Cinco discos para conhecer: Hard Rock da Dinamarca

DinamarcaQuando o assunto é o hard rock de origem escandinava, a Dinamarca é o país com menos representantes no primeiro escalão. Entretanto, isso não significa que faltem boas bandas ou uma cena por lá. O “Cinco discos para conhecer” desta semana traz os álbuns que, na opinião deste que vos escreve, são as melhores portas de entrada para o hard rock dinamarquês, que como vocês verão, vai desde o AOR Westcoast até o quase-heavy mais furioso.

01 Skagarack – ST [1986]Skagarack – S/T [1986]

Sem dúvida, uma das principais frentes do AOR/melodic hard rock dinamarquesas de todos os tempos é o Skagarack. O grupo, idealizado inicialmente pelo vocalista Torben Schmidt, tomou forma em 1984 e lançou quatro álbuns entre 1986 e 1993, dos quais três contam com Torben ao microfone. O som segue a tendência da época: camadas e mais camadas de teclados e vocais em harmonia, refrões pegajosos e várias canções com potencial para trilha sonora de filme da Sessão da Tarde.

Apesar de toda a obra do Skagarack merecer aquela conferida mais atenta, a recomendação neste Cinco Discos não poderia ser outra se não o LP de estreia do grupo, lançado em 1986, pela Polydor. A bolacha autointitulada inclui dois dos maiores hits do quinteto – “I’m Alone” e “Don’t Turn Me Upside Down” – que ao lado de “Hungry for a Game” (do álbum de mesmo nome, lançado em 1988), geralmente são a porta de entrada para a obra do Skagarack. Agora um destaque pessoal: “Damned Woman” possui um dos riffs de guitarra simples mais poderosos que eu já ouvi; a música é absurda, a melhor do play.

Torben Schmidt (vocal)
Jan Petersen (guitarra)
Tommy Rasmussen (teclado)
Morten Munch (baixo)
Alvin Otto (bateria)

01. Move It In The Night
02. I’m Alone
03. Saying
04. Damned Woman
05. Don’t Turn Me Upside Down
06. Lies
07. Victim Of The System
08. City Child
09. Double Crossed

02 Pretty Maids – Future World [1987]Pretty Maids – Future World [1987]

Talvez o primeiro nome que venha em mente quando o assunto é o hard rock dinamarquês. De fato, nenhuma outra banda do gênero se destacou como o Pretty Maids, que ainda se destaca e segue lançando álbuns e se apresenta regularmente pela Europa. Muito dessa reputação foi assegurado ainda nos anos 1980, justamente numa época em que a concorrência era em nível mundial. O vinil de estreia, Red, Hot and Heavy (1984), provocou certo impacto, mas só no lançamento seguinte, a posição de destaque do Pretty Maids tornou-se real.

Future World é a obra-prima do Pretty Maids e deflagra o grupo em seu auge criativo e de performance. A faixa-título é um speed metal repousado numa cama de teclados, mas com um clima tão empolgante que tem leve cheiro de farofa. O outro single, “Love Games”, é o hit praia dos caras, com presença ainda maior dos sintetizadores e tome refrão capaz de agitar pra valer. A missão da banda é revelada através da carta aberta chamada “We Came to Rock” enquanto o encerramento com a premonitória “Long Way to Go” parecia advinhar que muito mais ainda estava por vir. E segue vindo.

Ronnie Atkins (vocais, backing vocals)
Ken Hammer (guitarra)
Alan Owen (teclado)
Allan DeLong (baixo)
Phil Moorhead (bateria)

01. Future World
02. We Came to Rock
03. Love Games
04. Yellow Rain
05. Loud ‘N Proud
06. Rodeo
07. Needles in the Dark
08. Eye of the Storm
09. Long Way to Go

03 D-A-D – No Fuel Left for the Pilgrims [1989]D-A-D – No Fuel Left for the Pilgrims [1989]

Quando as luzes se apagam na Disneylândia, tudo pode acontecer… inclusive a The Walt Disney Company mover uma ação contra quatro jovens dinamarqueses, forçando-os a mudar o nome de sua banda, e o que antes era conhecido como Disneyland After Dark tornou-se D-A-D. Com mais de três décadas de atividade ininterrupta, o grupo liderado pelo baixista Stig Pedersen goza de um prestígio sem igual em sua terra natal e é uma das bandas dinamarquesas de hard rock de maior projeção internacional.

Lançado em março de 1989, No Fuel Left for the Pilgrims, foi o responsável por projetar internacionalmente o nome do D-A-D. Foi neste álbum, o segundo de estúdio lançado pelo quarteto e primeiro por uma grande gravadora (Warner Brothers), que a sonoridade foi redefinida, meio que atendendo à demanda por um som mais vendável. Percebe-se ainda alguns resquícios dos tempos de cowpunk, mas no geral o que se ouve é um hard rock moleque, de várzea, com letras que são puro bom humor. O videoclipe de “Sleeping My Day Away” (algo a la “A Kind of Magic” do Queen) fez história, e esta tornou-se a música referência do D-A-D.

Jesper Binzer (vocais, guitarra)
Stig Pederson (baixo, backing vocals)
Jacob A. Binzer (guitarra, backing vocals)
Peter L. Jensen (bateria)

01. Sleeping My Day Away
02. Jihad
03. Point of View
04. Rim of Hell
05. Zcmi
06. True Believer
07. Girl Nation
08. Lords of the Atlas
09. Overmuch
10. Siamese Twin
11. Wild Talk
12. Ill Will

04 Jackal – Vague Visions [1993]Jackal – Vague Visions [1993]

Houve um tempo em que uma linha tênue separava o que era hard do que era metal. O rótulo hard/heavy foi criado para tentar solucionar o problema e calar a boca dos fundamentalistas e metidos a entendedores. Foi vasculhando bandas que se encaixam na categoria que descobri o Jackal, grupo liderado pelo vocalista Brian Rich, que copia como poucos o timbre de Bruce Dickinson. O instrumental incorpora tanto elementos do hard rock do velho mundo – ou seja, muito mais pesado que o norte-americano – quanto do metal, também ao modo europeu.

Vague Visions é o segundo álbum do Jackal e foi nele que a banda encontrou a pegada. Coincidentemente, a produção mais caprichada em relação ao antecessor – Rise, de 1990 – possibilitou uma melhor avaliação do poder de fogo dos caras. Bons riffs, refrões marcantes, solos precisos, complexidade na medida certa. “Still Not Gone” exemplifica bem isso tudo enquanto “Our Love is My Religion” revela um talento extra para composições mais cadenciadas. Rich cometeu suicídio no último mês de abril deixando o futuro do Jackal, que havia retomado as atividades em 2009, incerto.

Brian Rich (vocais)
Benny Petersen (guitarra)
Søren Hee Johansen (baixo)
Per Fisker (bateria)

01. Vague Visions
02. Only a Crime Away
03. Still Not Gone
04. Being Alone
05. No Sign of Heaven
06. Virgin in Black
07. Breakin’ Time
08. Our Love Is My Religion
09. There by the Trees
10. 2001

05 Bullet Train Blast – Nothing Remains [2012]Bullet Train Blast – Nothing Remains [2012]

Assim como Suécia, Finlândia e Noruega, a Dinamarca também conta com uma nova safra de bandas de hard rock, que estão na luta em busca de reconhecimento local e internacional. Parte integrante deste time, o Bullet Train Blast teve origem em 2006, mas só emergiu na cena em 2009 com seu álbum de estreia, Second Chance. O som é aquele hard rock baseado em refrões, conduzido por guitarras com timbres gordos e sujos, e vocal sleazy.

A proposta é mantida em Nothing Remains e pode-se dizer que o grupo sobreviveu ao teste do segundo disco – ignorando a existência do EP Bullet Train Blast (2010). Ao passo que apontam para o futuro, alguns sons contam com uma pegada que remete ao hard das antigas, só que numa abordagem mais metalizada. Como todo bom álbum do gênero, há cota para baladas, preenchida com louvor pela sofrida “From the Underground”. Que o futuro seja generoso com os caras, pois não ficam devendo em nada para os Crashdïets e Crazy Lixxes da vida.

Martin Larsen (vocais)
Niels Niller Hyttel (guitarra)
Steff Gunn (guitarra)
Morten Olesen (baixo)
Simon Brochner (bateria)

01. I’m Insane
02. Running Away
03. The Storm
04. Queen of the Night
05. All the Girls
06. From the Underground
07. Bang Bang Bang
08. A Life in Glory
09. Nothing Remains
10. Dead Man Walking

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Cinco discos para conhecer: Dave Grohl

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David Eric Grohl é um dos maiores e mais workaholics músicos que já existiram na história do Rock. Deixou sua marca impressa na maioria dos trabalhos dos quais participou. Além de participar como músico de estúdio de lendas como David Bowie, Iggy Pop , Lemmy Kilmister, Paul McCartney, Slash e Stevie Nicks, tem muitos projetos em seu currículo. Citaremos abaixo os discos mais conhecidos e relevantes da carreira desse consagrado multi-instrumentista.

01 Nirvana – Nevermind [1991]

Nirvana – Nevermind [1991]

Apesar de ter iniciado sua trajetória no Scream, no início dos anos 80, foi com o Nirvana que Dave Grohl tomou o mundo de arrastão, com a explosão de Nevermind, que catapultou o grunge para o estrelato em nível mundial. A sua entrada se deu antes do início da gravação deste icônico registro, através da indicação de Buzz Osborne, do Melvins. Assim que iniciou os testes, foi aprovado e entrou no grupo.

Durante o registro é fácil perceber que ele é o melhor músico do grupo, apesar de ser apenas coadjuvante de Kurt Cobain. Mas foi um ótimo início, para mostrar do que ele seria capaz futuramente, com uma proposta totalmente diferente da banda de Seattle.

Kurt Cobain (vocal, guitarra)
Dave Grohl (bateria, backing vocals)
Krist Novoselic (baixo)

01. Smells Like Teen Spirit
02. In Bloom
03. Come as You Are
04. Breed
05. Lithium
06. Polly
07. Territorial Pissings
08. Drain You
09. Lounge Act
10. Stay Away
11. On a Plain
12. Something in the Way

02 Queens Of The Stone Age - Songs for the Deaf [2002]

Queens Of The Stone Age – Songs for the Deaf [2002]

Após o fim do Nirvana e guardar um período de luto por Cobain, Grohl retomou sua carreira com o Foo Fighters, banda na qual se tornou protagonista e mostrou seu poder de fogo como músico. Porém, nunca deixou de participar de outros projetos, sempre que sua agenda o permitia. O primeiro a ter grande repercussão foi na banda de seu grande parceiro, Josh Homme, que ele já conhecia desde a época do Kyuss e que havia se tornado fã do seu trabalho à frente do Queens Of The Stone Age, durante uma turnê conjunta com o Foo Fighters.

Querendo descansar da vida de frontman, ele aceitou o convite para substituir Gene Trautmann nas baquetas do grupo, para a gravação do aclamado Songs For The Deaf. O resultado foi a explosão da banda, em que alcançam seu primeiro disco de ouro e reconhecimento como uma das melhores da atualidade. O grupo apresenta uma variação contemporânea do Stoner Rock, com passagens de peso e boa apresentação de Homme. Após uma turnê de divulgação, ele deu lugar a Joey Castillo e retoma o seu amado Foo Fighters.

Josh Homme (vocal, guitarra)
Mark Lanegan (vocal)
Nick Oliveri (baixo)
Dave Grohl (bateria)

01. You Think I Ain’t Worth A Dollar, But I Feel Like A Millionaire
02. No One Knows
03. First It Giveth
04. A Song For The Dead
05. The Sky Is Fallin’
06. Six Shooter
07. Hangin’ Tree
08. Go With the Flow
09. Gonna Leave You
10. Do It Again
11. God Is In The Radio
12. Another Love Song
13. A Song For The Deaf
14. Mosquito Song
15. Everybody’s Gonna Be Happy

03 Probot - Probot [2004]

Probot – Probot [2004]

Conforme palavras do próprio Dave Grohl, esse projeto é a realização de seu sonho infantil: tocar ao lado de seus ídolos juvenis, ressaltando a formação musical privilegiada que ele teve em sua adolescência, com predileção para o Metal. Compositor de todas as músicas deste disco, observamos a preocupação de Grohl para que cada um dos participantes se sentisse em casa com as canções que teriam de executar.

Mesmo com uma constelação de lendas metálicas, o que poderia dificultar o andamento e sonoridade apresentada, devido a variedade de estilo de cada um, temos um resultado memorável, graças a doentia e genial mente de Grohl. É revigorante observar caras como Max Cavalera, Lemmy Kilmister, King Diamond e Cronos fazendo o que sabem de melhor, sem inventar nada de diferente do que consagrou suas carreiras. Um verdadeiro mausoléu do que houve de relevante na música pesada dos anos 1980 e 90 e que com certeza será usado como glossário para futuras gerações de headbangers.

Dave Grohl (guitarra, baixo, bateria, backing vocals)
Kim Thayil, Erol Unala, Matt Sweeney (guitarras)
Scott “Wino” Weinrich, Jack Black (vocal, guitarra)
Cronos, Lemmy Kilmister (vocal, baixo)
Max Cavalera, Mike Dean, Kurt Brecht, Lee Dorrian, Tom G. Warrior, Denis “Snake” Bélanger, Eric Wagner, King Diamond, Bubba Dupree (vocais)

01. Centuries Of Sin
02. Red War
03. Shake Your Blood
04. Access Babylon
05. Silent Spring
06. Ice Cold Man
07. The Emerald Law
08. Big Sky
09. Dictatorsaurus
10. My Tortured Soul
11. Sweet Dreams
12. I Am the Warlock

04 Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures [2009]

Them Crooked Vultures – Them Crooked Vultures [2009]

Mais uma vez ao lado de seu comparsa Josh Homme, agora foi vez de juntar forças com outra lenda da história do rock, o grandioso John Paul Jones, para um projeto que causou frisson antes mesmo de sua estreia. Não houve um fã de rock que não esperou quando o mesmo foi anunciado, pois se tratava de três monstros juntos, algo que surgiu – de novo – da mente incansável de Grohl, durante sua festa de aniversário de 40 anos, em que ele colocou a dupla junta e para criar a ideia do supergrupo.

O disco, autointitulado, é forte e cativante. Foi aclamado principalmente pela crítica especializada, que não poupou adjetivos para descrever o poderoso som: um cruzamento híbrido do stoner rock de Homme com o hard rock bluseiro oriundo do Led Zeppelin de Jones. Grohl emula com o perfeição o saudoso John Bonham. E que o segundo registro veja logo a luz do dia!

Josh Homme (vocal, guitarra)
John Paul Jones (baixo, teclado, piano, clarinete, guitarra slide,bandolim, backing vocals)
Dave Grohl (bateria, percussão, backing vocals)

01. No One Loves Me & Neither Do I
02. Mind Eraser, No Chaser
03. New Fang
04. Dead End Friends
05. Elephants
06. Scumbag Blues
07. Bandoliers
08. Reptiles
09. Interlude with Ludes
10. Warsaw or the First Breath You Take After You Give Up
11. Caligulove
12. Gunman
13. Spinning in Daffodils

05 Foo Fighters – Wasting Light [2011]

Foo Fighters – Wasting Light [2011]

A essa altura do campeonato, o Foo Fighters já havia alcançado o estrelato e emplacado vários hits durante toda sua história. Mesmo com um histórico de sucesso, ainda não havia conseguido emplacar um primeiro lugar nas paradas estadunidenses. Mas a escrita foi quebrada com seu mais recente disco, Wasting Light, que alcançou o primeiro lugar em 12 países e é considerado por muitos – inclusive por mim – como o melhor registro de sua história.

A oficialização de Pat Smear como terceiro guitarrista do grupo acrescentou mais peso as canções radiofônicas da banda, além de dar um tempero ainda mais especial ao que já era uma receita de sucesso infalível. Torcemos para que a banda siga neste mesmo caminho, o que nos brindaria com mais petardos de imensa categoria, como foi este grande registro.

Dave Grohl (vocal, guitarra)
Chris Shiflett (guitarra, backing vocals)
Pat Smear (guitarra)
Nate Mendel (baixo)
Taylor Hawkins (bateria, backing vocals)

Músicos adicionais:
Bob Mould (guitarra e backing vocals em 3)
Krist Novoselic (baixo e acordeão em 10)
Rami Jaffee (teclados em 1, 2 e 11)
Jessy Greene (violino em 10)
Fee Waybill (backing vocals em 9)
Butch Vig (percussão em 7)
Drew Hester (percussão em 5)

01. Bridge Burning
02. Rope
03. Dear Rosemary
04. White Limo
05. Arlandria
06. These Days
07. Back & Forth
08. A Matter of Time
09. Miss the Misery
10. I Should Have Known
11. Walk

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Cinco discos para conhecer: Hardcore Old School

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Por Bruno Marise – Consultoria do Rock

O Hardcore teve início no final dos anos 70, nos Estados Unidos, e começou com um movimento de garotos influenciados pela cultura DIY do Punk e o som dos Ramones, que resolveram traduzir em música toda a sua raiva e angústia contra o sistema opressivo e conservador que se instaurava na época. Tendo seu nome derivado do termo “Hardcore Punk”, algo como Punk Radical, o que definia o som do movimento: Um punk rock mais cru, pesado e rápido que o habitual, com uma postura extremamente agressiva, shows caóticos e letras sempre ácidas. Muitos ainda torcem o nariz para o gênero, mas o hardcore produziu muita coisa de qualidade, principalmente em seu início. O cinco discos de hoje vai indicar uma pequena discoteca básica para quem deseja conhecer mais esse tipo de som.

cincopunk03Dead Kennedys – Fresh Fruit For Rotting Vegetables [1980]

O Dead Kennedys é talvez a banda mais politizada dessa primeira onda do Hardcore americano. O líder e vocalista Jello Biafra foi até candidato a prefeito de San Francisco. Seu primeiro disco é simplesmente um clássico obrigatório. Com uma mistura explosiva de Punk Rock com Surf Music, o DK destila toda sua raiva contra o governador da Califórnia (“California Über Alles“), os latifundiários (“Let’s Lynch The Landlord”), as políticas públicas (“Kill The Poor”) e o totalitarismo (“Holiday In Cambodia“). Esse disco é um dos principais retratos de como a onda conservadora e era Reagan do início dos anos 80 refletia na juventude Norte-Americana. Um dos álbuns mais desafiadores de todos os tempos.

Jello Biafra (vocais)
East Bay Ray (Guitarra)
Klaus Floride (Baixo)
6025 (Guitarra na faixa I’ll in The Head)
Ted (Bateria)
Paul Roessler (Teclado)

1. Kill The Poor
2. Forward To Death
3. When Ya Get Drafted
4. Let’s Lynch The Landlord
5. Drug Me
6. Your Emotions
7. Chemical Warfare
8. California Übber Alles
9. I Kill Children
10. Stealing People’s Mail
11. Funland At The Beach
12. Ill In The Head
13. Holiday In Cambodia
14. Viva Las Vegas

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Descendents – Milo Goes To The College [1982]

Liderados pelo Nerdíssimo Milo Aukerman (pHd em Bioquímica), os Descendents se diferenciavam por conseguir unir o hardcore rápido e agressivo com melodias acessíveis e cativantes e por suas letras que ao invés de temáticas políticas e sociais, tratavam de rejeição, garotas e temas adolescentes, sempre de maneira sarcástica e bem humorada. É curioso também como as linhas melódicas são ditadas pelo baixo, enquanto a guitarra segura a base rítmica, característica bastante presente na bandas de post-punk. Um disco grudento e extremamente viciante, prova de que o hardcore também podia ser pop, no bom sentido da palavra.

Milo Aukerman (vocais)
Frank Navetta (guitarra)
Tony Lombardo (baixo)
Bill Stevenson (bateria)

1. Myage
2. I Wanna Be A Bear
3. I’m Not A Loser
4. Parents
5. Tonyage
6. M-16
7. I’m Not A Punk
8. Catalina
9. Suburban Home
10. Statue Of Liberty
11. Kabuki Girl
12. Marriage
13. Hope
14. Bikeage
15. Jean Is Dead

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Black Flag – The First Four Years [1983]

Essa compilação reúne os quatro EP’s e o single Louie Louie da fase pré-Henry Rollins do Black Flag, com participação de Keith Morris, Ron Reyes e Dez Cadena nos vocais. Apesar de Damaged (1981) ser o melhor disco da banda, esse é um registro bastante representativo da fase mais focada no Hardcore, com músicas rápidas e os riffs cortantes de Gregg Ginn, além de conter clássicos como ”No Values“, “Wasted”, Nervous Breakdown e “Six Pack“. Uma boa porta de entrada para o som da banda californiana que é uma das mais representativas e influentes da cena.

Keith Morris (vocais nas faixas 1-4)
Ron Reyes (vocais nas faixas 5-8)
Dez Cadena (vocais nas faixas 10-16 e guitarra de 11-14)
Greg Ginn (guitarra)
Chuck Dukowski (baixo e vocal)
Brian Migdol (bateria nas faixas 1-4)
Robo (bateria de 5 a 16)

01. Nervous Breakdown
02. Fix Me
03. I’ve Had It
04. Wasted
05. Jealous Again
06. Revenge
07. White Minority
08. No Values
09. You Bet We’ve Got Something Personal Against You!
10. Clocked In
11. Six Pack
12. I’ve Heard It Before
13. American Waste
14. Machine
15. Louie, Louie
16. Damaged I

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Bad Brains – Rock For Light [1983]

Nos primórdios, o Bad Brains era um grupo de Jazz Fusion e Funk. Com o surgimento do Punk, a banda mudou de estilo e naturalmente tornou-se a mais técnica do gênero, fazendo um hardcore velocíssimo. Pouco depois, também incorporaram elementos de Reggae, com todos os membros convertendo-se à religião Rastafári. O Bad Brains chamou a atenção na sua cidade natal, Washington, por ser uma formada inteiramente por negros, o que era bastante raro na época. Considero I Against I (1986) o melhor disco da banda, mas resolvi escolher esse por ser o último a conter a mistura de Hardcore e Reggae, feita com maestria, sendo uma faixa de Reggae para cada quatro HC.

H.R. (Vocais)
Dr. Know (Guitarra e backing vocals)
Darryl Jenifer (baixo e backing vocals)
Earl Hudson (bateria e backing vocals)

1. Coptic Times
2. Attitude
3. We Will Not
4. Saillin’ On
5. Rally ‘Round Jah Throne
6. Right Brigade
7. F.V.K.
8. Riot Squad
9. The Meek Shall Inherit The Earth
10. Joshua’s Song
11. Banned in D.C.
12. How Low Can a Punk Get?
13. Big Takeover
14. I And I Survive
15. Destroy Babylon
16. Rock For Light
17. At The Movies

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Circle Jerks – Golden Shower Of Hits [1985]

A banda com a sonoridade mais propositalmente tosca de nossa lista, foi formada por Keith Morris após deixar o Black Flag e se caracteriza por seu estilo mais escrachado e bem-humorado, que combinam com a maneira debochada de Morris cantar, e letras de cunho sexual (o próprio nome do grupo remete à masturbação). Os discos seguem praticamente a mesma linha, mas escolhi esse pela produção bastante superior a dos anteriores.

Keith Morris (vocais)
Greg Hetson (guitarra)
Roger Rodson (baixo)
John Ingram (bateria)
Lucky Leher (bateria nas faixas 4, 5 e 8)

1. In Your Eyes
2. Parade Of The Horribles
3. Under The Gun
4. When The Shit Hits The Fan
5. Bad Words
6. Red Blanket Room
7. High Price On Our Heads
8. Coup d’État
9. Product Of My Environment
10. Rats Of Reality
11. Junk Mail
12. Golden Shower Of Hits ( Along Comes Mary/Close To You/Afternoon Delight/Having My Babe/Love Will Keep Us Together/D-I-V-O-R-C-E)

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Cinco discos para conhecer: Paul Shortino


Ele pode não ter alcançado o sucesso de outros colegas de geração. Mas Paul Shortino é, sem dúvida, uma das vozes marcantes do Hard Rock em seus vários projetos. Vamos a cinco momentos essenciais de sua carreira.


Rough Cutt – Rough Cutt [1985]

(por Igor Miranda)

O Rough Cutt foi formado em 1981 na cidade de San Diego, Califórnia. A formação só se fixou três anos depois com Paul Shortino nos vocais, Amir Derakh e Chris Hager nas guitarras, Matt Thorr no baixo e Dave Alford na bateria. Através de sua empresária, Wendy Dio (esposa de Ronnie James Dio), o Rough Cutt foi contratado pela Warner Bros. Records. Com a produção de Tom Allom, conhecido por produzir vários álbuns do Judas Priest e ser engenheiro de som dos cinco primeiros do Black Sabbath, o quinteto finalmente lançou seu disco de estreia, auto-intitulado, em 1985.

É um disco de Hard Rock com bolas e testosterona em seu som. Destaques para a paulada “Cutt Your Heart Out”, “Kids Will Rock” e as releituras de “Never Gonna Die” (The Choirboys) e “Piece Of My Heart” (Erma Franklin, mas imortalizada por Janis Joplin). Mas não rolou. Nenhuma canção emplacou e o álbum não chegou nem ao Top 200 norte-americano, comprovando que as vendas foram baixas. Os caras ainda excursionaram com Krokus, Foreigner e Dio, bem como lançaram um segundo álbum, “Wants You”, mas nada. Foi aí que Shortino deu no pé para entrar no Quiet Riot.

Paul Shortino (vocals)
Amir Derakh (guitars)
Chris Hager (guitars)
Matt Thorr (bass)
Dave Alford (drums)

01. Take Her
02. Piece of My Heart
03. Never Gonna Die
04. Dreamin’ Again
05. Cutt Your Heart Out
06. Black Widow
07. You Keep Breaking My Heart
08. Kids Will Rock
09. Dressed to Kill
10. She’s Too Hot


Quiet Riot – Quiet Riot [1988]

Esse é um capítulo à parte na história do Quiet Riot. Depois do mega-sucesso comercial, com vendas astronômicas em clássicos como “Metal Health” e “Condition Critical”, a banda começou a experimentar um declínio de popularidade com “QR III”, de 1986. A queda nas vendas e o confronto de egos fez com que o vocalista Kevin DuBrow fosse convidado a se retirar. Naquele momento, o grupo já estava sem Rudy Sarzo, baixista da formação clássica. Seu substituto, Chuck Wright, resolveu abandonar o barco também, deixando Frankie Banali e Carlos Cavazo. Já era sabido que substituir uma figura carismática como DuBrow seria uma parada indigesta. Some isso ao fato do álbum buscar uma sonoridade distante da que levou a banda ao topo e saberemos porque o disco não emplacou nas paradas.

Mesmo assim, devo dizer que é um belíssimo trabalho. Hard Rock classudo, com melodias de primeira, tal qual a execução. Mais uma vez Shortino mostrou porque é considerado uma das melhores vozes do estilo, remetendo a verdadeiras lendas do gênero. E a banda não fica para trás, em uma de suas melhores performances instrumentais, especialmente Banali, que desce a mão sem dó em todo o play. Vale a pena e muito conferir esse petardo, com sonzeiras como “Stay With Me Tonight”, “I’m Fallin”, “King of the Hill”, “Don’t Wanna Be Your Fool” e “In a Rush”. Pérolas que passaram despercebidas na época, mas que possuem uma qualidade superior.

Paul Shortino (vocals)
Carlos Cavazo (guitars)
Sean McNabb (bass)
Frankie Banali (drums)

Special Guest
Jimmy Waldo (keyboards)

01. Stay With Me Tonight
02. Callin’ The Shots
03. Run To You
04. I’m Fallin
05. King Of The Hill
06. The Joker
07. Lunar Obsession
08. Don’t Wanna Be Your Fool
09. Coppin’ A Feel
10. In A Rush
11. Empty Promises


Paul Shortino/JK Northrup – Back on the Track [1993]

Esse disco tem lugar cativo entre os melhores álbuns de Hard Rock que ninguém conhece. Uma verdadeira obra-prima de dois dos melhores músicos do gênero entre os que não alcançaram o estrelato. Logo após deixar o Quiet Riot, Shortino reencontrou seu grande amigo Jeff Northrup, ex-King Kobra. A afinidade não apenas pessoal, mas também musical, deu início a essa parceria. Coincidentemente, o guitarrista já preparava algumas composições para um álbum solo. Foi apenas uma questão de aproveitá-las e completar com novas.

Back on the Track é um espetáculo de Hard com alma blueseira, focado em riffs, solos e vocais de primeiríssima categoria. Para ajudar a dupla, uma verdadeira constelação. Poucos discos podem se dar ao luxo de contar ao mesmo tempo com figuras tão imponentes como Jeff Pilson, Sean McNabb, Carmine Appice, James Kottak e Matt Bissonette. Destaques? Simplesmente todas as faixas. Ouçam e atestarão que não estou exagerando. Anos mais tarde, Paul e Jeff se reuniriam para mais um bom trabalho, embora sem alcançar a excelência desse aqui, obrigatório na coleção dos amantes dos bons sons.

Paul Shortino (vocals)
JK Northrup (guitars)

Sean McNabb (bass)
Jeff Pilson (bass)
Matt Bissonette (bass)
Larry Hart (bass)
James Kottak (drums)
Carmine Appice (drums)
Glenn Hicks (drums)
Richard Baker (keyboards)
Brant Harradine (keyboards)

01. When There’s Smoke
02. Body and Soul
03. Bye Bye to Love
04. Forgotten Child
05. Rough Life
06. Remember Me
07. The Kid Is Back in Town
08. Everybody Can Fly
09. Give Me Love
10. Pieces
11. Girls Like You
12. Holy Man
13. Used to Be
14. Far Too Long
15. Wishing Well


Paul Shortino’s The Cutt – Sacred Place [2002]

No ano 2000, Paul Shortino reformou o Rough Cutt. Para essa nova fase, chamou, entre outros o guitarrista Jimmy Crespo, famoso por ter substituído Joe Perry no Aerosmith. Outro que participou dessa retomada foi Sean McNabb, baixista que havia tocado com o cantor em sua breve passagem pelo Quiet Riot. Completavam a formação o tecladista J.T. Garrett e o baterista John Homan. Essa formação gravou o EP Sneak Peak e chegou a planejar um álbum completo. Mas não levou a idéia em frente por razões que nunca foram muito bem explicadas.

Sendo assim, Shortino abreviou o nome da banda para The Cutt e a transformou em um projeto solo. O line-up permaneceu o mesmo, com a diferença que vários guitarristas participaram das gravações como convidados. Com sonoridade puxada para o Hard/Blues, o trabalho é uma verdadeira aula de bom gosto, mostrando o que é capaz de fazer um verdadeiro cantor, que além de um gogó privilegiado, coloca alma e coração no que faz. Cercado por uma parceria de tamanho nível, a coisa fica ainda melhor.

Paul Shortino (vocals, bass)
Brad Gillis (guitars)
Carlos Cavazo (guitars)
Howard Leese (guitars)
Dave Whiston (guitars)
Jimmy Crespo (guitars)
Chuck Wright (bass)
Jason Boyleston (bass)
Sean McNabb (bass)
JT Garrett (keyboards)
John Homan (drums, percussion)

01. Sacred Place
02. Up to the Mountain
03. I Believe
04. Feel the Rain
05. Speak Your Mind
06. Be There
07. Get Down (to Get Back Up)
08. Love Keep on Shinin’
09. Change Your Heart
10. Feel the Music
11. Angel
12. I Believe (video version)


King Kobra – King Kobra [2011]

Desde o anúncio de seu retorno, o King Kobra alimentou uma grande expectativa junto aos fãs. Não apenas pela volta em si, mas também pela curiosidade em ver como se sairiam com Paul Shortino assumindo o microfone. Pois não apenas deu tudo certo como a banda lançou um dos melhores álbuns do ano e, para alguns (incluindo este que vos escreve) o melhor trabalho de sua discografia. Para isso, o grupo deixou quase que totalmente de lado o aspecto AOR de sua sonoridade, investindo em um Hard Rock tipicamente old school, mesclando peso e melodia como manda o figurino.

Claramente as canções possuem uma grande identificação com o registro de Paul Shortino. Muito complicado citar alguma como destaque, mas “Live Forever” é, simplesmente um novo clássico do estilo, daquelas que você ouve mil vezes seguidas e não cansa. Some a isso cacetadas como “Rock This House”, “Tear Down The Walls” e “We Got a Fever”, além de uma balada emocionante como “Cryin’ Turns To Rain” e temos um play indispensável. Um dos melhores renascimentos de uma banda da cena oitentista.

Paul Shortino (vocals)
David Michael-Philips (guitars)
Mick Sweda (guitars)
Johnny Rod (bass)
Carmine Appice (drums)

01. Rock This House
02. Turn Up The Good (Times)
03. Live Forever
04. Tear Down The Walls
05. This Is How We Roll
06. Midnight Woman
07. We Got A Fever
08. Tope Of The World
09. You Make It Easy
10. Cryin’ Turns To Rain
11. Screamin’ For More
12. Fade Away

Cinco discos para conhecer: Marco Mendoza

Marco Mendoza 1

Baixista competente, Marco Mendoza tem um currículo invejável. Sua versatilidade já permitiu que trabalhasse com nomes do porte de Bill Ward, David Coverdale, Neal Schon e até mesmo Right Said Fred (aquele grupo Pop da música “I’m Too Sexy (For My Shirt)”. Seguem cinco discos para ter uma ideia do trabalho de Mendoza.

Blue Murder - Nothin' But Trouble [1993]

Blue Murder – Nothin’ But Trouble [1993]

Em termos comerciais, o álbum de estreia do Blue Murder, autointitulado, não correspondeu às expectativas. Uma banda composta por John Sykes, Tony Franklin e Carmine Appice deveria vender muito bem, mas a repercussão foi apenas mediana. Após um período de hiato, o grupo apareceu com line-up reformulado para lançar Nothin’ But Trouble.

A banda passou a ser composta por John Sykes, Marco Mendoza no baixo e Tommy O’Steen na bateria, mas há participações da cozinha anterior em algumas canções – que acabaram ficando de fora do debut e foram aproveitadas aqui. Em comparação ao debut, Nothin’ But Trouble soa mais pesado – talvez pela cozinha mais direta, quem sabe por intervenção direta do chefe Sykes. O padrão de qualidade é mantido, mas comercialmente se sai pior que o álbum de estreia. Lamentável para uma audição altamente recomendada.

John Sykes (vocal, guitarra)
Marco Mendoza (baixo)
Tommy O’Steen (bateria)

Músicos adicionais:
Kelly Keeling (vocal em 6)
Tony Franklin (baixo)
Carmine Appice (bateria)
Nik Green (teclados)
Jim Sitterly (violino)

01. We All Fall Down
02. Itchycoo Park (The Small Faces cover)
03. Cry for Love
04. Runaway
05. Dance
06. I’m on Fire
07. Save My Love
08. Love Child
09. Shouldn’t Have Let You Go
10. I Need an Angel
11. She Knows

David Coverdale – Into The Light [2000]
(Por Weslei Varjão)

No final dos anos 1990, o Whitesnake não era o lugar em que David Coverdale gostaria de estar. Restless Heart, de 1997, deveria ser um álbum solo, mas foi lançado sob a alcunha do grupo por pressão da gravadora. Ele queria praticar o som do início de sua carreira solo: o Blues Rock. Livre da pressão do nome de sua famosa banda, ele finalmente gravou um disco para voltar às raízes.

Into The Light mostra Coverdale com ênfase em outra especialidade de sua carreira: as baladas. Apesar do moderado de sucesso de apenas uma música desse registro, aqui temos um disco muito bom, pois todos sabemos do feeling que esse monstro possui. Mas aqui o pé é tirado bruscamente do acelerador. O time que aqui trabalhou é excelente, com destaque para a cozinha com Denny Carmassi (ex-Heart e que também participou no Coverdale/Page) e o baixista Marco Mendoza, que futuramente continuaria a trabalhar com o vocalista.

David Coverdale (vocal, guitarra em 1)
Doug Bossi (guitarra)
Earl Slick (guitarra)
Marco Mendoza (baixo, guitarra espanhola em 12)
Denny Carmassi (bateria)
Derek Hilland (teclados em 1 e 8)
Mike Finnigan (órgão, piano)
John X. Volaitis (teclados, harpa)
Dylan Vaughan (guitarra em 4)
Tony Franklin (baixo em 4)
Bjorn Thorsud (tamborim em 4)
James Sitterly (cordas em 5)
Ruy Folguera (arranjo de cordas em 5)
Jimmy Z (gaita em 7)
Linda Rowberry (dueto vocal em 12)

01. …Into the Light
02. River Song
03. She Give Me…
04. Don’t You Cry
05. Love is Blind
06. Slave
07. Cry for Love
08. Living on Love
09. Midnight Blue
10. Too Many Tears
11. Don’t Lie to Me
12. Wherever You May Go

Ted Nugent - Craveman [2002]

Ted Nugent – Craveman [2002]

O período entre Craveman e o seu antecessor, Spirit Of The Wild, de 1995, representa um dos maiores hiatos criativos da carreira de Ted Nugent. Sete anos sem lançar um novo trabalho é muito para Nuge. E durante esse período, o guitarrista e vocalista passou a não contar mais com seu companheiro Derek St. Holmes.

Craveman foi lançado em power trio. Ted foi complementado por Marco Mendoza e Tommy Clufetos, em um trabalho que sucede bem Spirit Of The Wild. Com exceção de uma ou outra faixa mais pirada, o álbum continua com a proposta de apresentar Rock n’ Roll direto, com destaque para as guitarras e os vocais berrados de Nugent. A cozinha faz bem o básico. Aliás, Ted Nugent é básico – e eficaz.

Ted Nugent (vocal, guitarra)
Marco Mendoza (baixo, percussão)
Tommy Clufetos (bateria, percussão)

01. Klstrphnky
02. Crave
03. Rawdogs & Warhogs
04. Damned if Ya Do
05. At Home There
06. Cum n Gitya Sum-o-This
07. Change My Sex
08. I Won’t Go Away
09. Pussywhipped
10. Goin Down Hard
11. Wang Dang Doodle
12. My Baby Likes My Butter on Her Gritz
13. Sexpot
14. Earthtones

Soul SirkUS – World Play [2004]

Soul SirkUS – World Play [2004]
(Por João Renato Alves)

A ideia inicial do Soul SirkUS surgiu no projeto Planet US, o mesmo que daria origem ao Chickenfoot. Nesse grupo, Neal se reuniria com Sammy Hagar, levando Deen Castronovo. Do outro lado, o vocalista trazia Michael Anthony além de adicionar Joe Satriani à escalação um tempo depois. Infelizmente a banda não foi adiante, o que frustrou muito Schon. O jeito foi reaproveitar os fragmentos de música que já tinha composto de outra forma. Foi aí que Jeff Scott Soto cruzou seu caminho. Para completar o time, o experiente Marco Mendoza, então baixista do Whitesnake e do Thin Lizzy.

Com essa formação, gravaram World Play, único álbum do grupo. Logo em seguida, Castronovo ficou doente e foi proibido pelos médicos de entrar em turnê. A solução foi chamar Virgil Donati para ocupar o posto. Neal se empolgou com a técnica do novo baterista e decidiu regravar o trabalho, acrescentando novas faixas. Quem curte um Hard Rock de qualidade não pode deixar de conferir cacetadas certeiras como “Highest Ground”, “New Position” e a fantástica “My Sanctuary”. O trabalho em conjunto levou Soto ao Journey, o que não acabou sendo proveitoso para ninguém e desfez uma parceria promissora.

Jeff Scott Soto (vocal)
Neal Schon (guitarra)
Marco Mendoza (baixo)
Deen Castronovo (bateria)
Virgil Donati (bateria)

01. Highest Ground
02. New Position
03. Another World
04. Soul Goes On
05. Alive
06. Peephole
07. Abailar To Mundo
08. Periled Divide
09. Praise
10. My Sanctuary
11. Friends 2 Lovers
12. Coming Home
13. My Love, My Friend
14. Close The Door
15. James Brown

Lynch Mob - Smoke and Mirrors [2009]

Lynch Mob – Smoke and Mirrors [2009]
(Por João Renato Alves)

O título pode assustar à primeira vista. Afinal de contas, ele lembra o maior fiasco da carreira do Lynch Mob e um dos maiores do Hard Rock, como estilo, o terrível álbum Smoke This!, de 1999. Mas, tranqüilizai-vos, irmãos. Esse trabalho tem muito mais a ver com os primórdios do grupo, apesar de uma sonoridade mais modernizada – nada que assuste. A formação, sempre capitaneada pelo monstro sagrado das seis cordas, George Lynch, traz o vocalista Oni Logan, dono do microfone no clássico Wicked Sensation, de volta, além do fantástico Mark Mendoza no baixo e Scot Coogan (Ace Frehley, Brides of Destruction) na bateria.

Com uma escalação dessas, dá pra esperar coisa boa. E é o que temos por aqui desde a abertura com “21st Century Man” e sua levada tipicamente Hard. A coisa fica ainda melhor com a faixa-título e suas mudanças de andamento perfeitas. “My Kind of Healer” com seus riffs de guitarra de primeira é outro destaque. Há alguns momentos mais experimentais, como em “Time Keepers”, mas nada que comprometa a qualidade do play. Um alívio para todos que desconfiam do que George Lynch pode aprontar quando lança um trabalho, especialmente quando se trata do Lynch Mob. Mas podem baixar sem medo, aqui o Hard Rock comanda.

George Lynch (guitarra)
Oni Logan (vocal)
Marco Mendoza (baixo)
Scot Coogan (bateria)

01. 21st Century Man
02. Smoke and Mirrors
03. Lucky Man
04. My Kind of Healer
05. Time Keepers
06. Revolution Heroes
07. Let the Music Be Your Master
08. The Phacist
09. Where Do You Sleep at Night
10. Madly Backwards
11. We Will Remain
12. Before I Close My Eyes

Marco Mendoza

Cinco discos para conhecer: Steve Howe

Steve Howe Playing the Guitar

Aos 66 anos, Steve Howe permanece na ativa e é, sem dúvida, um dos guitarristas mais influentes da história do rock. Aqui estão os cinco melhores discos para conhecer sua vasta obra que foi desde o rock progressivo mais elemental até o que de mais pasteurizado e radiofônico a década de 1980 foi capaz de oferecer.

Yes – Close to the Edge [1972]

Yes – Close to the Edge [1972]

Se importância histórica fosse o critério de seleção por aqui, certamente Fragile [1971] ficaria com a vaga (com créditos ao sucesso de “Roundabout”). Mas, na minha opinião, e na de, acredito eu, incontáveis fãs, a obra-prima do Yes está aqui, no disco da capa verde. Close to the Edge foi todo escrito baseado no livro Sidarta, do alemão Hermann Hesse. Questões como a busca pela plenitude espiritual e todo o aprendizado obtido por Hesse durante sua estada na Índia marcam presença em letras que vagueiam entre a psicodelia total e o deslumbramento de uma criança com seu brinquedo novo.

O quinto álbum de estúdio do grupo levou seu som a um novo patamar, no qual as influências da música erudita tornaram-se ainda mais latentes. A amálgama sonora inclui ainda a boa e velha improvisação e os tempos quebrados do jazz, e o apelo pop responsável por emplacar o single “And You And I” nas paradas norte-americanas. Foi também o último trabalho do baterista Bill Bruford, que trocaria o Yes pelo King Crimson logo após as gravações e preparou terreno para Tales from Topographic Oceans [1973], que é, de longe, o play mais complexo já lançado pelo Yes.

Jon Anderson (vocal)
Chris Squire (baixo, vocal)
Bill Bruford (bateria)
Steve Howe (guitarra, vocal)
Rick Wakeman (teclados)

01. Close To The Edge
02. And You And I
03. Siberian Khatru

Steve Howe – The Steve Howe Album [1979]

Steve Howe – The Steve Howe Album [1979]

Quando ouvi este disco pela primeira vez, me veio à mente a imagem do alquimista, combinando elementos científicos e místicos na busca pelo elixir da imortalidade. Em sua segunda empreitada como artista solo (a primeira foi com Beginnings [1975]), Steve Howe tocou 14 instrumentos de corda diferentes, além de teclados e sintetizadores, e também oferece um tostão de sua voz. Companheiros e ex-companheiros de Yes (os bateristas Bill Bruford e Alan White e o tecladista Patrick Moraz) fazem participações pra lá de especiais e a produção não fica devendo em nada para os clássicos da banda.

The Steve Howe Album é progressivo em sua essência, mas não se restringe aos traços mais marcantes do gênero. Impossível ouvir “Cactus Boogie” e não se lembrar de humorísticos das antigas, como Os Três Patetas. Outra que tem cara de trilha sonora de TV é “Diary of a Man Who Vanished”. “Look Over Your Shoulder” conta com vocal adocicado de Claire Hamill, que a despeito de ser ótima, nunca obteve o sucesso merecido. A reta final traz o épico “Double Rondo”, com orquestração de Andrew Jackman e uma releitura do segundo movimento do Concerto em Ré Maior de Vivaldi. Pra mim, o disco definitivo de Howe.

Steve Howe (guitarra, violão, baixo, violão espanhol, sítar, mandolin, banjo, pedal steel, sintetizadores Moog, vocal)
Claire Hamill (vocal)
Ronnie Leahy (sintetizadores, órgão Hammond)
Patrick Moraz (piano)
Alan White (bateria)
Bill Bruford (bateria)
Clive Bunker (percussão)
Graham Preskett (violino)
59 Piece Orchestra arranjada e conduzida por Andrew Jackman

01. Pennants
02. Cactus Boogie
03. All’s A Chord
04. Diary Of A Man Who Vanished
05. Look Over Your Shoulder
06. Meadow Rag
07. The Continental
08. Surface Tension
09. Double Rondo
10. Concerto In D (2nd Movement)

Asia – Asia [1982]

Asia – Asia [1982]

Em tempos de vacas magras não foi surpresa para ninguém que um adepto da complexidade musical como Steve Howe se rendesse aos caprichos do rock de arena, que surgia no início dos anos 80 como alternativa aos subgêneros voltados essencialmente para o público jovem. O chamado Adult-Oriented Rock (AOR) teve no Asia um de seus principais nomes e no disco de estreia do supergrupo um de seus momentos mais marcantes, tanto pela vendagem quanto pela maneira que algumas de suas músicas foram inseridas na cultura de modo geral – vide “Only Time Will Tell”, tema do comercial do cigarro Hollywood.

Asia já abre com um tremendo hino. “Heat of the Moment” provou-se atemporal e permanece até os dias de hoje como o grande hit do quarteto. Aqui estão todos os clichês sonoros que delineavam a primeira leva do AOR: tecladão onipresente, bateria e guitarra altamente reverberados, baixo pulsante e harmonizações vocais e refrões que fariam Sylvester Stallone molhar as calças e tentar a todo custo incluir um som assim em algum de seus filmes. OK, Howe está deveras mais contido aqui, mas a repercussão da bolacha nas prateleiras e nas FMs atesta sua sobrevivência à seleção natural musical da época.

John Wetton (baixo, vocais)
Steve Howe (guitarra, vocais)
Geoff Downes (teclados, vocais)
Carl Palmer (bateria, vocais)

01. Heat Of the Moment
02. Only Time Will Tell
03. Sole Survivor
04. One Step Closer
05. Time Again
06. Wildest Dreams
07. Without You
08. Cutting It Fine
09. Here Comes the Feeling

GTR – GTR [1986]

GTR – GTR [1986]

Após deixar o Asia, em 1985, Steve Howe uniu forças com o xará Steve Hackett, ex-guitarrista do Genesis, e deu origem ao supergrupo GTR. O nome vem da abreviação para a palavra guitar, e guitarra é o que não falta por aqui. Tanto Howe quanto Hackett, àquela altura, possuíam bagagens de dar inveja e isso assegura a qualidade do único registro deixado pelo GTR em sua curta existência – foram apenas dois anos de atividades, apesar da ótima repercussão do álbum nas paradas britânica e norte-americana.

Com produção a cargo do ex-colega de Howe no Asia, Geoff Downes, GTR tem veia progressiva, mas respira confortavelmente na curva do AOR, que mesmo perdendo espaço para o hard rock farofa, continuava campeão na preferência do público mais maduro, acima dos 30 anos. A crítica, porém, caiu matando, acusando os Steves de abandonarem as origens. Esteja ela certa ou não, GTR é um capítulo de leitura obrigatória na biografia de Howe.

Max Bacon (vocais)
Steve Hackett (guitarra, vocais e baixo)
Steve Howe (guitarra, vocais)
Phil Spalding (baixo, vocais)
Jonathan Mover (bateria, percussão)

01. When the Heart Rules the Mind
02. The Hunter
03. Here I Wait
04. Sketches in the Sun
05. Jekyll and Hyde
06. You Can Still Get Through
07. Reach Out (Never Say No)
08. Toe the Line
09. Hackett to Bits
10. Imagining

Oliver Wakeman with Steve Howe – The 3 Ages of Magick [2001]

Oliver Wakeman with Steve Howe – The 3 Ages of Magick [2001]

Filho de peixe, peixinho é. O primogênito de Rick Wakeman seguiu o exemplo do pai e tornou-se um tecladista de primeira, tendo inclusive assumido o posto que já pertenceu a Rick no Yes. No início dos anos 2000, Oliver e Steve Howe eram praticamente vizinhos no sudeste da Inglaterra, e essa proximidade os levou a estabelecer uma parceria pra lá de bem sucedida, que teve como primeiro fruto este, que é o quarto CD de Wakeman como artista solo.

The 3 Ages of Magick é um trabalho complexo, difícil de assimilar e acaba soando chato para quem não tem ouvidos treinados em rock progressivo de nível avançado. Longas passagens e referências que vão desde a música celta até a new age são um prato cheio para os verdadeiros apreciadores de genialidade sem restrições. Ainda que tome o pai como exemplo, Oliver adota um estilo próprio, que casa perfeitamente com a maneira única de Howe esmerilhar suas guitarras e violões.

Oliver Wakeman (piano, teclados)
Steve Howe (guitarra, violão e pedal steel)
Tony Dixon (flautas e sopros diversos)
Jo Greenland (violino)
Tim Buchanan (baixo, baixo fretless)
Dave Wagstaffe (bateria, percussão)

01. Ages Of Magick
02. Mind Over Matter
03. The Forgotten King
04. The Storyteller
05. The Whales Last Dance
06. Time Between Times
07. Flight Of The Condor
08. Lutey And The Mermaid
09. Standing Stones
10. The Enchanter
11. The Healer
12. Through The Eyes Of A Child
13. Hy Breasail

Asia Live At The HMV Forum In London

Cinco discos para conhecer: Rob Marcello

Rob Marcello

Notável por sua técnica apurada, Rob Marcello tem todos os pré-requisitos de um guitarrista de Metal. Mas a maioria de seus trabalhos são orientados ao Hard Rock. Conheça cinco deles na lista abaixo.

Ron Keel's Iron Horse – Iron Horse [2001]

Iron Horse – Iron Horse [2001]
(Por Marcelo Vieira)

É preciso reconhecer que Ron Keel não era lá grande coisa nos anos 1980. Por mais que a banda que leva seu sobrenome fizesse um som altamente palatável, sua maneira de cantar, acredito, deve ter sido uma barreira e tanto e isso talvez justifique o fato de o Keel nunca ter feito parte do primeiro escalão do hard rock daquela década. Quando o grunge varreu a farofa e a purpurina para debaixo do tapete, Ron virou Ronnie Lee Keel e revelou-se um excelente cantor de… música country. Parece piada, mas é verdade, e de 1990 e pouco em diante foram inúmeros trabalhos na linha roqueiro caipirão, com visual combinando chapéu de vaqueiro e munhequeira com tachinhas.

Iron Horse, de 2001, é a estreia em disco do que eu considero o melhor dos projetos paralelos de Ron, mas o que brilha mesmo aqui é a estrela de Rob Marcello, que contribuiu de maneira esplendorosa com riffs e solos da pesada, que dão a dose de testosterona que faltava às composições back to basics de Keel. Aqui temos uma baladaça chamada “Until We Fall in Love Again” cuja intro lembra a de “Wanted Dead or Alive” do Bon Jovi, um country rock 4/4 com pegadão destruidor (“Signs of Life”) e a música cujo título define a atitude musical do quarteto: “Redneck Rock N Roll”. E alguém me explica o que é o solo final de “Dancing with the Devil”!

Rob Marcello (guitarra, backing vocal)
Ron Keel (vocal)
Geno Arce (baixo, backing vocal)
Gaetano Nicolosi (bateria, percussão)

01. Run for the Border
02. Don’t Stop
03. The Show Must Go On
04. In My Wildest Dreams
05. Redneck Rock N Roll
06. Until We Fall in Love Again
07. Signs of Life
08. Shooting Star
09. You Can Have What’s Left of Me
10. Let’s Ride
11. Dancing With the Devil

Twenty 4 Seven – Destination Everywhere [2002]

Twenty 4 Seven – Destination Everywhere [2002]

Um power-trio de respeito. Rob Marcello, ainda emergente, conta com dois veteranos para o disco menos pesado dessa lista: John Corabi, que já até foi abordado no Cinco Discos Para Conhecer, e Bobby Blotzer, principalmente notável por ser o baterista do Ratt. O projeto durou apenas para registrar Destination Everywhere e nem chegou a se apresentar ao vivo.

No mais, Destination Everywhere é bem tocado e muito bem arranjado. Tem hits em potencial, refrões grudentos e um instrumental certeiro. Flerta com o Pop Rock, tem um “quê” de influência dos Beatles (além de um bom cover para “Something”) e apresenta ganchos melódicos irresistíveis. Vale destacar o trabalho vocal de John Corabi – um de seus melhores até hoje.

John Corabi (vocal, guitarra)
Rob Marcello (guitarra)
Bobby Blotzer (baixo, bateria)

01. Due Time
02. Fall Into Yourself
03. Dead Man’s Shoes
04. Limelight
05. Something
06. Someone I Don’t Wanna Be (Don’t Know Where I’m Going)
07. Good Times
08. Take Me To The Limit
09. It’s All About Your
10. No Matter What

Danger Danger - Live And Nude [2005]

Danger Danger – Live And Nude [2005]

A grande chance de Rob Marcello se destacar no meio foi com o Danger Danger. O guitarrista foi efetivado em 2003 como integrante fixo da banda, que não deixou de existir nem de lançar discos após a a magra década de 1990. Pouco tempo depois de Marcello entrar, Paul Laine acabou saindo da banda para dar lugar a uma reunião com o antigo vocalista, Ted Poley.

Mas houve tempo suficiente para registrar um disco ao vivo. Live And Nude foi lançado dois anos após a saída do cantor. Laine e Marcello se entenderam muito bem e ambos interpretam muito bem as músicas de seus antecessores. Rob inseriu seu estilo de forma incrível. E no caso de Paul, que não canso de dizer que é um grande vocalista, ainda há várias pérolas registradas em sua fase no Danger Danger presentes no repertório. A cozinha de Bruno Ravel e Steve West dispensa comentários.

Paul Laine (vocal)
Rob Marcello (guitarra)
Bruno Ravel (baixo)
Steve West (bateria)

01. Beat The Bullet
02. Grind
03. Under The Gun
04. Don’t Walk Away
05. Dead Drunk And Wasted
06. Goin’ Goin’ Gone
07. Bang Bang
08. Don’t Break My Heart Again
09. Good Time
10. Monkey Business
11. Rock America
12. I Still Think About You
13. Naughty Naughty

Marcello Vestry - Marcello Vestry [2008]

Marcello/Vestry – Marcello/Vestry [2008]
(Por João Renato Alves)

O disco mais Danger Danger entre os que não foram lançados pela banda. Essa frase já seria suficiente para definir o trabalho que reúne Rob Marcello, guitarrista do próprio Danger Danger e Frank Vestry, vocalista com vasta experiência no underground da cena norte-americana. Contando ainda com Bruno Ravel no baixo, produção e mixagem, só podia dar no que deu mesmo. É o típico Hard Rock festeiro, com melodias certeiras e energia inesgotável.

Aliás, se você mostrar alguma música para um amigo que não faça a mínima idéia do que se trata, com certeza ele irá pensar que é algum disco gravado entre o fim dos anos 1980 e início dos 1990. A reação seguinte do cidadão será viciar no play. Infelizmente, o projeto não realizou nenhuma apresentação ao vivo, já que Rob e Bruno se ocuparam com o Danger Danger logo em seguida. De qualquer modo, fica o registro de um dos grandes trabalhos de Hard Rock dos últimos anos. Conferida obrigatória para quem é fã do estilo.

Frank Vestry (vocal)
Rob Marcello (guitarra, teclados)
Bruno Ravel (baixo)
Lynn D.Ruhms (bateria)

01. Fireworks
02. Ready Or Not
03. All I Wanna Do Is U
04. Gone
05. Without You
06. Live Life
07. What You Mean
08. Love Injection
09. Gangster Of Love
10. One More Night
11. Gone (acoustic)

Danger Danger - Revolve [2009]

Danger Danger – Revolve [2009]

Enfim, o disco de reunião do Danger Danger com Ted Poley. Lançado em 18 de setembro de 2009 (exatamente após 20 anos do lançamento do debut autointitulado), Revolve é uma grande celebração das conquistas obtidas pelo Danger Danger que, com o tempo, mostrou que não era uma mera banda seguidora de tendências.

Em entrevista à Van do Halen, Poley afirmou que se trata de seu trabalho predileto no Danger Danger. Opiniões à parte, Revolve é grandioso. Representa a maturidade adquirida pelos envolvidos durante os anos de carreira. Há flertes notáveis ao AOR, sendo um disco mais melódico que os antecessores. E Rob Marcello caiu como uma luva ao grupo. Criativo e diferenciado, fez aqui seu melhor trabalho como guitarrista ao meu ver.

Ted Poley (vocal)
Rob Marcello (guitarra, violão)
Bruno Ravel (baixo, teclados, guitarra adicional)
Steve West (bateria)

01. That’s What I’m Talking About
02. Ghost Of Love
03. Killin’ Love
04. Hearts On The Highway
05. Fugitive
06. Keep On Keepin’ On
07. Rocket To Your Heart
08. F.U.$
09. Beautiful Regret
10. Never Give Up
11. Dirty Mind

Rob Marcello 2

Cinco discos para conhecer: Vinnie Moore

Vinnie Moore

(Por Mairon Machado)

Em maio, o Brasil receberá o antológico grupo britânico UFO em quatro datas. A banda liderada pelo vocalista Phil Mogg tocará em São Paulo (11), Porto Alegre (12), Rio de Janeiro (14) e Goiânia (16). Aproveitando-nos dessa oportunidade, apresentamos hoje cinco discos para conhecer o trabalho de seu atual guitarrista, o norte-americano Vinnie Moore, um verdadeiro ás do instrumento.

Vicious Rumours – Soldiers of the Night [1985]

Vicious Rumours – Soldiers of the Night [1985]

Pouco antes de participar fazendo a trilha do famoso comercial da Pepsi, o jovem Vinnie Moore era o guitarrista da banda de metal Vicious Rumours, da qual gravou apenas seu disco de estreia, assim como o exímio vocalista Gary St. Pierre. E neste álbum, conferimos como ele era afiado com o estilo dos guitarristas da época, no qual exibiam-se através do chamado shred guitar, aonde o virtuosismo e a velocidade são empregados a exaustão. A pequena vinheta de abertura, “Premonition“, é uma singela apresentação do que viria a ser a obra de Moore posteriormente, o que ouvimos melhor na inesquecível “Invader“, uma aula de guitarra do mesmo nível de “Eruption” (Van Halen), na qual em três minutos, Moore mostra por que veio ao mundo.

Ao lado de Geoff Thorpe, o líder da banda, Moore destaca-se através de um pioneiro power metal, enaltecido em “March or Die” e “Blastering Winds”. Em pouco conseguimos ouvir o estilo que caracterizou o guitarrista americano anos depois, mas é notável sua habilidade na construção de riffs, como atestam “Ride (Into the Sun)” e a pesada “Domestic Bliss”, essa saída de algum álbum esquecido do Judas Priest. Destaque para os alucinantes duelos de guitarra na introdução de “In Fire” e durante “Blitz the World“, além da animada faixa-título e a violenta “Murder“, para mim, a melhor canção da carreira do Vicious Rumours.

Geoff Thorpe (guitarra, backing vocals)
Gary St. Pierre (vocais)
Vinnie Moore (guitarras)
Dave Starr (baixo, backing vocals)
Larry Howe (bateria)

1. Premonition
2. Ride (Into the Sun)
3. Medusa
4. Soldiers of the Night
5. Murder
6. March or Die
7. Blitz the World
8. Invader
9. In Fire
10. Domestic Bliss
11. Blistering Winds

Vinnie Moore – Mind’s Eye [1986]

Vinnie Moore – Mind’s Eye [1986]

A estreia solo de Moore é um disco que todo menino metido a guitarrista deveria ouvir. O simpático americano sola demais, e é difícil acreditar que é um garoto de apenas 21 anos quem está fazendo todas as estripulias na guitarra, e ainda por cima, em apenas onze dias no estúdio. Desde “In Control”, passando pela clássica faixa-título, até a balada “The Journey”, Moore solta os dedos com uma agilidade totalmente comparával a nomes como Steve Vai e Yngwie Malmsteen, o que para mim, comprova o fato de ele ser um injustiçado por nunca ter participado oficialmente do G3. É velocidade atrás de velocidade, em escalas complicadíssimas e muita técnica saindo das seis cordas do instrumento, como atestam “Daydream”, “Lifeforce“, “Shadows of Yesterday” e “N. N. Y.”.

Fora isso, a participação dos sintetizadores de Tony MacAlpine, outro talentoso virtuose, dá ainda mais fúria ao álbum, o que fica mais claro na pérola “Hero Without Honor“, repleta de referências à música clássica. Até mesmo no violão, Moore exala virtuose, como podemos conferir na linda “Saved by a Miracle” (com um show de bateria por Tommy Aldridge). Apesar de hoje soar datado com o som dos anos oitenta, Mind’s Eye é um disco perfeito, que ainda intimida nas primeiras audições justamente pela potencialidade do jovem Moore. Não à toa, o LP foi eleito pela revista Guitar World como terceiro melhor álbum de shred guitar em todos os tempos, ficando atrás de Live: Extreme Volume (do grupo Racer X) e de Rising Force (Yngwie Malmsteen), e a frente de potências como Surfing with the Alien (Joe Satriani) ou Passion and Warfare (Steve Vai).

Vinnie Moore (guitarra, violão)
Tony MacAlpine (teclados)
Andy West (baixo)
Tommy Aldridge (bateria)

1. In Control
2. Daydream
3. Saved by a Miracle
4. Hero Without Honor
5. Lifeforce
6. N. N. Y.
7. Mind’s Eye
8. Shadows of Yesterday
9. The Journey

Vinnie Moore – Meltdown [1991]

Vinnie Moore – Meltdown [1991]

Assim como Mind’s Eye, o terceiro álbum de estúdio de Vinnie Moore possui muito do virtuosismo do guitarrista exalado como se estivéssemos assistindo a uma vídeo-aula sobre guitarra. Porém, aqui Moore caprichou ainda mais no uso do instrumento, acompanhado de Joe Franco na bateria e Greg Smith no baixo. A canção mais conhecida deste álbum é “Last Chance“, mas Meltdown possui muito mais. O início do álbum é muito alegre, com a faixa-título e “Let’s Go” apresentando solos vibrantes e um acompanhamento típico dos guitarristas virtuosos, mas são em faixas como “Earthshake”, com Moore pisoteando o wah-wah como poucos, ou na linda “Deep Sea”, que podemos ver a real versatilidade do guitarrista.

Entre escalas velozes, bends rasgados e alavancadas, Morre emprega melodia e balanço com equilíbrio, fazendo mais um álbum perfeito. “Midnight Rain” possui um riff saído dos anos 60, inspirado na Jimi Hendrix Experience, assim como a linda balada “Coming Home“. Já o baixo pode ser melhor ouvido em “Ridin’ High” e “Check It Out!”, e gosto muito do ritmo de “Cinema”, na qual a bateria destaca-se mais. Destaque maior para a arrepiante “Where Angels Sing“, na qual sozinho, Moore executa um dos trabalhos mais singelos e belos de sua carreira.

Vinnie Moore (guitarras)
Greg Smith (baixo)
Joe Franco (bateria)

1. Meltdown
2. Let’s Go
3. Ridin’ High
4. Earthshaker
5. Deep Sea
6. Cinema
7. Midnight Rain
8. Where Angels Sing
9. Check It Out!
10. Last Chance
11. Coming Home

Jordan Rudess – Rhythm of Time [2004]

Jordan Rudess – Rhythm of Time [2004]

Para gravar seu nono álbum solo, o tecladista do Dream Theater convidou diversos exímios guitarristas, entre eles, Moore. Apesar de participar de apenas duas faixas, são exatamente nelas que vemos como Moore aprimorou sua técnica, desvinculando-se da velocidade e empregando outras manobras, como o arpejo, as distorções e o tapping, voltando ao mundo do metal pesado do Vicious Rumours e flertando com o prog metal, sendo este o único álbum em que Moore participa diretamente com algo relacionado ao estilo. E se sai muito bem.

Rhythm of Time também mostra aos fãs de Schenker que sim, Moore poderia servir também como ótimo músico acompanhante. “Time Crunch” e “Ra”, as duas que Moore participam, por vezes lembram a guitarra de John Petrucci, principalmente nos duelos existentes na primeira canção. Elas acabam sem sombra de dúvidas sendo as melhores canções de um disco interessante, já que além de Moore, temos Satriani e Steve Morse ajudando nos malabarismos construídos por Jordan Rudess. Vale a pena ressaltar que Rudess ficou duas semanas isolado antes de gravar esse disco, e que a citada “Ra” é para ele a sua melhor composição, tanto que seguido ela aparece durante os solos que o músico faz nas apresentações do Dream Theater. Para ser ouvido com atenção e claro, muita curiosidade.

Jordan Rudess (teclados)
Dave LaRue (baixo)
Rod Morgenstein (bateria)

Músicos convidados:
Vinnie Moore (guitarra em 1 e 7)
Joe Satriani (guitarra em 2 e 3)
Greg Howe (guitarra em 4 e 6)
Steve Morse (guitarra em 5 e 6)
Daniel Jakubovic (guitarra em 4)
Kip Winger (vocais em 4 e 8)
Bill Ruyle (tabla)

1. Time Crunch
2. Screaming Head
3. Insects Among Us
4. Beyond Tomorrow
5. Bar Hopping With Mr. Picky
6. What Four
7. Ra
8. Tear Before the Rain

Ufo-the-visitor-2009-cd

UFO – The Visitor [2009]

A estreia de Moore no UFO foi em 2004, no álbum You Are Here, após (mais uma) saída conturbada do guitarrista Michael Schenker. O som acabou mudando, e a partir de The Monkey Puzzle (2006), novos fãs passaram a acompanhar a banda, influenciados pelo som do novo guitarrista. Somente com The Visitor que os xiitaas adoradores de Schenker deixaram sua antipatia de lado, e curvaram-se perante a nova sonoridade do UFO.

Sem as brigas internas, e com a saída precoce do líder Pete Way, Moore soltou-se e comandou o álbum com riffs grudentos e solos velozes, que juntamente da voz de Phil Mogg, consolidaram o UFO para uma nova geração, mostrando que os velhinhos ingleses ainda tem muito o que dar. Assim, saímos de canções mais leves (“On the Waterfront”, “Living Proof“, “Can’t Buy a Thrill” e “Stop Breaking Down” ) com rocks dançantes que são amostras claras do novo UFO (“Hell Driver“, “Stranger in Town” e “Villains & Thieves” ). Destaque para o uso do slide nas bluesísticas “Saving Me” e “Rock Ready“, e também na balada “Forsaken”, algo que dificilmente encontramos na carreira desse grande guitarrista americano.

Phil Mogg (vocais)
Vinnie Moore (guitarras)
Paul Raymond (teclados, guitarras)
Andy Parker (bateria)

Músicos convidados:
Peter Pichl (baixo)
Martina Frank (backing vocals em 6 e 8)
Melanie Newton (backing vocals em 2 e 8)
Olaf Senkbeil (backing vocals em 2, 3 e 4)

1. Saving Me
2. On the Waterfront
3. Hell Driver
4. Stop Breaking Down
5. Rock ready
6. Living Proof
7. Can’t Buy a Thrill
8. Forsaken
9. Villains & Thieves
10. Stranger in this Town

Vinnie Moore Meltdown 1991

Cinco discos para conhecer: Desmond Child

Desmond Child 1

John Charles Barret, mais conhecido como Desmond Child, é com toda a certeza um dos maiores produtores musicais que já existiu. Além disso, foi compositor de clássicos de bandas como Aerosmith, Bon Jovi, KISS, Alice Cooper e Scorpions, só para citar algumas. Abaixo, cinco discos que trazem sua assinatura, como produtor. Ele participa ativamente de cada registro, inclusive compondo maioria, senão todas as canções.

01 Robin Beck – Trouble Or Nothing [1989]

Robin Beck – Trouble Or Nothing [1989]

Se a esposa de James Christian teve alguma notoriedade no final dos anos 80, isso se deve ao brilhante trabalho de Child em seu segundo disco. Trouble Or Nothing o traz trabalhando com o que mais gostava, que era o Hard Rock melódico e grudento. Algumas de suas composições mais marcantes estão neste disco, na voz de Robin Beck.

A fórmula foi mais que vencedora, pois a voz de Beck se encaixava perfeitamente às composições de Child. Suas composições especialmente para esse disco também foram certeiras, as baladas “Hold Back The Night” (esta com a ajuda de Alice Cooper) e “Tears In The Rain”. Um disco que carrega as características mais marcantes da fase oitentista de Desmond Child.

Robin Beck (vocal)
Guy Mann Dude (guitarra)
Steve Lukather (guitarra)
Hugh McDonald (baixo)
Greg Mangiafico (teclados)
Bobby Chouinard (bateria)

01. Hide Your Heart
02. Don’t Lose Any Sleep
03. If You Were a Woman (And I Was a Man)
04. Hold Back the Night
05. Save Up All Your Tears
06. In a Crazy World Like This
07. Tears in the Rain
08. A Heart For You
09. Sleeping With the Enemy
10. First Time

02 Alice Cooper – Trash [1989]

Alice Cooper – Trash [1989]

Os anos 1980 estiveram longe de ser a melhor fase da carreira da tia Alice. Na segunda metade dessa década, ele conseguiu retomar a boa forma com discos como Constrictor e Raise Your Fist and Yell. Mas faltava um registro em que ele explodisse novamente. Esse objetivo foi conquistado através de sua parceria com Child, no vitorioso Trash.

Com a participação de Desmond Child em todas as composições, Alice Cooper deixa um pouco do peso dos discos anteriores de lado e abraça o Hair Metal, em voga naquele momento. Decisão acertada, com músicas de forte apelo Pop. Sem falar no time de músicos que Child trouxe, abrilhantando ainda mais esse álbum, um dos maiores clássicos do Rock oitentista. De longe, o seu maior trabalho como produtor.

Alice Cooper (vocal)
John McCurry (guitarra)
Hugh McDonald (baixo)
Bobby Chouinard (bateria)

Músicos adicionais:
Mark Frazier, Jack Johnson, Steve Lukather, Guy Mann-Dude, Joe Perry, Kane Roberts, Richie Sambora (guitarra)
Paul Chiten, Steve Deutsch, Gregg Mangiafico, Allan St. John (teclados)
Tom Hamilton (baixo)
Joey Kramer (bateria)

01. Poison
02. Spark in the Dark
03. House of Fire
04. Why Trust You
05. Only My Heart Talkin’
06. Bed of Nails
07. This Maniac’s in Love with You
08. Trash
09. Hell Is Living without You
10. I’m Your Gun

03 Ratt  - Detonator [1990]

Ratt – Detonator [1990]

O Ratt estava em uma fase decrescente de sua carreira. Os críticos desciam a lenha a cada trabalho que surgia e a banda já não possuía mais a força de seus dois primeiros trabalhos. Eis que mais uma vez Child é recrutado como “salvador da pátria”. Em Detonator, como de praxe, ele participa não apenas como produtor, mas de todo o processo de composição do grupo. Sua assinatura está em todas as composições, com exceção da instrumental “Intro To Shame”.

Apesar de não mudar a reputação do grupo junto aos críticos, Desmond Child mudou bastante a sonoridade do Ratt neste álbum, tornando mais acessível ao público da época. Os maiores exemplos disso acontecem em canções como “One Step Away”, “Givin’ Yourself Away” e “Heads I Win, Tails You Lose”, que seriam impensáveis na fase de maior glória da banda.

Stephen Pearcy (vocais)
Warren DeMartini (guitarra)
Robbin Crosby (guitarra)
Juan Croucier (baixo)
Bobby Blotzer(bateria)

01. Intro to Shame
02. Shame Shame Shame
03. Lovin’ You’s a Dirty Job
04. Scratch That Itch
05. One Step Away
06. Hard Time
07. Heads I Win, Tails You Lose
08. All or Nothing
09. Can’t Wait on Love
10. Givin’ Yourself Away
11. Top Secret

04 Meat Loaf – Bat Out Of Hell III The Monster Is Loose [2006]

Meat Loaf – Bat Out Of Hell III: The Monster Is Loose [2006]

Um dos maiores pepinos que Desmond Child teve em mãos. A obra de Meat Loaf e Jim Steinman é uma das maiores óperas-rock da história, mas seus criadores sempre viveram em rota de colisão. Isso piorou depois que decidiram fazer a terceira parte, em que um processava o outro para ser o dono da obra. Apesar de entrarem em acordo e Steinman concordar em participar da criação, a produção caiu nas mãos de Child.

Porém, o produtor não deixou de ser um membro participativo na criação, co-escrevendo seis composições. Loaf afirmou que Child o fez se sentir ao lado de Steinman durante a gravação, devido às suas observações e colaborações sempre pontuais. Ele também assume os backing vocals de quase todas as canções. Não à toa que logo na capa do disco, os créditos são divididos entre Desmond e Jim.

Meat Loaf (vocal)
Paul Crook (guitarra)
Randy Flowers (guitarra)
Kasim Sulton (baixo)
Mark Alexander (órgão, piano)
John Miceli (bateria)
Patti Russo (vocais femininos)
Kenny Aronoff (bateria)

Músicos adicionais:
John 5 (guitarra em 1)
Brian May (guitarra em 3)
Steve Vai (guitarra em 6)
Eric Bazilian (guitarra adicional)
Marion Raven (vocal em 3)
Jennifer Hudson (vocal em 13)

01. The Monster Is Loose
02. Blind as a Bat
03. It’s All Coming Back to Me Now
04. Bad for Good
05. Cry Over Me
06. In the Land of the Pig, the Butcher Is King
07. Monstro
08. Alive
09. If God Could Talk
10. If It Ain’t Broke, Break It
11. What About Love?
12. Seize the Night
13. The Future Ain’t What It Used to Be
14. Cry to Heaven

05 Scorpions – Humanity Hour I [2007]

Scorpions – Humanity: Hour I [2007]

Mudar o som de um dos gigantes do Hard Rock mundial e, ainda assim, nos brindar com um disco interessante. Essa foi a conquista que Desmond Child conseguiu com os alemães do Scorpions em Humanity: Hour I. O som do grupo foi modernizado, com uma pegada soturna, mas ainda assim inspirado e de ótima qualidade – como seria de se esperar desses alemães.

A temática de um futuro não muito agradável, em que os humanos lutam por sua sobrevivência contra androides e máquinas, foi desenvolvida por Child. Não é à toa que possui a fama de hitmaker. Suas letras convencem a ter esperança mesmo em um mundo sem esperança. Mais uma vez, ponto para Desmond Child.

Klaus Meine (vocal)
Matthias Jabs (guitarra)
Rudolf Schenker (guitarra)
Paweł Mąciwoda (baixo)
James Kottak (bateria)

01. Hour I
02. The Game of Life
03. We Were Born to Fly
04. The Future Never Dies
05. You’re Lovin’ Me to Death
06. 321
07. Love Will Keep Us Alive
08. We Will Rise Again
09. Your Last Song
10. Love Is War
11. The Cross
12. Humanity

Desmond Child 2

Cinco discos para conhecer: Andy Johns

Andy-Johns

Falecido ontem em Los Angeles, Andy Johns tem o seu nome cravado na história do Rock. Trabalhou com bandas do porte de Led Zeppelin, Rolling Stones e Van Halen, entre dezenas de outras. Consagrado, continuou na ativa até o ano passado, quando começou a ter problemas no fígado. A lista abaixo, que serve também como homenagem, contempla cinco de seus principais trabalhos. Descanse em paz.

Led Zeppelin - IV [1971]

Led Zeppelin – IV [1971]
(Por Weslei Varjão e Igor Miranda)

Em 1971, o Led Zeppelin já era reverenciado mundo afora, principalmente após os dois petardos iniciais lançados, e que fizeram um baita sucesso. Mas a crítica descia a lenha impiedosamente. Jimmy Page estava tão nervoso com essa situação, que decidiu que seu próximo disco não teria número de catálogo e nem mesmo nome. Os managers da gravadora praguejavam contra Page, onde afirmavam que estava assinando o atestado de óbito do grupo.

Mas não foi bem assim. Essa foi apenas uma das sacadas que mostram a originalidade deste clássico. É o décimo disco mais vendido da história do Rock, de acordo com o Guiness Book. Um misto de Hard Rock, Folk, Blues e vísceras do Heavy Metal que tem produção e execução geniais. Andy Johns, o homenageado da ocasião, foi o responsável pela mixagem e engenharia acústica e estava sob a batuta do gênio Jimmy Page.

Robert Plant (vocal, gaita)
Jimmy Page (guitarra, violão, bandolim)
John Paul Jones (baixo, sintetizador, teclado, bandolim)
John Bonham (bateria)

Músicos adicionais:
Ian Stewart (piano)
Sandy Denny (voz)

01. Black Dog
02. Rock and Roll
03. The Battle of Evermore
04. Stairway to Heaven
05. Misty Mountain Hop
06. Four Sticks
07. Going to California
08. When the Levee Breaks

Cinderella - Night Songs [1986]

Cinderella – Night Songs [1986]

Michael Anthony comentaria, em certa oportunidade, que Andy Johns era um dos raros produtores que valorizavam a presença do baixo em um disco. Não foi o que aconteceu em Night Songs, debut do Cinderella. Mas os méritos continuam a Andy Johns.

A estreia do quarteto da Filadélfia é o seu disco mais Rock N’ Roll, enveredado (como é possível notar pela capa) pelo caminho do Hard Rock em voga na época. Com exceção do vocal estridente de Tom Keifer, a banda não prezava pelo exagero. Timbres coesos e linhas instrumentais diretam caracterizam Night Songs. Talvez seja um dos lançamentos mais “roqueiros” entre a farofada quase Pop Rock daqueles tempos.

Tom Keifer (vocal, guitarra)
Jeff LaBar (guitarra)
Eric Brittingham (baixo)
Fred Coury (bateria)

01. Night Songs
02. Shake Me
03. Nobody’s Fool
04. Nothin’ for Nothin’
05. Onde Around the Ride
06. Hell on Wheels
07. Somebody Save Me
08. In from the Outside
09. Push, Push
10. Back Home Again

House of Lords - Sahara [1990]

House Of Lords – Sahara [1990]

O segundo disco de uma das melhores bandas do segundo escalão do Hard Rock, House Of Lords, é excelente. Sahara foi lançado pelo selo de Gene Simmons, $immons Records. Mais maduro que o debut, Sahara traz alguns pontos adicionais ao seu Hard melódico.

A essência permaneceu, mas o trabalho estava mais orientado para os fãs de Rock. Isso é notável pela presença maior de guitarras no produto final, além da ênfase na boa cozinha de Chuck Wright e Ken Mary. Gregg Giuffria aparece com seus teclados apenas nos momentos mais oportunos. E James Christian está, como sempre, afiadíssimo.

James Christian (vocal, violão)
Michael Guy (guitarra, violão)
Chuck Wright (baixo)
Ken Mary (bateria)
Gregg Giuffria (teclados)

Músicos adicionais:
Rick Nielsen (guitarra)
Chris Impellitteri (guitarra)
Doug Aldrich (guitarra)
Mandy Meyer (guitarra)

01. Shoot
02. Chains Of Love
03. Can’t Find My Way Home
04. Heart On The Line
05. Laydown Staydown
06. Sahara
07. It Ain’t Love
08. Remember My Name
09. American Babylon
10. Kiss Of Fire

Van Halen - 1991 - For Unlawful Carnal Knowledge(Capa)

Van Halen – For Unlawful Carnal Knowledge [1991]

Voltando à citação que inicia o texto sobre Night Songs, a máxima de Michael Anthony se fez presente em F.U.C.K., nono álbum de estúdio do Van Halen. Era notável a intenção de voltar a fazer Hard Rock em uma direção menos oitentista, mas sem deixar de trazer o background melódico do vocalista Sammy Hagar.

Isso se refletiu em uma concentração de esforços para apresentar riffs de guitarra mais impactantes e voltar a enfatizar a cozinha de Anthony e Alex Van Halen. A produção ficou a cargo de Andy Johns, Ted Templeman e da própria banda. Mas Johns deixou o processo pelas metades porque Sammy Hagar simplesmente não quis mais continuar trabalhando com ele.

Sammy Hagar (vocal, guitarra)
Eddie Van Halen (guitarra, piano, teclados)
Michael Anthony (baixo)
Alex Van Halen (bateria)

Músico adicional:
Steve Lukather (backing vocals em 11)

01. Poundcake
02. Judgement Day
03. Spanked
04. Runaround
05. Pleasure Dome
06. In ‘n’ Out
07. Man On A Mission
08. The Dream Is Over
09. Right Now
10. 316
11. Top Of The World

04 Chickenfoot 2009

Chickenfoot – Chickenfoot [2009]

Andy Johns voltou a trabalhar com a dupla Michael Anthony e Sammy Hagar (e aparentemente em paz com este) apenas em 2011, no ambicioso supergrupo Chickenfoot, completo pelo guitarrista Joe Satriani e pelo baterista Chad Smith. O debut, lançado em 2009, atende às expectativas.

O quarteto surpreende em criatividade e destreza, principalmente no setor instrumental. Sammy Hagar não poupa fôlego, se mostrando um sessentão inteiro. Não é interessante comparar a banda com projetos antecessores de seus integrantes – a proposta aqui é distinta e diversificada, unindo o peso do Hard Rock a elementos do Funk, Groove e até do Classic Rock.

Sammy Hagar (vocal)
Joe Satriani (guitarra)
Michael Anthony (baixo)
Chad Smith (bateria)

01. Avenida Revolution
02. Soap on a Rope
03. Sexy Little Thing
04. Oh Yeah
05. Runnin’ Out
06. Get It Up
07. Down the Drain
08. My Kinda Girl
09. Learning to Fall
10. Turnin’ Left
11. Future Is the Past

andyjohns

Cinco discos para conhecer: as várias faces da carreira solo de Richie Kotzen

Esse post trata apenas da carreira solo de Richie Kotzen. Para um resumo mais amplo da carreira do músico, acesse “Cinco discos para conhecer: Richie Kotzen“.

Richie-Kotzen

É impossível enquadrar Richie Kotzen em um gênero específico. Sua carreira solo, que conta com mais de 15 discos, transitam entre inúmeros estilos musicais, o que permite uma homenagem neste quadro.

Richie Kotzen - Fever Dream [1990]

Richie Kotzen – Fever Dream [1990]

Inicialmente, Richie Kotzen chamou a atenção por ser um guitarrista ágil e habilidoso. Mas em Fever Dream, segundo de sua discografia, os aspectos de destaque em Richie – que também canta na maioria das canções – passam a ser outros.

Sua musicalidade se destaca, mesmo com a proposta truncada de fazer algo que estivesse em voga na época: Hard Rock oitentista. Mesmo com a ideia de se manter no mainstream, Kotzen foge do senso comum ao inserir um raro groove entre seus contemporâneos do gênero, além de doses generosas de peso.

Richie Kotzen (vocal, guitarra)
Danny Thompson (baixo)
Atma Anur (bateria)

01. She
02. Fall of a Leader
03. Off The Rails
04. Yvonne
05. Things Remembered Never Die
06. Dream of a New Day
07. Money Power
08. Rollercoaster
09. Wheels Can Fly
10. Truth In Lies

Richie Kotzen - Mother Head's Family Reunion [1994]

Richie Kotzen – Mother’s Head Family Reunion [1994]

Mother Head’s Family Reunion foi o prineiro álbum gravado por Richie Kotzen em carreira solo em uma gravadora major. Seu debut pela poderosa Geffen Records demonstra maturidade em relação aos seus primeiros trabalhos, onde o guitarrista se preocupa em fritar.

Em uma mistura de Rock, Soul e Funk, Kotzen realizou uma mistura homogênea e identitária em Mother’s Head Family Reunion. Ele ainda desfruta da habilidade do baixista John Pierce e do baterista Atma Anur – pois este é um dos poucos de seus trabalhos a contar com uma banda em todas as canções. Trata-se de uma das referências em sua extensa discografia.

Richie Kotzen (vocal, guitarra, órgão Hammond, teclados)
John Pierce (baixo
Atma Anur (bateria, percussão)

01. Socialite
02. Mother Head’s Family Reunion
03. Where Did Our Love Go
04. Natural Thing
05. A Love Divine
06. Soul To Soul
07. Reach Out I’ll Be There
08. Testify
09. Used
10. A Woman And A Man
11. Livin’ Easy
12. Cover Me

Richie Kotzen - Bi-Polar Blues [1999]

Richie Kotzen – Bi-Polar Blues [1999]

Por mais que Bi-Polar Blues tenha alguns covers, a inserção deste disco no quadro é relevante. A faceta Blues de Richie Kotzen é evidenciada perfeitamente nesse registro, que o tem assumindo todos os instrumentos – com exceção do baixista Rob Harrington e do baterista Matt Luneau em, respectivamente, duas e cinco faixas.

Nas músicas próprias, uma veia Bluesy vista apenas por grandes (e velhos) nomes do gênero é devidamente resgatada. Algumas canções, como a abertura “Gone Tomorrow Blues”, a truncada “Broken Man Blues” e a melancólica “A Step Away”, parecem ter nascido clássicas. Nos tributos, a performance original de Kotzen cativa até os mais saudosistas.

Richie Kotzen (vocal, guitarra, piano, baixo, bateria)

Músicos adicionais:
Rob Harrington (baixo em 4 e 6)
Matt Luneau (bateria em 1, 3, 4, 6 e 7)

01. Gone Tomorrow Blues
02. Tied To You
03. They’re Red Hot (Robert Johnson cover)
04. Tobacco Road (John D. Loudermilk cover)
05. Broken Man Blues
06. The Thrill Is Gone (Roy Hawkins cover)
07. From Four Till Late (Robert Johnson cover)
08. A Step Away
09. Burn It Down
10. No Kinda Hero
11. Richie’s Boogie

Richie Kotzen - Get Up [2004]

Richie Kotzen – Get Up [2004]

Em Get Up, provavelmente seu trabalho mais conhecido, a influência principal é o Hard Rock setentista. Kotzen declarou considerar, inclusive, um de seus registros definitivos, juntamente de Mother’s Head Family Reunion.

Sem abandonar o swing que lhe é costumeiro, Richie apresenta uma proposta purista em relação ao Hard Rock, com foco em riffs de guitarra e bons refrões. Duas canções se destacam das demais, principalmente em termos de repercussão: “Losing My Mind” e “Remember”, que se tornaram clássicos de Kotzen.

Richie Kotzen (todos os instrumentos)

01. Losing my Mind
02. Fantasy
03. Remember
04. Get Up
05. So Cold
06. Such a Shame
07. Made for Tonight
08. Still
09. Never Be the Same
10. Special

Richie Kotzen - Into The Black [2006]

Richie Kotzen – Into The Black [2006]
(Por João Renato Alves)

Depressão. Melancolia. Raiva. A música, muitas vezes, pode ajudar a aliviar esses sentimentos, tanto para quem ouve quanto para quem cria. E foi em Into The Black que Richie Kotzen resolveu exorcizar seus demônios internos. O álbum é uma viagem ao lado mais obscuro da mente do músico. As letras soam como verdadeiros desabafos, o que faz com a sonoridade também seja bem mais densa em comparação aos outros trabalhos de Kotzen.

Mesmo sendo tão carregado, o efeito sobre os fãs foi o melhor possível. Não são poucos os que colocam esse entre os melhores discos da carreira de Richie, talvez pela grande identificação com o que ele aborda. Mesmo em momentos mais leves, como a lindíssima balada “My Angel”, o clima é de desesperança. Outros grandes destaques são a ótima “Misunderstood”, a sempre presente no setlist “Doin’ What The Devil Says To Do” e as belíssimas passagens de guitarra em “Till You Put Me Down”.

Richie Kotzen (todos os instrumentos)

01. You Can’t Save Me
02. Misunderstood
03. Fear
04. The Shadow
05. Doin’ What The Devil Says To Do
06. Till You Put Me Down
07. Sacred Ground
08. Your Lies
09. Living In Bliss
10. My Angel

kotzen

Cinco discos para conhecer: Carlos Santana

Carlos Santana 1

Um dos principais guitarristas de todos os tempos e um revolucionário quando o assunto é fundir diferentes estilos musicais. Já estava mais do que na hora de Carlos Santana ter sua vez neste quadro. Antes tarde do que nunca, aqui estão os cinco melhores discos para conhecer sua vasta obra e os muitos momentos de sua vertiginosa carreira.

* O texto não inclui as line-ups dos álbuns por serem listagens imensas de músicos em cada obra.

Santana - Santana III [1971]

Santana – Santana III [1971]

Quando deu as caras, no final dos anos 1960, o grupo Santana, sob a liderança de Carlos Santana, cativou quase que instantaneamente a todos com sua mistura de música latina com rock de influência britânica. Inclua neste caldeirão pitadas de jazz, blues, R&B, funk e ritmos africanos, cubanos, brasileiros, espanhóis e, claro, mexicanos, para sacar o porque de uma sonoridade tão peculiar. Ok, em matéria de clássicos, tanto Santana (1969) quanto Abraxas (1970) vencem a disputa, mas o disco que melhor representa a “fase Woodstock” é, sem dúvidas, Santana III.

Lançado em setembro de 1971, o terceiro e último álbum do sexteto original contou com a guitarra adicional de Neal Schon (futuro guitarrista do Journey) a percussão e backing vocal de Coke Escovedo (que co-escreveu as duas canções de maior sucesso daqui: “No One to Depend On” e “Everybody’s Everything”) e a seção de sopro da Tower of Power, afinal, “experimentar” era a palavra-chave. O caráter dançante de “Guajira” e “Para Los Rumbeos” levou Santana III direto para os bailes de rumba, enquanto que “Everything’s Coming Our Way” garantiu sua vaga nas Fms da época.

01. Batuka
02. No One to Depend On
03. Taboo
04. Toussaint L’Overture
05. Everybody’s Everything
06. Guajira
07. Jungle Strut
08. Everything’s Coming Our Way
09. Para Los Rumberos

Carlos Santana & Buddy Miles! Live! [1972]

Carlos Santana and Buddy Myles – Carlos Santana & Buddy Miles! Live! [1972]

Por mais que os álbuns de estúdio sejam de alto nível, é no palco a mágica acontece pra valer. Acompanhado do monstro Buddy Miles, ex-baterista da Band of Gypsies de Jimi Hendrix, Santana realiza uma de suas performances mais memoráveis, na cratera de um vulcão em Honolulu, capital do Havaí, em festival realizado no Ano-Novo de 1972, e lançado em disco cinco meses mais tarde via Columbia Records.

São pouco mais de 45 minutos recheados de momentos de puro devaneio sonoro, em que a improvisação assume a dianteira e conduz o público por um espetáculo com cara de jam session movida a LSD. No palco, uma banda mista formada por integrantes tanto da Santana Band quanto do grupo de Miles mostra um entrosamento absurdo executando um repertório que inclui até música de John McLaughlin. O disco fez Top Ten, com 1 milhão de cópias vendidas.

01. Marbles
02. Lava
03. Evil Ways
04. Faith Interlude
05. Them Changes
06. Free form Funkafide Filth

Santana - Caravanserai [1972]

Santana – Caravanserai [1972]

O cenário era de total instabilidade na Santana Band: David Brown e Michael P.R. Carabello haviam pedido as contas, Gregg Rolie e Neal Schon já não compareciam tanto (a dupla daria origem ao Journey em 1973) e todo o mana parecia ter sido gasto nos três álbuns de estúdio lançados até então. Era preciso dar um tempo, e foi dos locais de descanso para viajantes em rotas comerciais da antiguidade que Carlos tirou o nome para o quarto trabalho do grupo que leva seu sobrenome.

Caravanserai chegou às lojas em outubro de 1972 e, ao contrário de seus antecessores, cuja marca registrada era a fusão de ritmos, trazia no decorrer de seus sulcos uma atmosfera totalmente jazzística, com longas passagens instrumentais e experimentação aos montes. A história não mente quando diz que músicos chapados quase sempre produzem grandes obras e aqui temos uma prova. Não rolou hit em paradas de sucessos, mas o lugar pra lá de especial no coração dos fãs é garantido.

01. Eternal Caravan of Reincarnation
02. Waves Within
03. Look Up (To See What’s Coming Down)
04. Just in Time to See the Sun
05. Song of the Wind
06. All the Love of the Universe
07. Future Primitive
08. Stone Flower
09. La Fuente del Ritmo
10. Every Step of the Way

Santana - Zebop! [1981]

Santana – Zebop! [1981]

Antes de Alex Ligertwood, a Santana Band nunca tinha contado com um vocalista tão completo. O escocês assumiu o posto em meados dos anos 1970 e cantou em clássicos como “All I Ever Wanted” e “You Know That I Love You”. Ao vivo o cara também não decepcionava, mas a grande questão é a sua contribuição para o aprimoramento artístico da banda, que, musicalmente, ganhou cara de banda mesmo, com cargos bem definidos. Com Alex na jogada, eram dois, ele e Carlos, no comando, e refrões passaram a ser peças-chave.

Lançado em abril de 1981, Zebop! é o álbum mais reverenciado da “fase Ligertwood”, pois traz canções que, se por um lado não fizeram história, por outro ocupam posições entre as favoritas dos fãs. O som puxa uma sardinha para o pop, mas não escorrega a ponto de soar pasteurizado demais. O único sucesso por aqui foi “Winning”, composta por Russ Ballard, um dos maiores hitmakers da década de 1980. Destaque também para “Brightest Star” e para a releitura de “The Sensitive Kind”, de J.J. Cale.

01. Changes
02. E Papa Ré
03. Primera Invasion
04. Searchin’
05. Over and Over
06. Winning
07. Tales of Kilimanjaro
08. The Sensitive Kind
09. American Gypsy
10. I Love You Much Too Much
11. Brightest Star
12. Hannibal

Santana - Supernatural [1999]

Santana – Supernatural [1999]

Depois de quase duas décadas sem discos de ouro, platina ou prêmios de relevância, Santana teve a belíssima idéia de juntar um grande time de astros e estrelas para compor um novo disco… e deu certo! Supernatural é um dos maiores sucessos de vendas da história. Nomeado para 11 Grammys, o disco arrebatou nove, incluindo “Álbum do Ano” e três Grammys Latinos. Vendeu 27 milhões de cópias, foi disco de ouro até mesmo no Brasil e virou DVD: An Supernatural Evening with Santana.

Homogêneo, Supernatural agrada desde o fã de hip hop até a menininha louca por vocalistas charmosos, como é o caso de Rob Thomas, do Matchbox Twenty, que assume o microfone no maior hit daqui: “Smooth”. Os mexicanos do Maná contribuem na ótima “Corazon Espinado” e até mesmo Wyclef Jean, do Fugees, mostra que tem algum talento na sensual “Maria, Maria” (regravada com total excelência pelo Molejo). Santana arriscaria a mesma fórmula em seus três álbuns seguintes, mas não conseguiu repetir o feito com nenhum deles.

01. (De Le) Yaleo
02. Love of My Life (feat. Dave Matthews)
03. Put Your Lights On (feat. Everlast)
04. Africa Bamba
05. Smooth (feat. Rob Thomas)
06. Do You Like the Way (feat. Lauryn Hill and Cee-Lo)
07. Maria Maria (feat. Wyclef Jean)
08. Migra
09. Corazón Espinado (feat. Maná)
10. Wishing It Was (feat. Eagle-Eye Cherry)
11. El Farol
12. Primavera
13. The Calling (feat. Eric Clapton)
14. Day of Celebration

Carlos Santana 2