podemos esperar de você. Alguma previsão de retorno à cena musical?

Jim Gillette: Esta é uma resposta que poderia mudar amanhã. Eu adoraria compor novamente, mas atualmente estou empenhado na criação dos meus filhos. Eles são o futuro e eu já vivi o equivalente a dez vidas. Fiz mais, vi mais e vivenciei mais do que eu jamais poderia imaginar. Minha missão agora é ajudar James e Rocco a encontrarem suas vocações. Mas tenho certeza que voltarei a fazer música em algum momento… É bom demais atormentar os outros com a minha voz! Espero visitar o Brasil logo. Por conta da minha relação com os Gracie, eu me sinto muito próximo ao seu país. Mal posso esperar por passar um tempo aí, conhecer as praias, a academia Gracie, conhecer belas mulheres etc. Deus abençoe o Brasil!

Entrevista exclusiva com Ed Archer (Fifth Angel)

band-ed-archer1

No último post do quadro Porta-malas, a banda homenageada foi o Fifth Angel. O grupo atualmente está gravando um novo álbum, ainda que em ritmo lento. Marcelo Vieira realizou uma entrevista com o guitarrista Ed Archer. A entrevista permaneceu engavetada por um tempo devido a outros afazeres de nosso repórter, mas aqui está ela finalmente, traduzida e editada pelo próprio MV.

Van do Halen: A razão pela qual o Fifth Angel se separou logo após o lançamento de Time Will Tell permanecem parcialmente ocultas. O que realmente aconteceu?

Ed Archer: Bem, inúmeros fatores contribuíram para que a coisa começasse a desandar. A cena musical estava vivendo um período de transformação e isso afetou diretamente as gravadoras. O Grunge tomou conta como um incêndio! Havia bandas como o Fifth Angel, que ainda não havia estabelecido uma base tão sólida no cenário em comparação a outras bandas. Acho que as gravadoras perceberam que seria menos arriscado apostar em bandas que já gozassem de certo prestígio ao invés de investir em bandas como o Fifth Angel. Não dava para competir com o Grunge. Percebemos que a gravadora estava aos poucos pulando fora do barco. Originalmente teríamos suporte de marketing e promoção e fundos para realizar uma turnê… e de pouquinho em pouquinho isso tudo foi tirado de nós.
Diante disso, além de outros fatores, decidi sair da banda. Foi uma decisão difícil de ser tomada, uma vez que havia dedicado boa parte da minha vida à música. Prometi aos meus colegas que ajudaria na composição e nas gravações em estúdio. Cheguei a avaliar possíveis substitutos e até a ensinar a alguns deles trechos de certas músicas! Foi uma saída amigável. Entretanto, não havia condições de os outros quatro seguirem em frente sem o suporte de uma gravadora. E foi isso, quando a banda acabou, eu já não fazia mais parte dela.

Van do Halen: Quem teve a ideia de voltar à ativa? Quando os primeiros contatos foram feitos?

Ed Archer: Muitas vezes ao longo desses anos todos a ideia de voltar à ativa ficava pelo ar, por isso não dá para determinar quem de nós teve a ideia inicialmente. Lembro que Ted me procurou em 2006. Nós não nos falávamos há anos e de cara ele veio com esse papo de reunião. Fiquei meio receoso, pois estava muito atarefado com meus negócios fora da música. Não via uma reunião acontecendo, pelo menos naquela época. Aí o destino fez a sua parte. Passei por momentos difíceis em 2008 e a música virou minha válvula de escape. Comecei a ter ideias para músicas novas. Foi bem estranho, pois eu não escrevia nada e sequer pensava em escrever há um bom tempo!
Liguei para John no final de 2008 e compartilhei meus problemas pessoais com ele. Falei que havia voltado a compor e começamos a conversar sobre voltar a tocar. Liguei para Kendall, Ken e Ted no início de 2009 propondo essa coisa maluca de reunir o Fifth Angel. O foco inicial seria em compor material inédito e lançar um novo CD só por fazê-lo! Para mim, isso seria uma forma de manter minha mente afastada das merdas que me atordoavam.

Van do Halen: O que você tem a dizer sobre os primeiros encontros em estúdio? Como foi tocar juntos depois de tanto tempo?

Ed Archer: Levando em conta o momento que eu estava vivendo e a forma como a música vinha agindo na minha vida… não sei, eu diria que foi “normal” de certa forma. Foi quase como uma reunião de família. Falar com eles, ver meus velhos companheiros de anos atrás depois de tanto tempo foi bem divertido e eu me senti super bem!
Como eu mencionei antes, a ideia era focar em material novo, mas aí recebemos a proposta do Keep It True Festival na Alemanha e decidimos espalhar a novidade: o Fifth Angel estava de volta! A preparação para o show tomou bastante tempo, nos impedindo de trabalhar em músicas novas. Os ensaios para o show foram demais, mas as agendas de Ken e Ted não eram compatíveis com os nossos planos, o que os impediu de fazer parte da empreitada. Seguimos ensaiando e a mágica foi começando a acontecer.

Van do Halen: A desistência de Ted foi só por conta de agenda mesmo?

Ed Archer: Sim, o tempo de Ted está bem restrito… assim como o de todos nós, eu diria. Estamos vivendo vidas bem diferentes. E Ted estava muito enrolado em 2009/2010. Suas intenções eram as melhores e ele realmente queria ter feito parte. Mas ainda há esperanças. Temos falado com Ted regularmente… vamos ver!

Van do Halen: Acompanhei a procura por um novo vocalista. Tim Branom foi o primeiro nome anunciado, mas por conta de problemas nas cordas vocais, foi substituído por Peter Orullian. Passado o show no Keep It True Festival, Tim continuava impossibilitado de cantar ou que outros fatores levaram a escolha de David Fefolt?

Ed Archer: Muita coisa aconteceu nesse meio-tempo. A questão da garganta fodeu com os planos de Tim. Depois disso, não lembro ao certo como foi, mas David foi um cara que nos contatou logo que soube que estávamos à procura de um vocalista. Mantivemos contato e percebemos que ele era o cara certo para o posto.

Van do Halen: Quando o show na Alemanha foi anunciado, uma animação sem precedentes tomou conta de mim e de milhares de fãs ao redor do mundo. Como foi fazer o show?

Ed Archer: Foi muito bom, diversão total, a experiência como um todo. Não sei se você sabe, mas quase não tocamos por conta do vulcão em erupção na Islândia. Demos sorte de o nosso voo dos EUA até a Alemanha não ter sido cancelado, como tantos outros que impediram várias bandas de comparecer ao festival.
Para mim, o show foi como um ensaio com convidados… sem frescuras! Foi bom demais! As pessoas nos receberam super bem, tivemos uma equipe capacitada e, é claro, os fãs. Foi gratificante saber que pessoas vieram de outros países só para nos assistir. Fiz amizade com alguns. Foi muito legal.

Van do Halen: Facebook e Twitter meio que aproximam os artistas de seu público. Você esperava encontrar tantos fãs do Fifth Angel na web? Qual foi a importância das redes sociais na volta da banda?

Ed Archer: Essa coisa toda de internet é interessante. O mundo é outro agora que temos tudo ao nosso alcance e em tempo real. As redes foram muito importantes, mas a nossa sorte é ter podido contar com a ajuda de um fã de longa data chamado Brian Heaton. Brian nos ajudou bastante. Ele criou um site (o agora inativo www.fifthangel.net) e foi responsável por boa parte da nossa promoção no mundo virtual. Eu o considero um bom amigo. Admito que não sou muito chegado a Facebook e Twitter, mas sei o quanto as pessoas os usam como ferramentas.

8) A decisão de gravar um novo álbum veio quando exatamente? Ele já possui um nome?

Ed Archer: A ideia veio em 2009, mas não passou das conversas. A preparação para o show no Keep It True Festival nos manteve ocupados demais para trabalhar em material inédito. Estamos em fase de teste, gravando muita coisa para depois escolhermos o que entra no CD.
Todos temos nossos empregos, então precisamos marcar os encontros em estúdio com certa antecipação e torná-los o mais produtivos possível. Vai levar algum tempo ainda, mas com muita fé e esforço lançaremos um CD bem legal.
Ele ainda não possui um nome, mas pode acreditar que será uma expressão total de emoções e sentimentos. John, Kendall e eu esperamos criar uma viagem musical que carregue o ouvinte para bem longe.

Van do Halen: O que você pode adiantar a respeito das músicas novas? Algo pesado como o disco de estreia do Fifth Angel ou mais melódico como em Time Will Tell?

Ed Archer: A variedade de estilos está bem interessante. Algumas canções me lembram nosso debut, outras me lembram Time Will Tell. Acredito que soe como uma mistura de ambos, com alguns toques mais modernos. Nossa intenção é lançar um álbum interessante e que cative, canção por canção. Da minha parte, a coisa evoluiu bastante. Muitas das músicas eu compus durante o momento difícil que vivi em 2008, outras foram escritas mais recentemente, quando minha cabeça já estava voltando ao lugar. Ouvir as músicas escritas em 2008 hoje em dia me faz sentir meio desconfortável. Não que isso seja ruim, pelo contrário, isso vai fazer com que o ouvinte perceba toda a emoção que está imersa nisso. E é isso que conta.

Van do Halen: Há planos para uma turnê?

Ed Archer: Cara… quem pode responder isso?! Tudo depende de como o álbum for recebido e se houver algum incentivo. Trabalhar com música está cada vez mais desafiador.

Van do Halen: Muito obrigado, Ed! Para terminar, mande o seu recado para os fãs do Brasil!

Ed Archer: O que eu posso dizer é que ADORARÍAMOS tocar para vocês! Seria ótimo saber se haveria suporte, público etc. Brasil, faça-nos saber!
E Marcelo, muito obrigado pelo seu apoio ao Fifth Angel e por entrar em contato para realizar essa entrevista!

FA hoje em dia

Ed Archer à esquerda

Entrevista exclusiva com George Rain (Sebastien)

georgerain01

Diretamente da República Tcheca, o Sebastien rapidamente se tornou uma banda relevante na cena Power Metal graças ao seu álbum de estreia, Tears Of White Roses. Atualmente, o grupo trabalha em seu segundo lançamento. Para descobrir as novidades e recapitular essa curta, porém produtiva história, a Van bateu um papo exclusivo com o vocalista, guitarrista e faz tudo George Rain.

Antes de falarmos sobre o novo álbum, o que você pode nos dizer sobre a repercussão do debut, Tears Of White Roses?

Ei João, um prazer falar com você, cara! Bom, eu diria que as reações foram ótimas, ou ao menos muito boas! Obviamente, nossas expectativas eram realmente grandes á época e nem tudo acontecei. Por exemplo, ainda não sou um milionário (risos). Mas em geral estamos muito felizes e parece que as pessoas também, o que é ainda mais importante.

Mais uma vez vocês estão trabalhando com Roland Grapow (Masterplan, ex-Helloween) na produção. Ele se tornou uma parte essencial do trabalho?

Com certeza! Roland é um grande amigo e temos contato frequente com ele. É uma pessoa incrível e nossa cooperação funciona, então não vemos motivos para mudar o time. Sentimos a música do mesmo modo. Ele também tem nos apoiado de todos os modos possíveis, como um verdadeiro amigo, somos gratos por isso.

No final do ano passado, o baterista Radek Rain deixou a banda. Era algo que esperado ou vocês foram pegos de surpresa?

Não foi uma surpresa, já estava nos planos. A ideia surgiu antes do show no Masters Of Rock, pois vimos que ele não estava tão interessado em nossa carreira e não queria trabalhar pela banda do mesmo jeito que nós. Então, decidimos fazer uma mudança. Já encontramos outro cara, mas infelizmente ele ficou doente. Teve um problemas nas pernas e já está no hospital há mais de oito meses. Chamamos Radek de volta e ele fez os últimos shows de 2012. Mas não vamos mantê-lo, ele está muito mais feliz sem as obrigações com o grupo.

georgerain03

As sessões de estúdio do novo álbum foram feitas por Martin “Marthus” Škaroupka (Cradle Of Filth, Masterplan). Como o contato ocorreu?

Martin também é da República Tcheca e já o conhecemos há um bom tempo. Sabíamos que ele seria a melhor opção. Entramos em contato e ele aceitou. Nesse momento ele está trabalhando nos arranjos. Cinco músicas estão prontas e devo dizer que estamos muito entusiasmados! Tenho certeza que ele foi a opção correta e se encaixou também pessoalmente.

O que você pode nos adiantar sobre as músicas que estarão no novo disco, Dark Chambers Of Déja Vu?

Não estou muito distante delas, então, é claro que falarei que preparamos o melhor material de todos os tempos (risos). Mas falando sério, acho que tudo está soando mais “adulto”, ou devemos dizer, profissional. Aprendemos muito nesses dois anos após Tears Of White Roses, nos tornamos melhores músicos. Realmente acredito neste trabalho e mal posso esperar para voltar ao estúdio nas próximas semanas. Há melodias fortes, também passagens mais dark e heavy.

No primeiro trabalho, tivemos vários convidados especiais. Podemos esperar mais nesse?

Com certeza! Não digo que será assim para sempre, mas temos alguns nomes fantásticos na lista. Ainda não posso falar mais, mas logo anunciaremos o primeiro.

Vocês também tiveram convidados nas performances ao vivo, como no Masters Of Rock de 2012. Como você vê a reputação adquirida junto à cena?

Ainda somos uma banda jovem. Claro que ajuda estar ao lado de tantos artistas conhecidos. Já confirmamos alguns festivais para 2013 e teremos convidados novamente. Tocar com Roland Grapow, Apollo, do Firewind e Katie do Siren’s Cry no Masters Of Rock foi um incrível sonho. Mal posso esperar por mais shows do tipo!

Após o lançamento, quais os planos?

Adoraríamos sair em turnê novamente. Estamos trabalhando para isso. Fizemos a primeira viagem pela Europa com o Circle II Circle ano passado e gostaríamos de algo semelhante. Depois os festivais de verão e também planejamos gravar novos vídeos. Muita coisa, eu diria.

George, foi um prazer falar com você. Algo mais para encerrar?

Gostaria de agradecer a todos pelo apoio! Estamos fazendo tudo relacionado à banda sozinhos e ficamos muito felizes a cada novo “like” no Facebook, comentário positivo no Youtube ou quando compram o CD e aparecem nos shows! Se você gosta de Metal com melodias fortes, estamos aqui! Stay ROCK, my friends!

georgerain02

Entrevista com: Hard Breakers

A banda Hard Breakers, oriunda de Caxias do Sul (RS), vem se destacando por sua devoção ao Hard Rock explícita em suas músicas. Com pouco tempo de vida, o profissionalismo e a competência dos integrantes impressiona. Segue a entrevista que a Van do Halen fez com os caras recentemente. E não deixe de conferir o som clicando AQUI.

Van do Halen: Inicialmente, gostaria que a banda fosse apresentada bem como seus integrantes.

Arthur: A Breakers é formada por mim, Arthur Appel, nos vocais e guitarra, Aaron Alves na guitarra e backings, Elvis Alves na bateria e backings e Bruno Betamin no baixo.

Van do Halen: A Hard Breakers deixa bem claro que a influencia principal da banda é o Hard Rock da década de 1980. Mas há diversos segmentos. Gostaria de saber quais são as maiores influencias e qual estilo vocês acreditam que a Hard Breakers esteja melhor enquadrado.

Arthur: A banda certamente se encaixa no estilo Hard Rock, mas, com o intuito de trazer algo novo ao estilo que ficou deveras saturado na época. As principais influências da banda vêm das bandas do final dos 80, começo dos 90, Bandas como Skid Row, Guns n’ Roses, Poison, Mr. Big. Mas temos também influências mais atuais como Crashdiet, Dynasty, Steel Panther, Wig Wam e Reckless Love. E obviamente cada um traz influências fora isso, eu tenho uma veia pulsante pelo Kiss setentista, coisa que sempre acaba agregando nas composições. Bandas como Deep Purple, Rush, Whitesnake sempre me influenciam a compor.

Elvis: Eu tenho como maiores influencias quatro vertentes bem diferentes dentro do Rock. Obviamente o Hard Rock, o Heavy Metal mais Old School, o Gothic Metal e o Rock Clássico com aquela pegada Blues. Minhas maiores influências nas composições vêm de Matt Sorum (ex- The Cult/Guns n’ Roses/Velvet Revolver), Jukka Nevalainen (Nightwish), Chad Smith (RHCP), Nicko McBrain (Iron Maiden) e Mikkey Dee (Motorhead), bateristas com mais pegada do que técnica.

Aaron: Eu tenho diversas influências desde os anos 60 até atualmente, mas o que mais se destaca é o Hard Rock mais “poser”, mas não digo que isso influencia diretamente nas minhas composições. Busco compor coisas com mais pegada Rock n’ Roll. Influências de estilo eu tenho além do Hard Rock, pouca coisa no gênero do Heavy Metal como Dio, Sabbath e Iron Maiden, Rock n’ Roll Clássico como Elvis Presley, The Beatles, Chuck Berry. Influências diretas na guitarra são Richie Sambora, Ace Frehley, Joe Perry, Slash e Scotti Hill.

Bruno: As minhas maiores influencias são Kiss, Guns n Roses, AC/DC e Skid Row.

Van do Halen: Vocês estão trabalhando em seu primeiro álbum, certo? Como está o processo atualmente?

Arthur: Estamos no inicio do processo de pré-produção do álbum. Nós fomos contemplados em um projeto da cidade de Caxias do Sul, o Financiarte (programa que financiara todos os custos do álbum). Então temos um prazo para preparar tudo. O álbum será produzido por Caldo Caldart (produtor do álbum da Lacross e guitarrista da banda Caxiense Hecatombe) e gravado no estúdio Linha Sonora, do grande amigo Jonas Godoy. Será intitulado This is Hard Rock e contará com versões das demos que já rolam pelam internet. Então, está na fase inicial do processo. Otimismo e foco vêm imperando, temos tudo para, no final de 2013, termos um grande álbum em mãos.

Van do Halen: Há quem diga que o Hard Rock esteja voltando à tona. Mas são poucas as bandas que trazem algo de diferente. Qual o diferencial da Hard Breakers na sua visão?

Arthur: Tudo conta como um diferencial. Cada um de nós veio de uma escola diferente, com influências diferentes tendo apenas um objetivo em comum, fazer Hard Rock direto e sem firulas.

Elvis: Juntando todas essas influências com as quatro cabeças diferentes, onde cada um dá a sua cara nas composições. Longe de ser uma banda de um homem só ou algo do tipo. Funciona como uma máquina. Como dizia Freddie Mercury, “a banda é 25% de cada um”. Consequentemente, o resultado será um diferencial.

Aaron: A banda funciona como um quebra-cabeça, onde cada um tem seus pontos fortes e fracos e com isso um completa o outro criando algo totalmente diferente. Creio que esse seja o nosso diferencial.

Bruno: Acredito que seja a forma de chegar ao publico, fazemos musicas pensando em como a galera vai reagir ao ouvi-la, assim acabamos por nos tornar mais próximos do publico.

Van do Halen: Além do novo álbum, a Hard Breakers tem outros planos para serem trabalhados?

Arthur: Seguindo a filosofia de “Pink e Cérebro”, apenas dominar o mundo (risos). Mas para inicio nós temos em mente uma turnê brasileira pós-lançamento do álbum e mais futuramente o plano é ir para Suécia, onde o Hard Rock está muito mais evidente na cena. Creio que será uma tentativa válida. Buscamos difundir nosso trabalho e como consequência agregar o máximo possível de pessoas.

Van do Halen: Muito se questiona a cena Rock nacional, inclusive as bandas que surgem e o espaço que a mídia da para aquelas que realmente abraçam o Rock n’ Roll. O que você acha do cenário atual, tanto na região em que estão quanto no Brasil em geral?

Arthur: É complicado falar do cenário em geral, tem muitas coisas das quais nós mal temos ideia do que esta acontecendo. Obviamente é difícil para nós todos, mas é impossível dizer se na nossa região é relativamente mais “fácil” que no resto do Brasil e vice versa. Aqui na Serra Gaúcha temos uma cena considerável forte, mas que acaba sendo autodestrutiva devido aos “queridos” que nada fazem além de reclamar. Creio que no Brasil inteiro seja assim nesse quesito, mas o que mais acontece aqui é o fato de que a música autoral não tem mercado perto das bandas tributo/cover. O pessoal prefere muito mais ouvir as “confirmadas” do que apoiar as bandas locais e eventos autorias, coincidentemente, os que agem dessa forma são sempre os primeiros a dizer que não tem bandas novas que preste, sem ao menos nunca ter comparecido a um show. É meio complicado.

Elvis: No nosso gênero, tem diversas bandas boas surgindo por todo o país. Mas sinceramente, nós não sabemos o espaço que elas têm nos outros estados porque, a nível de mídia, não há divulgação nenhuma. Como não se vê nada na TV ou se ouve algo no radio fica difícil saber se tem o espaço necessário ou merecido. Tem a S.H.O.T, banda de São Paulo, e as próprias da região como a Fighter, Lacross, Baby Sitters que são bandas amigas e que nós sabemos que não tem o espaço em mídia merecido.

Aaron: Acho que o problema maior não é a falta de divulgação da parte da mídia, embora essa divulgação seja bem fraca realmente. Acho que o que “retarda” o crescimento de bandas, pelo menos aqui na região, é a falta de união e parceria entre as bandas. A grande maioria não se ajuda, e muitas vezes até tenta denegrir a imagem das outras bandas. Acho que as bandas veem-se como “concorrentes”, e não percebem que estamos todos na mesma estrada. Mas também não adianta culpar só as bandas ou só a mídia. O público do rock também deixa a desejar às vezes, muita gente não se compromete com o estilo que tanto diz que ama, falta apoio da parte do público, e isso é bem tenso, e até triste muitas vezes.

Bruno: Existem muitas bandas boas pela região e pelo Brasil, mas existe muita competividade, muitas vezes as bandas acabam ferrando uma com a outra. Acredito que uma maior união dessas bandas tornaria o cenário musical mais amplo e produtivo.

Van do Halen: Como vocês enxergam e utilizam a internet enquanto ferramenta de divulgação da Hard Breakers? Há só vantagem, ou vocês consideram alguma desvantagem nesse processo?

Arthur: A meu ver, só vantagens. Sejamos realistas, época de venda de CDs já passou. A mídia radiofônica/televisiva é muitas vezes inalcançável dependendo do estilo de som, com isso a internet acaba se tornando nossa melhor amiga. Obviamente, é um caminho difícil, pois da mesma forma que nós usamos ela para nos favorecer, varias outras bandas usam, então acaba ficando meio difícil chamar atenção, mas estamos conseguindo. Sem o uso da internet, não teríamos nem 1/99 do nosso publico, galera de fora do país curtindo e apoiando. Então nos tempos modernos sem dúvida acaba sendo a melhor forma de divulgação para bandas independentes como nós. Mantendo esse pensamento, disponibilizamos nossas demos para download, o que também vem tendo um resultado bem legal, pessoas baixando, são pessoas conhecendo; pessoas conhecendo e curtindo, são aquelas que comparecem aos shows.

Aaron: Eu me considero um tanto “antigo” em relação à mídia musical, sou daqueles que ainda gosta de CD, então se eu fosse considerar alguma desvantagem da internet seria o fato da indústria fonográfica estar falida atualmente. Mas isso não chega a ser de fato ruim, porque graças à internet conseguimos divulgar nosso trabalho, tanto as músicas quanto a nossa ideologia. O pessoal acaba ouvindo nosso som, baixando e acompanhando nossa trajetória e isso é muito legal, algumas pessoas vem falar com a gente (por meio virtual ou pessoalmente) comentando sobre nosso trabalho, e isso agrega muito e nos ajuda a seguir em frente.

Bruno: O bom é que acabamos por divulgar nossas musicas pra muitas pessoas rapidamente e a facilidade delas em divulgar nossas musicas também as favorecem. Pense assim, você ouve uma música e quer mostrar para os seus amigos, se for fácil de você mostrar, você mostra pra muitas pessoas caso contrário só pra algumas. A internet tem ajudado muito a Hard Breakers em diversos quesitos.

Van do Halen: O espaço final é de vocês. Deixem um recado para os leitores e fãs.

Arthur: Gostaria de finalizar agradecendo a “carona” cedida pela Van, graças a pessoas com essa ideologia de apoiar bandas autorais que a cena vai se fortalecendo cada vez mais. E quem curtiu, bora acompanhar a Breakers porque vem muitas surpresas legais pela frente. THIS IS HARD ROCK!

Contato:
Facebook: https://www.facebook.com/hardbreakershardrock
Fanpage: https://www.facebook.com/pages/Hard-Breakers/279185285461902
Soundcloud: https://soundcloud.com/hardbreakers
Reverb Nation: https://www.reverbnation.com/hardbreakers
YouTube: http://www.youtube.com/user/AppelArthur

Entrevista com: Scott ‘Riff’ Miller (Tango Down)

O Tango Down alcançou uma posição de respeito na cena underground do Hard Rock com seus dois primeiros álbuns. Para seu terceiro petardo, Identity Crisis, a banda surpreendeu com a entrada do vocalista David Reece (Accept, Bangalore Choir). Em entrevista exclusiva, o guitarrista Scott “Riff” Miller” nos conta um pouco desta nova aventura, além de relembrar um pouco do que o grupo fez até aqui.

Olá Scott, obrigado por falar conosco! Primeiro, gostaríamos de falar sobre essa “nova era” do Tango Down. Surpreendeu a muitos o anúncio de David Reece como novo vocalista. Ele é uma espécie de herói do underground Hard/Heavy. Como aconteceu o contato?

Somos abençoados por ter um cantor talentoso como Reece. A história não é tão elaborada. John, da Kivel Records, sempre foi um fã dele, desde o Accept e Bangalore Choir. Então, nos sugeriu seu nome. Não há discussão que trata-se de um vocalista monstruoso. Entramos em contato e no minuto seguinte ele já estava em um avião para NY (risos)! Ele levou o nosso material a outro nível e ajudou a escrever algumas das novas faixas. Foi ótimo ter suas impressões digitais nas músicas. Acho que todos ficarão surpresos com o novo álbum. Fomos a territórios que não poderíamos antes.

Como foi a reação geral a Damage Control, álbum anterior?

Diria que foi ótima, definitivamente muito positiva. Fizemos muitos shows durante a divulgação, todos pareciam gostar, especialmente em South Dakota. Tivemos bons momentos. Isso foi muito valioso para podermos criar o novo álbum. Ouvimos o que as pessoas estavam gostando e que direção devíamos seguir. Foi um aprendizado, com certeza.

Muitos comentários nos fóruns online elogiavam a banda por resgatar aquele feeling do Hard Rock oitentista. O que esperar do novo trabalho, Identity Crisis?

Mais do mesmo. Se Damage Control foi a Grande Dança, Identity Crisis é o Dia da Formatura! Atingimos outro nível com ele, maior e melhor. Todos adoraram músicas como “I’m Done Lovin You” e “Step By Step”, do anterior. Então, centramos o foco nesse lado do nosso som. E ter um vocalista como David na banda permitiu que levássemos o material a novas direções. Há grandes hinos de arena, que os fãs do gênero gostam muito. É grandioso!

A ideia inicial era lançar o disco em abril. O que motivou o atraso até outubro?

Questões políticas! Ha! Bem, aprendi que nada deve ser dado como certo. Demos o nosso melhor para cumprir a data e termos o trabalho em mãos quando fizemos algumas datas com o Y&T. Mas não aconteceu. Não foi culpa de ninguém, simplesmente atrasou por questões de agenda, etc… Mas agora está pronto e valerá a espera.

A primeira prova veio com a faixa “Blame”. Devo dizer que a melodia e o refrão ficaram em minha cabeça desde a primeira escutada. Me lembra os melhores momentos de David Reece no Bangalore Choir sem tirar a identidade do seu trabalho. Poderia ser um indicativo do que está vindo?

Com certeza! Acho que não posso adicionar mais nada a essa definição. Realmente buscamos o melhor dos dois mundos e sinto, honestamente, que fizemos isso acontecer. As pessoas devem concluir se conseguimos. Obrigado por gostar de “Blame”, fico feliz com isso.

Há também uma nova versão para “Magic Pudding” encerrando o trabalho. Essa música foi gravada por Reece em seu CD com Martin Kronlund. Qual a principal diferença entre os dois registros?

É uma grande música. Adoramos desde o segundo em que a ouvimos. Não há muitas diferenças, apenas tentamos fazer do nosso jeito. Há um pouco de “Crying In The Rain”, do Whitesnake, no estilo que fizemos. Mas novamente, deixo para que você julgue!

Após o lançamento, há planos para uma turnê?

SIM… Se Deus quiser!

No Brasil, temos uma cena Hard Rock forte no underground. Não aparece na grande mídia, mas os fãs são realmente leais. Como está a realidade nos Estados Unidos?

Na maior parte do tempo é ruim. Mas Deus abençoe nossa gravadora. Eles sempre arrumam shows para nós que muitos não têm a oportunidade de conseguir. Há festivais como o South Dakota Rock Fest. Também abrimos para bandas como Firehouse, Dokken, Skid Row, Danger Danger, Y&T, Lita Ford, BRET MICHAELS!!! Vince Neil. A lista é grande.

Na nova realidade da indústria musical, como você vê a função da internet?

FANTÁSTICA. Sei que há problemas, como pessoas de má intenção, downloads ilegais, etc… Mas para cada pensamento ruim, há outro bom. É muito mais fácil para bandas como a nossa receber atenção agora em comparação a 1989. O que custava uma fortuna para uma companhia, agora pode ser feito por um selo indie, a banda ou até mesmo uma pessoa apenas. Isso é ótimo!

Além do Tango Down, você tem trabalhado em outros projetos?

Estou sempre compondo e gravando demos. Se vão acabar no próximo disco do Tango Down ou em um possível projeto paralelo, só o tempo dirá.

Scott, foi um prazer e mal podemos esperar pelo novo disco! Sinta-se livre para deixar uma mensagem final aos hard rockers brasileiros!

O prazer foi todo meu! Estou ansioso para saber o que acharam do álbum. Visitem-nos em www.tangodownband.com e no Facebook! Gostamos de interagir com os fãs, então, deixe-nos mensagens. Paz a todos!

Entrevista com: EZDP

A banda paulista EZDP chega com muita distinção em meio ao atualmente genérico Rock nacional. Com ênfase nas letras críticas e na versatilidade musical, o quinteto tem chamado bastante atenção por onde passa. Segue abaixo uma entrevista feita com o grupo. Só não se esqueça de conferir o som, no site: www.ezdp.com.br.

Van do Halen: Inicialmente, gostaria de saber a história da banda – processo de formação, conquistas, lançamentos e tudo o mais.

– Fala galera que acompanha o Van do Halen! Bem, nossa história de forma resumida:
A banda teve ínicio em meados de 2004, após os fundadores Ed Winslet e Keka perceberem que havia muita sintonia musical entre eles, além da vontade de criar algo novo para o Rock nacional. Pouco depois o Ian Wlad (irmão da Keka) entrou no projeto aos 15 anos de idade. E após uma fase experimental e de muitos aprendizados, chegaram o baterista Gui Crespo e o baixista Léo Joker. A partir de 2008 houve um processo de amadurecimento e profissionalização da banda.

Em 2009 a EZDP gravou 3 EPs sob comando do produtor Daniel Fernandes (que realizou alguns trabalhos com a banda Dr. Sin). A divulgação teve um retorno muito interessante na internet e a banda passou a se apresentar em alguns eventos, como o aniversário de São Paulo no ano seguinte. 2010 também foi o ano para criar e gravar o primeiro disco da banda: A Normalidade, que chegou as lojas no final de 2011 e permanece até os dias atuais.

Van do Halen: Como foi o processo de composição, gravação e produção do álbum “A Normalidade”?

– Começamos a compor nossas músicas desde o ínicio da banda, priorizando a qualidade musical e letras bem elaboradas, que estimulam a reflexão através do humor e diversão. Se a música causasse esse efeito em nós mesmos, era sinal que podia ser bem trabalhada. Quando começamos a definição do que entraria no disco, pegamos o melhor que haviamos feito até então e novas músicas foram criadas para completar o álbum. “A Normalidade” teve algumas faixas pré produzidas por Sérjones Oliveira (atualmente na Warner Music) e produção geral/final de Thiago Larenttes. A gravação foi marcada por constantes interrupções, devido ao extremo cuidado com cada detalhe e também pela dificuldade de segurar as risadas em muitos momentos.

(Capa de “A Normalidade”)

Van do Halen: Há uma dinâmica interessante nas letras de “A Normalidade”. As composições tratam do cotidiano do cidadão brasileiro, com um tom bastante crítico. Isso foi programado desde o início ou essa temática surgiu de forma espontânea, depois das letras já prontas? Qual a intenção pretendida com esse criticismo?

– Essa temática surgiu de forma espontânea. Percebemos que estávamos de “saco cheio” das mesmas coisas do nosso dia a dia. As piadas sarcásticas servem um pouco para amenizar, e claro, desabafar diante do caos pelo qual passamos diariamente. Como dissemos antes, a intenção é ao menos tentar causar nas pessoas, especialmente nos jovens, uma reflexão sobre tudo que é inaceitável e que virou comum por aqui. Que haja uma mensagem por trás da sonoridade, seja ela cômica ou trágica.

Van do Halen: O som do EZDP é energético e muito bem feito. Pude notar influências dos dinossauros do Rock internacional, da boa época do Rock nacional, do Pop (como em “Eu Não Sei”, paródia de “Smooth Criminal” do rei Michael Jackson) e até um pouco de Reggae (como na divertida “Pinheiros”). Gostaria de saber, de forma mais detalhada, as influências da banda.

– São muitas as nossas influências musicais, com destaque em especial para o Rock Clássico. Poderíamos citar dezenas dessas fantásticas bandas que sempre estamos ouvindo e aprendendo algo novo, mas para não ocupar 3 páginas do site, colocamos no topo Beatles e Pink Floyd. Do bom e velho Rock Nacional bebemos muita água da fonte de: Raul Seixas, Titãs, Mamonas Assassinas e Raimundos. E também muitas outras ótimas bandas dos anos 80, como Legião Urbana e Ultraje. Somos todos “devotos” do Rei Michael Jackson e gostamos muito de Bob Marley e muitas outras bandas/músicos não apenas no Reggae, mas também no Blues, Jazz, MPB, Samba de raíz, Lounge, música eletrônica e até mesmo o Brega. Enfim, nossa maior influência musical é a própria boa música em geral.

Van do Halen: Como foi o processo de gravação dos videoclipes “Água Pinga” e “Torturando Emos”? Houve algum motivo especial para a escolha dessas músicas para se tornarem os videoclipes do EZDP?

– A música “Torturando Emo” foi escolhida para virar videoclipe nem tanto pelo gosto pessoal da banda e sim pela ótima repercussão que conseguiu na internet. Inclusive ela ficou por 3 semanas em primeiro lugar na Rádio Cultura FM (DF) antes mesmo de ser gravada profissionalmente. Tivemos que adaptar algumas situações da história devido a mudança do “preto e branco para o colorido”. Houve um grande intervalo nas gravações do clipe por conta disso.

Já o videoclipe da faixa “Água Pinga” é nosso trabalho mais recente. Digamos que é o nosso “cartão de visitas”, pois além de ser faixa de abertura do disco, ela resume bem a ideologia do “A NORMALIDADE”. Abrimos mão do lado “comercial” ao apostarmos num tipo de som/video com pitadas de psicodelia e uma letra quase agressiva. Gravar esse video foi bastante complicado pela díficil execução das ideias, como as cenas gravadas numa fábricada abandonada e os constantes riscos físicos nesse local.

Van do Halen: Quais são os atuais planos do EZDP?

– Estamos trabalhando em cima da divulgação do disco “A NORMALIDADE” e na semana passada começamos o planejamento do segundo disco, que pretendemos lançar no primeiro semestre de 2013. Ainda em 2012 lançaremos um novo videoclipe e provavelmente 2 músicas inéditas que estavam no fundo do baú!

Van do Halen: Como vocês enxergam e utilizam a Internet enquanto ferramenta de divulgação do EZDP? Há só vantagens ou vocês consideram alguma desvantagem nesse processo?

– Há vantagens e desvantagens. A principal vantagem é a banda não depender exclusivamente de uma gravadora para fazer o seu trabalho ter o mínimo de reconhecimento. O cenário independente ganhou força com isso. Mas por outro lado, hoje em dia qualquer pessoa com um violão na mão e cadastro no youtube tem chance de virar artista do dia para a noite e as vezes, sem nenhum “merecimento musical”. Na maioria dos casos é sempre mais do mesmo. Estamos numa época em que a arte está um pouco deturpada, especialmente no Rock’n’Roll.

Van do Halen: Muito se questiona a cena Rock nacional, inclusive as bandas que surgem e o espaço limitado (ou inexistente) que a mídia atribui àquelas que realmente abraçam o Rock n’ Roll. O que vocês acham do cenário atual?

– Pois é, é uma questão complicada realmente. Existem boas bandas de Rock’n’Roll no Brasil, mas estamos há muito tempo sem boas novidades. O tempo tem modificado o que chamam de “Rock” por aqui e a mídia não quer saber se o artista é fabricado ou espontâneo. Ela abre espaço para aquilo que é colocado na tv ou no rádio, mesmo que a qualidade seja duvidosa. Mas preferimos continuar com a esperança que um dia a arte não tente ser o tempo todo popular e sim o público se tornar um pouco mais artístico.

Van do Halen: O espaço final é de vocês. Mandem um recado para os leitores da Van do Halen e para os fãs da banda!

– Agradecemos a oportunidade que vocês, do ótimo site de Rock “Van do Halen”, nos concederam! Parabéns pelo trabalho e pela disposição em preservar o Rock’n’Roll! Nosso trabalho musical está ganhando espaço e temos muitas coisas boas para tentar fazer pelo Rock nacional e sua verdadeira essência: bater de frente contra esse sistema anormal que tem se tornado cada vez mais comum em nossas vidas. Contamos com todos vocês!

Rara entrevista de Gene Simmons para jornal do RS

Em abril de 1999, prestes a desembarcar no Brasil para shows em Porto Alegre e São Paulo, Gene Simmons conversou com o jornal gaúcho Zero Hora.

É soturna e direta a voz que vem por telefone de Buenos Aires, onde o KISS se apresentou no último sábado, para 35 mil pessoas, no estádio Monumental de Nuñez, direto para a redação de Zero Hora:

-Hi, is Gene for Marcelo.

Gene Simmons é o israelense de 50 anos, responsável pela marca registrada do KISS: a língua debochada, que parece ter quilômetros saída da boca do demônio mascarado. Ex-professor, baixista e ator nas horas vagas (já fez cinco filmes), Simmons é um dos caras mais espertos da história do Rock. Uma boa vasculhada na carreira mercadológica do KISS valeria muito mais do que umas 15 destas palestras com mestres gringos do marketing. O grupo só perde para os Beatles na venda de discos de rock e tem, com itens de merchandising, de chaveiros a um modelo de carro, vai lançar o refrigerante Kiss-Cola e tem um gibi.

Ardoroso defensor da indústria fonográfica norte-americana – “Você pode vender milhões de discos na Europa, mas isto é nada, se você é grande na América, isto é suficiente” – Simmons hesita em dar a fórmula do sucesso do KISS, mas acaba explicando:

-Trabalhamos com o coração.

Zero Hora – Como foi o show Psycho Circus de Buenos Aires?

Gene Simmons – Nos divertimos muito, o público estava muito louco. Os estádios aqui na América do Sul não são modernos e a eletricidade não é boa, mas a platéia é excelente.

ZH – Mas vocês tiveram algum problema no show em Buenos Aires?

Simmons – Não, nenhum, porque trouxemos um grande gerador de energia para os show no México, na Argentina, no Brasil no Paraguai, em todos os lugares em que a eletricidade é muito velha. Nós precisamos de muita energia. Não temos guitarras acústicas, temos bombas, luzes, elevadores, foguetes, todas essas coisas, e agora temos câmeras de 3-D, precisamos de muita eletricidade. Jamais foi visto algo assim na história dos grandes shows.

ZH – O que é o KISS, música, circo, diversão, um pouco de cada…

Simmons – Não nos importamos em definir nosso trabalho. Se o público se divertir, é o que importa. Várias bandas se contentam em fazer apenas música, mas minha filosofia é a de que você tem ouvidos e olhos. Se você está em casa, ok, a música é apenas para seus ouvidos, mas se você for assistir o KISS ao vivo, eu preciso dar alguma coisa para os seus olhos.

ZH – A essência do KISS está nos palcos?

Simmons – O palco é o melhor lugar para o KISS. Quando estamos no estúdio, não estamos completos. Mas é importante lançar CDs. A revista Billboard tem uma lista de quem tem mais discos vendidos. Na categoria grupo, só um está à frente do KISS: The Beatles.

ZH – Qual a expectativa do KISS para os shows no Brasil? Você já ouviu algo a respeito de Porto Alegre?

Simmons – Bonitas mulheres, boa comida e fãs malucos. Nunca ouvi falar em Porto Alegre em minha vida. Fora da América do Sul, as pessoas só conhecem o Rio de Janeiro. Elas nem mesmo ouviram falar de São Paulo.

ZH – O KISS fez o show individual com o maior público da história do Rock no Rio de Janeiro, em 1983, no Maracanã. O que você lembra daquele espetáculo?

Simmons – A maioria das pessoas pensa que aquele público era para um festival, mas não era. Havia apenas uma banda local de abertura. Aquele show foi incrível. Até o Exército estava lá, com tanques e helicópteros, porque havia muitas pessoas e eles estavam preocupados que algo grave acontecesse, mas não houve nenhum problema e todos se divertiram muito.

ZH – O KISS foi criado há 25 anos, quando o Rock Progressivo estava no auge e se mantém na ativa com enorme sucesso. Como você explica isso?

Simmons – Na verdade, não sei explicar. Mas você não pode prestar atenção no que está na moda. Por que antes do Heavy Metal havia KISS, antes do Punk havia KISS, antes do Thrash Metal havia KISS, antes do New Romantic havia KISS, antes do Grunge havia KISS e houve muitos estilos diferentes de música e agora todos eles estão mortos. Não há mais Punk puro hoje, o que existe é Pop Punk. Não há mais Progressivo ou Thrash, isso tudo é história. Há apenas uma banda de Thrash Metal que se tornou realmente grande, e esta banda é o Metallica. Nenhuma outra fez um grande sucesso. Você não pode prestar atenção no que as outras bandas estão fazendo. Você precisa fazer a música no seu coração, com ou sem sucesso. A única cosia que posso dizer é que o KISS faz o que o KISS faz. Eu gosto de músicos de cabelos longos. Na América o Rock clássico é chamado de long hair music. Eu acredito que os músicos deveriam ter longos cabelos. Quem não é músico, não precisaria, assim você saberia quem é e quem não é músico. Eu gosto de calças de couro – gosto de couro – e gosto de grandes shows e explosões. Pode parecer que não gosto de outras bandas, mas posso gostar de coisas diferentes. Acho o Prodigy interessante, o Oasis faz um Pop muito bom, gosto até do Boyz II Men. Você tem que apreciar todas as coisas pelo que elas são. Quando vou a um restaurante e vejo um menu com muitas coisas diferentes, apenas como o que quero. E vou querer uma simples carne com batatas. Isto é KISS. É um McDonalds. Nós somos música e explosões.

ZH – Já que falou sobre outras bandas, qual sua opinião sobre o Rammstein, que faz a abertura de Psycho Circus?

Simmons – O Rammstein se importa com seu show e isso é bom para o nosso público. Acho eles interessantes, sobretudo pelas performances. Eles não são o que podemos ver caminhando pelas ruas.

ZH – Você já ouviu falar dos Secos & Molhados, uma banda brasileira que surgiu na mesma época do KISS e também usava muito make-up?

Simmons – Não. Nunca ouvi falar deles. Conheço apenas o Sepultura. Eles são interessantes, fazem uma interessante aggresive music , mas a razão pela qual nunca serão realmente grandes é porque eles querem apenas uma coisa: ser duros e barulhentos. E o fazem muito bem, mas o Metallica é muito, muito maior, porque é mais esperto: faz música para as pessoas, não apenas para algumas pessoas.

ZH – Você gostaria de produzir alguma banda, como o Sepultura, e ensinar-lhes o que sabe sobre Rock?

Simmons – Sim, claro, poderia produzir o Sepultura se eles me pedissem, mas não poderia dizer para uma banda mudar o seu estilo se eles não acreditassem, de coração, no que estariam fazendo. Eu posso ajudá-lo se você quiser, mas não posso forçá-lo.

ZH – O que os gaúchos verão em Psycho Circus?

Simmons – Algo que ninguém jamais viu antes. Atrás do KISS haverá um grande telão em 3-D, ao vivo. Isto significa que você verá um close-up de minha língua em sua cara, não importa onde você estiver no estádio. Estamos muito orgulhosos de fazer este show, mesmo que custe muito dinheiro. Você nunca viu nada igual.

Jornal Zero Hora, 18 de abril de 1999

Entrevista com: Erodelia

Rock n’ Roll direto na fuça! Essa é a proposta da Erodelia, banda de Santos (SP) surgida em 2010 e composta por Dell (voz), Vitor Maia (guitarra solo), Danilove (guitarra rítmica), Maurício Mau-Mau (baixo) e Heittor Ribeiro (bateria). Em dois anos de existência e intensa atividade, a banda já lançou um EP, intitulado “Me Segura, Neném” (2011) e, posteriormente, três singles, intitulados “Ela”, “Vem Me Encontrar (Seja Você Quem For)” e “Despedida de Donzela” – este de 2012 e os outros de 2011. Segue abaixo a entrevista que a Van do Halen conduziu com os integrantes Mauricio e Dell. Só não se esqueça de ouvir o som dos caras (antes, durante ou depois da leitura) no link: http://www.myspace.com/erodelia.

Van do Halen: Inicialmente, gostaria de saber a história da banda – processo de formação, conquistas, lançamentos e tudo o mais.

Mauricio: Então, a banda começou em 2010 com o Dell como vocalista e guitarra base e o Ariel na guitarra solo, eles já eram amigos e já tiveram banda juntos e tal. Eles precisavam de um baixista e um baterista, então eles me chamaram, e eu já era amigo do Dell, saímos juntos e tal, aceitei na mesma hora. O Diego, que assumiu as baquetas, era um amigo de faculdade do Ariel. Éramos quatro amigos cheios de disposição para fazer um rock n’ roll sincero, direto, em poruguês e que soasse gringo. Começamos a ensaiar e a compor, fazíamos muitas reuniões na casa do Ariel e tal. Um dia o Mauro, que era cunhado do Ariel na época, ouviu o Dell e o Ariel tocando algo no violão e ele se interessou na banda e quis nos empresariar. Daí terminamos umas composições e tal e fomos direto pro estúdio gravar nosso EP! Nosso primeiro show foi em SP, no Café Aurora. Depois disso rolaram mais shows aqui em Santos, em Guarujá, Itariri e lançamos 2 singles, “Ela” e “Vem Me Encontrar” em seguida. E em 2011, o Mauro deixou de nos empresariar e o Ariel resolveu sair da banda, daí chamamos o Vitor Maia, que já conhecíamos por sua banda Spit e pessoalmente, para a guitarra solo e, com a decisão do Dell apenas cantar e deixar a guitarra base, chamamos o Danilo Zaffani (mais conhecido como Danilove), que já era um amigo nosso de bastante tempo, para a guitarra base. Então lançamos o single “Despedida de Donzela” como estreia dos dois novos integrantes da banda. E em janeiro desse ano, Diego Azama deixou a banda dando lugar para Heittor Ribeiro assumir as baquetas da Erodelia.

Van do Halen: Como foi o processo de composição, gravação e produção do EP “Me Segura, Neném”?

Mauricio: Bom, como eu disse na pergunta anterior, o processo de composição começou junto do começo da banda, já estávamos fazendo músicas, o Ariel e o Dell já tinham letras feitas e etc. Foi tudo muito rápido, do nada estávamos no estúdio gravando músicas nossas, com a produção do EP nas mãos do Nando Basseto (Garage Fuzz), do Estúdio Playrec, as coisas foram fluindo e foi super legal ter esse primeiro contato com um estúdio de gravação.

Dell: Mesmo esse processo todo ter sido extremamente rápido, foi de extremo proveito pra banda, principalmente por termos caído nas mãos do Nando. A primeira experiência no estúdio sem sombra de dúvidas foi a melhor possível, até hoje usufruímos dessa primeira experiência. A Erodelia chegou ao profissionalismo por causa dessa primeira gravação.

Van do Halen: Após o EP, a banda lançou três singles de forma sequenciada. Qual foi o motivo de lançar singles em sequência ao invés de um novo EP?

Mauricio: Acho que o principal motivo é sempre ter material novo a ser apresentado. E no caso da “Despedida de Donzela” foi para que marcasse a estréia dos 2 guitarras que entraram na banda, o Vitor e o Danilo. Estamos em processo de composição de algumas músicas atualmente e provavelmente lançaremos algo novo este ano para marcar a estréia do nosso “caçula” na banda, nosso baterista, o Heittor Ribeiro!

Dell: Além de tudo que o Mauricio disse anteriormente, a banda com a entrada do Vitor e o Danilo manteve várias influências, mas ao mesmo tempo adquiriu muitas ideias novas. Assim começamos a amadurecer o que seria nosso “REAL” som, estamos ansiosos para gravar com o Heittor, pois sabemos que vem coisa boa por aí.

Van do Halen: Ainda sobre os singles recentemente lançados, gostaria de saber se vocês consideram alguma evolução das novas músicas em relação às antigas e, se consideram, quais são.

Mauricio: Com certeza. O EP foi algo muito rápido, com certeza os singles são muito mais maduros musicalmente falando, o instrumental está mais trabalhado assim como as linhas vocais estão mais altas e melhores. Estamos ficando cada vez mais definidos.

Dell: Além do amadurecimento, teve a questão de que no EP, pensávamos muito anos 70, e nas musicas que vieram logo após já da pra sentir uma mescla entre os anos 70 e 80. Isso caracteriza melhor o som e dá mais originalidade.

Van do Halen: O som da Erodelia é simples e direto, mas muito bem trabalhado, com ótimos ganchos melódicos. Gostaria de saber as influências da banda.

Mauricio: Bom, vou começar falando sobre as influências internacionais. É meio que unânime entre todas as bandas de rock n’ roll ter entre suas influências bandas clássicas como AC/DC, Kiss, Led Zeppelin, Van Halen, Black Sabbath e por aí vai. A Erodelia tem muitas coisas relacionadas ao rock clássico da década de 70 como também ao hard rock e ao heavy metal da década de 80. Falando sobre bandas brasileiras, o que nos influenciou muito, principalmente no começo da banda, foram as bandas Cachorro Grande e Matanza, além de outras bandas como os Titãs, por exemplo.

Van do Halen: Vocês foram elogiados pelo Cachorro Grande e por Tico Santa Cruz (Detonautas Roque Clube) nas redes sociais. Como foi a situação e como vocês se sentiram ao ver os elogios?

Mauricio: Ah, com certeza foi ótimo ter lido esses elogios vindo de pessoas que estão na música a mais tempo que a gente e são reconhecidos no Brasil todo, especialmente pelo Cachorro Grande que é uma de nossas influências e uma banda que admiramos e respeitamos muito em termos de música. Esses tipos de elogios incentivam cada vez mais a continuarmos com o nosso trabalho!

Dell: É importante exaltar a humildade e vontade desses ídolos a ajudarem a nova cena, provando que o rock mostra, mesmo muito contestada, uma união e necessidade de uma cena muito forte.

Van do Halen: Por incrível que pareça, vários fãs brasileiros de Rock possuem algum tipo de bloqueio com letras em português. Mesmo com influências gringas, gostaria de saber os motivos de adotarem composições em português.

Mauricio: Por ser algo que, ao nosso ver, não foi tão explorado nesse tipo de música e que tem um potencial de compreensão maior, sendo que nem todos tem noção do inglês. É claro que já existem bandas de rock no Brasil, mas poucas bandas de rock mais “pesado”, vamos dizer assim, fazem letras em português. Das que fazem, podemos citar: Matanza, Raimundos, Ratos de Porão… Bandas que tem um som mais pesado e que deram certo cantadas em português. Não estamos nos comparando com essas bandas citadas, até porque o estilo de música é bem diferente, mas sim ao o que elas conseguiram fazendo algo não tão comum no Brasil.

Dell: Tem o fato também de que as bandas clássicas do Brasil nos anos 80 que fazem até hoje música em português, por algum motivo que eu não sei explicar, nunca soaram como tudo que estava rolando no mundo , acabaram criando um rótulo “Rock Nacional” que virou um estilo também. Somos rock nacional por cantarmos em português, mas pretendemos soar igualmente com o rock do mundo.

Van do Halen: Quais são os atuais planos da Erodelia?

Mauricio: Estamos focados na composição no momento e ver no que isso vai dar!

Dell: Além de várias surpresas, que no momento estamos esperando ficarem mais concretas.

Van do Halen: Como vocês enxergam e utilizam a Internet enquanto ferramenta de divulgação da Erodelia? Há só vantagens ou vocês consideram alguma desvantagem nesse processo?

Mauricio: Só há vantagens, o número de pessoas que você pode atingir é muito grande. Procuramos atualizar as páginas sempre que fazemos algo de diferente, alguma entrevista, algum vídeo, alguma música nova, fazemos eventos no facebook para shows e etc. Ajuda e muito, principalmente pra quem ta começando e querendo divulgar seu trabalho.

Dell: Hoje em dia uma banda não caminha sem a internet, porém são tantas informações jogadas na web que acaba aparecendo muita merda em termos de musica. Falta uma peneira no sentido de qualidade e dar importância a coisas realmente boas e não a tudo!

Van do Halen: Muito se questiona a cena Rock nacional, inclusive as bandas que surgem e o espaço que a mídia dá para aquelas que realmente abraçam o Rock n’ Roll. O que vocês acham do cenário atual?

Mauricio: Bom, infelizmente o rock n’ roll não é o tipo de som que a mídia mais se interessa, nós da banda achamos a cena fraca e queremos mudar isso, queremos trazer de volta o rock a tona no Brasil.

Dell: Prefiro até não falar muito pois fico extremamente nervoso, principalmente porque os maiores culpados disso tudo somos nós mesmos. Esquecemos de apoiar a cena por puro preconceito com bandas brasileiras, mas nunca é tarde para mudarmos isso, é nisso que a Erodelia acredita!

Van do Halen: O espaço final é de vocês. Mandem um recado para os leitores da Van do Halen e para os fãs da banda!

Mauricio e Dell: Muito obrigado pela entrevista, gostamos muito das perguntas, queremos mandar aquele abraço para o rockeiro que apóia a cena e quer ver o rock voltar com tudo. Fiquem ligados para novas notícias da banda no nosso myspace, http://www.myspace.com/erodelia, e na nossa fanpage do facebook. Erodelize Sempre!